e nas arenas treinando é possível ver juyeon hwang kane!! o que sabemos sobre ele é que é um semideus grego e que tem vinte e três anos. outra coisa que as ninfas nos contaram é que julian é extremamente bom ao usar sua besta e espada, mas isso é esperado dos filhos de dionísio. juli tem uma grande semelhança com o mortal jung yoonoh (jaehyun), mas isso é apenas a névoa agindo.
⠀⠀⠀ ⠀⠀ ⠀⠀ ⠀⠀PINTEREST / SOBRE ELE
A vida de Julian — ou Juyeon, como sua amada avó o chama — dá para ser usada como roteiro de filme de comédia. Sua família nunca foi normal, desde sempre quebrando os padrões de família tradicional coreana e sendo uma verdadeira bagunça caótica. Seu avô é o fundador de um bar bastante famoso em Gangnam, Coreia do Sul, fazendo a fortuna da família em menos de um ano graças aos seus drinks criativos e os rumores de que o vinho vendido no estabelecimento vinha direto dos deuses antigos. Para os coreanos e turistas que deixar todo seu amado dinheiro no bar de luxo aquilo é só uma fantasia para justificar o motivo de estarem gastando até o último centavo de suas carteiras em uma simples garrafa de vinho ou soju.
Mas, o que os clientes não imaginavam é que aquela bebida realmente vinha direto dos deuses, ou, pelo menos, de um semideus.
Hwang Yeeun sempre foi considerada uma mulher muito linda, mas também um pouco doida. Ela era sempre a alma da festa, com ideias mirabolantes para se divertir e grande apreciadora de uma boa bebida, alcoólica ou não, e isso, obviamente, chamou a atenção de um certo deus que estava passando por Seul na primavera de 1998. Quando Yeeun apareceu grávida aos 22 anos, seu pai ficou tão furioso que só faltou o teto da casa dos Hwang cair de tanto que o velho gritava. Ele xingou, amaldiçoou e jurou de morte o homem que engravidou sua única filha fora do casamento, o que fez com que o próprio Dionísio aparecesse ali, por bem ou por mal. Como naquela época o bar do velho Hwang havia acabado de ser inaugurado, o deus do vinho fez um pacto para ser deixado em paz: enquanto Juyeon fosse feliz, o negócio da família seria próspero e eles teriam o melhor vinho do país.
Esse acordo deixou o velho Hwang mais calmo, mesmo que não pudesse sair se gabando que seu neto era filho de um deus, mas no final das contas ele deu um jeito de criar o rumor sobre seu bar, ganhando ainda mais dinheiro.
Quando Juyeon tinha seis anos sua mãe se apaixonou por um lutador de MMA chamado Magnus Kane, que criou o garoto como seu próprio filho. Os três viveram felizes, viajando por vários países sempre que Magnus tinha alguma luta, até o hotel onde estavam hospedados em São Paulo ser atacado por um minotauro. Por sorte ninguém se feriu gravemente, e foi nesse dia que Yeeun e Julian descobriram que Magnus também era um semideus, filho de Ares. Isso deu coragem para Yeeun também contar sobre o pai biológico de Julian e, na mesma hora, Magnus decidiu mandar o garoto para o Acampamento Meio-Sangue. Não só para ele poder conhecer seu pai — e o deus sofrer um pouco, claro —, mas também para que o garoto aprendesse a lidar com seus poderes e se proteger dos monstros que, eventualmente, iriam atrás dele.
Isso tudo aconteceu quando Julian ainda tinha 13 anos, e ele está no acampamento desde então. Ele é visto como a alma da festa, sendo muito comparado com o próprio pai por Quíron e outros deuses que ele encontrou durante suas missões, e atualmente o coreano é o conselheiro do chalé 12. Julian ainda viaja muitas vezes durante o ano para assistir às lutas de Magnus e passar um tempo com sua mãe, além de visitar a avó na Coreia do Sul desde que seu avô faleceu.
Há cerca de dois meses ele acabou encontrando com um seguidor de Lycaon durante uma missão e, nas palavras do próprio semideus, ganhou uma bela mordida na bunda e a licantropia de presente. Ele não gosta muito de ser um lobo, mas como não teve escolha está tendo que aprender a lidar com as consequências da maldição. Nessa mesma missão um filho de Hefesto precisou se sacrificar para que Julian conseguisse completá-la e voltar vivo para o acampamento, e ele se culpa por isso ter acontecido desde então. Os filhos de Hefesto não gostam muito dele por acreditarem que seu irmão acabou morto por Julian ser fraco demais e um grande covarde.
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ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤestava morrendo de tédio agora que diego havia decidido viajar com a família, brenna estava ocupada demais com os persas e todos aqueles que um dia foram seus amigos haviam arrumado algo melhor para fazer com a vida. julian sentia-se abandonado, e até mesmo a irritante liza estava fazendo falta em seu dia. e agora que estava sozinho, a única coisa que podia fazer era ficar sentado na sombra de uma árvore vendo o tempo passar.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤnão foi difícil para o filho de dionísio notar um forasteiro com cara de perdido, e isso fez com que ele levantasse de seu conforto na esperança de que aquele cara pudesse animar seu dia ao menos um pouco.ㅤ❛ㅤdá pra ver pela sua cara, mano. se eu fosse você tomava mais cuidado, porque alguns filhos de ares adoram arrumar confusão com novatos.ㅤ❜ㅤsorriu para o desconhecido ao se aproximar mais.ㅤ❛ㅤih, meu pai? se eu fosse você já desistia. ele odeia esperar, então deve ter ido embora já com um minuto de atraso. deve estar se afogando em uma banheira de coca diet agora mesmo.ㅤ❜ㅤe com isso gargalhou alto ao imaginar dionísio, seu amado odiado pai, provando do próprio remédio ao ficar esperando por outra pessoa.ㅤ❛ㅤmas e aí, tu é novo aqui ou é de um dos outros acampamentos?ㅤ❜ㅤ
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤa vida de juyeone havia ficado tão caótica nos últimos meses que ele acabou por se esquecer de falar com brenna, estando ocupado demais com as incontáveis festas e acabando sempre desmaiado em sua cama, com uma ressaca monstruosa. ele não estava a ignorando por mal, só não sabia sobre o que eles iriam falar desde que brenna o encontrara desmaiado sobre o corpo sem vida de frankie. e também… julian tinha vergonha de que ela o visse daquela forma, no fundo do poço.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤsem falar também que carstairs parecia ocupada demais com os tais semideuses persas, e julian preferia deixar ela em paz e esconder que estava com ciúmes do que ficar se sentindo trocado por quem quer que fosse o novo amigo estranho de sua prima. era só por isso que ele preferia não se intrometer na vida de brenna, acreditando também que se ela precisasse saberia muito bem onde encontrá-lo. e julian nunca se negaria a ajudar alguém que era quase uma irmã para si.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤele só não esperava que ela fosse aparecer em seu chalé justo naquele dia, enquanto estava desmaiado sob um edredom grosso, depois de ter passado as últimas vinte e quatro horas em uma rave. foi acordado à força por um de seus irmãos, que praticamente socou sua barriga dizendo que alguém o estava procurando.ㅤ❛ㅤcaralho johnny, fala que eu morri. pra que me socar hein? inferno…ㅤ❜ㅤacordou xingando o garoto, já se preparando para voltar a dormir quando reconheceu a filha de ares parada na porta do chalé.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤah, droga…ㅤ❜ㅤmurmurou para si mesmo, forçando-se a levantar da cama e ir até ela sorrindo.ㅤ❛ㅤbrenninha! a que devo a honra de ter sua visita?ㅤ❜ㅤbrincou ao se aproximar da prima, rindo para tentar disfarçar o quão morto ele estava parecendo naquele momento, com o cabelo todo bagunçado e as olheiras profundas depois de passar o último dia inteiro festejando.
