Esse é o TRAVIS VAN WINKLE chegando no Paddock? Ah não, é o DECLAN ALASTAR PAVLOVA-MCCARTHY, de 40 e da IRLANDA que é PILOTO DE N°15 da FERRARI. Nos melhores dias ele é DESCONTRAÍDO E ESPIRITUOSO mas as vezes também é INSTINTIVO E SOBERBO.
Aesthetic: toma esse dinheiro aqui, adrenalina, loose cannon, água saborizada, favoritismo, expansivo para esconder a cobra por baixo, tradição, decoração rústica, audiobooks, cantor de cockpit, asseado, empreendedor, saudosista, canetas Monteblanc, tudo eu nessa p****- brincadeira!.
Jovem promessa, leia-se pais ricos do caramba, que ingressou em 2006 na jornada de se tornar um piloto de F1 premiado. Usou e abusou da fortuna para ter os melhores aparelhos e carros, além de visualização e reconhecimento mundial.
Seu pico foi alguns anos depois, onde começou sua glória com três anos seguidos de premiação. Louro™ e loureado tricampeão dos anos de 2009, 2010 e 2011.
Reza a lenda que era esse objetivo, ser um estouro e aposentar cedo, porque era um hobbie. Uma jogada de marketing pra alavancar os negócios, melhorar o nome da família e ser o maior no mercado tecnológico. Só que... Declan amou.
Era só pra ter participado e fazer propaganda, tá ligado? Só que ele venceu... Ele foi incrível.
A saída o deixou amargo, mas não desesperançado. A empresa prosperou absurdamente, sua agenda vivia cheia de reuniões e viagens executivas. Como continuaria no shape?
Ah, meus filhos, quem tem dinheiro tem tudo mesmo. E naquele quesito... Ele tinha de sobra.
Onde tinha corrida? Ele ia. Onde tinha esporte radical? Ele experimentava 7 vezes. O que podia fazer pra não enferrujar, o diabo se sacrificou e sorriu. No pain, no gain.
E agora, mais de uma década, o queridinho da Ferrari volta para mais um ano. Não se importou de repetir testes, mostrar que estava apto, desde que voltasse.
Seu objetivo é ganhar mais uma, a de 2024, como presente de aniversário de 41 anos. E se perder? Qual o problema? A máquina mortífera belíssima embaixo e em volta de si ainda é um sonho tornado realidade todo santo dia.
TRIVIA
Sempre tem uma caneta Monteblanc consigo. Até mesmo durante a corrida.
Sua música preferida, e ritualística, é September de Earth, Wind & Fire.
Toda semana livre durante "o afastamento", fez cosplay de celebridade no Paddock.
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A confusão envolvendo hackers não demorou a chegar até seus ouvidos e mensagens de grupos de pilotos em seu celular. Não sabia exatamente o que havia acontecido, em detalhes maiores que qualquer outro, mas não se falava em outra coisa — ou ainda, não se deixava de falar em outra coisa. Sua colocação pífia acabou por virar a última das preocupações dos amantes do esporte, ao menos, e podia sofrer sua frustração mais ou menos em paz, sob o sol italiano, na praia mais próxima a Monza e Milão possível — aproveitar um dia tranquilo após a adrenalina do GP na companhia dos amigos que também haviam decidido ficar mais um dia no país antes .
Com seus óculos escuros favoritos e as roupas mais leves que encontrou em sua mala, aplicou o protetor solar nos ombros sem muito compromisso, sabendo que se arrependeria mais tarde quando a pele começasse a arder. Talvez, mais tarde, se arriscaria a dar um mergulho nas águas límpidas.
"Se o bronze que busca é o camarão bem assado, meus parabéns. Sua técnica é perfeita." A pele naturalmente dourada do corredor estava um tanto apagada, afinal, coberta pela camada de protetor... O esbranquiçado convidava mais uma dose da cor invejada por muitos. Declan se juntou aos colegas com sorrisos e cumprimentos, preferindo ficar perto da calmaria de Benjamin. "Sei não, cara. Parece até errado curtir uma praiona dessas com esse tanto de 'problemas ignorados' rolando." A areia quente grudou nas pernas do corredor da Ferrari, mas não o incomodou. Pelo contrário. O calor mantinha o desejo de mergulhar bem aceso e dentro dos planos. "Mas foi uma boa corrida, apesar de tudo. Quer dizer, você ainda conseguiu pontuar. Parabéns."
