Quase jornalista (futura nutricionista) e sem medo de dizer que é feminista. Instável e paradoxal - de dia bailarina, de noite amante dos filmes de terror. Gosta de buscar inspiração nas pequenas coisas, inventar e, principalmente, se reinventar. E-mail: [email protected]
Alternativas e dicas para combater o desperdício de alimento
Créditos: Mikkel Østergaard
Segundo uma estimativa do instituto Akatu, realizada neste ano, o Brasil desperdiça cerca de 41 mil toneladas de alimento por dia. Um adulto saudável come, por sua vez, cerca de 1 tonelada de alimento por ano. 41 mil por dia contra 1 por ano. Quantas pessoas, então, a comida que vai para o lixo poderia alimentar? Porque sabemos que nem tudo o que está nos sacos pretos deveria realmente estar ali.É isso o que ressalta Tristam Stuart, escritor e ativista ambiental britânico. “A abundância de comida desperdiçada é tamanha que posso levar para casa o que o comércio descarta. Em vez de ir para a lata do lixo, esse excesso deveria ser redistribuído antes da data de validade. Na verdade, não deveriam nem mesmo produzir esse excesso”. Você pode ler a entrevista completa com o escritor sobre o assunto clicando aqui.
Usando e abusando da tecnologia
No Canadá, mais especificamente na cidade de Toronto, um novo aplicativo, chamado Flashfood, pretende acabar com o desperdício nos restaurantes. A ideia é conectar esses estabelecimentos aos mercados e clientes dispostos a pagar menos pela comida que está próxima da data de validade.
É quase um Tinder contra o desperdício. A empresa coloca uma foto do alimento oferecendo um desconto de, ao menos, 50%. Os usuários recebem notificações dessas ofertas e, se gostarem, podem reservar e pagar pelo aplicativo usando o cartão de crédito. Vale lembrar que só quem tem um celular e pode pagar pelo alimento aproveitaria o Flashfood. Mas, apesar de não incluir a população mais carente, usar a tecnologia ainda é um caminho para combater essa realidade.
O Flashfood não é o único. Há oPareUp em Nova Iorque e o Foodloop na Alemanha. Só que foram estudantes do MIT, Massachusetts Institute of Technology, que chegaram um pouco mais perto da ideia de Tristam. Eles criaram o Spoiler Alert, aplicativo que faz a ponte entre empresas com estoques excedentes de alimentos e organizações que a redistribuem ou cozinhas de caridade, incluindo de fato os necessitados. E tem mais: se a comida não está boa para o consumo, o Spoiler Alert lista lugares onde esse alimento pode ser reaproveitado para produzir ração ou fertilizante.
No Brasil não temos aplicativo, mas temos uma lei bem legal no Rio de Janeiro.
Programa de reaproveitamento de sobras limpas no Rio
A lei 7106 /2015, aprovada no fim do ano passado, prevê um programa de reaproveitamento de sobras limpas no Rio de Janeiro, ligando mercados, feiras e instituições beneficentes. Serão doados para entidades que atuam com a população carente alimentos perecíveis aptos para reaproveitamento, mas impróprios para comercialização, e não perecíveis com embalagem danificada ou prazo de validade próximo ao estabelecido.
O doador e receptor precisarão seguir uma série de regras para garantir a segurança do alimento, e as empresas participantes receberão um selo que as identificarão como comprometidas com causas sociais, incentivando os consumidores a frequentarem o local.
Quem sabe ideias como essa, um dia, transformem-se em em algo maior, como a lei aprovada recentemente na França. Por lá, mercados com mais de 400 metros quadrados estão proibidos de jogar fora alimentos ainda aptos para o consumo. Em vez de se livrarem da comida, os varejistas terão de doar para instituições de caridade e bancos de alimentos. Quem descumprir a lei poderá ser multado em até 75 mil euros ou ser penalizado com sentença de prisão.
E você, o que pode fazer?
Em casa, o desperdício também acontece, e há maneiras de evitá-lo. Comece planejando as refeições e compre somente o necessário, impedindo que os alimentos estraguem sem necessidade. No mercado, lembre-se que quem vê cara não vê coração. Ninguém merece padrão estético para batata ou ameixa, não é? Se não tem buraco, deterioração, cores estranhas ou outros indícios de que o alimento está ruim, por que não levar para casa?
E, aliás, por que descascar batata, cenoura ou maçã? Às vezes, jogamos fora partes do alimento que poderiam ser consumidas ou deixamos de usar, por exemplo, a abobrinha inteira porque uma parte pequena está ruim. Não é melhor cortar e usar o restante bom? Aprenda a reciclar as sobras, que podem virar sopas, bolinhos ou até geleias, e experimente receitas novas com cascas, sementes ou talos, aproveitando ao máximo o alimento.
Algumas dicas também podem ser úteis na hora de conservar os alimentos, mas isso é assunto para uma outra matéria! Por isso, não se esqueça de se inscrever na newsletter do site e no canal do youtube , para receber sempre as novidades.
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Que tal proibir a venda de refrigerantes nas escolas?
No Rio de Janeiro, o Projeto Alimentação Escolar Saudável retirou 11 toneladas de alimentos processados e industrializados de 91 colégios públicos. Mais de 30 mil crianças em cinco cidades do Rio deram adeus à salsicha e à batata frita nas escolas, as substituindo por verduras, legumes e frutas. Já em São Paulo, a lei 16.140 obriga a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar do sistema municipal de ensino. Suficiente? Claro que não. Podemos ao menos tentar dar um passo maior. Por exemplo, proibir os refrigerantes nas escolas do país inteiro.
A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou recentemente a proposta de lei 1.755/2007, do deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que proíbe a venda de refrigerante em escolas de educação básica, públicas ou privadas, do Brasil. E ela já está dando o que falar.
Essa ideia não é exatamente uma novidade. Florianópolis, Paraná, Distrito Federal e Paraíba, por exemplo, possuem leis que deixam os refrigerantes longe das cantinas. Como assim? Proibiram em alguns lugares apenas? Sim. Isso acontece porque cada estado e município tem a sua própria legislação em relação à alimentação escolar. Sendo assim, apesar das tentativas, não há um acordo geral e único sobre o que deve ser proibido ou não.
O deputado Fábio Ramalho também não foi o primeiro a propor uma lei que diz adeus aos refrigerantes. O PL 6890/2006, de Vanessa Grazziotin, do PCdoB, já proibia a comercialização de refrigerantes, assim como O PL 2.510/2003, do Pastor Reinaldo do PTB. Ambos foram apensados ao PL 6848/2002, que está arquivado. Este último entrava em conflito com o PL 127/2007, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está aguardando a apreciação do Senado Federal. Essa lei fala que os estabelecimentos de educação infantil e ensino fundamental, públicos e privados, serão obrigados a substituir os alimentos não saudáveis por alimentos saudáveis.
