(ANA DE ARMAS, 40, ela/dela) atenção, atenção, quem vem lá? ah, é MALÉVOLA, da história SLEEPING BEAUTY! todo mundo te conhece… como não conhecer?! se gostam, aí é outra coisa! vamos meter um papo reto aqui: as coisas ficaram complicadas para você, né? você estava vivendo tranquilamente (eu acho…) depois do seu felizes para sempre, você tinha até começado a COMANDAR UMA CASA DE SHOWS… e aí, do nada, um monte de gente estranha caiu do céu para atrapalhar a sua vida! olha, eu espero que nada de ruim aconteça, porque por mais que você seja RESILIENTE, você é RANCOROSA, e é o que merlin diz por aí: precisamos manter a integridade da SUA história! Pelo menos, você pode aproveitar a sua estadia no Reino dos Perdidos fazendo o que você gosta: SER DONA DO SINISTER MIRAGE.
˛ ⠀ ⠀ * ⠀ ⠀𝑠𝑖𝑛𝑖𝑠𝑡𝑒𝑟 𝑚𝑖𝑟𝑎𝑔𝑒.
Sinister Mirage começou com uma casa de shows simples. No canto mais obscuro da floresta, onde nenhuma magia do bem consegue penetrar e os mais diversos bandidos passam correndo sem nem olhar, o novo lar de Malévola tomou forma. Construído com a sua própria magia, o que a princípio parece uma casa normal, de dois andares e que poderia facilmente ser o lar de uma bela tradicional família, gradualmente se tornava obscura. As janelas pareciam se tornar olhos negros e a porta se transformava em uma boca que chamava qualquer um que estivesse do lado de fora. Dentro, os dois andares do local eram a casa dos mais diversos sonhos não atendidos pelo reino. No primeiro andar, depois de um longo corredor sem iluminação, um salão médio se abria. Entre poltronas confortáveis e mesas para grandes grupos, ficava um pequeno palco onde dançarinos normalmente faziam seus números. Aos fundos, perto de uma lareira, um palco maior era normalmente o cenário de peças teatrais depravadas e mais números de dança e música. O bar ficava perto da escada que levava ao segundo andar. Era um espaço apertado, com cerca de seis quartos, sendo o sétimo e último, bem no final do corredor, o quarto de Malévola. Ao longo do tempo, Malévola foi aperfeiçoando o local e aumentando como podia o espaço para receber clientes. Hoje, já no Reino dos Perdidos, o local conta com três andares, um a mais do que em sua criação. Os quartos foram transferidos para o último andar, o segundo andar passou a ser apenas para os dançarinos e o primeiro para peças teatrais e shows de música.
Ela gosta de falar que cada andar é como um nível a mais de depravação. Apesar disso, os quartos são apenas para uso pessoas que desejam pernoitar acompanhadas, de maneira consensual e não paga. Malévola defende seus dançarinos, cantores e atores avidamente, pois sempre terá alguém que passará dos limites e querer comprá-los.
˛ ⠀ ⠀ * ⠀ ⠀𝑟𝑒𝑠𝑢𝑚𝑜.
em breve!
posição sobre os perdidos: ela ainda não tem 100% de certeza, considerando a lista de coisas que pode dar errado para ela e para aqueles com quem ela se importa, mas a ideia de ter mais pessoas do lado dela a agrada. ela está sondando os perdidos de maneira a encontrar pessoas que tenham ideais parecidos com os seus, mas se chegar um momento em que ela tiver que escolher entre sua vida real e a nova, ela escolherá a real.
˛ ⠀ ⠀ * ⠀ ⠀𝑡𝑟𝑖𝑣𝑖𝑎.
malévola é bissexual.
sua verdadeira idade é uma informação que ela mantém apenas para si mesma. ela sabe que será julgada pelas pessoas por ser um ser tão antigo, então ela prefere manter o mistério ao redor disso.
consegue se transformar em um dragão, mas são raras as ocasiões que isso acontece e ela precisa estar sobre um nível alto de estresse.
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🥀 malévola compareceu ao halloween festival vestida de 𝐞𝐯𝐢𝐥 𝐰𝐢𝐭𝐜𝐡 !
a ideia de halloween não agradou muito malévola. as festividades em torno da data eram bem-vindas, mas a ideia de se fantasiar . . . não. ela se esforçou para escolher uma roupa, um vestido que lhe agradasse e a deixasse confortável. se perguntarem para ela, malévola dirá que está vestida de bruxa má, mas sugiro que não insista muito no assunto. não quer a prova de que aquilo não é apenas uma fantasia, certo?
