𝐰𝐡𝐚𝐭 𝐜𝐨𝐦𝐞𝐬 𝐧𝐞𝐱𝐭?
@euijcoo
O desconforto não diminuía de forma alguma com o passar das horas, mal podendo esperar por uma desculpa para deixar a casa dos sogros e retornar para a própria. Não era lá uma maravilha o clima lá também, sabia muito bem disso, mas seria consideravelmente milagroso não ter de aguentar todas as conversas entre as famílias sobre o futuro de seus negócios e o andar do casamento dos filhos. Se algum dia havia chegado perto de estar confortável próximo da esposa, definitivamente tudo mudara entre eles durante a noite do ensaio de seu casamento. Apesar dos inúmeros esforços, era difícil tirar de sua mente o beijo e os contatos trocados entre ambos pelo momento em que permitiu a si ceder aos impulsos e os doces toques alheios, assim como aos confusos sentimentos sobre a mais nova. Já conseguia ver como tudo o que havia acontecido era um erro de ambos, que sabiam muito bem que o que acontecia entre eles era puramente teatral para o benefício de suas famílias. Por mais que uma parte de si doesse por isso, sabia muito bem que nunca deveriam ter se permitido ver o casamento como algo além de um negócio. O que se tornava quase como um desafio toda vez que suas famílias começavam a fazer planejamentos para a sua vida de casal, enchendo-os de inúmeras perguntas com relação a coisas que nunca poderiam ter enquanto estivessem juntos - nada seria verdadeiro. Se eles sabiam muito em o verdadeiro significado de sua relação, então por que não paravam com todas as perguntas inconvenientes? Certamente iria surtar se ouvisse mais uma sobre os filhos que deveriam ter um dia. Tentava disfarçar o incômodo ao bebericar a taça de vinho que tinha em mãos, apenas balançando a cabeça como se estivesse achando muito interessante todo o assunto de seu pai com o de Euijoo, secretamente esperando que estivessem ficando tão bêbados ao ponto que as esposas os recolheriam por medo de acabarem passando vexame. Dando uma olhada para a esposa ao seu lado, inevitavelmente hesitou por alguns segundos antes de tomar coragem de falar algo, se sentindo um belo de um idiota por ainda estar tão afetado pela forma como as coisas estavam entre ambos. Era melhor deixar aquilo de lado de uma vez, pois definitivamente seu casamento não acabaria rápido o suficiente para não precisarem um pouco um do outro durante esse tempo. “Ei…” Chamou a atenção alheia, a voz baixa para não ser ouvido por mais ninguém. “Tem alguma ideia de quando vamos poder ir? Não aguento mais. Também não consigo pensar em nenhuma desculpa para irmos embora.”
❪ ˖ ﹡˙ ⊰ ´ ☪·̩͙*˖ ⊱ ━━ corria os olhos pela sala, bastante aérea para compreender o que dizia as bocas que se moviam naquela conversa. os últimos dias estavam sendo assim para baek, que vivia em piloto automático na maior parte do tempo. concordava com tudo, sorria para tudo e evitava entrar em assuntos que não estava pronta para falar no momento. talvez até mesmo, nunca estivesse. agora se odiava por ter topado a insanidade de se casar com seonho. pensando que possivelmente ter fugido das garras de sua família pudesse ter sido menos nocivo para sua estabilidade mental. vivia se esconder dos olhos felinos que a dava a impressão de julgamento. era como se ele soubesse o tempo todo a farsa que era, e a menosprezava por isso. a autoestima cada vez mais baixa e o fragilidade ainda mais palpável, dificultavam seus planos em se manter sóbria. recorrendo a meios que sabia que não deveria para não cair na besteira de ceder aos vícios novamente. esconder aquilo de seonho também para impossível uma vez que dividiam o mesmo teto, ainda que o quarto separado a desse uma fala sensação de segurança. no fim das contas, não estava segura em lugar nenhum e nunca estaria. olhou para o lado ao ter seu nome chamado, arrepiando os pelos da nuca ao olhá-lo pela primeira naquela noite, sendo arrancada de suas ações automáticas. engoliu o nó que se formou no meio da garganta, espalhando o batom pelos lábios quando os crispou sem nem ao menos perceber. ━━ você já quer ir embora? tudo bem. ━ concordou, assentindo antes de se levantar da mesa e deixar o guardanapo no lugar onde ocupava poucos segundos atrás. ━━ papai, ━ chamou a atenção apenas do progenitor como de todos os outros presentes nas cadeiras à freite, sorrindo docemente como se fosse a coisa mais fácil que fizera na vida. ━━ meu adorado sogro, agradecemos muito a noite de hoje, foi realmente incrível passar esse tempo com vocês, mas eu e o seonho precisamos ir embora. ainda temos que ir trabalhar amanhã e já estamos bem cansados, não é yeobo? ━ os olhos se perderam em fendas conforme o sorriso se tornava cada vez mais largo e mais falso. as palmas se fechando em punhos pela simples menção do apelido carinhoso. ━━ prometemos voltar o mais breve possível. e dessa vez, quem sabe, não vai ser com uma ótima notícia, uh? ━ engoliu em seco discretamente só de pensar em entrar no jogo nojento que era o de seu pai e os planos para os possíveis herdeiros dos baek. arrastou a cadeira com delicadeza e com um acenar breve, se despediu dos resto dos convidados, pegando o casaco e a bolsa e saindo pela mesma porta que havia entrado enquanto aguardava seonho logo atrás de si. ━━ pronto. e nem precisa me agradecer.