O problema é que a lista dos tais alimentos saudáveis fica a critério das autoridades sanitárias de cada lugar. O refrigerante é citado no texto do PL 127 como sendo um dos fatores para o surgimento de doenças como obesidade, diabete e hipertensão. Só. Mas como os alimentos não saudáveis serão determinados? E as substituições? O que será exatamente considerado alimento saudável? Isso soa abstrato demais, enquanto os projetos de lei arquivados deixavam claro: a comercialização de refrigerantes está p-r-o-i-b-i-d-a. Inclusive os refrigerantes que se dizem mais saudáveis, viu Coca-Cola Life?
Gente... O Guia Alimentar para a População Brasileira tem uma definição bastante clara de alimento não saudável. É só usar o termo ultraprocessado na legislação, pra que o texto fique preciso e ninguém mais fique patinando nessas largas margens de dúvida que os termos imprecisos deixam.
O projeto do deputado Fábio também é bem específico: sem refrigerantes nas escolas! Ponto final. A Comissão de Educação, porém, o rejeitou. E adivinhem a justificativa, é fácil! Sim, o velho clichê de que o Estado não pode limitar a atividade econômica e o papel da família na educação alimentar é muito mais relevante. O mesmo discurso do seminário, que aconteceu na Fispal, onde foram discutidas saídas para driblar as restrições à publicidade infantil. Tudo o que rolou nesse seminário você pode ler clicando aqui! Agora, o projeto 1.755 será examinado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Resta torcer para que ele vá para frente.
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As mentiras na infância e a liberdade na adolescência
Falsear a realidade ou reprimir a personalidade do seu filho apenas irá enfraquecer qualquer relação de confiança
Não fui uma criança muito curiosa. Não queria tocar em todos os enfeites, nem questionava os meus pais sobre tudo o que via ao meu redor. Descobri aquilo o que precisava para formar as minhas opiniões com amigos, revistas - elas influenciam muito! -, televisão e, claro, a internet. Acredito que isso tenha sido bom, pois, dessa forma, não cresci com conceitos pré-definidos, tendo total liberdade para consolidar os meus pensamentos em relação a assuntos como religião, sexo e até política.
Lembro que descobri que o Papai Noel não existia escutando uma conversa da minha mãe com uma amiga pelo telefone. Ela comentava que naquele ano teriam que contratar outra pessoa para vestir a fantasia vermelha. Decepcionei-me um pouco por ter sido enganada, mas passou. Apesar dessa desilusão infantil, foram poucas às vezes em que me vi desconfiando das palavras dos meus pais.
Talvez, isso também tenha a ver com o fato de que eu não era muito teimosa ou difícil de lidar. Meu pai não precisou inventar histórias sobre monstros que me assustariam à noite se eu não arrumasse o quarto ou mentir sobre as consequências de não fazer a lição de casa. Mas essa é a minha experiência pessoal, minha visão como uma filha que foi educada sem pressões e mentiras.
Então, quer dizer que bons pais não mentem para os seus filhos? Bom, pelo menos na infância, não há como negar a magia – que, de certa forma, é baseada em histórias inventadas. Deixe que eles pensem que a Fada do Dente existe ou que o Coelho da Páscoa, realmente, deixou as patinhas de talco na sala. Isso faz bem, estimula a criatividade e cria momentos incríveis em família. E, com o tempo, descobrir que unicórnios não existem em florestas encantadas torna-se irrelevante.
Mas, um dia, seu filho irá se questionar sobre o porquê você não explicou, de maneira sutil, sobre assuntos como morte, saúde ou dinheiro. Falar que o carro só irá sair se ele se comportar ou que o nariz irá crescer caso conte mentiras não é a melhor solução. Dizer que não tem dinheiro para comprar tal brinquedo, mas em seguida aparecer em casa com roupas novas confundirá a mente de qualquer um. Troque essas atitudes por conversas – acompanhando o ritmo da criança e o seu desenvolvimento. Explique o motivo pelo qual é errado culpar a irmã por algo que fez. E não o deixe esperando pelo animal de estimação que faleceu, mas que, de acordo com as suas palavras, foi para a Fazenda dos Cães e Gatos Felizes.
Realidade e fantasiam se misturam até um período das nossas vidas. Mas uma hora crescemos e percebemos que muitas das coisas que os nossos pais falavam não acontecem. Até então, tudo bem. O problema real, talvez, comece na adolescência, a fase tão temida e complicada.
E a questão, a partir desse momento, deixa de ser apenas “mentir”. Não há nada que me angustie mais do que ver uma mãe impondo as suas opiniões a qualquer custo, sem compreender que o seu filho não será uma cópia sua. Me usando como exemplo novamente, eu sei que, muito provavelmente, não sou nada daquilo que os meus pais imaginavam. Ao invés de medicina, direito ou tecnologia da informação, acabei cursando jornalismo. Em uma família que recrimina casas de swing, acabei me tornando uma feminista que não segue rótulos e tem a mente muito aberta em relação a sua sexualidade. E agora, a culpa é de quem? Ninguém.
Não, minha família não é extremamente liberal, nem de direita ou católica conservadora. Cada um tem a sua visão de mundo, mas tudo bem, porque todos nos tratamos com respeito – exceto em algumas discussões maiores, faz parte. Entretanto, hoje, digo com muito orgulho que nunca fui influenciada pelas conversas nos churrascos de domingo ou encontros de Natal. Meus pais me deram liberdade o suficiente para formar o meu caráter, mas sempre me mantendo no caminho “do bem”. Por mais clichê que isso soe, independentemente do que o seu filho faça, o importante é que ele não prejudique os outros e tenha noção das consequências de seus atos.
Todos esses elementos consolidaram a confiança que tenho em meus pais. Eu sou mais reservada, mas sei que posso contar com eles. Sei que minha mãe não vai mentir quando eu perguntar algo mais complicado, mas também tenho certeza de que meu pai não vai me forçar a seguir os seus pensamentos. E apenas sentir e saber disso me deixa mais tranquila.
Não mentir aos pequenos cria uma referencial sobre o valor da verdade e dar liberdade ao adolescente o torna um adulto firme, ciente do seu papel no mundo. E tem coisa melhor do que ser verdadeiro com si mesmo?
Bons pais conversam com os seus filhos e não pretendem moldar toda a sua personalidade. Quando a fantasia desaparece, bons pais devem preparar os seus filhos para a realidade. Lembre-se também de que enganar é diferente de não contar todos os detalhes, afinal, algumas coisas podem assustar ou soarem incompreensíveis para os pequenos.
Ninguém educa da mesma forma, mas truques e desculpas esfarrapadas não são indicados em nenhuma fase. Crianças não são bobas, falsear a realidade frequentemente é capaz de quebrar qualquer relação de confiança e gerar falsas expectativas – as quais, mais tarde, serão bem piores.
O jogo limpo deve permanecer na adolescência – em todos os sentidos. Traição, drogas, divórcio, sexo, política, respeito, enfim, todos os assuntos devem ser tratados com transparência e sem pressões. Não adianta enjaular o seu filho. Um dia, ele vai encontrar pessoas com as quais se identifica e se sentirá infeliz por ter sido tão reprimido pelos pais. No final das contas, minha conclusão, como filha, é que o essencial seria não enganar os pequenos e, futuramente, não fazer com que os adolescentes se enganem sobre quem são.
