Eu tinha um amigo, N era interessante. Nosso grau de intimidade era um abraço de tão apertado. Era emocionante acordar e ter uma motivação. Eu lembro que nossa cumplicidade era uma festa, lembro que sentia que qualquer proximidade, por extrema que fosse, ainda seria insuficiente para nós. Ele me respeitou quando eu mesma não o fazia, me fazia senti especial, inclusive ele seria o modelo perfeito de marido. Me respeitaria e cozinharia para mim enquanto eu abriria o vinho, viveríamos muito bem, mas N não gosta de mulheres, umas lástima! Eu lembro das nossas risadas, bagunças... hoje me pergunto onde N estará e o que estará fazendo, se lembra de mim, se sentiu como eu senti. Se eu soubesse que a última vez em que nos vimos era a última, o meu abraço seria mais apertado, o meu riso seria mais alto. Se a vida não me tivesse pego desprevenida, eu o amaria mais intensamente, e se houvesse mesmo a necessidade de me despedir, seria um adeus triste, mas eu o faria com todo amor e carinho que sinto por ele.