Depois que o Amor Aprendeu Meu Nome
Houve um tempo
em que eu confundia amor
com urgência.
Achava que dois homens
precisavam vencer o mundo
para merecer um ao outro.
Como se o afeto fosse uma trincheira
e cada abraço,
uma pequena revolução.
Nós carregávamos cicatrizes
que não nasceram em nós.
O medo de sermos vistos,
o medo de sermos deixados,
o medo — sempre ele —
vestido de silêncio.
Então vieram os dias lentos.
Dias em que o telefone não tocava.
Em que a saudade fazia mais barulho
do que qualquer palavra.
Foi ali que descobri
que o coração também caminha
quando parece parado.
Aprendi que amar alguém
não impede o inverno.
Mas também aprendi
que nenhuma estação
é capaz de impedir uma árvore
de guardar a memória da primavera.
Você passou por mim
como passam os rios:
levando partes de quem fui
e devolvendo outras
que eu nem sabia que existiam.
Hoje não escrevo
para pedir que você volte.
Escrevo porque finalmente
voltei para mim.
Descobri que existir
é um gesto mais corajoso
do que insistir.
E que o amor,
quando amadurece,
deixa de ser uma prisão bonita
para tornar-se uma porta aberta.
Se um dia nossos caminhos
voltarem a dividir a mesma esquina,
quero que seja sem correntes,
sem promessas feitas pelo medo.
Que dois homens possam se olhar
não porque precisam um do outro,
mas porque escolheram caminhar lado a lado.
E, se isso nunca acontecer,
que ainda assim
eu celebre.
Porque houve um tempo
em que eu procurei um lar
dentro dos seus braços.
Agora,
carrego a casa
dentro do peito.
