Diaval seguia as ordens de Malévola como se estivesse no automático; nem a dor que sentia pelo corpo ou a ardência em sua garganta poderia impedi-lo de se movimentar e andar até a cama da mulher para sentar-se como ela queria. Foi por isso que acabou nos aposentos de Malévola naquela noite: porque ela havia mandado, dias atrás, que a procurasse se estivesse em uma noite ruim. E aquela noite era muito ruim. Todo movimento que fazia para se ajeitar nas almofadas parecia ser uma forma de tortura diferente. Tentou focar-se na dor que sentia, e parecia que a transformação em humano ainda estava ocorrendo, mesmo que não houvesse nenhuma evidencia física pra isso. Ele nunca havia sentido dor quando mudava de uma forma pra outra, mas agora era como se a maldição quisesse o castigar por ter aqueles poderes. Sua cabeça agora doía também por conta do baque que tomou no corredor, e ainda estava um pouco tonto por isso, precisando descansar a cabeça; "Desculpe." Falou enquanto focava-se na figura de Malévola dando a volta na cama para sentar-se ao seu lado, voltada pra ele. A presença alheia era natural para Diaval, mesmo que ultimamente as coisas parecessem mais distantes. E ele culpava todo aquele reino, os perdidos e as mudanças drásticas em sua história. Diaval nunca desejou que nada mudasse, e era assustador pensar naquela possibilidade. "Eu não viria se soubesse que estava tendo uma noite ruim." Diaval não queria perturbá-la se ela não quisesse sua presença, mas ele sentia que Malévola sabia que Diaval foi direto pra lá porque ele pediu... e porque ele sentiu que precisava dela. Sentindo a garganta começar a arder, Diaval sabia que a dor daquela noite estava longe de acabar. "Malévola... eu preciso contar sobre algo..." Antes que ela descubra sozinha, no caso. Diaval tentou se ajeitar na cama para se sentar, e desejou poder segurar a mão alheia. Só que ainda se lembrava da última conversa que tiveram e o jeito que ela se desvencilhou de seu toque. "Eu não acho que há lugar pra mim em seu novo conto."
"não peça desculpas." disse rápido, como se a fala dele fosse uma ofensa direta e dolorosa. e era. malévola necessitava saber que os outros entendiam que ela sempre estava bem. ela precisava sempre estar bem, mesmo nos seus momentos de maior ódio, ela não poderia parecer uma pessoa incapacitada e agora era assim que ela se sentia. "eu pedi que viesse e você fez o certo." tudo pesava ainda mais em seu peito ao pensar que ela tinha colocado ele nessa situação. "minhas noites não são mais do que eu posso aguentar." tentou tranquilizá-lo, usando seu tom mais calmo e cometido. não deixava de ser uma verdade, mas foi também para que ela mesmo percebesse que precisava disfarçar melhor. olhou com atenção conforme ele tentou se sentar melhor, pegando um de seus travesseiros e colocando sob ele, segurando diaval pelo ombro. a fala dele fez com que sua mente ficasse em branco. seus movimentos sessando enquanto ela voltava a sua posição inicial. ela podia imaginar, é claro. diaval estava sofrendo tanto e mesmo assim seu nome nem era citado no novo conto. o que mais poderia significar aquele sofrimento? e ela tinha o colocado ali. "eu também acho que não, diaval." pela primeira vez em muito tempo, ela sentiu um bolo se formando em sua garganta. sentimentos que ela não gostava de ter, por ninguém, mas que seria tolice achar que não sentia por diaval e aurora. "eu sinto muito. eu... eu intervi na ordem natural das coisas, da natureza, e agora nossa vida está sendo arruinada." seria melhor se diaval tivesse morrido naquele dia? ela não podia dizer, seu egoísmo não permitia que ela assumisse que faria tudo igual. malévola se aproximou minimamente, levando a mão direita até o peito dele, próximo da garganta, e canalizou todo poder que ainda tinha em si. desejou tirar aquela dor dele, desejou que ele pudesse ter uma noite tranquila de novo, mas mesmo assim ela sabia que nada aconteceu. "eu... eu não... se eu pudesse..." sua voz morreu, voltando a olhar para os olhos dele, derrotada.
As transformações de Diaval em corvo já eram naturais àquele ponto, mas desde que tudo mudou no último evento do reino, elas se tornaram difíceis de controlar. Não só isso, mas quando as noites amaldiçoadas chegavam, Diaval sentia a dor se expandir pelo corpo inteiro, como se o poder que antes foi um presente agora fosse uma tortura. Voava agora sem um destino específico, mas não demorou para se encontrar no caminho para os aposentos de Malévola. O corvo foi direto até a porta, e o baque foi tão forte que Diaval caiu, voltando de imediato à sua forma de homem. Ele gemeu com a dor da batida que ainda permaneceu durante a transformação, mas a ardência em sua garganta mostrava que ainda não estava em paz. O lembrete de que iria morrer no novo conto estava ali, e não ajudava quando estava tão exposto bem na porta da mulher que tinha o seu destino na palma da mão.
