Alternativas e dicas para combater o desperdício de alimento
Créditos: Mikkel Østergaard
Segundo uma estimativa do instituto Akatu, realizada neste ano, o Brasil desperdiça cerca de 41 mil toneladas de alimento por dia. Um adulto saudável come, por sua vez, cerca de 1 tonelada de alimento por ano. 41 mil por dia contra 1 por ano. Quantas pessoas, então, a comida que vai para o lixo poderia alimentar? Porque sabemos que nem tudo o que está nos sacos pretos deveria realmente estar ali.É isso o que ressalta Tristam Stuart, escritor e ativista ambiental britânico. “A abundância de comida desperdiçada é tamanha que posso levar para casa o que o comércio descarta. Em vez de ir para a lata do lixo, esse excesso deveria ser redistribuído antes da data de validade. Na verdade, não deveriam nem mesmo produzir esse excesso”. Você pode ler a entrevista completa com o escritor sobre o assunto clicando aqui.
Usando e abusando da tecnologia
No Canadá, mais especificamente na cidade de Toronto, um novo aplicativo, chamado Flashfood, pretende acabar com o desperdício nos restaurantes. A ideia é conectar esses estabelecimentos aos mercados e clientes dispostos a pagar menos pela comida que está próxima da data de validade.
É quase um Tinder contra o desperdício. A empresa coloca uma foto do alimento oferecendo um desconto de, ao menos, 50%. Os usuários recebem notificações dessas ofertas e, se gostarem, podem reservar e pagar pelo aplicativo usando o cartão de crédito. Vale lembrar que só quem tem um celular e pode pagar pelo alimento aproveitaria o Flashfood. Mas, apesar de não incluir a população mais carente, usar a tecnologia ainda é um caminho para combater essa realidade.
O Flashfood não é o único. Há oPareUp em Nova Iorque e o Foodloop na Alemanha. Só que foram estudantes do MIT, Massachusetts Institute of Technology, que chegaram um pouco mais perto da ideia de Tristam. Eles criaram o Spoiler Alert, aplicativo que faz a ponte entre empresas com estoques excedentes de alimentos e organizações que a redistribuem ou cozinhas de caridade, incluindo de fato os necessitados. E tem mais: se a comida não está boa para o consumo, o Spoiler Alert lista lugares onde esse alimento pode ser reaproveitado para produzir ração ou fertilizante.
No Brasil não temos aplicativo, mas temos uma lei bem legal no Rio de Janeiro.
Programa de reaproveitamento de sobras limpas no Rio
A lei 7106 /2015, aprovada no fim do ano passado, prevê um programa de reaproveitamento de sobras limpas no Rio de Janeiro, ligando mercados, feiras e instituições beneficentes. Serão doados para entidades que atuam com a população carente alimentos perecíveis aptos para reaproveitamento, mas impróprios para comercialização, e não perecíveis com embalagem danificada ou prazo de validade próximo ao estabelecido.
O doador e receptor precisarão seguir uma série de regras para garantir a segurança do alimento, e as empresas participantes receberão um selo que as identificarão como comprometidas com causas sociais, incentivando os consumidores a frequentarem o local.
Quem sabe ideias como essa, um dia, transformem-se em em algo maior, como a lei aprovada recentemente na França. Por lá, mercados com mais de 400 metros quadrados estão proibidos de jogar fora alimentos ainda aptos para o consumo. Em vez de se livrarem da comida, os varejistas terão de doar para instituições de caridade e bancos de alimentos. Quem descumprir a lei poderá ser multado em até 75 mil euros ou ser penalizado com sentença de prisão.
E você, o que pode fazer?
Em casa, o desperdício também acontece, e há maneiras de evitá-lo. Comece planejando as refeições e compre somente o necessário, impedindo que os alimentos estraguem sem necessidade. No mercado, lembre-se que quem vê cara não vê coração. Ninguém merece padrão estético para batata ou ameixa, não é? Se não tem buraco, deterioração, cores estranhas ou outros indícios de que o alimento está ruim, por que não levar para casa?
