w. @inolvidablc
at. Hopps residence in Berk
when. Delilah's (and Ezekiel's) birthday
Aquilo havia saído do controle de Delilah bem rápido. Ophelia Hopps nunca seria conhecida como alguém ingrata. Jamais. E Berk havia aceitado os Hopps de braços abertos, ao ponto que alguns dos filhos mais novos, mesmo com aquele pouco tempo já se sentiam em casa ali. Com dragões sobrevoando a casa e causando tremedeiras no chão.
Então quando a matriarca da família percebeu que o aniversário dos gêmeos se aproximava, a ideia de uma festa a lá wonderlanders no meio da terra dos dragões foi divulgada para a família inteira. Opiniões foram jogadas e aceitas antes mesmo que Delilah pudesse processar aquele fato. Sim, ela estava feliz com a adaptação da família a uma cultura em que já se via inserida a alguns anos, mas tudo que queria para seu aniversário era o que já tinha. Um fogueira, um dragão para acender a fogueira, marshmallows and... her boyfriend? Boyfriend... Boy...friend... Ok, ele era um cara e era seu amigo, e havia momentos em que ele se referia a ela assim, girlfriend. Mas até que ponto isso ia? Tinha feito uma certa investigação mais por curiosidade do que desejo de controlar a situação. Haviam coisas que haviam acontecido entre ele e a ex-namorada que Hagan não tinha lhe contado e ela não queria forçá-lo a dizer nada, mas isso não queria dizer que não ficasse curiosa sobre o que ela não tinha visto. Algumas pessoas ao redor dos dois soltavam detalhes sem perceber. Um "ele parece mais feliz com você" e um outro "vocês parecem fazer bem um para o outro", com uma pitada de "ela sugava ele". Então Delilah se perguntava se era isso, o fantasma do passado, que impedia que simplesmente se tornassem o ímpeto dela clamava para que eles se tornassem. O que aparecia quando estavam sozinhos e tudo parecia se calar — que era exatamente o que ela queria para o seu aniversário de 23 anos. Passaria algum tempo com o irmão gêmeo, claro, talvez uma pequena comemoração entre família, mas depois... tudo parecia ficar tão mais fácil quando todos os seus sentidos eram inundados simplesmente por Hagan e nada mais.
E a outra ressalva que ela teve foi o desejo do irmão para o dia. Que disse, em alto em bom som, que queria fazer uma festa com karaokê no jardim da casa. Delilah tentou pestanejar, porque quando encontrou os olhos do irmão com o mesmo brilho arroxeado que sabia que seus tinham quando acessava a probabilidade, sabia muito bem o que ele estava planejando. Ezekiel era aquele que usava a habilidade dos dois com a probabilidade para ir além dos seus limites, se arriscar. Delilah era a que tinha medo de fazer isso. — Eu não vou cantar em público, se é o que você está esperando — praguejou para o irmão gêmeo. — Just trust me, ok? — seu irmão falou em meio da conversa entre os outros irmãos, então era o mais próximo que teriam de uma conversa privada naquela casa. — You're a shitty communicator, você fala, fala, fala, mas no final das contas não falou o que realmente importa, and Hagan is too, porque ele demonstra as coisas por ações, até onde eu consigo ver de vocês dois, e você é o tipo de pessoa que precisa de informações claras e concisas. Você pode estar se dizendo que vocês tem agora é o suficiente, mas eu te conheço melhor do que eu conheço a mim mesmo e não é. Compartilhar um quarto sempre que possível e se esconder na praia com uma fogueira com música antiga não é um suficiente pra você. Então eu sou capaz de apostar que fazer algo que vai deixar você, ele e todo mundo que pisar nessa casa vulnerável. Seja a vergonha alheia, ou ao que for, pode ser exatamente o que vocês dois precisam. Plus, pelo coelho que atravessou para o mundo dos humanos, qualquer santa oportunidade de ter o Alastair passando vergonha em público vale apena o sacrifício que for. Porque você sabe que ele vai começar a se