Kaden nasceu herdeiro de fortuna, influência e imprudência. Cresceu entre luxo e excessos, convencido de que o mundo existia para entretê-lo, até descobrir que sua verdadeira herança não era financeira — era selvagem. A primeira transformação revelou uma linhagem de lobos ligada à máfia do pai e custou a vida de uma bruxa, desencadeando uma guerra que terminou em maldição: suas metamorfoses passaram a responder às emoções, e não mais à lua. Desde então, Kaden vive em constante contenção, equilibrando instinto e razão para não perder o controle. Ele tem 33 anos, e trabalha na Wolf Mecânica, onde encontrou um tipo de paz que nunca conheceu nos salões luxuosos da antiga vida. É apaixonado por desmontar e reconstruir carros e motos, obcecado em entender o funcionamento de cada peça. Motores potentes o fascinam — especialmente máquinas brutais capazes de ir de 0 a 100 km/h em segundos — e há algo quase íntimo na forma como ele escuta um motor rugir. Foi em busca de silêncio, respostas e controle que se mudou para Ninivae com parte da matilha, carregando consigo o ressentimento contra bruxas, a lealdade à família e a consciência de que a besta dentro dele nunca dorme de verdade.
❛ ₍ ☪ ₎ … 𝗡𝗶𝗴𝗵𝘁𝗯𝗼𝘂𝗻𝗱 ❜
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ヽ dossier. & connections. & time line.
O Strangio nasceu com o mundo servindo-lhe em bandeja de prata — e nunca fez questão de fingir o contrário. Herdeiro de um império financeiro construído pelo pai e de um sobrenome que abria portas antes mesmo que ele precisasse tocá-las, cresceu acreditando que a vida era um parque de diversões pessoal. As tardes eram gastas cortando o vento na lambreta ao longo da Costa Amalfitana, as noites se dissolviam em festas extravagantes onde o champanhe era tão caro quanto descartável, e as manhãs… bem, as manhãs raramente existiam para ele.
Kaden era o tipo de homem que estampava capas de revista com a mesma facilidade com que trocava de companhia na cama. Mulheres bonitas orbitavam sua vida como satélites, atraídas pelo charme irresponsável, pelo dinheiro fácil e pela promessa silenciosa de uma história interessante para contar depois. Oficialmente, trabalhava na holding da família; na prática, aparecia por lá apenas o suficiente para manter as aparências enquanto o pai, sempre calculista, tentava costurar alianças através de jantares com herdeiras influentes. Nenhuma delas, contudo, conseguia prendê-lo. Kaden vivia em movimento demais para ser capturado.
Ele só não sabia que sua herança ia muito além de cifras e contatos.
A transformação veio como uma febre violenta, arrastando-o para uma verdade que lhe fora escondida por toda a vida: o sangue que corria em suas veias pertencia a uma linhagem de lobos profundamente entrelaçada com a máfia comandada por seu pai. E sua primeira noite como besta foi também o início de uma guerra. Cego pela dor e pelo instinto, Kaden matou a garota que estava com ele — sem saber que ela era uma bruxa. O erro acendeu um estopim que rapidamente explodiu em retaliação. O coven exigiu sangue em troca de sangue, e o submundo mergulhou no caos.
A maldição veio como sentença final. As bruxas arrancaram dele o único consolo que um lobo costuma ter: a previsibilidade da lua. Em vez disso, amarraram suas transformações ao humor. Raiva, medo, frustração — qualquer emoção que escapasse de seu controle podia rasgar sua pele de dentro para fora. Desde então, Kaden vive em uma corda bamba emocional, condenado a buscar uma calma que nunca precisou cultivar antes. Ele a encontrou — ou algo próximo disso — na mecânica.
Há uma paz quase sagrada em desmontar um motor e reconstruí-lo peça por peça. Graxa sob as unhas, o cheiro metálico no ar, a precisão absoluta exigida por cada engrenagem. Kaden se apaixonou por máquinas com a mesma intensidade com que antes se apaixonava por excessos, fascinado especialmente por motores potentes, monstros de engenharia capazes de rugir de zero a cem em poucos segundos. Ali, entre carros e motos, ele aprendeu a respirar. A focar. A se manter inteiro. O ressentimento contra bruxas, porém, nunca se dissipou. Ele o carrega como uma cicatriz aberta, lembrança constante da noite que redefiniu sua existência.