E, aliás, por que descascar batata, cenoura ou maçã? Às vezes, jogamos fora partes do alimento que poderiam ser consumidas ou deixamos de usar, por exemplo, a abobrinha inteira porque uma parte pequena está ruim. Não é melhor cortar e usar o restante bom? Aprenda a reciclar as sobras, que podem virar sopas, bolinhos ou até geleias, e experimente receitas novas com cascas, sementes ou talos, aproveitando ao máximo o alimento.
Algumas dicas também podem ser úteis na hora de conservar os alimentos, mas isso é assunto para uma outra matéria! Por isso, não se esqueça de se inscrever na newsletter do site e no canal do youtube , para receber sempre as novidades.
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Que tal proibir a venda de refrigerantes nas escolas?
No Rio de Janeiro, o Projeto Alimentação Escolar Saudável retirou 11 toneladas de alimentos processados e industrializados de 91 colégios públicos. Mais de 30 mil crianças em cinco cidades do Rio deram adeus à salsicha e à batata frita nas escolas, as substituindo por verduras, legumes e frutas. Já em São Paulo, a lei 16.140 obriga a inclusão de alimentos orgânicos ou de base agroecológica na alimentação escolar do sistema municipal de ensino. Suficiente? Claro que não. Podemos ao menos tentar dar um passo maior. Por exemplo, proibir os refrigerantes nas escolas do país inteiro.
A Comissão de Seguridade Social e Família da Câmara dos Deputados aprovou recentemente a proposta de lei 1.755/2007, do deputado Fábio Ramalho (PMDB-MG), que proíbe a venda de refrigerante em escolas de educação básica, públicas ou privadas, do Brasil. E ela já está dando o que falar.
Essa ideia não é exatamente uma novidade. Florianópolis, Paraná, Distrito Federal e Paraíba, por exemplo, possuem leis que deixam os refrigerantes longe das cantinas. Como assim? Proibiram em alguns lugares apenas? Sim. Isso acontece porque cada estado e município tem a sua própria legislação em relação à alimentação escolar. Sendo assim, apesar das tentativas, não há um acordo geral e único sobre o que deve ser proibido ou não.
O deputado Fábio Ramalho também não foi o primeiro a propor uma lei que diz adeus aos refrigerantes. O PL 6890/2006, de Vanessa Grazziotin, do PCdoB, já proibia a comercialização de refrigerantes, assim como O PL 2.510/2003, do Pastor Reinaldo do PTB. Ambos foram apensados ao PL 6848/2002, que está arquivado. Este último entrava em conflito com o PL 127/2007, que foi aprovado pela Câmara dos Deputados e está aguardando a apreciação do Senado Federal. Essa lei fala que os estabelecimentos de educação infantil e ensino fundamental, públicos e privados, serão obrigados a substituir os alimentos não saudáveis por alimentos saudáveis.
O problema é que a lista dos tais alimentos saudáveis fica a critério das autoridades sanitárias de cada lugar. O refrigerante é citado no texto do PL 127 como sendo um dos fatores para o surgimento de doenças como obesidade, diabete e hipertensão. Só. Mas como os alimentos não saudáveis serão determinados? E as substituições? O que será exatamente considerado alimento saudável? Isso soa abstrato demais, enquanto os projetos de lei arquivados deixavam claro: a comercialização de refrigerantes está p-r-o-i-b-i-d-a. Inclusive os refrigerantes que se dizem mais saudáveis, viu Coca-Cola Life?
Gente... O Guia Alimentar para a População Brasileira tem uma definição bastante clara de alimento não saudável. É só usar o termo ultraprocessado na legislação, pra que o texto fique preciso e ninguém mais fique patinando nessas largas margens de dúvida que os termos imprecisos deixam.
O projeto do deputado Fábio também é bem específico: sem refrigerantes nas escolas! Ponto final. A Comissão de Educação, porém, o rejeitou. E adivinhem a justificativa, é fácil! Sim, o velho clichê de que o Estado não pode limitar a atividade econômica e o papel da família na educação alimentar é muito mais relevante. O mesmo discurso do seminário, que aconteceu na Fispal, onde foram discutidas saídas para driblar as restrições à publicidade infantil. Tudo o que rolou nesse seminário você pode ler clicando aqui! Agora, o projeto 1.755 será examinado na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania. Resta torcer para que ele vá para frente.