Sua mãe curte meus stories, sua vó me manda mensagens, sua irmã e seu cunhado também.
Seus amigos ainda me acompanham.
NĂŁo posso negar que sinto que vocĂȘ tambĂ©m. VocĂȘ tambĂ©m. 0,00001%. Quanto significa na prĂĄtica? O tempo vai dizer.
NĂŁo confio nos meus sentidos quanto a isso. Ă o caminho mais seguro.
Hoje tive crises de ansiedade, as maiores desde entĂŁo.
Minhas mĂŁos estavam Ășmidas e trĂȘmulas, meu coração batendo desenfreadamente, reverberando uma tempestade em minha caixa torĂĄcica. Senti meu couro cabeludo formigar e nĂŁo parecia haver oxigĂȘnio suficiente para inflar meus pulmĂ”es.
Era vocĂȘ? Era eu? Eram as lembranças? Eram as visĂ”es de um presente e um futuro sem mim? Com outras piadinhas, outros apelidos, outra ficando com o cantinho do bolo de cenoura.
Independentemente, eram coisas que nĂŁo poderia controlar.
E, meu Deus, como eu queria controlar.
Como eu queria remover meu disco rĂgido, danificar meu hipocampo exatamente na parte que diz respeito aos nossos melhores momentos.
Eles estĂŁo em um eterno replay na minha mente e a tela sempre Ă© ligada quando eu menos espero.
Eu chorei de desespero, chorei porque Ă© insuportĂĄvel sentir que o pior ainda estĂĄ por vir.
Me antecipo. VocĂȘ nĂŁo vai querer me ver. VocĂȘ vai me excluir de tudo.
Me iludo. VocĂȘ me quer na sua vida. Ainda que nĂŁo seja do jeito que era antes.
Estou de fĂ©rias. Tenho tempo de sobra para remoer, criar teorias e depois destruĂ-las com a imagem de vocĂȘ com outra, legendada com suas mensagens dizendo âestamos nos gostandoâ ânĂŁo escolhemos quando vamos encontrar alguĂ©mâ âdemorou, foi difĂcil, parece rĂĄpido, mas te supereiâ âte quero como amigaâ.
E eu queria. Eu quero ser sua amiga. Eu quero ter vocĂȘ na minha vida pra sempre. Porque em tudo, em qualquer lugar, vai ter um pouquinho de vocĂȘ: num meme, numa peça de roupa, numa matĂ©ria da faculdade, numa piada que alguĂ©m contou.
Mas nĂŁo posso. VocĂȘ sabe. Eu te disse.
Não posso até olhar nos seus olhos, sentir seu abraço e ter a certeza de que realmente acabou.
NĂŁo posso atĂ© olhar seus lĂĄbios e vocĂȘ nĂŁo sentir uma vontade louca de me beijar.
Não posso até ter certeza que seu corpo não responde a meu com o mesmo ardor antes.
E se vocĂȘ tiver mudado de ideia?
NĂŁo me preparei pra isso.
Tenho tentado me preparar com todas as péssimas memórias, todas as noites angustiantes que precederam o fim.
Tenho tentado me preparar para ver o vazio no seu olhar, a ausĂȘncia de hesitação, a certeza de que nĂŁo hĂĄ nada, nada no seu coração.
NĂŁo quero me preparar pra nada.
Quero voltar pra uma semana e um dia atrĂĄs, quando a Ășnica ansiedade era de te encontrar e te dar um beijo.
E esse beijo definiria se aquela tarde de março foi um ponto final ou uma vĂrgula.