Foi em busca de silêncio — e de respostas — que Kaden partiu para Ninivae ao lado de parte da matilha. A cidade pequena prometia a tranquilidade necessária para manter a fera sob controle. Mas havia também outra missão, confiada a ele pelo pai: investigar o desaparecimento do cálice e tudo o que orbitava esse mistério. Entre a tentativa de construir uma paz frágil e a lealdade à família que o moldou, Kaden caminha sabendo que sua vida nunca mais será sobre fuga ou prazer desenfreado. Agora, cada dia é um exercício de contenção. Cada respiração, uma escolha. E a besta dentro dele está sempre esperando um motivo para sair.
Rastro do Destinado —O faro de Kaden não se limita a cheiros comuns; ele reconhece assinaturas mágicas. Toda criatura deixa no mundo um vestígio invisível — um eco de presença, intenção e energia — e Kaden aprendeu a lê-los como quem segue um mapa gravado no ar. Quando ativa o Rastro do Destinado, seus sentidos se expandem além do físico: o cheiro se mistura a pulsos de calor, ressonâncias emocionais e marcas sobrenaturais que persistem nos lugares por onde o alvo passou. Esse rastro não é apenas uma trilha — é uma conexão. Quanto mais forte o vínculo de Kaden com o alvo (ódio, proteção, desejo ou promessa), mais nítido o caminho se torna. Ele pode rastrear alguém através de multidões, atravessar dias de distância e até distinguir mentiras deixadas para confundir perseguidores comuns. Portas fechadas, chuva ou magia de ocultação enfraquecem o traço, mas raramente o apagam por completo. Seguir o rastro, no entanto, exige um preço. Quanto mais longe ou mais intenso o vínculo, mais a habilidade arrasta Kaden para um estado instintivo — o mundo ao redor se torna ruído, e o alvo passa a ser o único ponto de foco. É uma perseguição que beira a obsessão: enquanto o rastro estiver ativo, desistir parece antinatural.
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O cheiro subiu até as narinas trazendo a típica expressão de desgosto quando reconhecia o odor em questão. Maximilianus girou o corpo rapidamente, cravando os olhos claros no homem a poucos metros de si. A típica e velha rivalidade reascendeu o que parecia estar morto dentre si, fazendo com que lutasse contra o ímpeto que o impedia de seguir em frente; avançar e causar a discórdia que aquela noite não estava merecia ou muito menos estava preparada. Não ainda. Ainda assim, o senso voltou ao controle, lembrando-se do papel que tinha a desempenhar — era o anfitrião, estava sendo observado e precisava manter a compostura. A passos lentos e curtos, Maxi aproximou-se do outro com um sorriso que disfarçava falsidade e certa obrigação. Todavia, a máscara que havia acabado de inventar não se sustentou por muito tempo. Droga! Não haveria perfume caro no mundo que pudesse esconder o que naturalmente a pele de outrem expelia e que para si queimava, causando um desconforto, que mais uma vez, era notável em sua face. Mas, antes que pudesse falar, ponderou mais uma vez: precisava dar uma trégua. Será se o que tinham em comum não poderia ser um ponto que poderia contar como uma vantagem entre os dois? Pelos deuses, eram italianos, ricos, bem instruídos e diferentes dos demais em suas respectivas espécies... É, poderia bastar. ── Acredito que esteja sendo bem servido. No bar, designei meus melhores bartenders para a noite. Espero que seja do seu agrado... ── Sem mencionar nenhuma palavra, Maxi indicou o desejado para o rapaz do outro lado do balcão, que prontamente lhe serviu o tão estimado uísque com algo mais que coloria a bebida bourbon em tons de vermelho. Só levemente. ── Mas me diga, meu caro, che cosa ne pensa della festa? Qualcosa le è piaciuto? Qualcosa le ha ricordato casa? ── O sotaque carregado escorregou pelos lábios do vampiro que sentiu-se um pouco mais animado com aquela interação. Ao menos, tinha alguém para compartilhar a tão amada língua de casa. ── Ou está aqui apenas para observar suas futuras caças? ── Disse em tom acusatório, deixando escapar o que tanto inflamava o âmago. Tocar levemente na ferida não faria mal algum, certo? ── Desde que não seja em meu território ou com os meus, está livre para fazer o que quiser. Sei como funciona a natureza pungente e selvagem de vocês. Não há como... controlar. Falo a verdade, @kadenvc?
o cheiro veio antes da voz. veio como ferro queimado no fundo da garganta, e kaden não virou de imediato. continuou apoiado no balcão, girando o copo com dois dedos, como se a presença atrás dele não tivesse peso nenhum. mas o maxilar marcou. quando max aproximou, o ar ao redor pareceu ficar mais denso, mais frio. ele virou o rosto devagar, os olhos escuros subiram sem pressa até encontrar os claros do vampiro. ❛ olha só… o anfitrião. ❜ a voz saiu tranquila demais. ❛ e eu achando que você ia mandar seu assessor. ❜ o cheiro incomodava, queimava mesmo. mas kaden não deixou nada além de um meio sorriso torto aparecer. quando o uísque foi servido, ele olhou para o líquido avermelhado por um segundo a mais do que o normal. ❛ acho que tá me confundindo com seus amiguinhos, morto-vivo. ❜ grunhiu, e então ergueu o copo, analisando contra a luz. ❛ eu não tomo essa cazzate. ❜ o sotaque italiano deslizando pela fala do vampiro fez a boca dele puxar de leve para o lado. ótimo, eles tinham coisas em comum! que conveniente! kaden respondeu na mesma língua, a voz baixa. ❛ la festa è bella. elegante. controllata demais. ❜ os olhos sustentaram os dele. ❛ quase como se você estivesse tentando provar alguma coisa. ❜ deslizou o copo pelo balcão, retornando ele para o barman. aquela porra de sangue nas bebidas já estava o tirando do sério, e ele podia sentir as garras querendo romper a pele de seus dedos, para serem expostas. ele virou o corpo inteiro agora, encarando max de frente. espaço invadido não com passos, mas com presença. ❛ você realmente acha que eu pisaria aqui pra caçar? ❜ o riso foi baixo. sem humor. ❛ porra, maximilianus… se eu quisesse alguém da sua espécie, eu não viria pedir permissão no salão principal. ❜ a última frase saiu quase preguiçosa, mas havia peso nela. o sorriso de kaden mudou, ficou menor e com menos humor. estava presente nos lábios apenas para decorar. ❛ seus? ❜ repetiu, como se estivesse provando a palavra. ❛ interessante como vocês sempre falam como se fossem donos de tudo nessa cidade. ❜ ele inclinou levemente a cabeça. ❛ a gente não funciona assim. ❜ a palavra gente não foi dita por acaso. kaden levantou-se e se aproximou um passo. mínimo. suficiente para que o cheiro se misturasse mais. ❛ você sabe qual é a diferença entre nós? ❜ a voz ficou mais baixa agora. menos debochada e mais perigosa. ❛ vocês foram criados pra consumir. nós fomos criados pra resistir. ❜ ele podia odiar bruxas por isso, mas aceitava a verdade. o olhar desceu por um segundo para a garganta exposta do vampiro, e voltou. ❛ eu tenho controle, sim. ❜ um meio sorriso. não era totalmente verdade, já que bastava um descontrole das próprias emoções para o pior acontecer, mas contar isso seria como revelar sua maior fraqueza para ele. ❛ eu só não tenho paciência. mas relaxa. eu não vim arruinar sua noite. ❜ os olhos varreram o salão por um instante. ❛ apesar de que… você parece bem nervoso pra alguém que diz não temer a natureza selvagem. ❜ a cabeça inclinou levemente para o lado. ❛ então me diz você, anfitrião… essa trégua é hospitalidade… ou você tá tentando medir até onde eu pisaria antes de você sentir necessidade de mostrar os dentes? ❜ ele sustentou o olhar de maxim.
O tom superprotetor voltou por meio segundo e ela parou o copo perto da boca e olhou para ele de canto. "— E esperou que eu fosse trabalhar como? A base de fotossíntese? Não sou uma fada." Desceu o gole. "— E a noite não me deixa miraglosamente pronta para virar o He-man. Preciso de algo que me mantenha em pé." A bebida sendo virada por ele a fez negar com a cabeça e beber mais ainda. Hipócrita, pensou. "— É o que você merece por achar que podia me dar uma bronca por ter chegado de manhã." Não foi uma bronca, foi uma briga, e uma Marcelene que não soube lidar com ser protegida sem achar que isso iria se virar contra ela. Old habits die hard. "— Sim, sério. Quem sabe assim aparecesse uma amiguinha? Vocês poderiam fazer circuitos juntos." Provocou em um meio sorriso que não chegou aos olhos. E então, ela riu com o comentário da senhora. Riu mesmo. Do tipo que Kaden não via ela fazer com frequência, pelo menos não há muito tempo. "— Ela não sabe o quanto você morde. De dócil só tem a cara." Sabia bem, se fosse para uma pessoa normal, imaginava que o ver bravo era assustador. Novamente, um suspiro escapou e ela propositalmente engoliu um pedaço do petisco que tinha levado consigo, e o olhou. A língua passou lentamente pelos lábios, apenas para fazer vontade sobre o que estava comendo. "— Delicioso."
"— E vou me corrigir, você vai comer. Se não estamos brigados, então posso voltar ao modus operandi. Eu mando, você faz. Não é?" Inclinou a cabeça para o lado e sem pensar muito, apenas estendeu o copo a mão dele. "— Bebe primeiro. Se está tão preocupado comigo, deveria testar pra ver se está tudo bem. Ser meu...." Não soube o que dizer, então deu de ombros com a próxima coisa que ele disse e não completou a última frase. "— Lar temporário já é todas as camas que você frequenta." Não sabia como ele e Mavrick conseguiam. "— Mas é isso? Eu sou sua responsável legal?" Agora sorriu de verdade. "— Então é sobre isso todo aquele chilique? Medo que sua dona não voltasse pra casa, Kaden?"
kaden soltou um riso baixo pelo nariz quando ela falou de fotossíntese. até porque, sequer sabia que marcelene conhecia aquela palavra. ❛ esse é seu sonho então, marce? ser uma fada? que curioso. ❜ o olhar desceu devagar. ❛ ia dar errado. você não tem paciência nem pra regar cacto. imagina cuidar da natureza. ❜ o tom jocoso era empregado em provocação, e ele deu de ombros, leve demais até ouvir a frase seguinte. a mandíbula dele marcou por um segundo. ❛ energético com vodka às três da tarde e você quer falar de bons costumes? porra, marce… ❜ balançou a cabeça, mas o canto da boca quase sorriu. era implicância pura, mas de certa forma queria sim cuidar dela. quando ela trouxe a história da manhã, o ar ao redor dele mudou um grau. ❛ eu não te dei bronca. ❜ a voz ficou mais baixa. ❛ eu falei que chegar de manhã, sozinha, daquele jeito… era burrice. ❜ um segundo. ❛ e eu odeio quando você faz coisa burra. ❜ não era sobre controle. era sobre instinto. o riso dela — aquele riso aberto — fez ele ficar quieto. observando. como se estivesse decorando o som. ❛ continua rindo assim que eu esqueço porque tava puto. ❜ murmurou, quase pra si. gostava da companhia, e vê-la rir trazia um assossego ao seu peito. mesmo que aquilo fosse raro. ❛ eu só escolho quando morder. o que tem de errado com parecer dócil? ❜ era assim desde a itália, desde antes de sequer saber de sua natureza selvagem. era fazendo suas companhias rirem, se soltarem, que acordava em camas alheias. quando marce