Moda é incrível? Sim. É possível estudar classe, gênero e raça por meio dela? Com certeza. Ela é capaz de grandes transformações sociais? Claro. Mas a mesma moda linda nas vitrines, passarelas e filmes tem o seu lado – muito – obscuro. Enquanto as propagandas de certas marcas vendem comprometimento ético, seu processo de produção é marcado pela degradação humana, ou seja, pelo trabalho escravo. Não como o conhecemos nos livros de história, com tráfico negreiro e a Princesa Isabel, mas em sua versão capitalista e contemporânea: com jornadas exaustivas, atividades forçadas, condições precárias e violência. Uma prisão moderna em prol de sacolas de roupas nos shoppings.
Para ilustrar melhor, podemos relembrar alguns casos que foram, aos poucos, esquecidos. Em 2011, por exemplo, classificaram como escravidão as condições de 15 pessoas – incluindo uma adolescente de 14 anos – em oficinas de costura que abasteciam a Zara brasileira. No ano anterior, a Marisa foi acusada de manter 16 bolivianos na mesma situação. As duas empresas contestaram na justiça a fiscalização e a última foi absolvida. Outro caso mais recente é o da Le Lis Blanc. Em 2013, 28 trabalhadores, também bolivianos, foram libertados. Entre eles, vítimas do tráfico de pessoas e “presos” por dívidas. Enquanto ganhavam de R$ 2,50 a R$ 7 por peça produzida de forma degradante, a loja as comercializa com um valor 150 vezes maior. Pelo visto, trabalho escravo está na moda. Literalmente.
Em uma tentativa de alertar o consumidor, a ONG Repórter Brasil – referência na defesa dos direitos humanos – desenvolveu o aplicativo Moda Livre, atualizado recentemente. Disponível gratuitamente para iPhone e Android, ele monitora 45 marcas e varejistas de roupas. O critério de avaliação baseia-se em um questionário-padrão com quatro indicadores, sendo eles as políticas para combater o trabalho escravo, medidas adotadas para fiscalizar seus fornecedores, transparência com os clientes em relação ao assunto e histórico segundo o governo. A partir das respostas gera-se uma pontuação que divide as empresas em três cores: verde, amarelo e vermelho. Verde, como se pode imaginar, é uma boa classificação e vermelho, a pior. Aquelas que não responderam o questionário foram para a categoria vermelha.
O aplicativo distribui informação para que casos como os citados sejam esclarecidos e não apagados da memória. O cliente, uma das peças principais nesse processo, tem total controle sobre qual marca escolher e o Moda Livre nos guia por alternativas mais humanas. Além das empresas avaliadas, o aplicativo também apresenta uma categoria com notícias recentes para manter o usuário informado. E esse é o primeiro passo para a mudança: conscientização.
Visando a produção rápida e lucrativa, os bastidores da moda perdem todo o seu glamour e encaminham-se para o outro extremo. Sim, o trabalho escravo não se restringe somente ao mercado da moda ou aos países asiáticos, mas com a cultura do consumo excessivo torna-se fácil fechar os olhos para essa realidade, especialmente no Brasil. O aplicativo Moda Livre é justamente uma forma de desmascarar as crueldades e nos mostrar meios mais responsáveis. Isso não significa que você terá que parar de comprar roupas dessas marcas, mas, ao menos, terá ciência do que acontece. E a consequência inevitável da iniciativa é priorização daquilo o que temos de mais básico e essencial: nossos direitos como seres humanos – os quais, infelizmente, muitas vezes são ignorados.
Independência, liberdade, amor ao trabalho, autodisciplina e respeito. Foi pensando nesses princípios que a italiana, médica e feminista, Maria Montessori, elaborou o seu método pedagógico. Batizado com o sobrenome de sua criadora, a metodologia preza pela autoeducação da criança, compreendendo que o seu aprendizado acontece de acordo com o seu próprio ritmo e experiências. Existem escolas que aplicam a filosofia Montessori em seu sistema, mas também é possível, com atitudes simples, introduzir os conceitos no seu dia a dia. Para saber mais, conversamos com duas mamães que nos explicaram como utilizam essas ideais.
A Adriana Lundberg é mãe do Seán de três anos. Ela conheceu o método um ano após o seu nascimento e, então, percebendo as necessidades de seu pequeno, resolveu mudar tudo de uma hora para a outra. A adaptação na casa foi por completo. Seán ganhou até mesmo um banheiro só seu e uma mesa na sua altura para que comesse sozinho. Tudo se tornou mais acessível e ele tem autonomia e liberdade para circular pela casa sem medo. "Não usamos travas em portas, não tiramos objetos da sala ou coisas do tipo. O orientamos quanto ao que corta, quebra ou o que pode machucar e queimar. Sempre funcionou", nos contou Adriana.
Além disso, Seán também participa das atividades práticas no dia a dia. "Ele coloca a roupa suja no cesto de roupas do banheiro dele e, quando está cheio, leva para a lavanderia, sobe no banquinho e coloca na máquina. Quando estou preparando o almoço, ele coloca a mesa dele e quando acaba de almoçar, leva a louça para a pia. Tem um filtro de cerâmica na sala onde ele pega a própria água sem precisar pedir e temos um aquário que ele ajuda a cuidar alimentando os peixes", exemplificou a mãe.
Já Josi De Paula Labs conheceu o método antes do nascimento de Adriano, seu filho de dois anos. A simplicidade, o respeito ao desenvolvimento da criança e a conquista da independência por meio dos próprios esforços são algumas das características que atraíram Josi e a fizeram modificar o seu modo de vida. Ela acha muito importante a presença paterna durante a introdução do método na família e se orgulha ao dizer que o seu marido a apoia nesse processo. Antes de preparar o ambiente ou as atividades, o adulto, nas palavras de Josi, precisa se libertar de qualquer expectativa sobre o desdobrar da infância, olhando para o seu filho como alguém único, que não é comparável a outras crianças. Por meio de uma observação diária, ela consegue descobrir os interesses de Adriano, como ele se sente em relação a determinados materiais e exercícios propostos. Os períodos sensíveis, definidos no método como os estágios nos quais a criança apresenta uma predisposição para desenvolver certas habilidades, também auxiliam na hora de escolher as brincadeiras e fazer adaptações.
"Depois de tudo preparado, nosso papel como adulto é observar, deixar a criança trabalhar e manter-se no plano de fundo. São 26 meses praticando Montessori e, hoje, vejo uma criança que apresenta amor à ordem, que reconhece o ambiente e seus componentes", nos contou Josi. A natureza também é essencial para os pequenos nesse processo. Assim, em seu dia a dia, a mãe não dispensa passeios a bosques e parques. No verão, ela também separa bastante tempo para atividades externas, pois Adriano está no período sensível para movimentos, então precisa ter espaço para correr, pular e se mexer livremente.
Tanto Adriana, quanto Josi se desprenderam dos padrões das revistas de decoração. O berço saiu do quarto e os seus bebês ganharam móveis acessíveis, que atendem as suas necessidades ao invés dos olhares críticos dos adultos. Os dois pequenos possuem estantes baixas com os seus materiais, os quais as mães variam e eles podem pegar sozinhos – e guardar depois.
Josi contou em seu blog, Descoberta da Criança, um pouco sobre como foi pensado o quartinho de Adriano. “Um ambiente em que todas as coisas têm um lugar fixo, os materiais podem ser alcançados a qualquer momento, são gerenciáveis e do tamanho da criança. A criança também tem a sua própria mesa, uma cadeira e possui um lugar para suas roupas. Ela deve poder observar seus objetos e ambiente, assim formando uma relação com as partes físicas de seu mundo. O cuidado estético é muito importante, pois proporciona para ela um ambiente inspirador e confiante”. Caso queira entender melhor como funciona um quarto Montessori, recomendo o vídeo "Tour pelo quarto da baby Victoria pronto" da youtuber Flavia Calina ou leia o post completo no blog da Josi clicando aqui.
Pequenas atitudes como as compartilhadas conosco pelas mamães podem fazer uma grande diferença no desenvolvimento do seu filho. A criança é capaz de aprender por si mesma, basta lhe proporcionar um ambiente adequado para tal e respeitar o seu ritmo. Entendendo que liberdade e disciplina estão diretamente ligadas, a teoria de Maria Montessori, quando colocada em prática, apresenta resultados surpreendentes.
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Mulheres americanas recém-formadas estão ganhando tanto quanto ou mais do que os homens em 29 áreas, de acordo com o Federal Reserve Bank de Nova Iorque. Na ordem crescente, as mulheres têm o salário maior nas seguintes carreiras: serviços sociais, terapia, engenharia industrial, história da arte, engenharia aero especial, serviços de construção, análise se negócios, engenharia mecânica, ciências da nutrição, engenharia civil, filosofia, educação geral, engenharia elétrica e engenharia química.
Parece uma visão promissora para o futuro, certo? Errado. Essa vantagem salarial ou a disparidade de aproximadamente 3% – diferente dos 23% mostrados em dados anteriores – desaparece no meio de suas carreiras. Entre 35 e 45 anos, a desigualdade volta e atinge o equivalente a 15%. Se ao se formarem as engenheiras mecânicas ganhavam 4% a mais, no auge de suas carreiras, os homens, atuando na mesma área, terão uma vantagem de 10%.
Para alertar sobre a desigualdade salarial ainda mais discrepante no Brasil, o restaurante Ramona criou em conjunto com a Agnelo Comunicação o “Menu Injusto”. Os clientes, ao pegarem o cardápio, se deparavam com um aviso: homens pagam 30% a mais. Soa absurdo, não é? Mas quando a resposta para tal atitude chegou aos clientes, a ideia deixou de ser incompreensível: “No Brasil, as mulheres recebem em média 30% a menos para desempenhar as mesmas funções. Isso sim é injustiça”.
Desigualdade salarial existe, apesar de ser um tema pouco discutido. Talvez, porque isso pareça algo ultrapassado para a sociedade atual ou porque, assim como outras discriminações, é tão enraizado que todos resolvem ignorar. Alguns números da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicilio – PNAD – esclarecem a questão: em 2013, os homens ganharam em média R$ 2.146 e as mulheres R$ 1.614, uma diferença de 25%. Os 30% do “Menu Injusto” vieram de dados do IBGE e do Banco Mundial.
Por outro lado, uma pesquisa da Fundação de Economia e Estatística – FEE – do Rio Grande do Sul questionou a veracidade desses dados. Após analisarem 100 mil salários, concluiu-se que a diferença é de 20,8%, sendo que 13,8% deve-se a fatores como o ingresso tardio das mulheres no mercado, sua jornada de trabalho menor, a concentração em ocupações que remuneram menos, entre outros. De uma maneira resumida: o “perfil feminino” é o principal motivo para as mulheres ganharem menos. Afinal, os homens não têm culpa de que nascemos com esse sexo, certo? No final, o machismo influencia apenas 7% dos salários. Será?
O estudo se tornou uma disputa de opiniões. Enquanto o Conselho Regional de Economia – Corecon/RS – se posicionou contra o relatório, um grupo de 119 economistas assinou um manifesto em favor. Além da ressalva de coletivos, sites e pesquisadoras feministas, o deputado estadual Adão Villaverde , do PT, disse que o estudo foi realizado “para sustentar uma tese que legitima a ideia de que mulheres têm que ganhar menos que os homens porque isso é natural”. Sob outra perspectiva, dois colunistas da Veja e o Banco Central se mostraram favoráveis a FEE. E, assim, o assunto continua sendo empurrado para debaixo do tapete.
É preciso tomar cuidado com a retórica machista e os clichês, que deslegitimam lutas e problematizações. Não é normal pensar que, em alguns casos, os homens ganham 66% a mais com o mesmo grau de escolaridade por razões naturais. Mesmo levando em consideração características individuais de cada sexo, há motivos maiores para as mulheres escolherem horários flexíveis e interromperem suas carreiras – como, por exemplo, a divisão desigual das tarefas domésticas e uma ideia equivocada de maternidade. Subestimar preconceitos é muito fácil, entender a sua raiz e tentar mudá-los é a parte complicada.
Então, e se trabalhássemos somente o percentual que nos pagam? Provavelmente, seria como neste vídeo legendado pela página Empodere Duas Mulheres. Agora imagine Lilly Ledbetter, supervisora da empresa Goodyear Tire and Rubber Company, fazendo o mesmo, já que durante quinze anos recebeu 40% a menos que os homens no mesmo cargo. Ou então Mary Barra, presidente mundial da GM, que ganhou em seu primeiro ano praticamente a metade de seu antecessor.
Argumentos como habilidade, experiência, investimento em capital cultural e até mesmo escolha da especialização são válidos, mas antes de usá-los para qualquer situação, se pergunte: por que funciona assim para as mulheres? Por que nunca fomos incentivadas a escolher certas carreiras? Por que “decidimos” ficar em casa após ter filhos? Por que precisamos de horários flexíveis?
Voltando aos dados no Brasil: entre 2000 e 2010, houve um aumento de 12,8% na renda média mensal do sexo feminino contra 3,6% do sexo masculino – e ainda assim continuamos ganhando menos. No setor de engenharia de produção, homens recebem em média R$ 5.985,60 e as mulheres, R$ 3.976,10. Já no ramo de ciências sociais, negócios e direito o salário fica R$ 4.650,90 para homens e R$ 3.081,40 para mulheres. Em relação à educação, há menos mulheres analfabetas e entre as pessoas de 18 a 24 anos, 15,1% das mulheres frequentam as universidades e 11,3% dos homens. Será mesmo que só 7% são afetadas pelo machismo em todas as suas diferentes formas?
Luiz Claudio é apaixonado por natação, algo que seu porte físico não esconde. É um carioca moreno, careca, com mais de 1,80 m de altura. Gosta da Tata Werneck e não larga o seu iPhone durante o dia. Voz de cantores pop, como Miley Cyrus, Marron 5 e até mesmo Anita, preenchem o espaço da sua EcoSport. Seu bom humor conquista a todos que o conhecem. Além de se comunicar e se expressar muito bem, não é à toa que a sua formação acadêmica é de jornalista. Sua profissão? Padre.
06h15. Um domingo frio. Luiz Claudio levanta e se prepara para os seus compromissos. Os primeiros consistem em abrir a Paróquia de Santo Antônio da Barra Funda e orar, tudo em jejum como aconselhado para comungar. Alguns minutos antes da missa das 8h, ele espera de batina na entrada da igreja. Os poucos fiéis, ao total 39 naquela manhã e em sua maioria mulheres acima dos quarenta anos, chegam e recebem abraços amigáveis.
Além dos paroquianos e coroinhas, um seminarista acompanha o padre no altar. O outro, de apenas dezenove anos, fica na secretária para depois revezarem na missa seguinte. Ambos acompanham o padre aos finais de semana para concluir o chamado estágio pastoral. O mais novo, mostrando o caráter amigável de Luiz, foi carinhosamente apelidado de BMP – bebê mimado do padre.
Luiz está há pouco tempo na Paróquia, mas os moradores do bairro não dispensam elogios. “Esse é O Padre”, disse Zuleica, com mais de 90 anos e frequentadora da igreja há décadas. Luiz foi visitá-la ao fim da primeira missa, para incentivá-la a melhorar após um pico de glicemia. Em relação às visitas, o Padre contou que muitos não estão acostumados com esse carinho, mas afirma que “o pastor precisa ter o cheiro de suas ovelhas”.
Depois da visita rápida à senhora, uma mesa de café da manhã o aguardava em sua casa, como em todo domingo. O que muda são as companhias. Desta vez, sua família do Rio de Janeiro estava lá junto com os dois seminaristas e duas paroquianas. Entre risadas, o Padre confessou ter descoberto o paraíso ao perceber que tinha o Now na televisão. A partir de então, pôde gravar seus programas favoritos e não nega que adora a comediante Tata Werneck.
O bom humor do carioca é inegável. No carnaval do ano passado, por exemplo, concordou em abençoar um bloquinho de rua chamado “bloquinho da vovó”. Mas além das brincadeiras, o Padre fez reformas significativas na Igreja. A paroquiana Sônia enche a boca de orgulho ao dizer o quanto Luiz trabalha naquele lugar. Terminado o café, é hora da segunda missa, às 11h. Da batina preta às vestes verdes que ressaltam a ideia de divindade.
Com sua homilia acessível e de fácil compreensão, Luiz tem a intenção de descontruir discursos religiosos, como a ideia de um Deus ruim que castiga. Ele diz ter herdado essa caraterística da faculdade de jornalismo, a qual escolheu aos dezoito anos apenas para que a sua mãe não o perturbasse. A vontade de conduzir os fiéis, no entanto, surgiu no segundo semestre da graduação. Um padre o aconselhou a pensar melhor e, então, Luiz decidiu terminar a faculdade. Trabalhou, frequentou para festas, namorou, passou por diferentes experiências e, aos 25 anos, foi atrás de sua vocação. Após anos no seminário, estudando teologia e filosofia, Luiz chegou à Paróquia de Santo Antônio da Barra Funda. Hoje, admite que a formação em comunicação foi essencial para o caráter mais humanizador em seu trabalho.
A missa das 11h acaba e o Padre passa mais de quarenta minutos conversando com alguns paroquianos sobre problemas da igreja. À tarde, o compromisso era a festa da pequena Maria Julia, filha de uma das frequentadoras da Paróquia. A batina foi para o guarda-roupa e deu lugar a uma calça social marrom e uma blusa listrada. Se fosse visto na rua, ninguém diria que Luiz é um padre.
Músicas pop embalaram o caminho até o prédio de Maria Julia. O tema da festa era Harry Potter e Luiz se divertiu ao assistir as encenações com Valdemort e outros personagens, mas se recusou a tirar foto com o chapéu seletor. Seu iPhone permaneceu fielmente ao seu lado e piscando com notificações do WhatsApp.
Antes da festa terminar, o Padre saiu e foi às compras. Não para si, mas para o segundo dia de quermesse na Paróquia. No outro final de semana, fez reuniões com o Bispo. No mês anterior, visitou uma comunidade monges. Cada domingo mudam os compromissos – exceto as missas às 08h, 11h e 18h. Durante a semana, algumas coisas são fixas, como o atendimento paroquial, suas atividades como pastoral social e da criança na região da sé, seu programa às quartas na rádio Nove de Julho e suas aulas de natação e treinamento funcional duas vezes por semana.
Se na bíblia Deus descansou no sétimo dia, o Padre pode dormir até às 10h apenas na segunda feira. Luiz Claudio, com seu bom humor e personalidade excêntrica, talvez seja uma exceção, mas, ao menos, deixa claro que padres têm vida. E que a sua inclui crepes em festas de criança, música pop, programas de entretenimento e bloquinhos de carnaval.
*Texto produzido para a disciplina de Comunicação Comparada sobre a rotina da pessoa escolhida com o auxílio de outros alunos.
O mar nunca está tão azul e a sobremesa não é doce o suficiente. O “eu te amo” não foi sincero como gostaria e as unhas não ficaram perfeitas. A viagem não foi inesquecível e o vestido não valeu o preço na etiqueta. O copo nunca está meio cheio. Sempre meio vazio. Onde está o tal do incrível?
Temos a mania de querer que tudo, desde a compra de uma calça jeans até a festa de formatura, seja perfeito. Tudo. Todos os detalhes. Em todos os momentos. Com todas as pessoas. Em todos os lugares. Mas qualquer receita que tem como ingrediente expectativas tão altas só pode ter um resultado: frustração.
Queremos que tudo acorde as nossas borboletas no estômago, acelere o coração e cause suspiros. Que tudo seja digno de uma boa foto e noites em claro. Mas as coisas, na realidade, nem sempre correspondem às idealizações. Simplesmente porque elas são o que são. Não o que queremos que elas sejam.
Idealizar algo significa pegar carona na perfeição. E, afinal, o que é perfeito? Essa busca incessante pelo incrível é um reflexo da mania que o ser humano tem de acreditar que se a festa, a bebida, o amigo, o trabalho e o livro não forem exatamente como ele deseja, nada será bom. De ir com a mente pré-programada para qualquer lugar, esperando que tal música toque, que tal pessoa vá. De realizar uma tarefa esperando que não aconteça nenhum empecilho no caminho. De esperar que falem o que deseja ouvir, que façam exatamente o que planejou durante a noite.
Essa espera constante cria pessoas insatisfeitas e, consequentemente, infelizes. É a partir do momento em que você não olha para as coisas esperando tanto que a vida entra nos eixos naturalmente. Não é justo culpar o universo, inveja alheia ou a sua própria sorte pelas coisas que não saem conforme a sua mente arquitetou.
É delicioso ter uma experiência que sai melhor que o imaginado, mas é bem pior quando ela sai totalmente às avessas que do pensamos. Também é praticamente impossível não criar expectativas sobre certos momentos da vida, mas, ao menos, poderíamos parar de querer que tudo seja perfeito e inesquecível. Às vezes as coisas dão errado. E tudo bem. Não é o fim do mundo.
