Nobody but you | Sumstrom
lala-hanna:
Hanna deitou-se ao lado de Will e se enroscou nele. Nunca tinham dormido juntos, nem quando criança e ela não podia imaginar o quão bom era estar tão perto dele daquela forma, só os dois e ninguém mais. Sentia-se confortável com a camiseta dele e Will era tão quente que Hanna não queria mais perder o contato com a pele dele. Talvez pela sensação de ter ele tão perto, não conseguiu dormir de imediato e ficou quieta, apenas ouvindo a respiração do moreno se acalmar. Amanhã conversariam e quem sabe, poderiam resolver tudo. Na verdade iriam resolver, ela iria se declarar e o que quer que ele achasse disso, ao menos ela tinha tentado, então iria aproveitar aquele momento de paz com ele, que poderia ser o último.
Ouviu os gritos de sua mãe mas só realmente acordou para o que estava acontecendo quando a voz de Will estourou no quarto. Sentou-se na cama assustada, com o coração disparado e sem entender porque sua mãe estava gritando.
“Você é eliminado e não conseguimos te achar e então ficamos sabendo pelos funcionários que chegou de madrugada e subiu com Hanna para um dos quartos. E assim que destranco a porta encontro vocês assim? Perderam o juízo? Vocês são irmãos!” A mãe de Hanna estava muito alterada e Gérard entrou no quarto e fechou a porta.
“Não somos irmãos, mãe!” Hanna falou, mas tudo aquilo que tinha medo estava acontecendo de uma vez. “E não está acontecendo nada aqui. Eu estava esperando Will chegar e acabei pegando no sono na recepção. Ele me trouxe aqui para cima e me emprestou uma camiseta para dormir.” Explicou de forma simples e já estava se levantando, sentindo-se deslocada, culpada.
“Oh, não me venha com essa Hanna Vialou Bergstrom! Vocês cresceram juntos na mesma casa. Os pais de vocês são casados e criaram vocês como irmãos. VOCÊS SÃO IRMÃOS e não quero saber de vocês dormirem juntos.” A mulher sacudia as mãos, agitada e nervosa.
“Querida, você pode por favor não gritar tanto?” Ele tentou acalmar a esposa enquanto toda a coragem de Hanna ia se esvaindo. Olhou para Will buscando algum tipo de salvação, mas ela veio do padrasto. “E bem, só você meu amor que vê os dois como irmãos. Tenho sua filha como minha filha, mas ela não é irmã do Will.” Os olhos de Hanna saltaram para Gérard, chocados e ela não sabia o que dizer.
Olhando para Charlotte naquele momento, William só tinha duas perguntas em mente: Como uma mulher como essa, pode gerar uma filha tão espetacular como Hanna e como o seu pai, após ter tido Léa, foi se apaixonar e casar com Charlotte. O amor era realmente cego. - Ou você sai do meu quarto por bem, ou irá por mal. - Deus sabia que Will nunca havia levantado a voz ou a mão para qualquer mulher, mas estava realmente revendo seus conceitos. Talvez fosse isso o que a madrasta precisasse; uns bons gritos para trazê-la para a realidade.
"Sair por bem ou por mal? Quem você pensa que é para falar comigo assim, hein rapazinho? Eu ajudei a criar você! E se afaste de uma vez por todas da minha filha!" A medida que a mulher deu um passo para frente - fosse para bater em alguém ou jogar alguma coisa no chão -, Will deu outro a fim de deixar Hanna atrás de si. Queria protegê-la de alguma forma.
- Ajudou a me criar? Nos faça um favor e pare de ser hipócrita! E louca! Meu avô me criou; e não me importa que esteja casada com o meu pai: você nunca foi e nunca será a minha mãe assim como Hanna nunca será a minha irmã. - Apertou os punhos com força ao lado de seu corpo e virou em direção ao seu pai, enquanto o olhava, implorando por sua ajuda. - Pai, por favor. - Se tivesse que resolver isso, o estrago seria ainda pior e não tinha a mínima paciência para lidar com ataques de Charlotte.
"Venha meu bem, você precisa tomar um chá para se acalmar. Estamos todos alterados e isso não será de ajuda. A porta estava trancada e foi muito rude entrar assim, assim que eles estiverem prontos e tiver algo para nos contar, eles irão nos contar. Até lá, devemos lhes dar espaço. Até porque já são adultos e capazes de fazerem as próprias escolhas."
Will podia ver o sangue injetado nos olhos de sua madrasta, mas finalmente Gérard conseguiu afastar a mulher e William respirou fundo, agradecendo por esse problema ter sido temporariamente resolvido. Virou-se para Hanna e deu um sorriso sem graça. - Desculpe por isso, mas é que nós estamos adiando essa conversa há tempo demais e... - Respirou fundo e soltou o ar lentamente de deus pulmões. - Eu não posso mais esperar, você entende?
Sentou-se na cama e esperou a mulher fazer o mesmo enquanto tentava pensar na melhor maneira de falar isso para ela sem assustá-la. - Eu preciso que me escute com bastante atenção, porque eu vou dizer isso uma vez e se não quiser, eu nunca mais irei tocar no assunto. Tem a minha palavra. - Olhou-a e quando viu aqueles enormes olhos o encarando com tanta atenção, decidiu que enfim o momento chegara. - Eu realmente esperava que fosse de uma forma diferente, sem a intromissão de nossos pais, em algum outro lugar que realmente houvesse privacidade, mas... Eu menti sobre o nosso beijo. Eu me lembro do sabor dos seus lábios, do gosto da sua pele e não houve um único dia em que eu não reviva aquele momento. Nunca imaginei que viria a sentir isso por você. Você veio viver conosco com apenas sete anos e nós dois estávamos tristes. Fosse pela perda do seu pai ou pela perda da minha mãe.
Fechou os olhos por alguns segundos e ainda conseguia se lembrar do dia em que as duas vieram morar na casa dos Sumner. Charlotte sempre imponente e a dona do lugar, enquanto Hanna era apenas uma criança tímida, sem saber o que fazer naquele novo lar estranho. - De uma forma ou de outra você entrou na minha vida e durante muito tempo eu te vi como uma irmã caçula que eu precisava proteger; mas desde aquela noite alguma coisa mudou. Eu sonho com você, e no meu sonho nenhum cachorro idiota latia na rua e você não me afastou. Nós nunca paramos. Eu ia me declarar para você no seu vigésimo aniversário, mas o idiota do Jean viu como eu te olhava e... Bem, foi por isso eu precisei de uns pontos na mão. - Olhou para a sua mão direita e viu a parte em que precisou levar três pontos. Nunca achou que uma taça pudesse machucar alguém, mas acabou descobrindo da pior maneira. O que lhe confortava é que nunca mais precisou conversar com Jean.
- Por isso me inscrevi nessa estúpida Seleção. Eu precisava te esquecer. Eu sabia que Jean não seria o único a nos criticar e ver o que sinto por você como doentio; mas aí todos os meus planos fracassaram porque, veja bem, você começou a estagiar no Palácio. E o que deveria me ajudar a lhe esquecer, apenas serviu para te ver ainda mais. E era uma tortura ficar longe de você. Por isso eu estou aqui, de peito aberto e cansado de fugir do que sinto. Eu a amo Hanna, desde aquela noite no seu quarto e eu venho amando desde então. E se você estiver disposta, nós dois iremos enfrentar o que for preciso para viver esse amor.