passou a língua nos lábios, provocando, ele não desviou. não fingiu que não viu. sustentou o olhar, passando os dentes pelo próprio lábio inferior. devagar. ❛ você faz isso de propósito… ❜ a voz saiu mais grave. ❛ filha da mãe. ❜ não era ofensa. a sobrancelha arqueou, aquele sorriso torto, perigoso. quando ela estendeu o copo, ele segurou — mas os dedos dele deslizaram pelos dela primeiro. pressão leve contra a pele feminina. aproximou o copo do rosto. ❛ se isso aqui me derrubar, você vai me carregar no colo. e eu juro que vou fingir que tô inconsciente só pra ver você sofrer. ❜ bebeu, um único gole, e devolveu o copo. ainda que fosse forte, não expressou nenhuma careta, seu paladar acostumado e achando o sabor bem vindo. ele deu um meio passo à frente, invadindo o espaço dela sem pedir. o indicador capturou a alça do vestido de marce, ajustando ele ao ombro mesmo que o ajuste não fosse necessário. apenas para tocar. ❛ você anda muito informada pra quem diz que não liga. ❜ o sorriso veio lento. daquele tipo que não alcança totalmente os olhos. ❛ dona? ❜ repetiu, quase rindo. ❛ você tá me confundindo com algum playboy dessa cidade? ❜ mais perto agora. o cheiro dela misturado com álcool e pimenta do banquete. ❛ eu não tenho dona. ❜ o olhar desceu pela boca dela. voltou. ❛ eu escolho onde fico. escolho com quem fico. ❜ a mão subiu até o queixo dela. não forte. mas firme o suficiente pra marcar território. ❛ e se eu fico… ❜ inclinou o rosto dela um pouco. ❛ é porque eu quero. não porque tenho coleira. ❜ o polegar roçou a linha do maxilar dela antes de soltar. um meio sorriso. ❛ agora… continua me chamando de cachorro. ❜ inclinou a cabeça. ❛ eu prometo que dessa vez eu mordo. e você sabe exatamente onde. ❜
à meia-noite, as luzes diminuíram, não demorando para que os artistas assumissem grande parte do salão. as máscaras começaram a se mover sozinhas — na verdade, era apenas um truque promovido pela baixa luminosidade. e por isso ele transformou-se de forma parcial — na verdade, apenas os olhos, que adquiriram uma coloração brilhante, concedendo a kaden a habilidade de enxergar no escuro. mithi estava a poucos passos da pista quando sentiu. um arrepio subiu por sua espinha — não pelo frio, mas pela conexão. ele surgiu entre os nobres venezianos como se tivesse sido moldado da própria sombra. a máscara que usava não escondia o suficiente; mas a ausência de luz decente ajudava a esconder sua identidade. os passos dele foram lentos — como se um predador estivesse se aproximando da presa. quando finalmente parou diante dela, a distância era indecente. próxima demais para ser social. ele ergueu a mão — não para segurá-la. para pairar próximo ao rosto dela, como se estivesse lutando contra o próprio impulso.❛ o que você faz aqui…? ❜ a voz saiu mais grave, mais áspera. menos controlada. kaden deu mais um passo, os deixando a centímetros. o cheiro dela — misturado ao incenso, às flores esmagadas sob os pés dos performers — era combustível demais. a mandíbula dele tensionou. ❛ eu devia ficar longe. ❜ murmurou, mas não se moveu para trás. ❛ é o que eu venho fazendo. ❜ a respiração dele roçou a pele dela. os dedos finalmente tocaram — não o rosto, mas a cintura, firme o suficiente para ancorar. kaden inclinou o rosto, os lábios pairando a um sopro dos dela. não beijou ainda. os olhos desceram para a boca dela — depois voltaram, carregados de um brilho perigosamente possessivo. ❛ me diz pra parar. ❜ pediu, mas o tom não era súplica. era desafio.