Uma mensagem de texto e uma foto de um monitor foram necessários para tirar a britânica de seu lugar na sala VIP e atravessar os corredores até o paddock na máxima velocidade que seus scarpins permitiam, o nome de Declan na primeira colocação da última volta fazendo-a se apressar. Sim, está tudo sobre controle, disse ao diretor da Ferrari aos sussurros, não, eu preciso falar com ele primeiro. A notícia ainda não tinha se espalhado na chegada dos pilotos, mas Audrey guiou-o para longe dos holofotes, em direção aos corredores calmos do autódromo. "Que tal um acordo? Mais uma vitória e eu compro uma boneca inflável pra você." Abriu a tela do celular e fez questão de aumentar o brilho da tela, mostrando-lhe a foto, tom calmo e controlado. "Sascha foi sabotado e não tem quinze minutos que isso apareceu nos monitores da RedBull. Declan, se você tem algo a ver com isso, é melhor me dizer agora."
Declan meneou a cabeça ao considerar a réplica e assentiu quando se deu por satisfeito. O que faria com aquela boneca, bem, melhor deixar para o futuro. "Fechado." E era bom seus pensamentos serem muito privados, porque o diabólico plano crescia com a velocidade de uma erva daninha. "É o quê?" Foi a única expressão em inglês que o irlandês colocou para fora antes de se atropelar em expressões de assombro. Xingamentos (leves, calma) em todas as línguas que conhecia combinando com as mãos passadas nos cabelos fartos - e selvagens - depois de solto das proteções. "Sascha foi sabotado e a única coisa que você pensa é que eu posso estar envolvido? Ganhar agora é sinônimo de sabotagem? Mas que-" Declan se viu dividido em ir atrás de Sascha, perguntar como ele estava, e continuar ali. A primeira parte quase ganhou, quase, se não fosse a irritação. "Não. Eu não tenho nada a ver com isso. Pelos deuses, Audrey minha empresa trata de segurança, nada relacionada a corridas. Eu fiz questão disso."
— Infelizmente nem todas as equipes fazem o que a sua empresa faz, Declan, ou sequer se importam. Protestos sobre o combustível e tipo de energia que usamos acontecem sempre, a categoria só é ótima em esconder isso — respondeu, dando de ombros, mas concordava com ele sobre aquele provavelmente não ser o motivo e por isso deixou a possibilidade de lado. — Você tem percepções interessantes sobre isso, mas não pode me culpar por ficar preocupado, foi você quem colocou essa dúvida sobre a comida na minha cabeça — comentou, rindo. — É, mas os detalhes microscópicos na engenharia nos colocam tão em risco quanto envenenamento, então independentemente da abordagem dos possíveis sabotadores, uma tragédia acontecer não é uma carta fora do baralho — a reposta dele para a sua pergunta, no entanto, fez Sascha revirar os olhos. Não era como se ele quisesse informações secretas, só queria saber se todos concordavam que aqueles rumores eram bobos e infundados. — Que ótima resposta, Declan. Se você me fizesse a mesma pergunta, eu te diria que a Red Bull não acha que esse falatório todo é sério, mas que está se precavendo de qualquer forma, assim como todos deveriam estar. Nem tudo é secreto ou sobre competição às vezes.
Agora Declan cruzava os braços atrás da cabeça, os músculos saltando conforme retesavam e esticava. Espreguiçava com se não pudesse morrer na corrida seguinte. Nem um pouco preocupado com a facilidade que criava teorias da conspiração e que poderia (e seria) interpretado errado caso caísse nos ouvidos não tão certos. "Mas é tão normal pensar nessas coisas. Tentar encontrar uma explicação para tudo. Porque ninguém parece ir pra frente com nada, sem pistas nem- Só fazem abafar. É um desserviço completo." Bocejou. Sim, bocejou mesmo. O cansaço não chegando realmente, mas já cobrando um preço pelo calor excessivo do próprio corpo. Pavlova abraçou os joelhos, os ombros encolhendo levemente em resposta. "Minha Relações Públicas me pede... Se eu já tenho essas paranoias criando sozinhas na cabeça, ela é muito mais. E o que rolou na minha última corrida, uma década atrás, me fez ter cuidado com perguntas assim. Na próxima eu melhoro." Fez barulho quando bateu as mãos nas calças, limpando a sujeira antes de...