Ter uma vida necessitada de momentos tão maravilhosos impede que surpresas de fato sejam surpresas. Que coisas inesperadas aconteçam. Frustração é o único caminho para quem quer e espera tanto de qualquer coisa. O tal do incrível existe. Ele só não irá acontecer se você permanecer o buscando em todos os lugares possíveis, se você criar expectativas altas e irreais. Idealização e decepção, no fim, caminham juntas.
Não se permita ser uma pessoa desencantada com o mundo. Repleta de desapontamentos perante expectativas constantemente frustradas. Espere menos. Idealize pouco. Esqueça a perfeição. Você perceberá que as coisas ao seu redor só não eram tão boas porque você simplesmente as enxergava com uma perspectiva ilusória. O incrível está por aí e é quando você para de busca-lo com tanto afinco que ele aparece aos pouquinhos, de repente, para realmente superar expectativas.
*Texto publicado originalmente na editoria relacionamento do site AreaM.
Em 2012, a modelo transexual brasileira Felipa Tavares afirmou em entrevista ao site Uol que a abertura à diversidade no mundo da moda é apenas uma fase. Três anos se passaram e, no entanto, mais conquistas significativas ocorreram, as quais mostram que as questões de gênero e sexualidade existem e são mais complexas do que muitos julgam.
Roberta Close é considerada a primeira modelo transexual do país, mas foi Lea T, filha do ex-jogador Toninho Cerezo, a primeira trans brasileira a ganhar destaque nas passarelas internacionais. Essa mineira alcançou um patamar no mundo da moda que, literalmente, quebra padrões e mexe com as estruturas tradicionais.
Antes mesmo de fazer a cirurgia para trocar de sexo na Tailândia – a qual muitos acreditam necessária para se tornar mulher – Lea tirou o seu nome do anonimato, em 2010, ao desfilar e fazer campanhas para a marca Givenchy, sem nunca esconder quem verdadeiramente era. No mesmo ano, a modelo pousou nua para a Vogue francesa, escondendo parcialmente o seu órgão masculino. Hoje, esse detalhe oculto do ensaio mudou. Um detalhe importante somente para a sociedade, como comentou em entrevista ao Fantástico um ano após a cirurgia. Um detalhe que não a torna mais ou menos mulher que a Naomi Campbell ou a Gisele Bündchen.
Dois acontecimentos, ao contrário, foram, sim, importantes na carreira da modelo e na luta pelos direitos transexuais em 2015. Em janeiro, Lea T estreou como nova embaixadora global da Redken. Com isso, seu rosto marcante e cabelos de dar inveja estarão à mostra em diversos países. Ela também foi eleita pela revista Forbes uma das doze mulheres que mais mudaram a moda italiana, sendo a primeira transgênero a entrar na lista.
Em relação às revistas de moda, é sempre muito fácil estampar a diversidade nas páginas de dentro – alô Elle com a edição da Ju Romano. Neste ano, contudo, a Vogue americana escolheu Andreja Pejic para o primeiro perfil de uma trans na revista. Além disso, a modelo assinou um contrato com a Make Up For Ever, tornando-se a terceira trangênero a participar de grandes campanhas de beleza. A primeira foi Lea T com a Redken e posteriormente a adolescente Jazz Jennings com a Clean & Clear.
Outra conquista ainda mais recente é a contratação da trans Hari Nef pela IMG Models. A primeira transexual a assinar com a agência foi a holandesa Valentijn De Hingh, porém ela é representada apenas em Paris, enquanto Hari Nef é globalmente. A modelo também abriu o desfile da VFiles no New York Fashion Week este ano vestindo um agasalho escrito Girl Power. Sim, girl.
Como se não bastasse essa avalanche de acontecimentos importantes, a capa de julho da Vanity Fair será com Bruce Jenner. Quer dizer, Bruce não. Call me Caitlyn diz a capa, ou seja, me chame de Caitlyn.
Bruce sempre contou uma mentira, viveu essa mentira. Todos os dias ele tinha um segredo. De manhã até à noite. Caitlyn não tem segredos. Assim que a capa da Vanity Fair sair, eu estou livre. Essas são algumas das palavras ditas por Caitlyn durante o vídeo com os bastidores do ensaio. Ela não é uma modelo, mas, ainda assim, seu rosto fotografado pela primeira vez como mulher estará em uma das principais revistas femininas. O que é a segunda gravidez de Kim Kardashian depois desse tapa na cara da sociedade?
Lea T, Andreja Pejic, Hari Nef e, agora, Caitlyn Jenner provocam alguns questionamentos por meio de suas trajetórias, como, por exemplo, o que é ser mulher? Será que no Brasil elas seriam reconhecidas da mesma forma que internacionalmente? O mercado se aproveita dessas histórias ou realmente as apoia? A moda – e o mundo – está de fato em transição ou, nas palavras de Felipa Tavares, essa é só uma fase? Ao menos, essas quatro mulheres nos lembram de que a diversidade existe e é, literalmente, linda. Pois, como descrito por Jazz Jennings no programa Out There, o que está no meio das suas orelhas te define, não o que está no meio das suas pernas.
*Texto publicado originalmente para a editoria de moda do site AreaM.
Cinco minutos no facebook é o suficiente para que eu me questione se, no quesito relacionamentos amorosos, o problema é a humanidade como um todo ou a personalidade de uma pessoa específica. Não, não digo que estamos vivendo na superficialidade ou pura efemeridade. O assunto não envolve ilusões ou corações partidos. A questão que me persegue é a exposição em excesso e outras atitudes ingênuas. E o mais surpreendente: de mulheres à beira da menopausa, com filhos na faculdade, uma carreira consolidada e cremes antirrugas na prateleira do banheiro.
Mulheres que passaram pelos perrengues de tentar reerguer um relacionamento fadado a falência, em seus últimos suspiros. Que esconderam os problemas da família e tiveram o seu intimo remoído pela dor de explicar aos filhos que o pai não continuaria no quarto ao lado. Mulheres que se apaixonaram muito cedo e, depois, perceberam que o amor não resolve todos os conflitos dentro de quatro paredes. Que notaram que não vale a pena querer e lutar por algo sozinha. Mulheres, consideradas maduras pela sociedade, que esconderam o álbum de casamento bem em cima do armário e se permitiram abrir a mente para novas experiências.
E tudo bem encontrar alguém que te faça feliz após um término brusco, o fim de um casamento longo. É maravilhoso dar uma chance para que um estranho se aproxime e faça todos aqueles sentimentos guardados borbulharem. É incrível reencontrar as borboletas e os elefantes metafóricos que se escondiam em seu estômago. Amar faz bem – para pele, alma e coração. A capacidade de superar e criar novas lembranças são uma das mais plausíveis entre os seres humanos. Aliás, parabenizo aquelas que se arriscam e dão abertura ao desconhecido após tanto tempo em uma zona de conforto, pois não é fácil.
Mas amar, hoje em dia, implica em fotos e declarações nas redes sociais que mostrem ao mundo a sua felicidade. O famoso “eu te amo” seguido de um beijo delicado e um sorriso gentil não causa tanto impacto quanto o registro desse momento acompanhado de um filtro qualquer no instagram e o relacionamento só é sério ao mudar o status no facebook. Privacidade é uma palavra que não existe no dicionário desses novos casais – que envolvem pessoas acima dos quarenta anos, um divórcio no passado, filhos e grandes responsabilidades no contrato.
