você não sabe quem eu acabei de encontrar na praça das sete famílias. isso mesmo, maximilianus romulus de bourbon! ele é um vampiro que atua como empresário ──e líder do clã sanguis electi── aqui em ninivae, sabia? ouvi dizer que possui mil novecentos e noventa e nove anos, embora aparente ter trinta e quatro anos. os ventos sopraram que esse rostinho angelical é paciente, mas são os rumores sobre ser intangível que ameaçam a nossa paz. será que teremos problema em lhe estender a mão?
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number one: hcs ,
Em Ninivae, Maximilianus existe como uma contradição bem treinada. É visto em galas de caridade, em conselhos empresariais discretos, no nome gravado em fundações que doam para hospitais que jamais suspeitariam do que ele realmente extrai dali. O rosto é belo de um modo antigo, quase severo, e os olhos, que outrora foram azuis, carregam agora um amarelo opaco, felino, contido o suficiente para não chamar atenção. Em tempos mais antigos, ele aprendeu cedo que sobreviver não exige invisibilidade, mas controle. A cidade fervilha desde o desaparecimento do Cálice da Criação, e Maxi observa como sempre fez: à distância segura, calculando, teorizando e imaginando quem vai sangrar primeiro.
Outrora, houve um tempo em que ele também chegou a sangrar. Soldado romano, criado para obedecer e matar, foi capturado em uma guerra que sequer lembrava o nome dos mortos. Posteriormente usado como alimento por vampiros por tempo demais para chamar de tortura comum, perdeu o sentido de dignidade antes de perder a vida. Quando foi descartado, já quebrado, morreu de verdade – e voltou sem saber por quê. Seu criador, uma incógnita por toda a sua existência, nunca se revelou. Seu desconhecimento se tornou uma ferida aberta que atravessou séculos. Maximilianus nunca acreditou que monstros surgem por acaso. Alguém o quis vivo. E alguém ainda caminha por aí, repetindo o erro.
Os primeiros séculos de sua imortalidade foram um borrão vermelho. Ele desligou a humanidade e deixou cadáveres suficientes para virar lenda em regiões inteiras. Licantropos aprenderam seu nome à força. Covens inteiros foram silenciados por ele, e um deles – devoto de entidades antigas demais para terem misericórdia – lhe devolveu o favor com uma maldição. Mefistofeles, ou algo que atendia por esse nome, como forma de vingança deixou a sua marca: uma fome mais profunda, mais urgente, que jamais se saciaria por completo. Desde então, o sangue precisa ser quente, pulsante, direto da fonte. Qualquer coisa menos que isso o enfraquece. Qualquer recusa o aproxima demais do próprio colapso.
Quando voltou a se importar, se é que essa palavra cabe, Maximilianus parou de destruir às cegas e passou a moldar. Infiltrou-se em famílias, títulos e sistemas. Casou-se entre os Bourbon não por amor, mas por permanência. Fez guerras contra lobisomens quando o território exigia, dizimou bruxas quando o risco ultrapassava o aceitável e recusou, por muito tempo, qualquer clã. Liderar sempre pareceu mais perigoso do que caçar sozinho. Em Ninivae, porém, o mundo voltou a cheirar a erro antigo. Bruxas acusam outras raças com a mesma facilidade com que sempre esconderam suas próprias falhas. Maxi reconhece esse padrão. E padrões, agora, surgiram como oportunidades.
Hoje, ele reina nas noites da cidade através da Aureum Noctis, uma boate de elite onde nada é exatamente o que parece. Mármore negro, luz baixa, música que vibra no peito como um segundo coração. Humanos ricos a veem como um templo de excessos refinados. Criaturas sobrenaturais sabem que ali se fazem acordos que não cabem no papel. Maximilianus nunca aparece em destaque; ele observa dos camarotes, avalia respirações, pulsos, cheiros. A cidade está instável demais para descuidos. Ainda assim, ele não busca redenção; isso é um luxo para quem ainda acredita em absolvição. Busca paz. E, se for preciso, vai arrancá-la à força.