"Vou aproveitar e terminar meu treino na academia. A gente se vê, Sascha."
"...Esqueça o que eu disse, já me arrependi. Senhor Pavlova está de bom tamanho pra você." Meio brincando e meio sério, Kim quis desviar de assunto ao perceber que havia deixado o honorífico sair. Costume, talvez, olhos rolando nas órbitas ao sentir o ego do outro corredor aumentando, mesmo a distância. "Há uma equipe de engenheiros revisando os carros a todo o momento, e confio que a McLaren não deixará algo assim passar tão fácil." Pelo menos, no meu carro, pensou, anotando mentalmente para pedir uma última revisão antes da corrida no domingo. Retirando o celular do bolso, abriu a tela dos jogos a procura do que mais lhe interessava, esticando-se no sofá, nem um pouco a fim de sair dali. "Você não tem umas fotos pra fazer? Acho que a equipe de RP deve estar a sua procura, até ouvi chamarem seu nome lá fora."
"Você pode ter se arrependido, mas eu levarei por um bom tempo. Só não tatuo porque meu corpo é um templo." Desprovido de qualquer marca feita intencionalmente, Declan acumulava apenas cicatrizes. E estas eram tão bem cuidados que rastro eram basicamente charmes escolhidos por si, Agora, voltando ao assunto, o corredor da Ferrari tinha suas razões para insistir. "Não sei, hoobae, algo me diz que vamos nos cruzar bastante; e não só por estar entre os 20." Prolongou o olhar esperançoso, esperando ter acertado (mesmo estando orgulhoso demais de que tinha feito o certo). "Se fosse fácil de resolver, esse boato tinha morrido no mesmo dia que foi criado. Todo mundo estaria fazendo piada e gracinha, como ameaçar criança com o bicho-papão. Me diz aí quem tem essa leveza quando fala desse assunto? Exato, ninguém." Um dos assistentes de sue engenheire fazia o sinal da cruz toda vez que Declan trazia o assunto à tona. "Apesar de amar estender uma companhia, consigo perceber quando não sou bem-vindo mais. Bom joguinho, Dae. Vou atrás do fantasma que me chamou."
"Cuidado aí... Não quero perder um adversário tão bom logo no início. Seria uma pena."
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A excitação que mesclava-se ao nervosismo frente à primeira corrida do ano era responsável por uma euforia de quê singular, causando a agitação palpável que pairava sobre o paddock. Não era de se estranhar, então, que estivessem todos concentrados em seus próprios objetivos. Na vitória do dia seguinte. No entanto, nem mesmo o fim do mundo seria capaz de atenuar o magnetismo resultante da presença do Pavlova - um que parecia atrair a Alonso mesmo que de maneira involuntária. O choque de seus corpos trouxe uma sensação familiar, um calor semelhante àquele experimentado nas praias caribenhas, onde as estrelas haviam sido testemunhas de uma paixão arrebatadora. Uma que, agora, parecia parte de uma realidade distante, intangível. "Sim, conheço a sensação." Ela respondeu com o olhar sobre o dele, a respiração entrecortada como reflexo à proximidade. A morena pigarreou, a postura endireitada mesmo que não tivesse sido capaz de aumentar a distância entre eles, não quando ela parecia-lhe tão reconfortante. "Ansioso por sua volta, senhor McCarthy? Se bem me recordo de seus dias nas pistas, posso presumir que fará de tudo para dificultar minha vida, hum?" Ela exibiu um sorrisinho, não escondendo o quanto estava ansiosa pelo desafio.