Ela não disse nada a princípio, porque estava contando nos dedos quantos minutos duraria o auto controle dele. "— Seis. Recorde." Comentou e desceu uma cerveja pra dentro, ainda o observando. "— Acho que deveria considerar mesmo a minha proposta de coach espiritual dos bons costumes." Uma piada que podia muito bem se tornar verdade se ele oferecesse dinheiro. Não sabia o que fazer nesse papel, mas faria algo. "— Eu até ofereceria pra aliviar sua situação, aí lembrei que estamos brigados e eu só estou aqui para pegar uma bebida forte." Mentira, só estava observando o sofrimento alheio e era um tanto engraçado em sua concepção. Não que estivesse rindo, seria falta de respeito. "— Já experimentou o rosbife no banquete? Talvez te ajude. Tem uma pimenta muito boa. Também tem o porco. Aquele tava uma delícia." Começou a azeitona de um drink aleatório. "— Nossa, colocaram absinto nisso daqui. Que perigo."
kaden não olhou pra ela de imediato. continuou com o copo na mão, girando o líquido como se estivesse analisando algo extremamente importante ali dentro — tipo a origem do próprio estresse. ❛ seis minutos? eu tô melhorando. semana passada foram quatro... ❜ ele bufou pelo nariz antes de virar o rosto para encará-la. o olhar desceu lentamente da cabeça até o copo de absinto. ❛ coach espiritual dos bons costumes? você não consegue nem seguir bons costumes alimentares. eu vi você misturando energético com vodca às três da tarde. ❜ tomou um gole da própria bebida, que surpreendentemente não era cerveja. era algo mais forte, porque, aparentemente, todo mundo ali estava decidido a testar limites. ❛ e nós não estamos brigados, você me difamou publicamente. “adote um cachorro”, marcelene? sério? tinha criança arrancando os panfletos dos postes pra levar pra casa. ❜ finalmente virou o corpo na direção dela, encostando o cotovelo no balcão. ❛ uma senhora perguntou qual era minha raça. eu tive que ouvir “parece dócil, mas deve morder”. ❜ o maxilar dele tensionou por um segundo — não de raiva real. era indignação fingida. quando ela começou a listar o banquete, ele ergueu uma sobrancelha. ❛ eu não vou comer porco num evento cheio de vampiro. isso parece perigoso. ❜ a menção ao absinto fez ele olhar de novo pro copo dela. ele fez um gesto com o queixo pro copo dela. ❛ você não devia beber isso. ❜ não soou como ordem, mas como pedido ao estender sua mão para o copo. ❛ e eu juro por tudo que é amaldiçoado… se alguém vier aqui perguntar se eu preciso de lar temporário, eu vou dizer que você é a responsável legal. ❜ menos se fosse uma gostosa, ai ele só aceitaria. possivelmente.
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Quem: @kadenvc
Onde: Estufa
Frase: “the point wasn’t whether or not i liked it.”
Não gostava das mascaras e menos ainda de estar em um ambiente barulhento, por isso, se resguardar indo até a estufa era o mais adequado para Selin. Talvez por ser alquimista seu ofalto tivesse se tornado melhor com os anos, ou talvez licantropos apenas mantinham a mesma higienie considerando que ela sempre os reconhecia pelo aroma, especialmente quando intoxicava as pobres plantas. Não queria ser perturbada, motivo pelo qual se virou tão rapidamente para sair dali, foi assim que logo ela que era tão controlada e que pensava cada passo se viu escorregando com o salto no chão úmido da estufa. Tudo ocorreu de maneira rápida demais para que sua mente concebesse, em um segundo ela caia e no outro sentia braços fortes em torno de si e uma bancada pressionada há suas costas. Ergueu o rosto para fitar os olhos azuis, ainda tentando compreender o que havia ocorrido, odiava cometer erros, especialmente na frente dos outros. Selin sabia que a melhor forma de tirar o constrangimento de um erro próprio, era constranger o outro e foi por isso que falou. ❝Imagino que esteja gostando disso.❞ Os grandes olhos esverdeados por detrás da máscara descendo lentamente para os lábios dele e então para os corpos tão próximos, um indicativo do que sugeria. Um pequeno riso escapou pelos lábios da bruxa com a resposta dele ao se afastar, era melhor deste modo. Respirou melhor quando conseguiu obter outra vez o equilibrio do corpo, mas uma mão ainda estava sob a bancada atrás dela como medida de segurança. ❝Por favor, peço que não comece qualquer discurso sobre como meramente buscava me ajudar. Não preciso da sua ajuda.❞