Brenna: ❛❛ I know you don’t like hugs, but… I could really use one right now… ❜❜
📼 ━ flashback.
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤas palavras de brenna acabaram pegando o filho de dionísio de surpresa, e ele ficou um tempo encarando a prima com uma careta estranha. ela não era do tipo que costumava pedir abraços assim, e julian não era muito fã de contato físico ━ menos durante o sexo, claro ━, mas algo no olhar da filha de ares fez com que ele soltasse um longo suspiro, abrindo os braços.ㅤ❛ㅤe o que você não me pede sorrindo que eu faço chorando, brenna carstairs? ou o contrário, não lembro como é o ditado.ㅤ❜ㅤsorriu para ela, puxando-a para si em um abraço de urso.ㅤ❛ㅤsó não conta pra ninguém, ok? senão todo mundo vai começar a pedir abraço também.ㅤ❜
Por um momento Juyeon congelou exatamente onde estava, encarando o outro garoto com os olhos arregalados e a boca aberta enquanto tentava pensar em como sair daquela situação. Droga! Droga! Droga! Mas é claro que uma coisa assim tinha que acontecer justo com ele, não? Mortais não deviam presenciar uma luta de semideus contra monstro, Juyeon tinha quase certeza de que aquilo ia contra as regras do acampamento, e só de pensar na bronca que levaria de Quíron e de seu próprio pai, Dionísio, já estava com medo. Sem falar que em como ele explicaria para Pietro que tinha acabado de matar uma dracaena com as próprias mãos? E, ao pensar nisso, seus olhos foram rapidamente para suas mãos, respirando aliviado ao ver que pelo menos elas não eram mais garras de leopardo. Felizmente o susto que levou deve ter feito com que elas voltassem ao normal.
“Cadê aquela ajumma? E por que você tá sangrando?” Pietro deu um passo na direção de Juyeon com a mão esticada para sua barriga, parecendo preocupado com o ferimento do semideus, mas automaticamente o filho de Dionísio deu dois passos para trás e começou a inventar uma desculpa para toda aquela confusão. “Ah, ela… Tentou nos atacar com uma faca! Por isso te empurrei para o banheiro, sabe? Só tava tentando proteger nós dois.” deixou que a primeira coisa que passou por sua cabeça escapasse de seus lábios, tentando pensar freneticamente em uma mentira boa o suficiente para fazer com que Pietro acreditasse nele. Voltou a se aproximar do garoto e usou um dos dons herdados de seu pai divino, modificando seu hálito para deixá-lo mais adocicado, como um bom vinho. Isso deixaria o mortal bem mais fácil de ser manipulado. “Tive que lutar contra ela, mas a ajumma era surpreendentemente forte e acabou me acertando. Por isso estou sangrando. Aí ela fugiu.” estava sério, e aproveitou para colocar uma mão no ombro de Pietro enquanto levava a outra até seu ferimento na barriga, torcendo mentalmente para que ele acreditasse naquilo.
O outro coreano ouviu tudo com os olhos arregalados, balançando a cabeça conforme Juyeon falava como se estivesse hipnotizado pelo filho de Dionísio. Perfeito, seu hálito estava surtindo efeito, pelo menos. “Que filha da puta louca! Precisamos denunciar ela para o diretor logo, cara. Pedófila e assassina.” Pietro arrepiou-se por inteiro ao dizer aquilo. “Vou falar para o meu pai colocar a polícia do país inteiro atrás dessa vaca. Mas primeiro precisamos te levar na enfermaria, Hwang. Isso parece sério.”
A última coisa que Juyeon queria naquele momento era envolver a diretoria da escola, ou ser ajudado justo pelo senhor popular, mas ele estava se sentindo cada vez mais fraco após lutar contra o monstro usando apenas seus poderes de filho de Dionísio e pura sorte, e os arranhões em sua barriga ardiam tanto que ele estava com medo de acabarem inflamando. Vai saber onde aquela dracaena enfiou aquelas garras nojentas antes de atacá-lo, né… Então deixou que Pietro o arrastasse até a enfermaria da escola, fingindo estar prestes a desmaiar ao chegar lá só para não ter que lidar com as perguntas que fariam. Deixaria Choi se virar com a enfermeira e o diretor, aí ele poderia falar o que quer que a névoa tivesse lhe mostrado sem correr o risco de Juyeon piorar a situação ainda mais.
Quando acordou de seu cochilo foi surpreendido por Minseok, sentado ao lado de sua maca com uma cara preocupada. “Que história é essa que você lutou contra uma velha pedófila pra salvar o Pietro?” ele mal esperou que Juyeon ficasse de pé antes de perguntar. “Ah, você ficou sabendo disso? Não foi nada. Tem suco de uva aí? Tô morrendo de sede.” o filho de Dionísio se sentou sobre a maca e começou a olhar ao seu redor, agradecendo aos deuses que pelo menos só estavam os dois ali. Sorriu assim que notou sua mochila no colo de Minseok, esticando-se para pegá-la e tirando dali uma caixinha de suco de uva que guardava sempre para emergências como aquela. Aquilo iria ajudá-lo a se recuperar mais rápido. “Não foi nada? Mas é claro que foi! A escola inteira tá sabendo disso já, e o diretor Kim chamou a polícia e seus avós. Daqui a pouco eles vão chegar”
Mil vezes droga! Aquela era a última coisa que Juyeon queria que acontecesse, e ele xingou Pietro Choi de tudo que era nome depois de quase engasgar com o suco. Se a polícia estava realmente envolvida agora, provavelmente seu avô estaria furioso, e o garoto podia até imaginar sua mãe e o padrasto pegando um jatinho para a Coreia do Sul naquele exato momento. Capaz até de Brenna já estar sabendo daquilo! Talvez tivesse sido melhor ter deixado a dracaena matá-lo, ou pelo menos matar Pietro. Um mortal idiota a menos no mundo não faria tanta diferença assim, e morrer pelas garras de uma mulher cobra com bafo podre com certeza era milhões de vezes melhor do que aguentar a fúria do vovô Hwang.
“Você foi um herói, Juyeon! Muito corajoso ter lutado contra aquela louca.” aquelas palavras quase fizeram com que ele fizesse uma careta, mas Juyeon se segurou assim que notou como os olhos de Minseok estavam brilhando de… Admiração? Isso fez as bochechas do semideus arderem, ficando levemente coradas, e ele coçou a testa de leve para tentar disfarçar que havia gostado daquele elogio. “Ou eu fazia alguma coisa, ou ela iria me matar. Não foi nada de mais. Mas agora quem vai me matar é o meu avô mesmo. Do forno direto pra frigideira.” suspirou pesadamente, voltando a se jogar na maca da enfermaria de forma dramática.