Relembre. Declan concentrou na respiração tudo o que precisava para não sair completamente da linha. Suas mãos indo para trás das costas, os dedos fechando ao redor do pulso cujo punho fechava e ficava branco de esforço. Memória de longos e grossos cabelos enrolados, de um arco belíssimo da coluna feminina. Lambeu os lábios, assentindo como quem não tinha culpa. Nenhuma além do som ecoando, fantasma, nos ouvidos que o sangue corria com força. De trilhar um caminho sobre a pele delicada do pescoço e segurar suas mãos acima da cabeça. "Se for tão boa quanto clama, senhorita Alonso, eu não serei nada além de um aborrecimento que deveria estar aposentado." Começou expondo um lado da realidade, daquele que todo mundo parecia pensar - e nunca colocando para fora. Declan tinha um relações públicas perfeito nesse caso, usando toda a personalidade orgulhosa e magnética do piloto dourado da Ferrari ao seu favor. Uma pena que ele tinha que se interessar por alguém que não devia. "Mas, para seu azar, não vim aqui apenas para sentir que estou de volta. Eu voltei para ganhar, Rosalía, e que surpresa... Quanta surpresa..." A mão saiu da restrição para dentro do paletó, um envelope pequeno e escuro tirado e estendido para a mulher. "Uma surpresa ter conseguido um quarto no hotel do lado da pista, sem associação alguma ao meu nome." A pele da nuca arrepiou, o disfarce no pentear dos cachos para longe do rosto. De descer os dedos pela lateral da mandíbula e passar o polegar sobre o lábio inferior. "Quer tentar uma vantagem para seu time? Me cansando a noite toda e prejudicando meu desempenho amanhã?"
Alec ficou quieto até Declan terminar de falar. O cenho estava franzido e ele não conseguia identificar se o mais velho falava num tom de acusação, brincadeira ou empatia. ❝Eu tive o mesmo problema❞ ele resolveu seguir, encostando-se na parede próxima de si. ❝E porque todo mundo olha para a minha cara e fala de aposentadora?❞ foi uma pergunta retórica, que internamente estava lhe tirando dos nervos. ❝Ok, sabemos que isso foi provavelmente sabotagem. Vão fazer uma denuncia formal? Porque parece que outra equipe tentou fazer isso na pré-temporada e só abafaram o caso. Estamos num incêndio e a FIA vem com um copo de 200ml de gelo❞ ele revirou os olhos, enquanto suspirava.
"Eu não sei?? Sério, falo isso com o meu coração aberto. E eu ouvi tanto isso que acabei internalizando. Me perdoa." Declan tinha 6 anos a mais e nunca tinha ouvido uma coisa dessas. Devia ser algo relacionado a não aparentar a idade, principalmente quando passava a navalha e tirava todos os pêlos do rosto. Ou porque tinha muito ainda para dar? "Ok, façamos a denúncia formal. E? Não tem para onde ir. A primeira denúncia abafada serviu de recado do que vai acontecer. Feito matar a gangue e deixar um integrante vivo para espalhar a história. E vai cair no que Dae ficou brincando: não vai usar a sabotagem para uma perfomance ruim." Pavlova encolheu os ombros, os dentes já mastigando o lado de dentro das bochechas, pensativo. "Essas sabotagens parecem trabalhar na linha que divide com a fatalidade. E sem suspeitos, sem nada? Esses caras são bons." Revirou os olhos, o sorriso brilhante voltando a aparecer. "Um copo? Melhor uns cubinhos. Mas uma sabotadinha não vai fazer você desistir, vai?"
— Não sei sobre vingança — começou a responder, repassando em sua mente todas as pessoas que de alguma forma haviam sido apontadas com possíveis sabotadores. — Esse é um grid muito balanceado, grande parte já teve muito sucesso na categoria, outra parte está começando agora, não sei se vingança é seria o motivo, mas as outras opções fazem sentido — Sascha terminou de comer o sanduíche que segurava e pegou outro do prato antes de continuar a falar: — Está havendo protestos sobre a mudança climática em outras categorias, pode ser algo nesse sentido, ou alguma equipe querendo fazer seus pilotos ganharem a força, não sei. Só sei que prefiro acreditar que tudo é mentira e que meus sanduíches estão a salvo porque não quero me preocupar mais do que o normal com o que eu tô comendo — finalizou, mostrando o pão recheado para ele. — O que a Ferrari está pensando disso tudo?
Declan sentiu a lâmpada brilhar com força sobre a cabeça, com aquela nova possibilidade abrindo sem querer. Ele nunca teria pensado nisso sozinho, de tão distraído que estava com as próprias batalhas, mas... Vendo assim. Estalou os dedos, chamando atenção. "Pode ser esse 'balanceamento'. Eu entro na categoria de 'o excelente campeão a casa torna'. Pode ser um aviso de que eu já tive minha chance de brilhar, deixar para os outros. Nem faz sentido isso de preservação climática. