𝒏𝒂𝒎𝒆: martha cristina bastos müller
𝒏𝒊𝒄𝒌𝒏𝒂𝒎𝒆𝒔: mc
𝒂𝒈𝒆: 20 (no RG falso 25)
𝒔𝒆𝒙𝒖𝒂𝒍𝒊𝒕𝒚: heterossexual
𝒃𝒊𝒓𝒕𝒉: 02 de junho
𝒔𝒊𝒈𝒏: gêmeos
𝒉𝒆𝒊𝒈𝒉𝒕: 1.75cm
𝒘𝒆𝒊𝒈𝒉𝒕: 58kg
𝒐𝒄𝒄𝒖𝒑𝒂𝒕𝒊𝒐𝒏: estudante de moda (intercambista) e assistente pessoal
𝓹𝓮𝓻𝓼𝓸𝓷𝓪𝓵𝓲𝓽𝔂: Animada, enérgica, extrovertida. A natureza curiosa faz com que tenha desenvolvido grande facilidade em se infiltrar em qualquer conversa e grupo, o que igualmente desenvolveu a capacidade de comunicação e a falta de vergonha. Sua inocência acaba na aparência, onde sustenta a imagem de filha perfeita e jovem recatada, visto que no decorrer dos anos aprendeu por conta própria (na teoria somente, por hora!!) sobre os mais diversos pecados. É inquieta, mas tem um controle bastante impressionante de suas emoções. Se por um lado gosta de fazer besteira e tudo que possa ser classificado como ‘errado’ pelo simples sabor da desobediência e liberdade, o tempo presa pela rigidez dos pais a fez reconhecer como e quando fingir da melhor maneira possível. É então difícil vê-la agir puramente pelo calor da emoção, e sim; todas as coisas idiotas e imprudentes que faz é uma escolha bastante consciente. Nunca foi muito próxima dos pais, e o seu círculo de amizades também não a oferecia tantas pessoas em quem pudesse confiar, desse modo a maneira que a moça transitou por diversos assuntos e conhecimentos nunca fora muito saudável. Sua paixão sempre foi a moda, que muito admirava nas modelos e nas passarelas, bem como no dia a dia. Até fazia o melhor que podia dentro das vestimentas que os pais aprovavam, mas quando eles não estavam olhando? Então finalmente podia utilizar as peças que tanto apreciava. É a forma que a jovem sabe se expressar, visto que nunca o pudera fazer com palavras sinceras.
𝓱𝓮𝓪𝓭𝓬𝓪𝓷𝓷𝓸𝓷𝓼:
- Fala inglês fluente desde muito nova (bem como espanhol e francês), mas ainda tem um sotaque brasileiro muito forte.
- Já dominou a arte de sair de casa vestindo algumas peças de roupas somente para trocá-las do lado de fora, utilizando aquelas que seus pais jamais aprovariam.
- Não é muito presente nas redes sociais por ter medo de alguma foto ou vídeo acabar chegando até seus pais.
- Enquanto cursa Moda, tanto seus pais quanto os donos da residência em que ficará temporariamente pensam que ela está estudando Fisioterapia, e por isso ela constantemente compra livros sobre o assunto para fingir que está estudando ou entra em salas de aula para tirar fotos e enviar aos pais.
- Gosta de chamar atenção. Tinha de controlar isso em casa, mas em Storybrooke, agora que não mais sob constante vigilância dos patriarcas, o que mais aprecia é receber olhares para si. Não é muito bem trabalhada na sororidade e ainda está na fase da rivalidade feminina, então sempre que tem a oportunidade de provocar alguém garota que não gosta, faz questão disso. Especialmente se envolver interesses amorosos.
- Ao contrário do que possa parecer para quem a conhece de verdade, Martha acredita sim em Deus e na religião católica, apenas não acha que Ele criaria tantas coisas boas para impedir a todos de aproveitar. Reza todas as noites antes de dormir e vai à igreja todos os domingos, embora acabe esquecendo uma ou outra vez em Storybrooke.