E poucos minutos depois seus avós já estavam na escola, com vovô Hwang gritando com o diretor sobre como era culpa dele que uma mulher maluca e pervertida atacou seu precioso netinho, enquanto vovó Hwang chorava abraçada a Juyeon, sem parar de falar por um segundo sequer sobre como havia ficado preocupada ao receber a ligação da secretária, temendo ter perdido seu bebê e blá blá blá. Juyeon não aguentava mais, não vendo a hora de ser liberado para poder se esconder por uma semana em casa. Por sorte não teve que aguentar Pietro Choi e sua família ali já que eles haviam tido aquela mesma reunião enquanto Hwang ainda fingia estar desmaiado, ou jurava que sua cabeça ia explodir.
Ele estava cogitando cada vez mais ir até o Tártaro e implorar para aquela dracaena matá-lo dessa vez.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Uma semana depois.
Juyeon já sabia que a fofoca sobre o ataque de uma velha tarada no banheiro masculino do terceiro andar se espalharia pela Trinity Academy mais rápido do que um incêndio, quase como um vírus zumbi deixando todos os alunos sedentos por mais informações sobre o que aconteceu, e Pietro Choi respondia às perguntas sorrindo, aumentando aquela história ainda mais. Ele já sabia muito bem que isso aconteceria, conhecendo seus colegas bem até demais, por isso havia implorado aos avós para deixarem que passasse ao menos uma semana em casa antes de ter que ir enfrentar a confusão que havia causado na escola. Ficou trancado em seu quarto jogando League of Legends com Timothy e Barbara, fingindo que nada aconteceu enquanto aproveitava a deliciosa sequência de vitórias que a entrada da filha de Poseidon trouxe para seu time virtual. Não olhava suas redes sociais, o grupo da turma no Kakao Talk ou sequer respondia às mensagens privadas de Minseok, esperando calmamente que toda aquela situação fosse esquecida pelos outros.
Mas adolescentes não tem nada melhor para fazer além de espalhar fofoca.
Já era segunda-feira, e a lábia de Juyeon não havia funcionado em seus avós quando ele tentou implorar por mais alguns dias de liberdade, então agora estava de pé na frente dos altos portões de ferro da Trinity Academy, com cara de irritado depois de ganhar carona do avô e ter que ouvir o velho reclamando durante todo o trajeto.
“Juyeonnie!” antes mesmo que ele pudesse reagir à voz de seu melhor amigo, sentiu o corpo de Minseok colidir com o seu em um abraço apertado, que quase fez com que perdesse o equilíbrio. O grito acabou chamando a atenção dos outros alunos, e Juyeon começou a ficar cada vez mais nervoso por ter tantas pessoas o encarando. “Fiquei preocupado com você, idiota! Por que não respondeu minhas mensagens, hein? Todo mundo vinha perguntar sobre você pra mim e eu não fazia a mínima ideia do que falar, então disse que você foi assistir uma das lutas do seu padrasto na Austrália.” o garoto começou a falar sem parar, tão rápido que poderia até mesmo ser confundido por um rapper da nova temporada de Show Me The Money, mas Juyeon não estava ligando muito para aquilo. Ele só queria sair dali e ir para sua sala o mais rápido possível, antes de chamar ainda mais atenção, mas já era tarde demais.
Lee Jongsuk já estava caminhando tranquilamente na direção dos dois, com as mãos nos bolsos e um sorriso maligno nos lábios.
Um arrepio percorreu o corpo de Juyeon e o que ele mais queria fazer naquele momento era sair correndo ou fingir desmaio, temendo pela própria vida cada vez mais conforme o outro se aproximava. Se algum de seus amigos do acampamento o visse com medo de um valentão qualquer, provavelmente iriam zombar da cara de Julian por um bom tempo, mas eles não faziam nem ideia do demônio que aquele garoto conseguia ser quando queria. Para Hwang, Jongsuk dava muito mais medo do que uma Hidra ou até mesmo Cronos.
“Ora, ora, se não é o nosso grande herói.” as palavras do Lee eram tão afiadas quanto as garras da dracaena, e Juyeon precisou se segurar muito para não começar a tremer de medo ali. “Por onde andou, Hwang? Achou que podia se esconder depois de causar uma confusão tão grande assim?” Jongsuk disse sarcasticamente, sorrindo. “Por sua culpa essa merda de escola vive cheia de policial agora. Como que vou continuar pegando o dinheiro de otários feito você e Yong se agora tem policial em todo canto de olho em todo mundo?” ele deu um passo para mais perto do semideus, que na mesma hora deu um para trás, mas Jongsuk continuou indo para cima de Juyeon até ele estar contra o muro do colégio.
Juyeon acabou até soltando a mochila, que estava pendurada em seu ombro por uma alça só, por conta do impacto de suas costas contra o cimento, perdendo até um pouco do folego. Sentia-se minúsculo com Jongsuk o encarando daquela forma, tão de perto assim, e estava até esperando que fosse apanhar do maior ali mesmo quando a voz de um anjo chegou até seus ouvidos, fazendo seu medo ir embora na mesma hora.
“Aqui não é lugar disso, Lee.” ouvir a voz angelical de Jeong Gaeul, presidente da turma e crush de praticamente todos os alunos da Trinity Academy ━ e de Juyeon também, claro ━, foi como música para os ouvidos do garoto, além de ter pegado Jongsuk desprevenido. O maior se afastou alguns passos do Hwang automaticamente, que respirou aliviado. “Além de não ser muito inteligente querer bater no garoto que lutou contra uma possível pedófila. Se eu fosse você ia embora agora, antes que eu vá até o primeiro policial para te reportar por bullying.” ela disse aquilo com tanta calma que Juyeon não conseguiu evitar sorrir feito bobo, ainda mais apaixonado pela Jeong enquanto o valentão se afastava xingando depois de chutar a mochila do semideus. E quando os belos olhos acastanhados de Gaeul cruzaram com os seus, ele sentiu suas pernas virando gelatina. “Tá tudo bem? Você tá mais pálido que um fantasma, Hwang.”
Ela arqueou uma sobrancelha enquanto olhava para o garoto da cabeça aos pés, perguntando-se mentalmente se talvez ele ainda estivesse em choque por causa do acidente na última semana, até que Juyeon abriu um largo sorriso digno de um bobo apaixonado. “Está sim! Só fui pego de surpresa pela sua tremenda beleza.” as palavras acabaram saindo por seus lábios antes que seu cérebro as registrassem, e quando ele finalmente notou a merda que havia dito sentiu seu rosto inteiro pegar fogo de tanta vergonha. Mas, surpreendentemente, Gaeul riu com o elogio, suas bochechas também ficando um pouco avermelhadas. Ela estava… Tímida? “Não é pra tanto. Mas é melhor irmos para a sala logo, a aula já vai começar.”
Ainda sorrindo feito bobo, Juyeon pegou sua mochila do chão e caminhou até a sala de aula junto de Gaeul, ignorando os olhares dos outros alunos e focando toda a sua atenção na garota dos seus sonhos.