irritar com alguma pessoa cantando a letra errada de uma música que ele diz que é dele e boom, nosso irmão mais velho estará bêbado, provavelmente sem camisa e com uma gravata presa na testa cantando alguma música da época antes da maldição como se a vida dele dependesse disso — e olhos de ambos os gêmeos brilharam em um tom arroxeado simultaneamente, junto com um riso síncrono que atravessou os dois ao perceber que a probabilidade de ganharem o irmão mais velho passando vergonha como presente de aniversário era bem grande. — Eu não vou forçar você em cima de um palco. Só te estou dando a oportunidade de ficar verdadeiramente vulnerável com pessoas que irão de proteger de tudo e de todos pelo menos uma vez na vida. Será a mesma coisa para mim. Eu sei que suas invenções são sua arte, mas existem outras formas de se expressar que não são palavras trancadas num diário que você não deixa nem a sua sombra ler direito — ele segurou uma das mãos da gêmea e a apertou de leve. Uma linguagem entre os dois que, se estava sendo duro demais, ele pedia desculpas. — E outra, está vendo, todo mundo se adaptou aqui. Essa confusão inteira foi uma coisa boa para a nossa família, mas será que já se tornou algo bom para você? Será que você realmente parou de olhar por cima do ombro esperando que algo de ruim aconteça agora que um monte de coisas boas aconteceram pra você, para nós e para vocês dois?
E ele lhe abandonou ali. Partindo para outra conversa com diferentes irmãos, planejando a festa que Delilah estava... bem, ela estava confusa demais para ser algum tipo de ajuda em qualquer coisa, então sou obedeceu a ordens. Foi até o tio de de Hagan que lhe chamava de "Provável" para conseguir músicas para o karaokê. Pediu ajuda de Soluço para que conseguisse montar algo a tempo, além de um pequeno palco. Seus outros irmãos se puseram a decoração, trazendo um pedaço de Wonderland para a Berk, mas era possível ver os elementos se misturando. Os pequenos dragões que os Hopps não conseguiram afugentar, então acabaram parte do ambiente. As roupas que já estava começando a se misturar com o pequeno pedaço de Wonderland dos coelhos.
Então a festa veio. Bella e Ezekiel proibiram qualquer um que não tivesse o sobrenome Hopps de adentrar naquela casa o dia inteiro, então o máximo que conseguiu falar com Hagan foi com mensagens rápidas que ela mal teve tempo de verificar as respostas. Sua mãe havia feito uma roupa para ela como que para ilustrar o que estava acontecendo ao redor deles. Uma moletom verde musgo bordado de acordo com outros vikings, mas com pequenos relógios ao redor e uma saia longa roxa escura.
Talvez tenha sido a roupa com suas botas sempre confiáveis que tivessem feito tudo parecer real demais, ou foi o fato que o karaokê, assim que a festa começou, pareceu virar território do grupo histórico de Berk, com Melequento Jorgenson puxando todos os outros do grupo e as conjugês que vieram depois para participar do que quase parecia ser a festa particular do grupo.
Foi observando a confusão, que avistou o... namorado? Namorado, se aproximando
— Hey — inclinou a cabeça vendo que agora outra música havia sido colocada. — Eu acho que seu pai e seu tio estão prestes a dizer o quanto eles se sente como mulheres para Berk inteira. Sem julgamentos. Eu agradeço o presente de aniversário. Será que eles puxam você e o filho dos Jorgenson pro meio? Eu lembro dos pequenos showzinhos que o Senhor Jorgen-, pelo Coelho, se ele me ouvisse o chamando de qualquer outra coisa além de "Rudy", ele soltaria o dragão dele atrás de mim de novo. Sim, aqueles que ele dava pra gente para ensinar o que era "música de verdade" para gente. — ela puxou a mão livre de Hagan e o incentivou a se virar para o que ela estava assistindo. — Parece que vai ser mais um desses. Alguém deveria gravar. Lembra que eles viviam gravando a gente?