number two: habilidade ,
influência emocional: O poder se manifesta com mais força através da proximidade e do contato visual, ainda que não exija toque. Emoções já existentes são amplificadas, distorcidas ou suavizadas conforme a necessidade. Medo se torna cautela extrema. Desejo se transforma em obsessão silenciosa. Raiva pode ser contida até virar submissão ou estimulada até o erro. Maximilianus raramente cria sentimentos do zero, mas escava o que já está ali e molda a resposta emocional até que ela sirva ao momento. Há limites importantes. A habilidade não funciona bem em multidões caóticas, onde estímulos concorrentes diluem o foco, nem contra indivíduos emocionalmente anestesiados ou protegidos por disciplina mental, drogas ou magia ativa. Quanto mais forte a resistência emocional do alvo, maior o esforço exigido e Maxi evita prolongar o uso quando isso ameaça sua própria estabilidade. O poder cobra atenção constante, pois um único deslize, e a influência se desfaz.
number three: boate e clã ,
A Aureum Noctis é o tipo de lugar que não anuncia sua presença; ela simplesmente existe, sólida e inevitável. Localizada em uma área nobre de Ninivae, o prédio mistura arquitetura clássica e linhas modernas, como se tivesse sido reformado inúmeras vezes sem jamais perder a identidade original. A fachada escura, quase austera, não chama atenção durante o dia, mas à noite ganha vida sob uma iluminação discreta e precisa, suficiente para atrair quem sabe exatamente onde está indo. Por dentro, o clube é dominado por mármore negro, detalhes em dourado envelhecido e tecidos pesados que absorvem o som e a luz. A pista de dança se espalha de forma orgânica, enquanto camarotes elevados oferecem uma visão privilegiada para quem prefere observar em vez de participar. O público da Aureum Noctis é estritamente seletivo sem ser ostensivo. Não há filas longas nem tumulto. A entrada é filtrada por critérios que ninguém explica, mas todos respeitam. Ali se misturam empresários, figuras influentes, turistas ricos e pessoas difíceis de classificar. O código de vestimenta é implícito: quem precisa perguntar não pertence ao lugar. Bebidas raras circulam com facilidade, e o atendimento é impecável, quase intimista, como se cada cliente fosse esperado. Entretanto, a boate não termina onde a música acaba. Para além da pista principal, dos camarotes reservados e do luxo calculado para distrair ricos e criaturas desatentas, existe um segundo coração batendo sob o clube. Um acesso oculto – nunca o mesmo, nunca óbvio – conduz a níveis subterrâneos que não constam em planta alguma. Ali, o mármore dá lugar à pedra antiga, aos corredores estreitos, ao silêncio espesso quebrado apenas pelo som de passos conhecidos. O Sanguis Electi opera abaixo da Aureum Noctis como uma corte fechada. Nada ali é improvisado. As salas climatizadas preservam bolsas de sangue obtidas por rotas hospitalares cuidadosamente corrompidas, enquanto outras áreas existem para a alimentação direta, controlada, ritualizada e sem qualquer desperdício. O sangue que circula ali não é comum, pertencente a humanos escolhidos por critérios que poucos compreendem por completo, mas que todos respeitam. A entrada no clã não é conquistada por força ou idade, mas por discrição. São vampiros antigos ou refinados demais para se contentarem com caça indiscriminada. Maximilianus não oferece proteção cega nem promessas de poder fácil. Ele oferece estrutura, silêncio e continuidade. Em troca, exige lealdade absoluta e a disposição de agir quando a estabilidade de Ninivae ameaça ruir. Qualquer risco à identidade do clã, ou à dele, é eliminado antes mesmo de se tornar um rumor.
number four: trivia ,
Seus olhos, que um dia foram azuis, hoje carregam um tom amarelado de âmbar — marca visível de uma maldição que o condenou a uma fome eterna, incapaz de conhecer verdadeira saciedade. A origem desse fardo remonta aos seus dias mais sombrios, quando já não restava nele qualquer vestígio de humanidade. Movido por capricho e egoísmo, exterminou um coven inteiro de bruxas apenas pelo prazer da aniquilação. A última delas, mantendo-se de pé pela força do ódio e da fé em seu patrono, Mefistófeles, pronunciou as palavras da condenação. Com o auxílio da entidade infernal, lançou sobre ele um feitiço irrevogável, selando seu destino sem possibilidade de cura ou redenção. Ainda assim, contrariando o que parecia uma sentença impossível de contornar, Maxi encontrou uma forma de administrar a própria maldição. Passou a alimentar-se em pequenas quantidades ao longo do dia, mantendo a sede sob controle constante. Foi essa necessidade que o levou a estruturar e comandar o esquema responsável por desviar remessas ilegais de sangue humano do hospital local diretamente para seu covil, garantindo um suprimento contínuo e discreto para sustentar sua existência amaldiçoada.