Já na sala ele foi surpreendido por uma avalanche de perguntas, sendo cercado por várias meninas e alguns garotos curiosos em saber sobre o ataque da ajumma tarada. Juyeon fez questão de responder tudo com um largo sorriso cheio de orgulho de si mesmo, descrevendo sua luta com a mulher cobra ━ omitindo a parte de suas mãos terem se transformado em patas de leopardo e da ajumma ter caudas de cobra no lugar de pernas, claro. Estava sendo tratado como um verdadeiro herói, recebendo até mesmo alguns presentes e cartinhas das garotas, e isso só inflava o ego do filho de Dionísio cada vez mais. Quem diria que lutar contra um monstro irritante na frente do garoto mais popular da escola iria transformá-lo em uma espécie de celebridade entre os outros alunos?
O tempo parecia estar passando tão rápido que ele nem notou quando o sinal tocou, indicando que já estava na hora do almoço, e Pietro Choi apareceu na sala procurando ele. Todos começaram a cochichar animadamente enquanto o garoto de cabelos rosas ia até a mesa do Hwang sorrindo, cumprimentando-o como se fossem velhos amigos. “Como você tá, cara? Te procurei a semana inteira, mas seu amigo disse que você tinha ido viajar. E aí, como foi a luta do seu padrasto?” Juyeon levou um susto quando Pietro segurou em sua mão e o puxou para ficar de pé, abraçando-o apertado e até mesmo dando alguns tapinhas em suas costas. Ele já estava tão acostumado com o bullying de Jongsuk, até mesmo associando Choi ao Lee por eles estarem sempre juntos durante os intervalos, que por um momento pensou que aquilo era uma pegadinha do maior. Encolheu-se no abraço, afastando um pouco o corpo de Pietro do seu e olhando ao redor como se estivesse procurando uma câmera, realmente acreditando que aquilo era um plano de Jongsuk para pegá-lo desprevenido. Mas não tinha sinal algum do valentão em sua sala, e o sorriso estampado no rosto alegre de Pietro Choi parecia sincero demais para alguém que planejava bater no Hwang depois.
“Ah, foi legal. Ele ganhou, como sempre.” deu de ombros, esforçando-se para parecer descolado na frente de alguém popular, e ficou satisfeito quando Pietro riu. “Não fazia ideia de que seu padrasto era lutador de MMA, cara! Isso é muito irado. Definitivamente quero assistir a próxima luta dele, então não esquece de me falar quando vai ser, hein?” enquanto falava, o garoto de cabelos rosa passou um braço por cima dos ombros do Hwang, caminhando com ele na direção do refeitório e contando tudo o que havia acontecido nos dias após o ataque da ajumma doida. De acordo com Pietro, a polícia estava ali porque acreditavam que a mulher tentaria invadir a escola novamente, e o pai do Choi, que era vereador em Seul, havia mandado que eles não descansassem enquanto não encontrassem a criminosa. Ele também disse que, mais tarde naquele dia, o senhor Choi iria até a escola para presenteá-lo com uma medalha de coragem por salvar seu amado filho de uma louca como aquela. Juyeon estava tão animado com as coisas que Pietro lhe contava, e com o fato de agora estar sentado na mesa dos populares durante o almoço, que havia até se esquecido de seu pobre melhor amigo Minseok, que observava tudo de longe com um bico triste nos lábios, sozinho em uma mesa afastada.
“Aliás, agora que você voltou, vou dar uma festança em uma das mansões do meu pai no sábado, e você é meu convidado de honra. Vamos todos comemorar a vitória do herói da Trinity Academy!”
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ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤjuyeon só conseguiu notar que havia passado dos limites de vez ao ver fumaça saindo das mãos de liza. sua primeira reação foi preocupação, mas não por ele mesmo. estava preocupado com liza, xingando-se mentalmente por ter falado demais e tentando pensar em como acalmá-la agora. parabens, hwang, agora você conseguiu fazer ela te odiar de verdade.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤacabou levantando uma mão aumaticamente quando as lágrimas começaram a escorrer pelo rosto da filha de hefesto, em uma tentativa de afastá-las, e estava quase deixando um pedido de desculpas escapar dos próprios lábios quando foi acertado pela primeira vez. o primeiro soco em seu peito ardeu, podendo sentir a pele queimar ao entrar em contato com a pele de liza, e o segundo fez com que julian desse um passo para trás, ainda surpreso. quanto mais wellington gritava, mais o peito do filho de dionísio ardia, e ele não sabia mais se era por causa das queimaduras que os punhos da garota deixou ou se foram as palavras que acertaram em cheio seu coração e ego fraco.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤfinalmente julian se tocou da merda que havia feito. era tudo culpa dele, liza estava daquele jeito por culpa dele. era um babaca, afastava todo mundo de si por conta de sua maldita língua e a necessitade de ser sempre o centro das atenções. ela estava certa, julian kane era uma pessoa horrível que só machucava todos que o amavam. e as últimas palavras da mais nova foram a última gota d’água para que ele desmoronasse de vez.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤvocê tem razão.ㅤ❜ㅤsussurrou, agora sentindo seus olhos arderem por tentar segurar as lágrimas. recusava-se a chorar justo na frente de liza.ㅤ❛ㅤtodos tem razão. francisca deve estar se revirando no caixão de desgosto de mim.ㅤ❜ㅤriu de suas próprias palavras, de si mesmo. agora era ele quem estava tremendo, fechando os punhos com força e raiva dele mesmo. por sorte liza já estava longe o bastante para não ver as lágrimas que começaram a escorrer.ㅤ❛ㅤmas não precisa mais se preocupar com isso, nunca vai precisar me ver de novo mesmo.ㅤ❜ㅤdisse mais para se mesmo do que para ela, virando as costas para o touro mecânico e finalmente indo embora dali.
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤo objetivo de julian durante as orgias que organizava sempre era se divertir, e ter a atenção de hérmio, um deus, toda para si naquele momento só servia para aumentar ainda mais o seu ego, como se toda a atmosfera daquele evento já não fizesse aquilo o bastante. sentia-se pequeno nos braços do mais velho, mesmo que fosse apenas alguns poucos centímetros menor do que ele, mas adorava isso. a sensação de inferioridade só deixava julian ainda mais excitado.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤum gemido rouco de surpresa escapou de seus lábios ao sentir o calor vindo das mãos de lisander, e em um piscar de olhos a lingerie que usava havia sido transformada em cinzas. aquilo havia sido tão excitante que o coreano não conseguiu nem ficar bravo, e além do mais tinha uma peça reserva guardada atrás do balcão de bebidas da festa.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤretribuiu o beijo o melhor que pode, sentindo-se totalmente perdido no prazer conforme as mãos do deus percorriam seu corpo. julian continuou massageando o pau de lisander com uma mão o máximo que conseguia, tendo seus gemidos abafados pelos lábios dele conforme rebolava manhoso. estava realmente agindo como uma cadela no cio, e não se envergonhava nem um pouco disso.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤpor favor, hérmio. eu quero mais! mais! mais!ㅤ❜ㅤimplorou pateticamente quando os lábios do outro começaram a descer pelo seu corpo, sentindo sua pele pegar fogo com cada beijo. estava ofegante, totalmente destruído apenas com aqueles toques, até que foi pego de surpresa com a ação de hérmio, agarrando o tronco da árvore e obedecendo o deus na mesma hora, usando a mão livre para segurar uma de suas nádegas.ㅤ❛ㅤeu preciso te sentir, por favor...ㅤ❜ㅤcontinuou suplicando cada vez mais necessitado, sentindo como se seu corpo inteiro estivesse prestes a derreter quando a língua de lisander passou por suas bolas até sua entrada, rebolando desesperadamente contra o músculo do outro.