o impacto veio antes do pensamento. o corpo dela escorregando, o salto traindo o equilíbrio — e kaden já estava em movimento. a mão fechou firme em torno do braço de selin, puxando-a contra si por puro reflexo. o cheiro dela veio junto: algo amadeirado, químico, errado. bruxa. a constatação atrasou um segundo, e nesse único segundo ele registrou o calor do corpo colado ao dele, o encaixe fácil demais, a linha da garganta exposta a centímetros da boca feminina. era gostosa, constatou sem pudor. o pensamento foi automático, irritante na própria sinceridade. então ela falou. e a lembrança veio como uma mordida. o controle arrancado da vida dele por gente exatamente como ela. os dedos afrouxaram. não foi um empurrão — não exatamente — mas o suporte desapareceu de propósito. kaden soltou-a com a mesma naturalidade com que a tinha segurado, e selin encontrou o chão úmido da estufa com um baque seco. ele recuou meio passo, a jaqueta de couro pesada demais para o calor sufocante do lugar, o incômodo ardendo sob a pele já irritada. ❛ o ponto não é se eu gostei ou não. é que reflexos são difíceis de matar. mesmo quando a gente devia. ❜ respondeu, a voz baixa arrastando sarcasmo. a língua passou lentamente pelo interior da bochecha enquanto ele inclinava a cabeça, estudando-a no chão. raiva fervia contida no peito, apertando as costelas. bruxa. a palavra tinha gosto amargo. ❛ e fica tranquila. eu jamais ajudaria alguém como você por intenção. ❜ continuou, o canto da boca erguendo num sorriso que não tocava os olhos. o olhar subiu de novo para o rosto dela, sustentando o contato com insolência. o calor da estufa colava a jaqueta nas costas dele, piorando o humor já instável. os dedos flexionaram ao lado do corpo, buscando controle. ❛ agora que a gente já esclareceu as coisas, vai levantar sozinha ou prefere provar seu ponto ficando aí? ❜
o cheiro atingiu kaden antes mesmo de ele entender o que estava vendo. ferro. doce. quente. o copo de whiskey parou a meio caminho da boca quando seus olhos caíram na bandeja que o garçom carregava — taças finas, elegantes, preenchidas por um vermelho espesso demais para ser vinho. o maxilar travou. por um segundo, o bar inteiro pareceu inclinar alguns graus, como se o mundo tivesse decidido testar a paciência dele por esporte. claro que encontraria aquilo em uma festa de vampiros. os ombros permaneceram abertos, a postura relaxada demais para quem não conhecia os sinais. só que a calma era superficial. por baixo, algo antigo arranhava as costelas, subindo quente pela garganta. o ar entrou lento pelos pulmões, mas saiu pesado. a mão que segurava o copo desceu para o balcão com um toque seco. as garras vieram antes que ele percebesse. a madeira gemeu baixinho sob as pontas afiadas que rasparam o verniz. o strangio encarou a própria mão por um instante, o riso que escapou sendo curto e sem humor. irritação pulsava sob a pele como eletricidade mal contida. ele flexionou os dedos, forçando as garras a recuarem, cada músculo obedecendo por disciplina e teimosia. ❛ realmente sabem como fazer um convidado se sentir em casa. ❜ o olhar varreu o bar devagar, predatório, demorando-se nas taças vermelhas com um desprezo. a língua pressionou o interior da bochecha enquanto ele se inclinava contra o balcão, ocupando espaço como se aquilo ainda fosse território neutro por decisão pessoal. respira, lembrou a si mesmo. os dedos tamborilaram uma vez na madeira, controlados. o convite à violência ainda queimava sob a pele, mas ele o vestiu com um sorriso torto — aquele que prometia problema para mais tarde. ❛ mas que porra. ❜ foi tudo o que comentou, antes de virar o líquido do seu copo em um só gole.