Mas ele sabia que Malévola também estava tendo noites ruins. Quando ela abriu a porta, Diaval conseguia sentir isso; a magia alheia corria por suas veias, afinal. "Eu..." Ele começou a dizer, rouco com a ardência da garganta. Sabia que as pétalas estavam vindo, e sentia-se mais vulnerável do que nunca, segurando-se no batente da porta, sob o olhar de Malévola. "É uma noite ruim." Diaval levou a mão até a cabeça, sentindo uma dor que estava o deixando tonto. Sabia que havia perdido controle de seu voo ao chegar até ali, mas as memórias entre as transformações estavam confusas. Só sabia que se lembrava de Malévola pedindo que fosse até ela caso precisasse, e foi isso que instintivamente fez. "Desculpe." Falou, voltando seu olhar para a outra. Diaval se esforçou para ajeitar a postura, como se só agora caísse a ficha do que estava acontecendo e de como estava diante de Malévola. Pela expressão dela, parecia que algo na noite dela também não estava indo bem. Diaval teve que lutar pela vontade de se aproximar e segurar a mão deça, temendo que a tontura fosse derrubá-lo mais uma vez caso desse um passo em falso. "Eu não queria assustá-la."
malévola pareceu acordar quando ele respondeu. antes em um transe, sem saber o que fazer com o horror da imagem dele, agora ela corria para agir de maneira mais discreta possível. tirou forças de algum lugar desconhecido em seu corpo maltratado e ajudou ele a se levantar e se endireitar, puxando-o para dentro do quarto ao mesmo tempo. não queria que ninguém o visse daquela maneira por diversos motivos, mas o que mais corria em sua cabeça no momento era que ele não deveria querer ser visto e o mínimo que ela poderia fazer é proteger ele. ela deu uma última olhada no corredor antes de fechar e trancar a porta com um leve movimento de mãos. "venha, sente na minha cama." o espaço era grande, mas queria que ele descansasse. não precisava pensar muito para saber que a noite de diaval não foi das melhores, assim como a sua. malévola aproveitou o toque no ombro dele e tentou ler sua dor. a mão, cintilando verde, precisou ser recolhida como se tivesse sido queimada. não tinha, mas o medo que se instaurou ao sentir a respiração dele foi o suficiente. ela não podia falar nada. não podia preocupar ele. "sente." ela levantou um dos travesseiros contra a cabeceira e deixou que ele ficasse a vontade, dando a volta na cama para sentar do lado oposto. só então lembrou da dor nos seus pés e mãos, dando uma leve olhada em suas palmas para garantir que não estava queimada, mas ela sabia que não. mesmo assim, seus pés pareciam estar em um alto nível de queimadura contra os vincos da madeira do piso. sentou-se do lado direito da cama, mas virada para a cabeceira, sem querer tirar diaval de vista. não sabia como aquela situação toda poderia evoluir, então estava ansiosa e com medo. "você não me assustou. só um pouco..." tentou acalmá-lo, juntando o vestido no colo ao tentar achar o que fazer com as mãos. seu instinto era tentar curá-lo, tentar aliviar sua dor, mas algo a deteve.
a ideia pareceu ótima desde o primeiro segundo. malévola tinha muito ódio acumulado, a ponto de fazer com que ela fique remoendo coisas por dias e dias. ela era uma bruxa rancorosa, afinal de contas. mesmo assim, as vezes parecia que jogar maldições não era o suficiente e ela precisava quebrar a cara de alguém. claro que ela tentava evitar isso, considerando as circunstâncias. esse reino lhe trazia mais raiva pelo simples fato de que não podia ser quem realmente era. todo seu corpo doía e ela precisava descarregar aquela raiva. foi designada para uma sala onde não estava sozinha e não se importou muito com isso, visto que o lugar era bem grande. começou a quebrar tudo que via pela frente, vendo vários rostos que realmente mereciam serem quebrados. foi só quando derrubou um barril de metal no chão perto da outra pessoa que se assustou consigo mesma e parou. "ah, eu acertei você? com o barril?" esperou se acalmar um pouco e tirou a máscara protetora, respirando fundo. só então percebeu o esforço físico que estava fazendo.
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ela evitou a house of devil enquanto pode. o lugar era certamente intimidador, acentuado pelo fato de que malévola não gostava de se enxergar como uma pessoa vaidosa. era contra a natureza dela, mesmo com ela tentando se adaptar de todas as maneiras possíveis. agora era um desses momentos de adaptação. ela precisou respirar fundo e ir atrás do seu objetivo. um vestido para o halloween. ela não ligava para o halloween e muito menos tinha intenção de usar alguma fantasia, mas ela queria um vestido novo. as vezes querer não era suficiente, e em outras vezes era tudo. um vestido longo chamou sua atenção e ele o puxou da arara, analisando seu tecido e suas cores. era como ela sempre usava. longo e esvoaçante. "você acha que esse vestido serviria para o halloween?" perguntou, ao ver uma menina olhando vestidos na mesma arara que ela. "eu não imagino que o objetivo dele seja este, mas acho que suas cores combinam com a energia que se instalou na cidade." tentou ser simpática, fingindo naturalidade naquele lugar. a menina na sua frente provavelmente iria perceber que não estava completamente confortável.
𝑐𝑜𝑚: @bichopvpao
𝑜𝑛𝑑𝑒: island of the sleepy sands.
que malévola estava tendo problemas para dormir, isso era óbvio. seu rosto sempre tão jovial e iluminado por sua magia, agora parecia um pouco mais cansado do que o normal e ela odiava aquilo. ao mesmo tempo, ela não queria, de jeito nenhum dormir. tudo que ela queria era deitar a cabeça no travesseiro e acordar no outro dia, sem ter sonhado nada. "você acha que o sandman tem algo para banir sonhos ou algo que nos deixe descansados sem precisar dormir?" perguntou, vendo outra pessoa olhando travesseiros. logo percebeu com quem estava falando. reconhecia com facilidade os outros vilões, então soube de seu erro. "acho que se ele tivesse, você não me falaria. não é?" sabia que a coisa toda do outro eram os pesadelos. ele devia estar tendo uns meses e tanto. imaginava como o conto novo estava afetando ele.
𝑐𝑜𝑚: @menganaqueugosto
𝑜𝑛𝑑𝑒: museu dos tesouros perdidos
malévola gostava de visitar os lugares do reino quando estava entediada, o que não era muito comum. ela precisava ter certeza de que tinha escolhido um bom lugar e um museu não era muito parecido com o seu perfil. apesar disso, o museu de ariel era, sim, muito interessante. como uma pessoa que nasceu na floresta ainda tinha muitas coisas que não eram familiares para ela. um museu de coisas perdidas e diversas parecia a coisa perfeita para encantar ela e realmente foi. "você não acha que a qualquer momento vai achar algo que perdeu há muito tempo e nem se lembra?" sua pergunta veio com um sorriso ao ver que uma pedra preciosa que poderia facilmente ter saído do seu reino. "eu lembro de escutar quando criança que as coisas que perdemos vão para outro reino. quem sabe não era o de ariel?"
Não poderia negar que no fundo desejava saber por qual motivo Malévola havia aceitado contratá-la. Tudo bem que se candidatar para a vaga era de extrema ousadia de sua parte, porém, no fundo sabia que se fosse mesmo necessário arranjar um emprego, seria melhor tê-los com os que viriam ser os seus aliados no futuro. Por mais que não houvesse qualquer garantia de que sua figura materna — por mais esquisito que fosse pensar aquilo — iria vê-la, verdadeiramente, como sua semelhante. Porém, para Coralie, aquele terreno lhe parecia muito mais seguro de ser explorado do que se arriscar com qualquer outra pessoa. Lhe parecia até mesmo interessante conhecer um pouco mais sobre a outra mulher e o seu estabelecimento. "Quantos músicos pretende ter por aqui?" Com a quantidade de instrumentos, era previsível que Coralie não fosse a única, ainda que estivesse incerta de que música clássica combinasse com uma casa de shows. Talvez, ela tivesse que acabar tendo que se modernizar e modernizar a música que costumava fazer. "Está perfeito! Não estava esperando que os instrumentos aqui fossem tão semelhantes aos do meu mundo."
"o máximo que conseguir." foi a resposta de malévola, mas ela sentiu que precisava completar. "o que eu estou vendo não ser muito." ia tentar contratar mais pessoas, procurar entre os que já não tinham vindo até ela, mas a verdade era que ela sentiria falta de seus antigos empregados. eles eram pessoas que nasceram num ambiente que condizia com o sinister mirage. mesmo assim, ter coralie por perto era uma parte boa disso tudo. "mesmo assim, acho que os que tenho até o momento podem dar conta de tudo sem serem sobrecarregados." mesmo sendo uma vilã, malévola não era uma má chefe. ela sabia que pessoas sobrecarregadas e maltratadas não trabalhavam bem. a esoclha dos instrumentos tinha fácil, pois ela acabou mirando nos mais básicos e sem muito enfeite. e tinha dado certo, para a sorte dela. "você toca desde criança?" perguntou, sentando-se em uma mesa perto do palco, virando a cadeira para que não ficasse com as pernas embaixo da mesa. gostaria de saber aquilo, gostaria de saber sobre a infância de coralie e se tivesse sorte, sobre as pessoas que a criaram.
sofia escutou malévola com atenção , mas em nenhum momento deixou de exibir aquele brilho desafiador no olhar . o não da fada — muito gentil , por sinal — era motivo o suficiente para não insistir mais . mas , se havia algo que a definia , era a persistência . quando malévola terminou de falar , sofia já estava com uma contra-argumentação pronta , mas manteve o tom leve para não ser vista como maluca . ‘ claro , eu entendo que nossos clientes não têm exatamente a fama de serem ... focados . ’ deu uma risada suave , o som ecoando como se estivesse se divertindo com a própria observação . ‘ mas é aí que entra o charme da ideia . a questão não seria exigir que eles prestassem atenção o tempo todo , mas sim criar algo que os deixasse ansiosos pelo que está por vir . se fizermos essas apresentações interativas uma vez por semana — ou , melhor , duas vezes por mês , isso cria expectativa . eles vão vir preparados , sabendo que aquele dia é especial . ’ inclinou-se levemente para frente , falando em um tom mais baixo , quase confidencial . ‘ imagina só : os clientes ficam comentando entre eles , se perguntando o que vai acontecer na próxima apresentação . vai gerar um burburinho . e como não é algo que acontece todo dia , cada apresentação se torna um evento . eles vão ansiar por isso , gastar mais , porque querem fazer parte dessa experiência única . ’ enquanto falava , seus olhos seguiam o movimento de malévola observando o salão , e ela não pôde deixar de se sentir impressionada com a atenção aos detalhes da chefe . malévola não fazia nada pela metade , e sofia respeitava isso . ‘ mas , claro , é só uma ideia . a decisão é sua , chefinha . ’
malévola não era influenciável, apenas precisava de tempo para analisar as possibilidades. a chance de algo acontecer e a chance daquilo dar certo. nada no sinister mirage existia sem motivos, malévola precisava botar na balança a vida dos seus clientes do lado de fora daquele estabelecimento. apesar disso, ela tinha que assumir que o perfil dos seus clientes estava mudando. "isso poderia atrair perdidos..." ela deu isso a sofia, com uma expressão de quem dizia a um cachorro que ele tinha feito um bom truque. não que visse sofia assim, mas era o mesmo olhar que ela dava a aurora quando ela ainda via uma boa pessoa em malévola. agora com certeza era diferente. "eu vou pensar sobre isso. só não quero tomar uma atitude sem pensar em todas as possibilidades." malévola tinha sua magia, mas ela ainda desembolsava o dinheiro do sinister mirage para fazer a maioria das mudanças. incluir outro ato, um ato tão diferente, seria uma novidade para os clientes e um salto no escuro para o seu bolso. "você costumava participar dessas coisas no seu mundo?" ela se permitiu essa curiosidade pela vida da loira, mesmo tentando manter a distância.
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Não estar sozinho naquela situação deixava, sim, as coisas menos piores; não o suficiente para torná-lo confortável com sua nova vida, mas ajudava a sentir-se um pouco menos azarado. A resposta da mulher o fez apenas responder com um sorrisinho de canto, como se dissesse: que bom que mais de nós estamos na merda! Bebeu um pouco mais e Cedric ousaria dizer que aquele era um momento de calmaria em sua rotina. Diante de seu trabalho para Mirana, o Sinister Mirage definitivamente era, bem... O mais perto de sua antiga vida. "Eu não seria tão ingênuo em acreditar em algum descanso," ele disse em tom ligeiramente sarcástico. Mordeu a língua para não responder que não fazia parte de conto algum, pois após a revelação do bendito Jacob, era difícil acreditar em alguma chance de retorno. "Sabe a Branquinha? Maçã envenenada, e tudo mais?" Cedric suspirou. "Aparentemente, não vou conseguir matá-la, também, mas chego perto." Levantou o copo, como se convidando-a a brindar com ele pela suposta conquista. "E você?"
malévola observou com cuidado e julgamento a resposta dele. ela, na verdade, não poderia julgar ninguém. tudo na sua vida tinha piorado desde a chegada dos perdidos e ela tentava encontrar algo bom nos mínimos detalhes. sem sucesso. "às vezes precisamos acreditar em algum tipo de descanso. mesmo que seja diferente do que estamos acostumados." tentou, de maneira a não discordar do outro, mas também achar um meio termo. não queria desanimá-lo mais do que ele já estava. "e você queria ter tido sucesso na morte da snow?" sua pergunta veio depois de alguns segundos olhando o outro, analisando sua expressão com muito cuidado. aquela definitivamente era uma maneira estranha de descrever seu papel no novo conto. "você não sabe quem sou eu...?" sua voz saiu baixa, com cuidado. estava surpresa de que ele não conseguia imaginar quem ela era. a maioria já partia, pelo menos, para vilã. ele parecia ser genuino na sua pergunta. "pode me chamar de malévola."
O homem encarou a mulher a sua frente com uma expressão cuidadosa. Nunca foi próximo de Malévola, mas considerando o que ela estava lhe dizendo e toda a confusão que estava ocorrendo no mundo deles, sentia-se conectado a ela de alguma maneira. " como se elas estivessem mudando, não é? " ele questionou com um olhar curioso, tentando não soar preocupado, mas sem conseguir disfarçar. O que ele podia dizer? estava com a mesma sensação, quando tentava alcançar alguma das memórias que tinha anteriormente elas pareciam não mais pertencer a ele, mas como se ele tivesse visto em um filme ou lido em livro, não as tivesse vivido. Ele coçou a cabeça tentando encontrar palavras para consolá-la, mas não conseguindo pensar em nada. " vamos beber, assim pelo menos sabemos os motivos da nossa memória ser afetada, o álcool. "
era mais do que apenas as memórias para malévola. as memórias eram o de menos, mas, ao mesmo tempo, sentia como se estivesse doente e suas memórias simplesmente se recusassem a ficar. era estranho ter uma conversa normal com alguém como ele, mas sua fala saiu mais rápido do que podia controlar, com sua paciência ficando cada vez menor para as coisas que estavam acontecendo com ela. "acho que beber só vai piorar tudo." ela argumentou, seu tom firme e seguro, mas no mesmo segundo puxou um copo de cima do balcão, enchendo ele com sua magia. ela estava falhando há um bom tempo, mas parecia concordar com ela quando seu objetivo era fazer a coisa errada. "mas ultimamente eu ando me convencendo de que não importa o que eu faço, só vou piorar tudo. então..." ela ergueu o copo na direção dele e bebeu um gole demorado. existiam muitos motivos para ela querer se afogar na bebida e estar ao lado dele era apenas mais um. "o que são mais uns erros para a lista, não é mesmo?" mas ele não entenderia. não da maneira como malévola queria que ele entendesse.
𝑐𝑜𝑚: @corvodiaval
𝑜𝑛𝑑𝑒: terceiro andar do sinister mirage, aposentos da malévola.
era mais um pesadelo. ela gostaria de ter a consciência disso, mas sua mente a havia prendido mais uma vez. ela conseguia enxergar seus pés, caminhando por uma poça rasa de água de maneira lenta e incerta. ela tateia ao seu redor e percebe que as paredes de pedra tem um formato cilíndrico, como se estivesse dentro de uma caverna. ela caminha mais rápido e percebe que está indo atrás de um choro de uma criança. ela caminha, caminha e caminha ainda mais, mas nunca parece chegar no fim do túnel, ficando cada vez mais desesperada ao perceber que a água sob seus pés e a parede ao seu redor começam a ficar quentes, a ponto de queimar ela. queimaduras definitivas, piores do que as de ferro. quando ela finalmente acorda, leva suas mãos aos seus pés, sentindo a dor fantasma de seu sonho.
depois de alguns segundos ela percebe porque acordou. tinha alguém batendo a sua porta. ela olhou para o relógio na mesa de cabeceira, marcando três horas da manhã com seus ponteiros velhos de cobre. ela automaticamente soube que tinha alguma coisa errada. morando em um lugar como o sinister mirage, ela tinha certas precauções para não ser interrompida. para ambos os lados, havia uma isolação sonora mágica. ela só tinha criado algumas exceções, como para diaval. ela sabia que ele era a única pessoa capaz de interromper seu sonho e ela se viu grata por isso. se levantou da cama, sentindo a dor sob os pés persistindo. caminhou até a porta e, mesmo que já o esperasse, sentiu o ar sair de seus pulmões ao abrir a porta. diaval estava pálido com uma aparência doente que assustou malévola. "diaval..." seu nome saiu em formato de suspiro, como se quando estivesse prestes a falar o nome dele, alguém tivesse lhe dado um soco no estômago. "o que aconteceu?"
Ele ainda se sentia constrangido pelo acidente, mas pior de tudo era não ter recebido nem sequer um 'tudo bem' após ter se desculpado. Ainda teve que voltar para a presença da mulher mal educada, pois tinha carregado consigo o brinco dela, como aquilo tinha ocorrido era um dos mistérios que rondavam aquele mundo. " eu também não sei como ele pode ter caído da sua orelha nas minhas coisas, mas tudo é possível nesse lugar, não é? " se existiam objetos mágicos no local, quem podia afirmar que o brinco que ela usava não era um desses? " Ahn, Patrick e você seria? " estendeu a mão para cumprimentá-la de forma simpática, mesmo que ainda mantivesse um pé atrás com a presença de alguém que não aceitou seu pedido de desculpas.
malévola não era consumista. na verdade, tendo crescido na floresta entre a natureza e os animais, o conceito de consumismo não lhe era dos mais familiares. para ela, fazia todo sentido do mundo ter um brinco que já era velho e tinha problemas, então apenas deu de ombros ao responder. "ele já tem alguns anos de uso. sua pressão já não está tão boa." malévola não tinha orelhas furadas, então usava brincos de pressão e aquele ali tinha sido feito a mão por uma velha vendedora que conheceu em malvatopia, algo bem longe de uma tecnologia segura. olhando para o brinco em sua mão, malévola pensou que poderia tentar consertá-lo ali mesmo usando sua magia, mas ela estava vacilando e não podia arriscar ter sua condição tornada pública. guardou o brinco em um bolso do vestido. "ah, muito obrigada, patrick. me chamo malévola." ela aceitou o aperto de mãos, curiosa com a possível reação dele.
contratar coralie era um risco grande, mas um risco que malévola não poderia evitar correr. por maior que fosse o medo que ela sentisse de seu possível futuro, os sonhos que estava tendo com uma criança igual à garota que estava na sua frente faziam com que ela desejasse poder conhecê-la. queria saber o mínimo antes que suas memórias reais sumissem e ela começasse a ter apego por coralie por que precisa e não por que queria. talvez isso fosse só piorar a situação, talvez isso fosse terrível e um tiro no próprio pé, mas já estava feito. coralie era a mais nova contratada do sinister mirage e malévola tinha se encarregado de apresentar o local para a garota. após percorrer os três andares e explicar como as coisas funcionariam, malévola voltou com ela até o térreo. “o que achou?” não queria ter seu ego afagado, mas sim queria uma opinião sincera, visto que seu objetivo sempre foi o maior conforto de seus empregados. caminhou até o palco no canto do salão, onde alguns instrumentos tinham ficado da noite anterior. “acha que esses instrumentos são o suficiente?” perguntou, tocando no violoncelo que há muito já deveria ter sido guardado. ela queria que coralie o visse e dissesse se ele é bom o suficiente. os violoncelos do mundo dos perdidos eram diferentes? não sabia dizer.
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Diaval tentou parecer impassível com as palavras de Malévola, mas ela estava certa quando dizia que o conhecia. E estava certa quando mencionava sobre Diaval começar a depositar muita confiança em alguns perdidos, e ele não podia deixar de pensar na viagem que teve para outro reino algum tempo atrás. Escondido. Estava sendo hipócrita ali quando desejava fazer de tudo para manter Malévola longe deles, quando ele mesmo não seguia aquela lógica. Questionava-se se estava só sendo egoísta para que não acabasse morrendo, ou se havia alguma parte de si que que queria a manter longe dos perdidos porque Diaval não queria perder a atenção dela. No fim, as duas opções andavam lado a lado, já que seria a filha de Malévola a razão que o seu caminho não cruzaria com o da mulher. Ela já teria uma companhia, e não era Diaval. Isso era o que mais o atingia ultimamente. Ele ficou em silêncio dessa vez, ainda incapaz de falar a verdade pra ela ou de admitir o quanto foi certeira. Diaval percebeu o movimento da mão alheia, e esperava que Malévola não o espantasse dali, transformando-o em um pássaro para que fosse embora de vez. No entanto, ele se surpreendeu com o pedido que veio depois, sobre visitá-la quando estivesse passando por dificuldade com o poder que ela lhe presenteou. Malévola não era de abrir as portas de seus aposentos para quase ninguém, então era um alívio para Diaval saber que ele seria bem vindo se fosse necessário. "Tudo bem." Respondeu, tocando a própria mão para suprir a vontade de se aproximar de novo da mulher e tocá-la de qualquer forma reconfortante, mas sabia que ela estava em um momento delicado. "Eu vou passar lá quando a maldição estiver instável, mas você pode fazer o mesmo." Ele falou, convidando-a nas entrelinhas para que Malévola se voltasse para Diaval quando tivesse noites ruins também. Ele poderia sentir quando acontecesse, com toda certeza. "Outra coisa..." A observou por alguns instantes, perguntando-se se só estava falando ainda para estender um pouco mais a conversa deles. "Aurora acordou." Malévola certamente já sabia daquilo. Era interessante, no entanto, saber que Aurora provavelmente a procuraria para reclamar sobre o mesmo assunto que Diaval. Só que era outro assunto que o preocupava quando se tratava da princesa que ele praticamente viu crescer. Sabia que Malévola no fundo também se preocupava, mesmo que ela não fosse admitir. "Com essas inconstâncias da maldição em seus poderes... acha que tem algum perigo que ela volte a dormir por muito mais tempo?"
ela não iria fazer o mesmo. não iria até diaval quando precisasse, pois seria incapaz disso. era doloroso e arriscado demais. o que ela se tornaria se buscasse conforto nele quando suas dores estivessem a enlouquecendo e todas às vezes que fechasse seus olhos, sonhos perturbadores tomassem conta de sua mente? sua mente era incapaz de confiar em alguém nesse ponto. ela sabia como essa história tinha acabado da última vez e por mais que confiasse sua vida nas mãos de diaval, nunca conseguiria confiar seu coração. em nenhum sentido. ela precisava ser mais forte do que ele. sempre foi assim e sempre vai ser. seu futuro lhe assombrava, com a promessa de uma vida completamente diferente, mas algo não deveria mudar. algo, pelo menos. diaval, enquanto pudesse, poderia fazer o que quisesse, mas não deveria confundir malévola com outra pessoa. ela apenas manteve a expressão fechada, querendo falar e não podendo, evitando um desentendimento. “eu sei.” ela respondeu, ríspida, quando diaval falou de aurora. aquilo ainda era muito recente e malévola ainda estava estudando a situação. “e isso é tudo que você precisa saber.” ela não iria responder a segunda resposta dele. ela precisava conversar sobre aquilo com aurora em primeiro lugar, mais do que qualquer coisa. sua irritação começou a crescer em seu peito, levantando-se do bar e juntando o vestido contra o corpo. “eu vou para os meus aposentos. lembre-se do que disse.” ela começou a andar, antes de se virar e falar sobre o ombro. “mantenha a ordem desse lugar. é para isso que você está aqui. não para beber e gastar seus dias com besteiras. me diga se quer que contrate outra pessoa para o seu trabalho.” se diaval não queria perder a atenção de malévola, ela sentia o mesmo.
Deslizou para dentro do escritório da fada com os ombros caídos demais para alguém como Aurora — que havia sido ensinada pelas três tias a ser sempre a sua versão mais elegante, com a postura impecável. O primeiro sinal de que algo estava errado. Empurrou a porta com o corpo e encostou-se contra a parede, cruzando os braços na altura do peito como uma criança birrenta. Encarava um quadro no recinto, evitando manter o contato visual com a mulher. Um segundo sinal para quem a conhecia tão bem quanto a outra. "Diaval me disse que estaria aqui." Começou, passeando com os olhos pelas paredes, pela mesa, e então encontrando com os de Malévola, sentada na cadeira. "Por que me acordou? Eu preferia ter ficado dormindo dessa vez. Teria sido menos torturante do que dar de cara com aquela garota de novo. A sua filha." Pronunciou a palavra como se fosse uma ofensa.
malévola não estava com vontade de sair. estava com dor nos joelhos, uma novidade não muito bem recebida por ela. malévola já tinha dores suficientes, não precisava de mais para a lista. além da dor nos joelhos, uma dor de cabeça estava começando a surgir enquanto ela trabalhava no seu escritório. o conceito de escritório, administração e contabilidade nunca lhe chamou atenção. muito pelo contrário. estava empilhando os currículos dos atuais funcionários, a última atividade do dia, quando escutou alguém entrando por sua porta. diaval deveria garantir que ninguém iria lhe incomodar, mas ele andava muito distraído. isso só a irritava mais. quando escutou a voz de aurora, levou alguns bons segundos para responder. “é claro que ele disse.” seu tom não tinha surpresa alguma. apenas virou-se para encarar aurora, seu coração partindo apenas de olhar ela nos olhos. “eu lhe acordei porque nosso mundo está passando por mudanças cruciais. isso não é motivo suficiente?” estava determinada, seu tom firme e impassível. “acha torturante ver minha filha?” malévola se levantou lentamente, seu corpo fraco com a falta de sono. “você não é a única, aurora.” ela saiu de trás da mesa, ficando mais perto daquela que amava como se fosse sua. “mas você não pode esperar que o mundo mude dormindo.”