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤpreferiu fingir não saber que diego sabia que ele havia mais uma vez passado a noite anterior misturando o máximo de drogas e bebidas que seu organismo conseguia aguentar. julian já estava acostumado a ver seus amigos decepcionados com suas escolhas, tornando-se imune aos olhares tristes e de pena deles, então apenas deu de ombros quando notou o sorriso tristonho nos lábios do amigo.ㅤ❛ㅤsó se o supino for essa latinha.ㅤ❜ㅤbrincou, fingindo que usava a lata de energético para malhar, mas logo seu braço cansou e ele voltou a só observar o mais velho.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤtinha a impressão de que estava confundindo as coisas, mas aí já era culpa de sua ressaca infernal, mas não estava muito preocupado naquele momento em se corrigir. diego saberia que ele não fazia por mal, de qualquer forma.ㅤ❛ㅤtanto faz. no fim das contas dúvido que barbara fosse te dar bola também. não é pessoal, bro. se quiser até tento te ajudar.ㅤ❜ㅤcomentou após tomar mais um longo gole do energético. nunca tinha entendido bem o que aconteceu com diego, só se lembrando que atena havia ficado tão nervosa em descobrir que seu filho acabou dormindo com uma de suas maiores inimigas que o amaldiçoou. tadinho, foi obrigado a começar um celibato pela própria mãe.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤaproveita e pergunta se sua bisa pode curar coração partido. é pra um amigo, sabe...ㅤ❜ㅤele era o amigo, mas o filho de dionísio preferiu não dizer mais nada, fechando os olhos para aproveitar um pouco do calor do sol.ㅤ❛ㅤmas agora eu to curioso. sua mãe jogou alguma maldição pra espantar as mulheres de você? ou é outra coisa?ㅤ❜ㅤ
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤsendo bem sincero, juyeon estava pouco se importando com os relacionamentos dos deuses, só achava divertido como liza e asami ficavam tão irritadas sempre que ele falava sobre a coleção de chifre do pai delas. era seu passatempo favorito, irritar as filhas de hefesto até que começassem a jogar martelos e outras ferramentas em sua cabeça, precisando ser salvo da ira das corninhas por francisca. mas agora não tinha mais frankie para lhe salvar, e as ofensas ao deus se tornaram mais frequentes em uma esperança fútil que o motivo do ódio das duas por julian deixasse de ser a morte de seus irmãos.
ㅤㅤㅤㅤㅤ❛ㅤse minha personalidade de bosta te irrita tanto, é só ir embora. continua perdendo seu tempo comigo por que quer. nunca pensei que você era masoquista. puxou o papai, parabéns.ㅤ❜ㅤriu ácido, tentando esconder que as palavras da menor o haviam acertado em cheio. talvez se aquela conversa tivesse acontecido antes do natal, julian teria uma maior facilidade em admitir que liza estava certa, e quem sabe até pediria desculpas aos antigos amigos pela maneira que agiu nos últimos anos, mas a perda de frankie parecia ter destruido qualquer chance do filho de dionísio voltar a ser como antes. os dois anos de progresso em sua recuperação havia sido jogados pelo ralo no momento em que a garota por quem ele estava apaixonado morreu em seus braços.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤbufou irritado quando liza destruiu sua lingerie, afastando-se dela para tirar as cinzas que cobriram seu peito.ㅤ❛ㅤporra, que fetiche bizarro é esse que vocês tem em colocar fogo na roupa dos outros? essa era minha lingerie reserva, sabia? seu irmão já destruiu a primeira, e agora você faz o mesmo? pelo menos foi mais sexy quando lisander queimou a minha roupa. você só conseguiu me deixar irritado mesmo.ㅤ❜ㅤ
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ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤjulian pôde sentir como se um grande peso saísse de suas costas com a confirmação de brenna, permitindo-se respirar aliviado por pelo menos alguns segundos, mas não sabia se teria coragem de olhar para a irmã depois daquela noite. ele conhecia eleanor tão bem quanto a si mesmo, e suas personalidades eram mais similares do que qualquer um de seus amigos gostavam de admitir. eram filhos de dionísio, afinal. herdaram não apenas os poderes do deus do vinho, como também a teimosia. sabia que eleanor provavelmente estava furiosa consigo e nada que ele tentasse dizer ia fazer ela acreditar tão fácil assim.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤfungou mais algumas vezes, aos poucos conseguindo controlar suas lágrimas melhor até que parasse de chorar por completo. julian fechou os olhos ao encostar a testa na da prima, sentindo-se mais seguro no chalé de ares com ela do que em qualquer outro lugar. por ele ficaria escondido ali até que ninguém mais se lembrasse do ataque de lycaon, mas sabia que seria impossível fugir de suas obrigações e do interrogatório dos irmãos por muito mais tempo. assentiu com a cabeça quando brenna o mandou descansar, aconchegando-se na cama da mulher e fechando os olhos, permitindo que todo o esgotamento de ter se transformado em lobo algumas horas antes tomassem conta de seu corpo até finalmente dormir.
AVISO ━ o texto a seguir contém menção de luta e bullying. não leia caso isso te deixe desconfortável.
⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀Setembro de 2016, Coreia do Sul. Senior Year.
Quando Hwang Juyeon descobriu ser um semideus, ainda aos treze anos, seu primeiro pensamento foi que isso fazia dele alguém tão incrível quanto seu padrasto, Magnus, e que ele seria automaticamente forte e poderoso, mas para sua infelicidade o garoto estava errado. Sua descendência divina não significava tanta coisa quando estava cercado de outros semideuses muito mais treinados e fortes, enquanto ele não passava do filho do deus do vinho, e ainda teria que sofrer muito na mão de valentões. Quem diria que até os filhos dos antigos deuses gregos podem sofrer bullying, não? Sem falar no constante perigo de ser morto por algum monstro ou em uma guerra contra algum titã ou deus louco, claro.
Para piorar, Juyeon precisava dividir seus meses entre o acampamento Meio-Sangue, em New York, e a Trinity Academy, onde cursava seu ensino médio em Seul, tudo por causa de seus avós conservadores e controladores que cismaram que o neto precisava ter uma educação tradicional no sistema coreano, já que sua mãe mesmo não se importava muito dele passar o ano inteiro no acampamento treinando. Para Yeeun, o que importava era seu filho estar vivo, aprendendo a sobreviver com os outros semideuses, mas, para vovô e vovó Hwang, a reputação da família era muito mais importante do que a felicidade do próprio neto. Então Juyeon era obrigado a passar metade do ano na escola e a outra metade no acampamento.
Pelo menos aquela tortura estava prestes a acabar. Iria finalmente se formar! Em fevereiro do ano seguinte pegaria seu diploma, mandaria todos de sua escola para o inferno e nunca mais pisaria naquela cidade novamente — só para visitar a avó e seu melhor amigo às vezes, claro. Contava os dias para sua graduação, e estava convencido de que nada poderia piorar até lá.