- Não sabe nadar e tem medo de água.
𝓫𝓲𝓸:
Não era tão incorreto descrever a partir dos estereótipos da igreja católica a infância de Martha — o apreço pelo ouro, pelo excesso, e acima de tudo, pelas regras e limitações. Nascera em uma família muito bem endinheirada, filha do cirurgião anglo-germânico Michael Müller que havia se juntando com a herdeira de um dos maiores vinhedos do Rio Grande do Sul, Giovanna Bastos. O estrangeiro instalou-se no Brasil não apenas pela amada (pela qual havia se apaixonado em poucos meses de trabalho voluntário no local), mas também pelo enorme apreço pelo país em si; ou seja, pela oportunidade de viver com todo o luxo que a combinação do custo de vida e salário elevado lhe ofereciam. A garota tinha acesso desde muito cedo ao melhor sempre: as melhores escolas - de cunho religioso em respeito a moral e os bons costumes -, os mais caros cursos, os mais exclusivos eventos. Mas se por um lado crescera com a possibilidade de obter tudo que pudesse querer, então as doutrinas rígidas dos progenitores eram como barras em uma luxuosa cela. Crescer naquele ambiente com tanta recriminação era difícil, especialmente para uma jovem tão curiosa e extrovertida. Quanto mais os pais evitavam assuntos, mais queria saber sobre cada um. Quanto mais escondiam os prazeres mundanos, mais se perguntava como seriam. Talvez se pudesse dizer que Giovanna e Michael fossem uma vergonha hipócrita para a igreja, então teria ao menos alguma moral para desobedecê-los. O problema? Eles de fato agiam tal qual seus discursos, recriminando tudo o que supostamente era pecado (que, ao ver antiquado, enquadrava muitíssimas coisas). Claro, pareciam ignorar a tal frase bíblica sobre camelos, agulhas e fortuna; mas de modo geral, eram devotos e fiéis até demais às doutrinas que tanto marcavam o estilo de vida fervorosamente religioso. Martha praticamente cresceu na igreja. Fazia parte do couro, finalizou a catequese, a crisma, tornou-se coroinha. Tornou-se assistente, e até mesmo organizadora de eventos beneficentes em nome das figuras santas. Sua vida girava em torno daquele mundo, bem como das expectativas da filha perfeita que havia sido criada para ser. Casta, recatada, inteligente (mas não a ponto de contrariar os homens de sua vida), esforçada. Sempre com as melhores notas, o mais bonito sorriso, e a mais discreta vestimenta. Seu histórico poderia lhe conquistar bolsas em diversos locais, mas era em Storybrooke que estava sua chance.
Suas escolhas para a carreira não estavam tão abertas. Precisava ser algo digno, honroso, que permitisse apreciação e reconhecimento dos olhares externos. Também devia ser algo com retorno financeiro que a mantivesse no nível superior em que se encontravam, de preferência que a fizesse ser respeitada. Assim, a Fisioterapia pareceu encaixar. Dentro da área medicinal como seu pai, mas longe de coisas mundanas demais como cirurgias plásticas, por exemplo. Com retorno monetário de qualidade e um título que lhe renderia olhares de aprovação (e inveja! mas que Deus a protegesse), pôde sentir o orgulho nos olhos dos pais ao constatar para qual curso havia optado. Quando nomeara as diversas universidades estrangeiras, no entanto, a situação se tornou um pouco mais complicada. Eles não a permitiriam viver sozinha, exposta ao mundo dos pecadores! Também não viam motivos para que ela quisesse estudar tão longe, quando parecia lógico que continuasse por perto, finalizando seu curso e tão logo se juntando em matrimônio, como deveria. Foi com muito custo que conseguiu finalmente a permissão dos Müller para a universidade de Storybrooke. Definitivamente não era o que a moça tinha em mente, mas precisaria servir! O intercâmbio através da igreja também não era o ideal, sabendo que residiria com pessoas tão próximas de seus pais (e parecidas com eles). Ainda sim, era muito melhor que permanecer no Sul, presa aos progenitores e suas regras. Foi no aeroporto que deu o adeus que antecedia seus próximos anos de liberdade, enfim capaz de decidir por si mesma o que fazia ou não. Tudo bem, não era como se Martha tivesse sido a mais obediente das filhas - ha!! os progenitores não podiam nem começar a imaginar -, mas as pequenas mentiras durante aqueles anos não se comparariam aos planos que tinha de finalmente, pela primeira vez, realmente viver. Instalando-se na cidade, percebia-se que estava distante da inicialmente aspirada Los Angeles ou Nova Iorque, mas tinha seu charme. O maior deles sendo o fato de estar por volta de oito mil quilômetros distante de casa. Os colegas de seus pais? Seria fácil enrola-los, enchendo seu dia de falsas tarefas, aproveitando o máximo possível qualquer ingenuidade ou crença na figura de garota perfeita. A universidade? Faria tudo para que os pais não desconfiassem de que na realidade, a garota havia aplicado para cursar Moda, e não Fisioterapia como prometido. E a diversão? Bem, essa estaria prestes a iniciar assim que finalmente desfizera as malas.
𝓫𝓮𝓯𝓸𝓻𝓮 𝓽𝓱𝓮 𝓬𝓾𝓻𝓼𝓮:
Foi em algum momento tão antigo que se tornava impossível saber ao certo, ainda nos primórdios da Floresta Encantada, que a vida outrora feliz de Murtagh Carbonell iniciava. Tempos tão longínquos que poderiam questionar se sequer houvessem existido. A filha única do chefe da comunidade em que viviam, todos conheciam a mulher, todos a admiravam. Uma jovem educada, enérgica, curiosa. Boa moça, devota da fé que o pai, como líder, incitava aos moradores que seguissem como deviam. Uma que ainda não aceitava a magia, ou sequer a conhecia. Murtagh crescia com toda a possível tranquilidade, um único problema tomando conta dos seus dias: a curiosidade. Será que havia mais da vida além dos dias vazios e da rotina simplista? E não falava sobre o que lhe esperaria após a morte, prometido por profetas como o próprio pai, e sim sobre o que poderia conhecer ainda em vida. Queria sair da vila pequena, descobrir além do que os olhos conheciam ate então. Arriscava ultrapassar os limites da floresta que permitiam que os habitantes atingissem, escapar algumas noites pela janela para encontrar alguns amigos e até mesmo a experimentar os chás feitos com cogumelos que a fazia sentir leve e especialmente criativa. Mas nada se compararia à novidade que fora o desconhecido forasteiro que chegou um dia, tornando-se pauta em todo o vilarejo. Padraig era um enviado de Deus, passaram a acreditar, quando o suposto profeta começou a citar passagens do livro sagrado. Instalou-se no local, tornando-se quase tão influente quanto o próprio chefe do lugar. Sedenta por conhecimento, não tardou para que Murtagh, então com pouco mais de dezesseis primaveras, se aproximasse do homem na intenção de aprender o que existia fora dali. Afinal, ela só poderia escolher viver em outro mundo, se soubesse de sua existência! As histórias eram encantadoras, literalmente. O profeta então admitia, solicitando segredo, que o mundo era repleto de magias inexplicáveis. Não que aquela hipótese fosse desconhecida pelos residentes, mas a bruxaria era vista como algo satanista. Padraig afirmava o contrário, e Murtagh? Estava animada demais para desacreditar.
