Assim como minha mĂŁe me explicou quando tive medo, que nĂŁo havia ninguĂ©m debaixo da cama ou dentro do armĂĄrio e que os monstros dos filmes de terror nĂŁo passavam de ficção, queria que alguĂ©m me consolasse dizendo que nĂŁo tĂȘm porquĂȘ ter medo do futuro, que ele nĂŁo Ă© o fantasma que eu penso ser, que nĂŁo vai me engolir a qualquer momento ou fazer de mim picadinho de gente. Queria saber viver as coisas bem devagar, viver um dia de cada vez sem temer dores futuras. Ăs vezes eu sĂł preciso que alguĂ©m me diga que vou ficar bem e que o futuro nĂŁo deveria ser idealizado. Minha mĂŁe me acalmava quando eu sentia medo, hoje eu me pergunto quem a acalmava quando os monstros de seu armĂĄrio se faziam presentes. Quem segurava a sua mĂŁo quando a ansiedade e o medo fazia ela chorar? Minha mĂŁe sabia que isso tudo poderia me fazer sofrer, ela sĂł nĂŁo queria me ver sofrer tĂŁo cedo. Ela brigou, repreendeu coisas que antes eu nĂŁo tinha noção do quanto iria me prejudicar, e depois que me machuquei, entendi que tudo que ela fazia era para me proteger, cuidar de mim, ser mĂŁe. Hoje a ansiedade grita dentro de mim e minha mĂŁe estĂĄ longe, afinal, dizemos sempre para nossas mĂŁes que nĂŁo somos mais crianças, que podemos nos cuidar sozinhos e, entĂŁo, descobrimos o quanto dĂłi uma saudade. Descobrimos que por mais que o tempo passe, que as coisas mudem, nĂłs nunca vamos conseguir nos virar BEM, sozinhos, precisamos de alguĂ©m que esteja aqui por nĂłs, mais importante, precisamos de alguĂ©m que nos diga que tudo pode melhorar, que podemos viver sim um dia de cada vez.