A superficialidade tem me deixado escondida, ou melhor, soterrada. A superficialidade das coisas e pessoas tem me tirado de cena, é insustentável. Eu nem consigo entender como as pessoas se vendem por tão pouco, como tem suas atenções cativas por tão pouco. Eu sempre tive extrema dificuldade em me manter em tudo que seja superficial, lembro do quanto eu precisava me esforçar pra manter uma conversa rasa com pessoas que nunca souberam mergulhar. E quando eu digo isso eu não falo sobre ser uma pessoa superior, eu digo sobre vontade, eu falo sobre o que é importante. É por isso que nomes não me importam, saca? É por isso que eu me fascino ao esbarrar com alguém que não está preocupada em saber meu nome, e todas as coisas de praxe quando se conhece alguém. E eu não digo que é bobagem apresentação formal, é só que as relações transcendem isso. Eu sinto falta das pessoas que querem se despir de alma, que querem refletir as verdades que carregam, e não puras palavras vomitadas que em pouco tempo, o próprio tempo desintegra. Eu sinto falta das pessoas falando sobre si, sobre o que gostam, sobre as peculiaridades, pessoas que se envolvem em qualquer assunto que você jogar, e não aqueles assuntos do dia que envolvem perguntas de como você está e o assunto encerra. Eu sinto falta de pessoas que teorizam sobre filmes, séries, a existência, os bons valores, os princípios fixos. Eu sinto falta de quem sabe viver o mundo por uma perspectiva convicta, e não dos que vão aonde todos estão indo. Eu sinto falta de abordar assuntos que nem são importantes pra mim, mas que são importantes pra outra pessoa, e vê-la falar sobre isso é como ver o universo saltando de dentro dela, pra abraçar o que tem em você. Sinto falta das pessoas reais. Sinto falta dos relacionamentos regados a preservação e não a orgulho. Sinto falta das pessoas que entendem que a Internet se tornou um hospital doente, que só abraça quem quer, e expõe as piores doenças afetivas quem não pensa igual, e que por entenderem isso, sabem amar a alma de quem chega com vontade. A superficialidade da intentet cansa, mas a cada dia que passa eu vejo as pessoas caindo em massa dentro de um poço sem fim, mas ao mesmo tempo raso, onde elas são as únicas coisas importantes no mundo, e a dor do outro pode ficar em terceiro lugar depois de ninguém. Não me surpreende que pessoas incríveis estejam se guardando, no meio de tanta futilidade que tem ganhado espaço. Não me surpreende que eu queira guardar a sete chaves, de forma ainda mais intensa, cada pessoa real que tenho a sorte plena de conhecer. Eu sei que existem mais delas pelo mundo, mas não é tão fácil assim. Porque possivelmente, assim como eu estou cansada do irreal, elas também estejam.