Ela esperava pra pegar o ônibus, olhava no relógio insistente e percebia o quanto estaria atrasada.
Ele do lado dela sorria, e da chuva breve que caia, pensava que não precisava de guarda-chuva pra se proteger.
Ela concentrada a si mesmo dizia: "Essa nuvem fria vai por tudo a perder. Chuva isso é hora de aparecer.
Ele se divertia e sorria queria se molhar até o último grão do corpo, queria que a água o fizesse envolto e que nada pudesse a água do corpo evaporar ou aquecer
Ela olhava pro nada, e nada rimava com a sua vontade de desaparecer, se ao menos o tempo compreendesse o quanto estava a perder, faria dos segundos mais devagar só pra que ela pudesse chegar.
Ele suspirava fundo, e avistou os faróis altos do ônibus o avistarem. E notou a rapidez da menina que atravessava com tantos papéis quanto suas finas mãos pudesse preencher. E brinco de Deus a imaginar o que faria a menina tímida ter rugas de preocupação.
Ela agora um pouco mais tranquila, espera, olhou no relógio e era mais um pouco antes de, pensou confusa e frustrada, não pode ser, não vai dar tempo, vou perder.
Parece que brincar de Deus foi longe demais, um papel das mãos dela voou e ela não percebeu, e ele encharcado pela primeira vez nesse episódio correu pra salvar o papel da curiosa estranha. E tentou gritar algo como "Ei moça" mas foi ignorado pelo som firme do ônibus dando sua partida. E leu rápido o documento um pouco molhado pelos pingos e pela sua mão "Carta de admissão". E era seu dia mesmo? Sim, era! Estava decidido. Ele apostou o último trocado extra e fez sinal para o mesmo destino da moça com a única pista do nome da empresa que era destinado o documento.
Ela a cada esquina olhava mais ainda no relógio, já estava tão fixada naqueles ponteiros, que em sua mente, mexiam muito mais muito rapidamente a desmontou no banco do ônibus mais de uma vez. Por fim, "Graças à Deus", cheguei ao destino, era ali.
Ele ensopado entrou no ônibus, girou a roleta e viu muitos olhares o encararem de cara feia pelo seu estado molhado, ele não fez nada mais que ri consigo mesmo, e foi cantando até o banco de trás onde se sentou, pensando, é meu dia!
Ela apertou o número do elevador correspondente aonde sempre desejava estar.
Ele entrou no mesmo momento onde a porta se fechou e reconheceu a desconhecida do documento. Alguém da recepção insistiu, pelo estado dele, "O que o senhor deseja?", com uma cara de quem ele estava molhando toda a recepção o que de fato não era totalmente mentira.
Ela voltou para o elevador, o olhar cabisbaixo não era o mesmo que minutos atrás tinha muita pressa. E cansada não fez uma postura tão firme nos saltos, que pra falar a verdade, agora faziam bolhas nos seus pés. Pensou em tantas coisas naqueles breves segundos que a única coisa que a fez sorri foi um estranho que molhava todo a recepção da empresa e uma recepcionista de cabelo em pé com dois seguranças tentando devolver o moço pra chuva.
Ele tentava explicar agora com menos paciência que precisava muito subir e que precisava com uma pessoa encontrar e então avistou a mesma menina curiosa, bem mais triste e aí...
Ela escutou um "Ei moça!" e olhou pensando que aquilo não era com ela, até que reparando bem viu aquele papel na mão do rapaz. Um pouco mais molhado. Olhou no relógio 8 minutos, ainda restavam 8 minutos e a menina foi clara, como era? "Sem esse documento não é possível realizar sua admissão." E ela o tinha ali.
Ele escutou para que ele esperasse por ela. E a viu entrando no elevador.
Ela, minutos depois apertou o térreo, esperando agradecer muito aquele menino que a ajudara tanto. E pra sua surpresa a única coisa que restou dele foi as poças em toda a entrada do edifício. Que algumas pessoas já limpavam rapidamente. E daí, quando pegou o ônibus para voltar para o seu ponto de partida não pôs o guarda-chuva, era seu dia, e precisava se molhar de tudo o que se dá todos os dias sem receber nada em troca.