. It's Kael and Calla
O que ali tinha sido muito diferente do que teria feito em qualquer outra ocasiĂŁo? Mostrar a razĂŁo em palavras de uma contagem que tinha esquecido ter um limite. Impedir a morte tĂŁo clara quanto a assinatura num certificado de morte, ou dar a moeda nĂŁo mĂŁo de Caronte. Kael nivelou a respiração e diminuiu a agitação do prĂłprio corpo, notando apenas agora o quĂŁo longe tinha ido nas reaçÔes involuntĂĄrias. Por quĂȘ? A verdade era bem Ăłbvia. Em outros casos, ele teria empurrado e feito sozinho. Teria estalado a lĂngua no cĂ©u da boca, fechado a cara, reduzido o grupo com um olhar e assumido a liderança. Sem desperdĂcio de tempo e palavras tentando buscar a razĂŁo. A parte certa diria que era o certo a se fazer, o mais adequado. A parte adormecida, no entanto, colocava a perspectiva da anĂĄlise. Comparação. De querer ouvir a opiniĂŁo e tentar atingir um patamar em que nĂŁo estivessem em confronto direto todo o santo minuto. O reconhecimento entre si, nĂŁo o que falava mais alto.
Kael meneou a cabeça e deixou passar o 'deslize'. Ele tinha a razĂŁo e sabia disso, assim como sabia que nada frutĂfero viria no vangloriar da pequena vitĂłria. Se Ă© que tinha em si esse sentimento de ser visto como o grande maioral detentor da verdade. Assim como o irmĂŁo mais velho, as caracterĂsticas herdadas dos deus dos deuses passavam longe do megalomanĂaco. Autoridade no porte e poder fora do comum. Absolutamente. Pavoneamento e braços abertos para os aplausos? Dispensam. Abri o caminho de volta para as pessoas foi um interruptor ligado. A luz refletida no sorriso de arco de boca, pescoço meio de lado e mĂŁo rondando a semideusa. "Manterei a vigilĂąncia ambiental e estou falando do disfarce." Anos? Seus olhos azuis refletiram o brilho do champanhe, o peito constringindo o movimento num receio de deixĂĄ-la continuar na consumação. Quando começava a falar do passado...
Daquela maneira...
Meias luas na palma da mĂŁo fechada em punho, disfarçada pelo tecido do bolso em que enfiava. O ponto que queria chegar abria uma gama de possibilidades grandes demais para o momento e nĂŁo era a ocasiĂŁo para isso... Simplesmente nĂŁo era. "Eu nĂŁo vou sair do hotel. Me mostre que precisamos fazer um tour para conseguir o convite e eu vou. Sem isso: nĂŁo." Talvez no passado, quando ainda carregava a esperança de ser um deus menor... Ou atĂ© um erro no sistema, um humano com visĂ”es da outra realidade. Teve um dia que aceitaria ser o orĂĄculo, aquele uma semana depois do sĂmbolo de Zeus sobre sua cabeça. O pensamento de sair e explorar era... InĂștil. Sem sentido. Um desperdĂcio de tempo para a missĂŁo, para o acampamento, para todos os envolvidos. "Serei o marido que escolheu o hotel pelas atividades internas."
O contato visual com o barman iniciou o ciclo que prosseguiu nas prĂłximas horas. A bebida mais fraca nunca ficando fazia em sua mĂŁo. Trocada como Kael trocava de companhia na festa. Uma parte tentando aproveitar o ambiente, a outra pescando informaçÔes e preenchendo blocos mentais concisos. A gravatĂĄ fechando um pouco mais ao redor da garganta enquanto pequenas gotas de suor acumulavam por baixo do tecido, criando aquele ponto Ășmido na base das costas. A cada piscar e os sentidos revoltavam, exigindo um olhar por sobre o ombro ou um panorĂąmico. O ĂĄlcool nĂŁo era o suficiente para afogar completamente os instintos de sobrevivĂȘncia de um semideus. E um do calibre do Skarsgard? Parecia pior. Uma culpa crescendo pelo desleixo, espetando-o com a ponta afiada da espada. Ah, Ă© assim que vai ser? Criando ameaças invisĂveis.
A gravatĂĄ soltou no meio do caminho atĂ© os jardins, puxada pelo gancho do indicador fantasma e involuntĂĄrio. Aquele pulsar discreto ganhando força antes de relaxar, como a tempestade se dispersando depois de lançar toda sua força no mundo abaixo de si. Kael odiava multidĂ”es. NĂŁo importa o tempo, a terapia de exposição, o nĂvel crĂtico da missĂŁo. Era como pequenas criaturas rastejando sobre a pele, mil olhos sobre si e o sufoco de olhar para os cĂ©us e nĂŁo alcançar a vastidĂŁo solitĂĄria. "Essa parte nĂŁo precisa de pensamento crĂtico." Murmurou por baixo do fĂŽlego, dessa vez abrindo os primeiros botĂ”es da camisa branca. Kael manteve as costas para o jardim, o olhar sem sair da festa e os anfitriĂ”es divinos. A pausa nĂŁo tirava a missĂŁo do guerreiro.