As atitudes avaliadas como típicas de adolescentes, no entanto, não param por aí. O ciúmes doentio, as expectativas irreais e o controle obsessivo fazem parte da rotina de muitos desses pombinhos apaixonados que carregam consigo experiências o bastante para encherem um caderno com dez matérias – mas que se dissolvem na hora de controlar impulsos e comportamentos infantis. Experiências que teriam tudo para transformar um relacionamento instável em algo duradouro e saudável.
Nesse momento, eu me pergunto: será que não ter passado por essas descobertas na juventude implica em resolver as pendências após ser chamada de “senhora”? Depois de um tempo analisando alguns casos e ponderando as possibilidades, a minha resposta é um simples e categórico “não”. Ter passado longe dos relacionamentos curtos, ilusões amorosas, noites chorando ao lado de uma panela de brigadeiro e os desabafos no tumblr não são um motivo para se comportar de maneira insensata. Esse é um dos argumentos que “tapam o sol com a peneira” ou, melhor dizendo, que servem como desculpa para a imaturidade.
Se expor não é obrigatoriedade para ser feliz à dois. Aliás, é só mais uma maneira de enfraquecer o seu relacionamento e abalar qualquer pingo de confiança. E me soa incompreensível como mulheres que se apaixonaram cedo, passaram por casamentos longos e muitas frustrações conseguem ir de mulher maravilha capaz de ser mãe, esposa, amiga e profissional à adolescente cega, que não pesa os prós e os contras, se coloca em último lugar e deixa a sua personalidade de lado para adotar atitudes ingênuas.
É esse contexto que dá brecha para relacionamentos abusivos, que diminuem laços familiares, cortam amizades e prejudicam outros aspectos da vida particular – como a nossa autoestima. Os excessos devem ser evitados a todo custo para não repetir os erros antigos ou ir de encontro aos previsíveis. São eles que nos cegam, não o amor. São os excessos que nos tiram por completo a razão e nos fazem esquecer qualquer vivência, opinião ou conselho que poderia ser levado em consideração para impedir fins desastrosos.
Às vezes, por sair de um relacionamento monótono, muitas buscam em um novo amor a adrenalina que lhes faltava, mas da maneira errada: querendo ter controle sobre tudo, expondo cada segundo do relacionamento e idealizando o companheiro bem mais do que deveriam.
Tudo bem fazer parte da geração das redes sociais e querer compartilhar, um pouco, a sua felicidade. Tudo bem ter ciúmes, sentir vontade de ler as mensagens - só vontade! – ou querer saber onde o seu namorado está. Tudo bem. Mas a partir do momento em que isso se torna compulsório e em níveis absurdos, só trará malefícios. O problema principal nessa questão é que, em uma tentativa de dar asas aos contos de fadas, muitas esquecem a realidade e a sensatez para entrar em um mundo paralelo – sem se lembrar de que príncipes em cavalos brancos, simplesmente, não existem.
Assim, aquele romance que era para ser o ponto de partida para a descoberta de uma nova forma de felicidade, transforma-se em algo doloroso e cansativo. Além disso, quando o relacionamento chegar ao fim, você terá que apagar cada mensagem no facebook, as fotos do instagram e ainda lidar com os comentários alheios daqueles que estouravam a pipoca e sentavam em frente ao computador para acompanhar a sua trajetória. E agora, quanto vale sua privacidade e maturidade em um relacionamento?
*Texto escrito inicialmente para a editoria “relacionamento” do site AreaM.
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Durante o Met Gala - o último aconteceu no dia 4 de maio -, as aparições no tapete vermelho transformam-se em grandes performances. Há espaço de sobra para os convidados, em especial as mulheres, esbanjarem criatividade e causarem alvoroço com a escolha dos looks. Adereços extravagantes de cabelo, - muita! - transparência, diamantes, penas, abstração e até mesmo um vestido gigante amarelo que pede para virar meme na internet. Será mesmo que pode tudo no red carpet?
O assunto da vez, contudo, foi a ousadia de Beyoncé, Jennifer Lopez e Kim Kardashian ao mostrarem mais pele que o considerado aceitável. As duas últimas não me impressionaram por deixarem a calcinha em casa, mas não se pode negar que Queen B, estava arrasadora, quer dizer, flawless, naquele Givenchy repleto de pedrarias. Kim, por sua vez, vestiu a primeira criação de Peter Dundas para Roberto Cavalli e J.Lo pousou para as câmeras em um Versace.
O baile de gala do Met é um dos maiores eventos de moda no mundo, além de ser em um museu, o que, tecnicamente, permite que a arte e o mundo fashion se misturem. Assim, pense na Beyoncé como uma tela em branco e diminuam os comentários agressivos. Não seria melhor andar pelada. Não, ela não tem nenhum complexo de inferioridade. Ela é a Beyoncé, deixe a moça usar o que ela quiser – porque, antes de qualquer coisa, ela pode, tem licença poética para isso e, ademais, o evento permite! O glamour e o pudor excessivo ficam por conta do Oscar, ok?
No entanto, precisamos tomar muito cuidado ao tratar desse assunto, pois ao mesmo tempo em que a "nudez" feminina se relaciona erroneamente à vulgaridade, em outros casos essa exposição reforça a extrema sexualização da mulher. Analisando diferentes aparições no tapete vermelho e certas declarações, é de se esperar, por exemplo, que a própria mídia, agentes ou empresários não se importem em usar o corpo da J. Lo para vender - algo que ajuda a construir a imagem da mulher como um objeto. Não foi ao acaso que a bunda se tornou o grande ídolo da nossa geração.
Entenda que empoderar-se, se aceitar ou ser livre são coisas diferentes de usar o corpo, o erotismo, para chamar atenção na indústria do entretenimento. Lembre-se também de que nesse ramo você precisa se enquadrar em um padrão estético para poder se dar ao luxo de mostrar o corpo no tapete vermelho. Ah, porque se você for gorda, os insultos irão muito, mas muito, além do “vulgar” ou "exagerada". Acredite.
Difícil de compreender? Ok, vamos por partes. Eventos como o Met Gala, que dão brecha para a extravagância, nos lembram do quanto estamos acostumados a associar o corpo feminino ao conceito discriminatório de vulgar. Constantemente, queremos ditar como as mulheres devem se vestir e se comportar. Criticamos a Beyoncé por cobrir os seios apenas com pedras e criticamos, igualmente, a mulher que sai à noite de vestido curto. Ser sensual é inaceitável: no tapete vermelho porque você deve manter a elegância, na rua porque você está pedindo para ser estuprada.
Isso puxa o gancho para a história da objetificação. Precisamos esclarecer outra coisa: a culpa não é da J.Lo, da Kim ou da Beyoncé. Não. Esses valores estão tão enraizados que não notamos como a mulher é sexualizada em qualquer lugar – nas propagandas, no red carpet, em casa, na rua, no trabalho, nos filmes. Há toda uma indústria que reforça essas ideias. Tirar a roupa vende. Mas se você tira a roupa você é uma vagabunda. Percebe a contraditoriedade?