Em seus tempos mais sombrios, tornou-se uma lenda entre aqueles que trilhavam o mesmo caminho que ele. O nome Maximilianus passou a ser sussurrado com reverência e temor, associado a feitos marcados por violência meticulosa e ausência absoluta de remorso. Foi, e continua sendo, um assassino desprovido de escrúpulos, incapaz de reconhecer alma, coração ou qualquer vestígio de sentimento em quem quer que seja. A seus olhos, não existem distinções. Todos são iguais sob o peso de sua sentença, e a dor infligida deve ser uniforme, medida com a mesma frieza e aplicada sem exceções.
Todavia, houve um tempo em que ele conheceu o amor. E o que sentiu esteve longe do comum, distante de qualquer expectativa que pudesse ter cultivado. Maximilianus experimentou conexão e paixão em sua forma mais intensa. Percebeu-se ligado a alguém de maneira profunda, talvez até perigosamente obcecada. Aproximou-se da imprudência de fazer promessas, de transformar em palavras aquilo que sempre desprezou. Chegou a cogitar um “para sempre”, pensamento que o atravessou com um receio raro. No fim, encontrou-se preso a um triângulo amoroso do qual jamais desejou participar. Seu coração podia clamar o nome dela, mas havia um princípio que jamais abandonaria: não insistir naquilo que ele próprio já reconhecia como causa perdida. Preferiu o silêncio à disputa, o afastamento à ilusão. Ainda se recorda da despedida. Observou-a de longe, acolhida nos braços de outro homem capaz de oferecer estabilidade e serenidade, algo que ele sabia, com plena certeza, que nunca poderia proporcionar. Seu "único" amor transformou-se em uma memória agridoce: um possível talvez, uma quase vitória, a promessa de um passo que ele jamais daria em direção à própria humanidade. Depois disso, fechou-se por completo a qualquer nova oportunidade. Convenceu-se de que estava velho demais para esse tipo de tolice, como se o tempo fosse desculpa suficiente para não permitir que algo assim o alcançasse novamente.
Seu guarda-roupa resume-se exclusivamente a peças feitas sob medida: ternos impecáveis e paletós confeccionados com os tecidos mais nobres e caros. Cada corte é preciso, cada detalhe calculado para transmitir autoridade e sofisticação. Não se deve esperar vê-lo afastado dessas vestimentas; é extremamente raro encontrá-lo trajando algo que não esteja alinhado a essa formalidade rigorosa. O casual, quando existe, ainda carrega a mesma elegância austera que define sua presença.
Já foi pai. Foi. Fruto de uma relação breve e intensa, a possibilidade da paternidade quase lhe trouxe algo próximo ao júbilo. Por um instante, Maximilianus permitiu-se imaginar o que significaria ter algo que fosse seu não por conquista ou imposição, mas por laço. Contudo, essa possibilidade foi brutalmente interrompida: a criança foi sacrificada. Mais uma vez, viu-se alimentando o ódio que nutre por bruxas. A mãe da criança é uma delas, e permanece viva. Maxi carrega um rancor que, até então, não encontrou qualquer chance de ser aplacado. Não mede esforços nem reconhece limites quando se trata dela. Para ele, a morte seria uma vingança rápida demais, indulgente demais para alguém que lhe arrancou aquilo que acreditava, com convicção amarga, sempre ter lhe pertencido.
Possui dois anéis embebidos em magia, artefatos que lhe permitem caminhar sob o sol com segurança, sem que a luz lhe cause dano. A origem de tais relíquias permanece envolta em silêncio pela maneira como chegaram até ele. Maximilianus não os recebeu como presente, tampouco os conquistou por barganha ou pacto. Tomou-os pela força, sem pedir, sem negociar, sem oferecer nada em troca. Como faz com tudo aquilo que decide que lhe pertence.
É duque, título que carrega por direito de casamento, mas já não faz dele o uso constante que fazia em outros tempos. Houve uma época em que a formalidade e o peso da nobreza precediam seu nome como parte indispensável de sua identidade. Hoje, porém, o título permanece mais como um fato do que como uma declaração formal. Ele o possui, mas não sente necessidade de exibi-lo.