De lado, com ela na visĂŁo de bordas começando a bordar. Kael forçou a cabeça para estalar o pescoço de um lado e do outro, fechando os olhos por um momento para... Respirar fundo e tranquilamente. A brisa conduzida pelas novas estruturas trazia um aroma conhecido. Delicado. Doce e envolvente, que fez os ombros baixarem no mesmo instante. NĂŁo, a postura continuava a mesma (aquilo estava no DNA), mas... Os mĂșsculos reagiram como numa massagem. O perfume da moringa em ondas, suavizando um pouco mais na onda conforme respirava. O ar trocado pelo saturado de perfume. Quando abriu os olhos, as sobrancelhas juntaram-se no meio... ConfusĂŁo e uma pitada de raiva na tempestade domada do azul escurecido.
"O que vocĂȘ estĂĄ fazendo?" Kael nĂŁo estava entendendo Calla. NĂŁo estava ativamente fazendo leitura profundas e comparativas, nĂŁo estava ali para entender o estado de espĂrito ou emocional. Eram dois semideuses numa missĂŁo sensĂvel, envolvendo tempo minguante e perigo de vida. "Estamos numa missĂŁo. NĂłs somos casados. NĂŁo vai ter nada depois disso." Era como esperar que uma criança entendesse, pensou Kael. Era como necessitar de uma resposta sem fazer as perguntas certas. O nĂł na garganta apareceu e era enorme, tĂŁo grande que os lĂĄbios entortaram numa careta. Ele nĂŁo entendia aquela montanha-russa de sangue quente, suas decisĂ”es conflitantes e esse... Essa troca de personalidade. Sim, ele reconhecia cada uma delas. Como nĂŁo? Mas tinha passado tanto tempo sem ver a primeira, que a segunda era tudo o que conhecia e esperava. Que se recusava a reconhecer que a primeira poderia existir quando ele estivesse na mesma equação. "Eu nĂŁo quero uma oferta de paz porque nĂŁo estamos em guerra. Essa Ă© uma missĂŁo, cada m tem seu papel e pronto. Assim que terminarmos, voltamos Ă programação normal." Porque usar a moringa... A tensĂŁo voltando dolorida para os ombros, pesando a respiração que... Que começava a parecer demais com o menino no meio da multidĂŁo boquiaberta. Da energia estĂĄtica condensar nos raios elĂ©tricos ao redor de si, confirmando que era o mesmo o filho da marca sob a cabeça. Usar aquela informação era um golpe baixo. SubterrĂąneo. "Agradeço o pensamento, mas dispenso. Troque por algo de seu gosto, porque Ă© assim que sempre foi- NĂŁo quero sua empatia. Mude."
â Me preparando para morrer, Kael, me preparando para morrer â confessou jĂĄ perdendo a paciĂȘncia. Ele nĂŁo via que ela estava desesperada? Deuses, eles tinham feito missĂ”es juntos. Calla nunca foi a garota que se perdia em seus sentimentos em meio de algo importante. Pelo amor dos Deuses, ela era chefe do chalĂ© de DemĂ©ter, o nĂșmero de responsabilidades em suas costas era gigantesco. SĂł que a ironia do momento nĂŁo lhe falhava. â A Ășltima vez que eu irritei um deus por simplesmente existir, meu pai foi acertado por um raio e basicamente pulverizado na minha frente, o que vocĂȘ acha que vĂŁo fazer agora, hum? Porque a gente nĂŁo sabe quem fez as flores. NinguĂ©m sabe, mas todo mundo sabe alguĂ©m capaz de fazer aquilo com as duas mĂŁos amarradas nas costas â ela colocou as mĂŁos atrĂĄs nas costas ilustrando exatamente o que estava falando. â E minha mĂŁe, a deusa que falou com todas as letras, que era perigoso eu ficar perto de um filho de qualquer um dos trĂȘs grandes, porque eu era uma afronta a eles, escolheu vocĂȘ a dedo. Dentre todos os semideuses no acampamento, Ă© claro que os deuses iriam escolher o Ășnico que consegue me torturar sĂł por existir e nos mandar para uma missĂŁo na minha terra natal. NĂŁo estĂĄ vendo? Se eu falhar nessa missĂŁo, eu, ou alguĂ©m com quem eu me importo morre. E eu nem sei se nĂŁo sou a culpada por tudo isso, porque ter poderes como um semideus Ă© uma grande de uma merda â enterrou os pĂ©s mais sobre a terra macia, se sentindo um pouco melhor com o solo sujando seus pĂ©s e lhe trazendo algum conforto. â EntĂŁo nĂŁo me mate por estar pensando nos meus arrependimentos, quando um lembrete de mais de dois metros deles estĂĄ andando do meu lado, enquanto, eu tenho que babar o ovo de deuses que nĂŁo ligam pro fato que eu tĂŽ apavorada.
Calla se virou para ĂĄrvore que tinha feito e resolveu que agora precisava de um tempo. E ela nĂŁo tinha mentido, pensava melhor prĂłximo das suas ĂĄrvores do que ao redor de pessoas. EntĂŁo apoiou o pĂ© e mesmo com o vestido, subiu na ĂĄrvore para fugir daquela conversa. â Vou usar as plantas para ter um mapa completo e detalhado desse lugar no lugar do que nos deram. Faça o que quiser â se virou minimamente e sussurou: â De todas formas no lo entenderĂĄs, asĂ que no hay necesidad de preocuparse por una criatura no muerta.

















