. It's Marín and Tristan
Marín não sabia o que esperar naquele milésimo de segundo onde o tempo parecia suspenso eternamente. Uma rejeição? Não necessariamente, não vinda de Tristan. Uma resposta diferente? Também não. A incerteza dando nós no estômago porque misturava a certeza com esperança. Uma verdade absoluta com aquele pensamento que se privava antes de dormir. Pensar demais nele deixava seus sonhos... Diferentes. "A culpa é sua, sabe? Se não fosse tão abelhudo em sonhos, talvez acontecesse antes..." E ela lembrava daqueles dias em que acordava tarde e ele estava ali, a encarando com o sorriso mais torto possível. Marín acreditava no respeito, mas ele saber... Ter aquele vislumbre... Dava início a criação de borboletas e constelações inteiras. Ela se aproximou, o rosto encostado com os olhos fechados. O coração entrando no compasso daquele que batia perto, tão perto, pele com pele. "Eu sou?" Insegurança? Nervosismo? Ansiedade? Palavras fora do vocabulário e, mesmo assim, tão perfeitas para descrever o que sentia. O medo... Era melhor falar em voz alta. "Não deu para ser diferente do clássico que a gente costumava brincar... Quando- Lembra? Esparramados na varando do meu chalé, avaliando os casais que passavam e criando histórias. Um dia, eu nos vi ali e o medo... Não podia dar uma chance de perder o que tínhamos- Temos."
Afrodite tinha avisado. A deusa tinha dito que ter o favor do amor faria que com sua história fosse fácil. E, pelo o que ele estava sentindo naquele momento, ele não tinha direito de julgar ninguém, porque foi ali, naquele exato instante, que percebeu que estava completamente apaixonado por Marín. Deuses, sim, era culpa dele, Tristan carregaria toda culpa, toda dor, todo resmungo, tudo que ela quisesse. — Deuses, isso é engraçado — um riso nervoso escapou de seus lábios, e ele trouxe a outra para mais perto de si. — Meu "emprego humano" é exatamente escrever e desenvolver esse tipo de coisa para outras pessoas jogarem e eu não percebi que estava acontecendo comigo. Calla vai me matar quando descobrir depois do tanto que eu zoei com a cara dela pela clara tesão com coisas mais que ela tem pelo Kael desde sabe-se lá quando. A culpa desse mal-entendido é toda minha, pode deixar que, se eu não inventar uma forma de recompensar por isso, pelo menos eu sei que a bi-vó Afrodite e meus tios vão arranjar um jeito de me punir por isso pelo resto da eternidade.
Ele segurou o queixo de Marín com cuidado e o virou para ele para roubar um selar devagar. que acabou descendo pelo rosto e indo parar no vão entre o pescoço e ombro. — Eu faço tudo que você me pede e saio andando atrás de você como um cachorrinho, e você é a única pessoa nesse acampamento... nesse mundo inteiro que me conhece por completo, defeitos e tudo mais. Pelo sonho mais sagrado, tem quantas vezes que, literalmente segundos depois da gente transar, eu tenho que me beliscar para ter certeza que eu não tô sonhando? — a risada voltou, agora contra a pele macia da outra. — Eu achava que você não queria algo complicado como o que a gente pelo acampamento. Então só ficar como friends with benefits parecia o certo, mas eu devia... deuses, eu devia ter feito tanta coisa. Eu devo fazer tanta coisa agora.