Ah, como estava errado…
A fatídica manhã de setembro em que sua vida virou de cabeça para baixo começou como qualquer outra: gritos ecoando no quarto com isolamento acústico, cortinas fechadas e com apenas a luz azulada da tela do computador iluminando o rosto marcado por olheiras de Juyeon enquanto ele jogava League of Legends freneticamente com Timothy Drake, seu amigo de New York.
“Porra, Timmy, assim não dá! É a quinta partida que a gente perde e por sua culpa!” berrou com o outro através do microfone, socando a mesa de seu computador e bufando alto. Juyeon odiava perder, ainda mais em um jogo como aquele, onde o objetivo era vencer e humilhar o time adversário, mas parecia que aquela não estava sendo sua noite de sorte. Talvez fosse culpa do pobre Timothy, e não das péssimas estratégias que filho de Dionísio cismava em criar. Só talvez. “Foi mal, cara. Esse jogo não é meu estilo, juro que tô tentando meu melhor.” podia praticamente ouvir o bico triste na voz do amigo, que saia de seus fones de ouvido de última geração, e por um momento até se sentiu mal por gritar com Tim daquele jeito, mas claro que não o suficiente para Julian pedir desculpas. Um Hwang não pede desculpa nunca!, ou pelo menos foi isso que seu avô lhe ensinou. “Tanto faz. Não é possível que Gaspard e Diego não sabem jogar League. Todo mundo joga League! Até o Ben deve saber jogar, então pede pra algum deles te ensinar e vir jogar com a gente da próxima vez.” bufou mais uma vez, encarando a tela de Derrota sem ânimo algum até seu despertador começar a tocar.
“Droga, tenho que ir pro inferno.” bufou mais uma vez, afundando-se ainda mais na cadeira e escondendo o rosto nas mãos enquanto o barulho irritante do despertador ecoava pelo quarto. “Espera, que horas são aí?” a voz de Tim estava tanto chocada quanto preocupada em pensar que Julian indo para escola naquela hora. Ainda eram seis da tarde em New York. “Sete da manhã. Valeu, Tintim, até mais tarde!” o coreano despediu-se antes mesmo do amigo conseguir falar alguma coisa, cortando a despedida do outro no meio assim que deslogou do jogo e desligou o computador, podendo entender apenas um “Como assim você ficou a madrugada inteira jogando?”, o que fez com que Juyeon encarasse as cinco latas de Red Bull jogadas em sua mesa rindo.
Arrumou-se em poucos minutos, apenas lavando o rosto na pia do banheiro e escovando os dentes antes de vestir o uniforme e sair correndo da cobertura onde vivia com os avós no centro de Gangnam, despedindo-se da vovó Hwang com um rápido beijo no rosto e fugindo da bronca do avô por passar a madrugada inteira jogando mais uma vez. A viagem de ônibus até a Trinity Academy foi tão tranquila que Juyeon até aproveitou para tirar um cochilo, encostando a cabeça no vidro por alguns minutos enquanto escutava suas músicas favoritas no último volume em seus fones de ouvido para abafar qualquer outro som do mundo ao seu redor.
Tudo estava parecendo tão normal que ele até começou a se sentir mais confiante, pensando que talvez fosse receber alguma notícia muito boa naquele dia.
Como sempre, Hwang andou por mais alguns minutos do ponto de ônibus onde desembarcou até os portões da escola, onde seu melhor amigo, Yong Minseok, esperava-o, dançando animadamente e segurando um choco pie. “Guardei pra você!” na mesma hora Juyeon correu até ele, engolindo o bolinho de uma vez só e sorrindo para o amigo. “Como adivinhou que não tomei café da manhã hoje?” brincou. “Cara, você nunca toma café da manhã, já acostumei.” os dois riram juntos, e logo Minseok começou a falar sobre como estava ansioso para o próximo comeback do grupo Twice até finalmente entrarem na escola.
Juyeon odiava admitir, mas foi graças à fortuna do seu avô que conseguiu entrar para uma das melhores escolas de elite de toda a Coreia do Sul, conhecida por formar jovens inteligentes que em poucos anos se tornariam pessoas importantes na sociedade. Políticos, artistas, médicos… Só os melhores de qualquer carreira saia dali. Isso acabava criando uma pressão gigantesca nos alunos, claro, e a competitividade era insana. Julian sentia-se mais nervoso em fazer uma prova ali do que em qualquer batalha contra monstros, e pensava que nem a guerra contra Cronos devia ter sido pior que os exames finais que enfrentaria naquele ano. O único motivo dele se dedicar aos estudos e ser considerado um dos melhores da sala era a necessidade em orgulhar os avós, porque se pudesse ele nem encostaria em um livro sequer, passando seu tempo treinando a pontaria com o arco e flecha sem ter que se preocupar com mais nada.
Tanto ele quanto Minseok andaram pelos corredores do colégio de cabeça baixa, uma técnica de sobrevivência escolar que desenvolveram depois dos anos de sofrimento nas mãos dos valentões, rezando mentalmente para pelo menos darem a sorte de chegarem em segurança à sala de aula, mas, infelizmente, Juyeon nunca foi muito sortudo, chamando a atenção do grupinho de delinquentes apenas por respirar. “Olha só, os namoradinhos chegaram juntinhos!” revirou tanto os olhos que sua cabeça até começou a doer ao ouvir a voz irritante de Lee Jongsuk, o líder dos valentões. “Fez meus deveres de casa, otário?” tanto Julian quanto Minseok congelaram, enquanto Jongsuk rodeava-os como um leão rodeando sua presa. “S-sim!” na mesma hora Kim começou a revirar a mochila em busca das folhas com os cálculos de física avançada e as respostas sobre o livro que tiveram que ler para a aula de literatura clássica, com as mãos tremendo mais do que os galhos de uma árvore em uma ventania.
Jongsuk analisou as folhas com um sorriso sádico nos lábios antes de voltar a se virar para os dois garotos, olhando Juyeon da cabeça aos pés. “E você, Hwang, tem algo pra mim? Precisa pagar pedágio se quiser entrar na sala.” ah, como ele queria dar um belo soco naquela cara feia e a deixar ainda mais deformada, porém tinha medo de que aquilo piorasse o bullying que sofria, então respirou fundo e abaixou a cabeça, encarando os próprios pés e pegando sua carteira. “Toma, é só isso que meus avós me deram hoje.” com muita dor no coração, Julian entregou uma nota de quinze mil wons — o equivalente a sessenta reais — para o garoto, que olhou com desdém para as duas notas. “Só isso? Que miséria. Trate de conseguir mais amanhã, ou vou ter que te dar uma lição, perdedor.” com isso todos os urubus idiotas que acompanhavam Jongsuk e o tratavam como um rei caíram na gargalhada, empurrando Juyeon e Minseok antes de voltarem a perambular pelos corredores da escola.
Ah, como ele queria poder dar uma lição naquele otário! Julian sabia que era mais forte que Jongsuk, e sabia lutar mil vezes melhor do que um valentão qualquer, mas havia prometido para seus pais que não usaria as coisas que aprendia no acampamento contra mortais, apenas em situações de vida ou morte. Se não fosse pelo seu amor à mãe, já teria surtado há muito tempo e quem sabe até sido expulso daquela escola, mas preferia ser humilhado todos os dias por um bando de idiotas que se achavam superiores do que decepcioná-la.
Jogou-se em sua cadeira, sentindo toda a confiança de antes ir pelo ralo logo nos primeiros dez minutos do dia.
As aulas, como sempre, foram tediosas, e Juyeon não via a hora de chegar a hora do almoço para poder cochilar por mais uma hora. Por sorte Jongsuk não apareceu para perturbá-lo de novo, já que ele mal ficava na sala de aula, e conseguiu até acordar alguns minutos antes do final do intervalo para ir ao banheiro. Parecia que a tranquilidade e confiança que havia sentido no caminho até a escola havia voltado, e Hwang nem se importou tanto quando Pietro Choi, o garoto mais popular da escola, entrou no banheiro, indo justo para o mictório ao lado do seu. Mesmo sendo um dos melhores amigos de Jongsuk, Pietro não costumava dar muita atenção para os outros, focando apenas nas garotas populares e os caras do time de basquete da escola.
Juyeon já estava indo lavar as mãos quando uma das ajummas da limpeza entrou no banheiro, surpreendendo os dois garotos. “Yah, não sabe que precisa bater e perguntar se tem alguém aqui antes de entrar? É uma pedófila tarada por acaso?” Pietro gritou na mesma hora, sacudindo o pênis e o guardando na cueca em uma velocidade surpreendente, com o rosto tão rosado quanto seu próprio cabelo. Felizmente Juyeon já estava devidamente vestido. A mulher não falou nada e ficou apenas encarando os dois, o que deixou Hwang ainda mais desconfortável. Não era normal aquilo acontecer, já que as mulheres que cuidavam da limpeza da escola sempre se certificavam de entrar no banheiro masculino apenas quando tinham a certeza de que estava vazio justamente para acidentes como aquele não acontecerem. Pietro agora também estava lavando as mãos ao lado de Julian, ainda reclamando do susto que a chegada da mulher lhe deu, quando os sentidos de semideus do garoto começaram a gritar. Corra. Lute. Dê um jeito de salvar esse mortal porque a coisa vai ficar feia a qualquer momento.
“Tá olhando o que, ajumma? Perdeu algum- ei! Ei! Ei! Tá louca?” do nada a mais velha foi pra cima dos garotos, fazendo com que Juyeon tivesse que andar de costas, empurrando Pietro atrás de si, até que ficassem encurralados contra a parede. Só quando estava cara a cara com ela que o semideus se tocou do que estava acontecendo, podendo notar a névoa ao redor dela começando a dissipar, finalmente reconhecendo a dracaena. “Droga!” sem pensar duas vezes, empurrou Pietro para dentro do último box do banheiro e mandou que ele fechasse a porta, abaixando-se na hora em que a dracaena tentou atacá-lo com suas garras. Após dar um belo chute no peito do monstro para afastá-la ao menos um pouco, Julian começou a tatear os bolsos em busca de seu chaveiro de melancia que se transformava em uma espada de bronze celestial, xingando-se ao lembrar que ele havia ficado em sua mochila.
“Sssua hora chegou, sssemideusss essstúpido!” a dracaena sibilou, sorrindo para o filho de Dionísio quase que babando, provavelmente já sonhando com o belo almoço que teria naquele dia. Julian tentou pensar em alguma estratégia o mais rápido possível, olhando ao redor em busca de qualquer coisa que o ajudasse naquela luta. Infelizmente não poderia usar as videiras, um dos únicos poderes úteis que herdou de seu pai divino, já que não estava em contato com a terra, então precisou recorrer às garras de leopardo, transformando suas duas mãos. “Porra, não tinha uma hora melhor pra atacar não? Pensei que monstros tivessem pelo menos um pouco de empatia pra não atacar ninguém no banheiro.” brincou, partindo para cima antes que ela tivesse tempo de atacá-lo.
Usou as patas de leopardo para afastá-la ainda mais do box onde Pietro estava escondido, arranhando-a no peito e em um dos braços. A dracaena chiou raivosa ao ser ferida, tentando atacar o semideus com os rabos de cobra, mas por sorte ele conseguiu bloquear um e desviar do outro. Os treinos com seu padrasto e Brenna finalmente estavam sendo úteis. “Olha, que tal nós fazermos um trato? Você vai embora e espera pelo menos eu sair da escola, e aí te dou uma morte digna com a minha espada. O que acha?” Julian sorriu para o monstro, torcendo para que por algum milagre ela aceitasse a proposta, mas aquilo seria sorte demais para o pobre e azarado Hwang. “Tenho uma proposssta melhor: vai ssse foder, idiota!” atacou-o com as garras mais uma vez, e dessa vez o filho de Dionísio não teve tanto tempo assim para desviar, sentindo as unhas afiadas da mulher cobra rasgando a blusa social do uniforme na barriga, arranhando-o de raspão.
Juyeon chutou uma das caudas dela, fazendo com que a dracaena caísse no chão e ficando por cima dela, mas o monstro usou a outra cauda para envolver o pescoço do garoto, enforcando-o. “Vagabunda…” sua voz saiu em um sussurro enquanto tentava afrouxar o aperto em seu pescoço, fincando suas garras de leopardo nas escamas da mulher, mas isso acabou fazendo com que ele abaixasse a guarda, dando a oportunidade perfeita para ela rasgar seu uniforme ainda mais e aumentar o ferimento em sua barriga. Teria gritado de dor se não fosse pelo rabo apertando seu pescoço cada vez mais, mas por sorte a adrenalina logo tomou conta de seu corpo e Julian retribuiu a dor que estava sentindo ao fincar as próprias garras com ainda mais força na pele escamosa da mulher cobra. “Me solta, filha da puta.” xingou e rasgou ainda mais o monstro, obrigando-a a afrouxar o aperto. Agora quem gritava de dor era a dracaena.
Aproveitando que ela estava ocupada demais com uma das caudas sangrando para começar a enforcá-la, apertando suas patas de leopardo no pescoço da mulher com cada vez mais força até que suas unhas a perfurassem, só parando quando sentiu ela se desfazer entre seus dedos. “Espero que fique um bom tempo presa no Tártaro, desgraçada.” Julian respirou aliviado, permitindo que suas mãos voltassem ao normal e as colocando sobre o ferimento em sua barriga. Por um momento ele até se esqueceu de que Pietro Choi ainda estava escondido no box, levando um baita susto ao ouvir a voz do garoto ecoar pelo banheiro. “Mano, que porra foi essa?”
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤera estranho até para o próprio julian pensar que um dia, há uns bons seis anos, ele e liza já foram amigos e fizeram parte do mesmo grupinho. chegava até a ser cômico, sentindo vontade de rir sempre que olhava para qualquer um do antigo grupo de nerds ━ não deles, claro, mas dele mesmo. parecia uma grande piada ou um sonho febril pensar que um dia julian kane não era ninguém mais do que um garoto viciado em video game que sofria bullying dos semideuses mais velhos e fortes. patético, mas no fundo ele sentia falta daquela época, só não queria admitir.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤnão sabia mais se liza o odiava por ter abandonado os amigos para que todo aquele bullying acabasse ou se fazia parte dos idiotas que acreditavam fielmente na fofoca má contada das ninfas, e, sinceramente, não estava nem ligando mais para aquilo. se liza realmente pensava que julian era capaz de matar alguém a sangue frio, principalmente alguém tão importante para ele quanto frankie, o problema era dela. mas ele ainda continuaria zoando seu pai só para deixá-la ainda mais irritada.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤnão é minha culpa se essa é a característica mais marcante do seu papai. devia reclamar com a sua madrasta, isso sim.ㅤ❜ㅤdesfilou em volta do brinquedo com um sorriso zombeteiro nos lábios, estalando a língua contra os dentes antes de continuar.ㅤ❛ㅤe, como todos herdamos algum talento dos nossos amados pais divinos, não foi diferente com a sua irmã. tadinha, fica difícil saber se o dedo que é podre, o chifre é genético ou se a verdadeira maldição na vida do seu pai e irmãos não é a própria afrodite. nada contra a deusa, claro, adoro ela inclusive.ㅤ❜ㅤdisse a última parte olhando para o céu como se estivesse falando com a própria deusa, esperando que ela não se ofendesse tão fácil assim.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤah, qual foi, sei que tem mais criatividade que isso pra insultos, lizinha! na china porcos são símbolos de riqueza, sorte e prosperidade, então é como se você estivesse me elogiando. obrigado.ㅤ❜ㅤpiscou para a filha de hefesto assim que parou na sua frente novamente, encarando-a de cima com um brilho divertido nos olhos.ㅤ❛ㅤainda presa no passado, wellington? supera.ㅤ❜ㅤrevirou os olhos e bufou quando se tocou sobre o que ela se referia, colocando as mãos nos bolsos da calça. pelo menos não estava jogando a morte de frankie na sua cara, ainda.
ㅤㅤㅤㅤㅤㅤ ❛ㅤvocê ia adorar isso, não? mas, para a sua infelicidade, não fui expulso. pra mim esse evento é mais do que só um monte de gente transando, sabia? é um ritual, e eu respeito isso. não teria porque me expulsarem de algo que eu ajudo a organizar.ㅤ❜ㅤsentiu-se um pouco ofendido por ela realmente achar que justo ele seria expulso da orgia, um de seus eventos favoritos não só por conta de tudo o que acontecia mas pela energia.ㅤ❛ㅤmas claro que você não entende nada disso. nunca foi chamada pra uma, e provavelmente nunca vai ser. vai continuar com as suas proteses malucas e sonhos eróticos.ㅤ❜ㅤdebochou, curvando-se um pouco para que seu rosto ficasse na altura da menor.
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ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤa pior parte de misturar drogas e álcool sempre era a ressaca do dia seguinte. aquilo nunca fazia com que julian se sentisse arrependido o bastante para parar com seus vícios, claro, já que era só tomar um pouquinho de vinho que ficava novinho em folha, mas naquela manhã seus irmãos estavam sendo ainda mais irritantes e barulhentos que o normal.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤele mal teve tempo de dormir um pouco depois da noitada quando seus irmãos mais novos começaram a lhe chamar, gritando em seu ouvido para que ele resolvesse milhoes de problemas em uma só manhã. julian, me ajuda com o dever de casa? julian, fulano mexeu nas minhas coisas! julian, julian, julian... sua cabeça latejava cada vez mais a cada vez que gritavam seu nome, e o filho de dionísio xingou eleanor mentalmente por ter simplesmente desaparecido e deixado as responsabilidades em seu ombro.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤela não havia gritado para todos do chalé sobre o quanto ele é irresponsável e que não merece o título de conselheiro? então porque não era a madame que estava ali já que hwang era tão irresponsável assim? julian até queria torcer para que o skate da irmã quebrasse justo no meio da competição idiota que ela estava participando, mas por mais que estivesse magoado e puto com a mais nova, não queria o seu mal. a voz torcendo para que ellie voltasse para casa com um grande troféu sempre era muito mais alta do que seu lado rancoroso.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤaproveitou o raro momento de calmaria no chalé doze para trocar o pijama, pegar uma latinha de energético, uma aspirina e óculos de sol antes de sair dali o mais rápido que podia, fugindo dos irmãos e torcendo para encontrar um lugar mais calmo, até diego chamar sua atenção enquanto estava passando pela arena do acampamento.ㅤ❛ㅤopa, digão! tá animado hoje hein.ㅤ❜ㅤcomentou, decidindo por ficar mais um pouco por ali vendo o filho de atena treinar.ㅤ❛ㅤnah, hoje to destruído demais pra treinar. capaz de se eu tentar mirar uma flecha no alvo acabe acertando a sua cabeça, então é melhor me manter bem longe de qualquer arma.ㅤ❜ㅤbrincou, mas a risada fez com que sua cabeça doesse ainda mais.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤsentou-se em um banquinho na sombra e ficou observando as poses bobas do amigo, levantando a latinha de energético em um brinde assim que a lança acertou o alvo em cheio.ㅤ❛ㅤestou lisonjeado com a homenagem, bro!ㅤ❜ㅤrespondeu sorrindo antes de tomar a aspirina em um só gole, sentindo a bebida arder por sua garganta.ㅤ❛ㅤmas ainda tá nessa? achei que já tinha desencanado da babi faz tempo, já que sua pipa não sobe mais como antes, sabe?ㅤ❜ㅤ
ㅤㅤㅤ━━ㅤ❝ㅤdepois de quase morrer pela segunda vez por causa de todas as drogas que estava usando nos últimos meses e da conversa séria que teve com o todo poderoso dionísio, julian foi obrigado a jurar pelo estige nunca mais fazer aquilo novamente, além de também ter sido carinhosamente lembrado pelo pai sobre todas as consequências que iria enfrentar se sequer pensasse em quebrar aquela promessa. e não foi a ameaça de ser perturbado pela deusa do rio infernal que lhe assustou; julian estava bem mais preocupado em ser dedurado para sua mãe e magnus, e em como yeeun ficaria decepcionada ao descobrir que seu amado filho havia se afundado em uma vida de vícios igual ao seu pai.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤentão agora ele não tinha nada mais a fazer a não ser passar a tarde na varanda do chalé doze, com seu violão ou a mesa de mixagem em uma tentativa de tirar sua cabeça dos problemas de sua vida. ainda podia sentir que os irmãos estavam magoados com seu sumiço na noite do ataque, principalmente eleanor que se recusava até a olhar em sua cara, mas já estava ficando acostumado a ser ignorado por todos.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤjulian estava distraidamente tentando compor uma melodia que o fizesse se lembrar de frankie, dos momentos que passaram juntos e de como a risada da garota alegrava seus dias, até que ouviu a voz de asami lhe chamar.ㅤ❛ㅤo que foi?ㅤ❜ㅤquestionou sério, deixando o violão de lado e encarando a filha de hefesto com as sobrancelhas franzidas.
ㅤㅤㅤ ㅤㅤㅤ ㅤnão estava em uma situação boa com o chalé nove desde que um deles acabou perdendo a vida durante uma missão para salvar julian, e a maldita fofoca errada das ninfas sobre ele ter matado frankie no natal piorou ainda mais sua relação com as outras filhas de hefesto, então estava surpreso ao ver justo asami parada na sua frente com um embrulho em mãos.ㅤ❛ㅤse veio aqui me xingar ou atacar com o que quer que seja essa engenhoca, volta outra hora. não tô no clima hoje, alcott.ㅤ❜ㅤ