a estufa ficava afastada o suficiente da música e das vozes para parecer um mundo separado. myst reconhecia cada pulsação viva ao redor, ainda que aquela vida tivesse sido cultivada com intenções estéticas e não naturais. caminhou devagar entre os canteiros até parar diante de uma das flores abertas, inclinando-se apenas o suficiente para tocá-la com a destra. seus dedos deslizaram pela pétala enquanto avaliava a vitalidade que pulsava ali, reconhecendo a força que permitia a floração e, ao mesmo tempo, o desvio que a sustentava. o som de alguém entrando fez com que ela erguesse o olhar. ao se virar e encontrar kaden, nenhuma reação alterou seu semblante. myst simplesmente retornou a atenção à flor à sua frente, deixando que os dedos se afastassem dela antes de falar. ‘ curioso… elas não deveriam florescer no inverno. forçar isso cria uma ruptura, e a natureza sente quando as coisas estão desequilibradas. ’ havia verdade no que dizia. uma verdade técnica, ainda que cuidadosamente apresentada. mesmo usando um corpo humano, ela ainda era uma feérica. girou o corpo novamente na direção dele, agora com um sorriso já formado nos lábios. um sorriso perfeitamente ajustado, caloroso o suficiente para ser acolhedor. deu um passo à frente, mas sem impor presença. não era assim que conduzia situações. preferia parecer acessível, curiosa, alguém disposta a conversar. ‘ e as coisas só dão certo quando estão em equilíbrio. ’ continuou, levantando as mãos entre eles. ‘ quando os lados se sustentam. ’ manteve as duas mãos niveladas por um instante e depois inclinou uma delas para baixo. ‘ e nós não estamos em equilíbrio, kaden. ’ o sorriso permaneceu estável, sem traços de acusação. ele era esperto o suficiente para compreender a referência ao acordo em aberto.
para seus sentidos apurados, o ar da estufa era úmido, doce demais, e artificial. mas o cheiro de silvermist equilibrava isso. ele parou logo após atravessar a porta, deixando que ela o percebesse antes de anunciar a própria presença. ombros abertos, mãos afundadas nos bolsos do casaco, ocupando o espaço como se tivesse sido convidado pessoalmente pelas plantas. os olhos ficaram nela, sustentados, avaliando o perfil azul contra o verde ao redor como quem revisita uma cicatriz bonita demais para odiar. o canto da boca ergueu quando ela falou de equilíbrio. claro que ergueu. ❛ engraçado. eu sempre achei que você gostasse de coisas forçadas. a maioria dos seus contratos começa assim. ❜ a voz veio baixa, polida pelo sarcasmo habitual. ele se aproximou sem pressa, cada passo medido. não invadiu o espaço dela de imediato; inclinou o corpo na direção da fada, como se a gravidade pessoal de Myst fosse um convite que ele aceitava com prazer. o olhar desceu brevemente para a flor, depois voltou para o rosto dela, demorando um segundo além do confortável. ❛ e ainda assim elas florescem. meio tortas, talvez… mas bonitas. ❜ havia algo perigosamente próximo de um elogio ali, e ele deixou que pairasse entre eles. o polegar roçou distraidamente a borda de uma folha ao lado, sem realmente prestar atenção nela. os olhos estavam em myst. ❛ você vai ter que ser mais específica, sobre nosso desequilíbrio. eu tenho alguns na lista. um envolve você me devendo uma explicação. outro envolve eu te devendo… algo que você ainda não teve a gentileza de cobrar. ❜ o olhar escureceu com uma faísca de humor. ele inclinou a cabeça, estudando-a como quem encara um quebra-cabeça que já resolveu, mas gosta de fingir que não. ❛ o seu silêncio me deixa curioso. o que é perigoso. curiosidade foi exatamente o que me trouxe até você da primeira vez… e olha como isso terminou. ❜ o sorriso que se formou não era gentil; era convite e desafio na mesma medida. ❛ você veio aqui falar de botânica… ou finalmente decidiu me contar o que eu comprei naquela noite? ❜
New personal piece just in time for the return of the werewolf designs (more details will follow soon] I felt like making coloured version this time as well & I love how it looks! #WerewolfWednesday
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