Se de um lado crescia a curiosidade da mais jovem, ao mesmo tempo o mais velho desenvolvia certa obsessão pela garota. Tão ingênua, tão cheia de vida, de inocência. Pura. Casta. E haveria algo mais atraente que isso, para alguém em sua posição? Acostumada a lhe tratarem sempre com alguma distância por conta de seu pai, era muito agradável a familiaridade e liberdade que parecia ter com o profeta. Também lhe permitia, pela primeira vez, experimentar a sensação deliciosa do proibido. Não porque nunca havia desobedecido alguma regra, mas porque jamais se atrevera a desrespeitar uma norma tão grande. Murtagh não somente flertava com o pecado de se envolver com um homem fora do matrimônio, mas com um homem de Deus, que teoricamente se resguardava unicamente para este. Foi pouco mais de um ano se contentando com as trocas de olhares, os toques singelos das mãos, o calor quando os corpos se tocavam discretamente as esbarrarem ou se sentarem perto demais. Foram as palavras bonitas de incentivo e segurança que, finalmente, fizeram com que as ressalvas de Carbonell se esvaíssem e a permitissem se deitar com Padraig. Quem poderia saber o que teria acontecido se o pai da garota não tivesse invadido o quarto aos fundos da igreja, onde presenciara os dois acordando juntos. Fato era que nenhum cenário dos mais assustadores imaginados por Murtagh a prepararia para o que de fato aconteceu. Com medo de perder o título, Padraig imediatamente disse que não havia sido sua culpa. A magia que ele tanto dizia não ser negativa? Agora utilizava para culpar por bruxaria garota que o seduzira e o fizera pecar de tamanha forma aos olhos de seu Deus. Sim, pois apenas uma bruxa enviada do próprio demônio seria capaz daquilo! A sentença foi breve, apenas a palavra do profeta prova necessária. Tirariam-lhe a cabeça, e atariam fogo! Traída, Murtagh clamou por misericórdia, mas não foi ouvida. O próprio pai a encarava como se não tivesse um resquício sequer de sentimento pela menina que protegera durante toda a vida. A única a lhe demonstrar empatia fora uma moça, aproximando-se do corpo preso ao palanque em frente do centro do vilarejo, admitindo ser, por sua vez, uma bruxa de verdade. A filha do líder aceitou então a saída oferecida pela feiticeira, uma promessa de que continuaria viva. E assim ocorreu, quando acordou novamente, após sua decapitação. Mas não tinha sido salva. Não exatamente. Havia sido amaldiçoada. Sua alma agora presa à terra, rondado como um fantasma, embora também não fosse um. Sua alma parecia estar conectada a um animal; uma mula, cujo sacrifício fora o que permitira que ainda estivesse ali. A visão da criatura sem cabeça poderia ser assustadora, mas transmitia uma segurança para Murtagh, como se soubesse em seu âmago que estavam conectadas. Assim, sua existência penosa passou a contar com os dias em que, montada no animal, vagava em busca de vingança. Não podia dizer que fora a Land of Untold Stories a única responsável por suas memórias escassas, já que perdera grande parte de si nos anos em que assombrara a Floresta, fazendo vítimas, espalhando a história de uma tal Mula sem Cabeça perigosa. Em determinado ponto, já não mais sabia por que exatamente estava se vingando. Ou ainda: de quem. As coisas ficavam menos claras, mas foi ao escutar sobre a lenda de um lugar mágico e desconhecido cuja passagem se dava através da morte, que decidiu se arriscar. Talvez quem sabe conseguisse enfim se libertar? Não teve qualquer receio de adentrar o lago, pronta para enfim descansar, interpretando o tal reino mágico como, quem sabe, o reino de Deus que por tanto tempo escutara existir. Mas para sua surpresa, a moça continuava viva. Viva, mas perdida em quem era, ou porquê era. Ali o feitiço era quebrado, e ela estava viva por completo outra vez; mas… onde estava mesmo? A vida em Land of Untold Stories foi como um recomeço, e eventualmente, aprendera a deixar para trás tudo o que fosse do passado. Afinal, ele já não importava há muito tempo.














