Estava rezando para sua mãe - um hábito pessoal principalmente em momentos de aflição, e que ela nunca abandonava - quando ouviu a comoção começar. Um ataque, de certo, e a julgar pela forma como seus machucados pareciam sumir num passe de mágicas, algo grande estava acontecendo do lado de fora da tenda onde se encontra.
Não pensou. Devorou o fruto da mente que diariamente era criado por si, sentindo o poder que ele lhe dava correr pelas veias tal qual o sabor doce corria o seu paladar, e abandonou a segurança do abrigo, pra deparar-se com o caos. As forças aladas de Zeus estavam presentes, e… Minotauros. 1, 2, 3… Estava contando quando avistou a sua equipe lutando contra um, com Ajax se esforçando contra o monstro.
Era pavoroso de se ver. Assim, com o chicote firme na destra e o escudo do lado esquerdo do corpo, a prole de Perséfone se aproximou numa corrida, pegando o monstro desprevenido o suficiente pra que um talho fosse aberto no couro das suas costas com o chicote. Aika sorria, mas apesar do dano, o meio animal revoltava-se e revidava ao tentar acertar a semideusa com o machado. Mesmo com o escudo, a espanhola era empurrada alguns metros pra trás, sentindo a dor subir pelo seu braço. Ele era ridiculamente forte… Então precisaria ser esperta, acima de tudo. Não ser atingida, ou ser o menos possível era o verdadeiro macete ali.
Num movimento ousado, a prole de Perséfone não apenas estalava o chicote contra o pescoço do minotauro como prendia-o ali. Com a firmeza daquele laço, podia pular, não apenas se esquivando de um ataque do machado como aterrissando - literalmente - nas costas da criatura híbrida. Com um pé firme na altura de cada omoplata Aika se sentia num touro mecânico; um que queria mata-la, e se pôs em clara fúria quando ela apertou mais o chicote em seu pescoço. Um deslize seu, contudo, e o monstro era capaz de desatar o aperto, usando o próprio chicote que ela segurava pra arremessa-la longe. Capotava alguns metros a frente, mas sequer se dava tempo de sentir a dor da queda, uma vez que o minotauro ja avançava contra si, furioso. E foi essa fúria que permitiu que Aika fizesse crescer suas raízes, violentas e repletas de espinhos, que agarravam os membros do grandioso monstro.
Claro, não era suficiente pra imobilizar ele, mas um tanto para ferir e atrasa-lo.Enquanto os espinhos faziam pequenos furos pelo couro animal, o Minotauro errava seu ataque com o machado, dando abertura pra que Aika fizesse algo que em outro momento chamaria de suicídio. Mas quanto mais direto e demorado o contato, melhor, e não hesitou em pular e escalar o braço do monstro pra mais uma vez se pendurar nas suas costas.
Dessa vez, contudo, a destra se mantinha agarrada ao ombro dele enquanto a canhota deslizava pelo talho previamente feito em suas costas e… Os dedos se enfiavam ali. “Touro estúpido…” ela rosnava, enquanto as toxinas eram liberadas na corrente sanguínea do minotauro. Foi apenas necessário sentir o cambalear da criatura que Aika se soltasse dali, precisando abaixar-se rapidamente pra desviar de outro golpe agora torpe do ser que parecia sentir os efeitos atordoantes da sua toxina. Não era muito… Mas esperava que desse alguma vantagem pros seus aliados.
Lyra estava um pouco distante de seu grupo enquanto assistia horrorizada toda a cena que se desenrolava junto a fenda, sentiu seus joelhos fraquejando um pouco enquanto seus olhos encaravam aquela formação de minotauros que surgia em sua frente. Estava tão em choque que demorou de perceber a ajuda alada que pairava sobre o campo de batalha, mas sentia sua energia sendo renovada e o coração batendo com um pouco mais de esperança… Tinham backup, certo? Não tinham como cair, não dessa forma, não naquele momento.
As ordens de Matt ficaram em sua mente enquanto se aproximava ainda mais do bichano para a batalha, era melhor desequilibrá-lo para que seus movimentos perdessem a destreza e bem… Quanto maior o objeto, mais fácil a queda. Lyra pisou no chão com força e pequenos pedaços de solo se levantaram enquanto formavam uma trilha até o minotauro como se algo estivesse correndo por debaixo do solo. Quando a trilha estava perto o suficiente do casco do bicho, a semideusa levantou ambos os braços e uma coluna de terra se ergueu do chão, bem debaixo da perna do minotauro. Logo, o balanço do bicho foi perdido e ao pisar em falso para tentar recuperar o seu balanço, Lyra conseguiu escutar o som de uma fratura onde deveria ser o tornozelo da criatura.
Para confirmar, o minotauro logo rugiu com dor e balançou seu machado na tentativa de acertar a filha de Netuno em uma explosão enfurecida. Lyra conseguiu desviar do primeiro movimento, mas não esperava que a volta do machado fosse bem na direção de suas costas. Só teve tempo de se virar e levantar o escudo para se proteger da lâmina, porém o impacto já foi o suficiente para jogá-la para trás, batendo contra o chão com força a ponto de sentir a cabeça um pouco mais leve. Se levantou em um impulso, largando o escudo no chão para poder criar uma corrente de água com ambas as mãos e com um movimento do pulso, estalou a corrente de água como um chicote contra o minotauro, irritando a criatura. Fechando o punho, conseguiu agarrar um dos braços do mesmo e puxá-lo em sua direção em uma tentativa de desestabilizá-lo mais uma vez.
Entretanto, a criatura aproveitou do momentum criado por Lyra para mais uma vez usar seu machado contra a semideusa. Sem seu escudo em mãos, partiu a pulseira em seu pulso a fim de invocar Cyclonas para si, usando o cabo do tridente para bloquear o ataque do minotauro. Porém, o animal era muito mais forte e conseguiu forçar o bloqueio de Lyra fazendo com que a lâmina do machado rangesse contra sua armadura até encontrar uma abertura e provocar um corte em um dos seus braços. Lyra grunhiu com a dor e se jogou para o lado a fim de buscar seu escudo, droga… Aquilo estava longe de acabar.
MATT: 349/375 HP 220/320 MP
AIKA: 254/300 HP 210/260 MP
EVELYN: 230/250 HP 170/220 MP
AJAX: 48/100 HP 50/100 MP
MARCELO: 225/225 HP 180/180 MP
LYRA: 48/100 HP 30/100 MP
MINOTAURO: 1.355/2.500 HP 2.500/2.500 MP