E por que essa objetificação faz tão mal? Bom, porque quando a Kim expõe a sua bunda em uma revista como a coisa mais linda, lisa, grande e perfeita do mundo, ela não está iniciando uma revolução, mas reafirmando padrões de beleza irreais, priorizando as aparências e nos colocando em uma posição extremamente sexualizada.
Voltando ao foco do tapete vermelho, qual seria, então, a solução? Primeiro, distinguir moda da sexualização excessiva. Até que ponto o vestido da J.Lo é um símbolo de liberdade? Ou seria de opressão? A Kim, naquelas plumas brancas, está me ensinando que eu devo aceitar meu corpo como ele é ou me mostrando que eu preciso ser gostosa para ser aceita e desejada? Beyoncé está usando o sexo, o ser sexy, como uma forma de poder ou em uma prisão, refém da sua imagem? Nós estamos as julgando por que temos em mente que a mulher precisa ser mais reservada ou por que simplesmente não gostamos das suas escolhas? O que há por trás da transparência desses vestidos?
Não devemos condenar a tal exposição excessiva, mas, sim, a forma como as pessoas a enxergam apenas pelo lado sexual e a usam como forma de opressão. Condeno a atitude de nos tornarem objetos e defendo a Beyoncé mostrando as curvas, pois, afinal, o corpo é dela. Como dito em um texto do site revista virtual Geni, nosso corpo é um campo de batalha. Assim, ao invés de apontar o dedo para essas mulheres, que tal levantarmos a seguinte bandeira: todas nós podemos deixar a calcinha em casa e usar um Givenchy de pedraria ou uma minissaia. E, meu amigo, tanto essas três mulheres citadas, quanto a Kate Hudson em um vestido dourado, a Rihanna como gema de ovo ou a Katy Perry em um Moschino, merecem respeito. Que fique claro: com ou sem calcinha, mostrando ou não parte das pernas, cobrindo ou expondo a pele. O tapete vermelho nessa história é só um detalhe.
O problema da frase “mas eu só quero que você seja feliz”
Eu achava que quando eu beijasse uma garota pela primeira vez, iria surtar, ficar paranoica e me culpar por ser assim. Mas quando aconteceu – de uma maneira muito cômica! – eu, literalmente, não liguei. E isso foi o suficiente para que eu percebesse que está tudo bem em me sentir atraída por outra pessoa do mesmo sexo. Para perceber que eu continuava a mesma pessoa, uma menininha que amava maquiagem, vestidos, filmes de terror e, agora, garotas. É a mentalidade das outras pessoas que torna isso algo tão abominável. Eu também sei que sou um caso à parte. Sei que muita gente não se aceita, demora um bom tempo até se assumir e dar o primeiro passo. Sei que é um processo complexo e doloroso ir contra o que é considerado normal.
Depois dessa primeira fase de autoconhecimento, eu me apaixonei por uma garota. Da atração para paixão. Aí a coisa mudou de tom. Demorou para cair a ficha de que, sim, eu poderia e queria ter um relacionamento com outra mulher. Afinal, um relacionamento é bem diferente de um beijo em uma festa. Um relacionamento vai além de sexo casual em uma noite qualquer. O que me impedia de, finalmente, ficar com a pessoa, além de detalhes mais pessoais, era a minha insegurança em relação ao preconceito que eu sabia que existia, mas ainda não havia sentido na pele.
Você já consegue perceber a diferença nessa parte. Ao invés de se apaixonar, ser retribuída, dizer sim e começar a namorar, alguém que gosta de outra pessoa do mesmo sexo tem que avaliar mil possibilidades. Quer dizer, pelo menos, para mim foi assim. Eu pensei nas nossas famílias, amigos, escola, convivência, futuro e até mesmo em quais lugares do bairro eu não seria mais “bem-vinda”.
No final das contas, o meu sentimento falou mais alto e resolvi me jogar de cabeça em algo completamente desconhecido até então. Não me arrependo, de maneira alguma. Sou extremamente feliz ao lado da minha namorada. Mas eu não pensava que passaríamos por tantas coisas. Não imaginava o quão velado era esse preconceito. Ou o quão escancarado ele seria em alguns casos. Professores discriminando na escola, diretor querendo fazer cena, amigos que não compreenderam, olhares feios no metrô, sussurros no cinema, piadas sem graça, motoristas babacas, macho imbecil sendo homofóbico na rua, problemas dentro de casa…
Apesar de tudo isso, eu notei algo que sempre acontece e que nós nunca paramos para pensar o quanto é problemático. Eu tenho uma amiga que diz que não aceita a minha sexualidade, mas quer que eu seja feliz. Ok, vamos avaliar um pouquinho essa opinião.
Querer a minha felicidade, lembrem-se, não impede que ela discrimine outras pessoas. Não impede que ela tente mudar o pensamento de outras bissexuais ou lésbicas, como se isso fosse uma opção ou doença. Não impede que ela condene cenas gays no cinema ou na televisão. Querer que eu seja feliz não vai acabar com a homofobia. Não vai fazer com que um gay deixe de morrer a cada 28 horas no Brasil. Não vai mudar a atitude do cara que tentou expulsar eu e a minha namorada do metrô porque estávamos nos abraçando. Querer que eu seja feliz é só mais um clichê para esconder todo preconceito que existe em uma mente fechada.
Esse discurso se repete todas as vezes. Eu não gosto, não aceito, não acho normal, não concordo, meu filho não vai andar com você, não vou no seu casamento, não teria uma babá lésbica, espero que não se beijem perto de mim, mas quero que você seja feliz. Tanta coisa errada em uma frase que, aparentemente, é carinhosa. Eu, como gay, prefiro que você mude toda a sua visão ao invés de simplesmente desejar a minha felicidade. O que, de certa forma, também é contraditório. Porque se você não concorda, legitima as atitudes de quem faz absurdos. Se não acha normal, torna aceitável mães que expulsam filhos de casa, homofóbicos que espancam na rua e comentários maldosos no trabalho.
Então, da próxima vez que alguma amiga ou amigo te disser que é gay, não fale a frase do título à ela ou ele. Aja como se isso não tivesse “importância”, fale que está tudo bem. Mostre que você não se importa, pois isso é só um detalhe, uma característica, uma parte da pessoa que não define o seu caráter ou a muda por completo. Mostre que estará com o seu amigo para o que der e vier, que não será o opressor, mas agirá em prol do oprimido. Fale que irá com ele na parada gay, que dançarão juntos em baladas LGBT ou deseje a felicidade dele, só tire o “mas” antes da frase.
E se você ainda não concorda, peça para que ele te ajude a desconstruir esse preconceito. Peça para que ele te ajude e colocar na sua cabeça que ser gay é normal. O que não é normal, na verdade, é essa sua mente pequena, seu jeito acomodado que prefere continuar com os mesmos pensamentos que fazem tanta gente, como eu, ter medo de sair de casa. É não querer mudar atitudes e discursos que tiram vidas, que fazem milhares de pessoas não se aceitarem como são, que reprimi, oprimi, deprimi. Anormal é achar errado ou não concordar com o amor. Seja do jeito que for.