Aquela era uma situação estranha. Jordan sentia-se acuado, quase com medo, com a sensação de que algo ruim poderia acontecer a qualquer momento. Por que Verena o queria ali? Mesmo que tivessem tido vários momentos de carinho, que quando sozinhos rissem, conversassem, até mesmo se completassem, quando haviam outras pessoas em volta a situação era outra e se tornavam praticamente desconhecidos. Ele sabia a razão disso; simplesmente era ridículo demais para estar com uma garota como ela. O rapaz até poderia ser alguém na escola, era bonito, se tivesse dedicação a algum esporte ou atividade social, talvez pudesse se encaixar. Mas… Era pobre demais. Precisava estudar para compensar, não conseguia conversar direito sem gaguejar ou corar, não tinha dinheiro para consertar os dentes ligeiramente tortos, para um par de lentes ou ao menos um par de óculos que não fossem remendados. Eles dois eram simplesmente de realidades diferentes. No mundo real poderiam coexistir, ele sonhava, mas dentro dos portões da escola? Era impossível. “V-Veri eu…” gaguejou, deixando a frase morrer porque não sabia como completá-la. A menção do apelido que só ela usava trazia memórias demais. Então apenas a seguiu, nervoso, as palmas das mãos suando em antecipação. Não poderia ser algo bom. Não com tanto segredo, não na casa de Viktor, que combinava muito mais com ela. Uma vez dentro do banheiro, ele enfiou as mãos trêmulas no bolso das calças gastas, esperando a próxima frase. Podia sentir seu coração quase explodir a cada palavra que Verena dizia e lá primeira vez desde que se conheceram, Jordan se viu irritado. Costumava aguentar suas mágoas em silêncio, mas dessa vez era demais para si. “Veri, você está falando de um nós ou de Você e Viktor? Não existe eu, você e ele. Eu não sou parte dessa equação.” disse, agradecendo por sua voz não vacilar. Suspirou pesadamente, triste, magoado, machucado como se ela estivesse lhe cutucando uma ferida aberta. Fechou os olhos para escutar, apoiando as mãos na bancada da pia, regularizando a respiração. Não seria patético a ponto de chorar ali. Ao abrir as íris novamente, ele procurou nela as tais promessas. Eram tantas… De um amor que sobreviveria a qualquer coisa. Menos à opinião do corpo discente de Storybrooke High. “É claro que eu te amo, Verena Mondeschein. Sempre amei, sempre vou. O que te prometi é meu. Você pode estar com Viktor, ou Pierre, ou Gerard, ou Virgil, ou qualquer popular dessa escola. O que prometi continua, mesmo que você um dia esqueça suas promessas.” respondeu, a voz o mais baixa que podia. “O que está acontecendo? Sabe que pode confiar em mim e que sempre estarei aqui. Veri, sou o seu idiota. Nunca vou te deixar na mão.”
Ela era mesmo uma boneca de porcelana. Rica, de boa família, com pais superprotetores, uma beleza hipnotizante e uma fala tão mansa que era capaz de persuadir até mesmo os mais calejados em se tratando de lidar com pessoas sorrateiras. Todavia, ser assim, significava que ela também era mais sensível do que poderia aparentar, o que se mostrava somente quando estava a sós com quem se sentia confortável. Como no caso de Jordan e Viktor. “Joji…” E queria dizer que havia se perdido em suas próprias palavras, mas agora só fazia chorar compulsivamente. Sobretudo ao escutar a última parte, que soava como uma apunhalada em seu peito, já que ela estava se sentindo profundamente triste por vê-lo naquela situação. Algo muito atípico para Verena já que, quando acordada, não se importava com muito mais coisa além do próprio pescoço. “Meu.” Ela repetiu, rindo baixo, em meio às lágrimas profundas. Soava tão errado, por mais que fosse um fato! Já que ela também amava Viktor, mas igualmente amava Jordan! Por Deus, por que tinha de ser tão difícil? Até que ela não aguentou mais o desespero que a consumia, usando das mãos trêmulas para retirar da pequena bolsa lateral que usava, um item que foi prontamente estendido ao outro. Agora sim Verena chorava de desespero, ficando cada vez mais vermelha, enquanto usava de uma das mãos para tapar a boca e tentar controlar os tons mais altos de seu choro. Estava devastada. “É o terceiro que fiz e o terceiro que deu o mesmo resultado.” Verena conseguiu dizer enfim, ainda com o tom de voz trêmulo. O teste de gravidez indicativo do motivo pelo qual ela estava tão nervosa, já que Viktor era um vampiro e jamais poderia tê-la engravidado. E antes disso… Até pouco antes do anúncio do namoro efetivo dos dois quando ele abandonou a outra namorada por ela, Verena continuava saindo com Jordan. Arrastando-o no sigilo das salas do zelador, no pós-aula, noite a fora em seu próprio quarto, quando seus pais sequer sonhavam com isso… “Viktor é estéril, então essa droga de bebê é seu!” Agora, ela demonstrava como estava realmente abalada com o fato. As duas listrinhas indicativas sendo o pior peso possível sobre seus ombros. “Meus planos de Harvard, Yale… VOLTAR PARA A ALEMANHA! Não posso perder todos eles, Joji!” Por fim, ela avançou sobre o corpo dele, imediatamente o envolvendo em seus braços e afundando o rosto no peito masculino. Viktor e ele eram os únicos que sabiam lidar com seus choros compulsivos daquele jeito.