rhea nunca julgaria a forma como nadia lidava com a semana de exibições, principalmente quando se comportava de forma similar. tinha, em seu subconsciente, o constante aviso de que tudo aquilo era orquestrado de forma a mascarar a realidade: eram mascotes do governo, seus fantoches favoritos que eram neutralizados para serem descartados até o momento em que se tornassem essenciais para algo. no entanto, a outra parte de si lhe dizia que era inútil querer lutar o sistema sem ter meios para tal. o status quo do mundo não se alterava da noite pro dia, muito menos sem alguma organização por parte da classe desfavorecida. por isso, não era nenhuma surpresa encontrar a sueca caminhando por entre os corredores repletos de barraquinhas, se questionando o que deveria fazer em seguida. o universo pareceu lhe enviar uma resposta segundos depois, quando sentiu o toque de nadia e voltou-se em sua direção, sorrindo quase que instintivamente. “uhh, tough luck.” não demorou para que sua sobrancelha arqueasse ao ouvir o pedido da amiga, o qual fingiu ponderar por um momento — ignorando qualquer salto que seu coração realizasse nesse período. “nadi….” não precisava enxergar para ter noção da expressão pidona que tomava as feições dela, conseguia senti-la em sua voz. suspirou dentro de segundos, sucumbindo. “tudo bem, tudo bem… eu tento! mas não acho que vou ter muito mais sorte que você, dependendo de qual jogo é.” passou um de seus braços pelos ombros da seong, dando alguns passos para se aproximar mais da barraquinha. “vai ter que torcer por mim se quiser o bichinho.” acrescentou com um sorriso travesso, tentando dar uma piscadinha em sua direção, mesmo que nunca soubesse se fazia certo.
* ☾ —— rhea era facilmente uma de suas pessoas favoritas. nadia gostava da maioria das pessoas, embora quase nunca conseguisse se aproximar, mas rhea fora uma amizade que nutrira de forma orgânica, apesar das diferenças gritantes que carregavam — e não fora em vão, o elo que poucos podiam compreender havia dado inúmeros frutos e flores, e nadia via-se menos solitária com a garota ao seu lado. sabia que seus irmãos sempre lhe protegeriam (ou, ao menos, eles iriam tentar), mas rhea lhe proporcionava outra camada de segurança — e, talvez por isso, em semanas como aquela via-se ainda mais próxima dela, buscando qualquer oportunidade para estar ao seu lado e segurar sua mão. rhea sempre seria a mais forte entre as duas, e nadia não sentia vergonha ao admitir tal coisa — sempre admirara tal coragem que lhe faltava, pois sua maior vontade acabava ser esconder-se no abraço da amiga e evitar o mundo em que viviam. sabia que ela também pensava muito e, embora pudesse fazer pouco, nadia ao menos gostava de trazê-la para momentos amenos, em que podiam ser duas tolas tentando ganhar um prêmio que não significava nada, para além das memórias que carregariam consigo. —— rhea... —— falou, o tom choroso ainda presente, segurando as mãos alheias como se sua vida daquilo dependesse. não pode evitar o pequeno pulo que deu ao ouvir sua concordância, depositando um beijo sobre a bochecha de outrem após erguer seus punhos em um sinal de vitória deveras prematuro. —— sabia que podia contar com você! —— para isso e para todo o resto, foi o que não disse. —— você não precisa de sorte, bobinha. você tem a habilidade! —— retrucou, sempre contente em oferecer elogios à maior. deitou sua cabeça sobre o ombro de rhea, olhos brilhando como se ainda fosse uma criança. quando ela virou-se para lhe oferecer uma piscadela, nadia não pode evitar outro selar, desta vez sobre a ponta de seu nariz. —— você é adorável, sabe disso, não? e eu estou sempre torcendo por você, oras. você não acredita, mas eu tenho sim uma jaqueta escrito “ rhea’s #1 fan ”.