É um descontraído sempre atento. Interessa-se por quase tudo, em especial pelos pormenores. Gosta de tirar fotografias com palavras às pessoas e aos momentos.
Já não é religioso em quase nada desde que deixou de usar meias desemparelhadas, já lá vão uns anos.
Dedica todos os dias, como se fosse higiene, uma página do seu caderno diário ou dois ou três momentos dos seus trajectos à abstracção. Frequentemente concretiza. Poupa as lágrimas para os filmes de rir e gasta muitas gargalhadas por quilómetro quadrado. Gosta do compromisso e da espontaneidade, consigo e com os outros, mas não admite os pés abaixo do nível zero.
Esconde na verbalidade, as inseguranças, as ansiedades, a memória e os seus truques.
Nasceu e cresceu devagar. Primeiro era calado, depois começou a falar – com as palavras também.
A adolescência, descobriu-a com o teatro, que não voltou a cobrir. Rasga a idade até chegar ao sumo, embora também goste de tinto maduro. Costuma deixar para amanhã muitas alegrias, por princípio, sempre que é bem-sucedido.
Refugia-se na praia e no sol quando se aborrece do beije. Beija quando o beijam de volta.
Estudou as gramáticas, petiscou das literaturas, culturas e artes, ao mesmo tempo que fazia amigos. Nisto dá por si a dar formação a crianças, adultos, a traduzir, a secretariar e a usar competências que não sabia que tinha.
Tanto viaja em frente ao espelho como de low costs, possivelmente na ordem contrária.
Aumenta todos os dias um pouco, mais que não seja, na barriga.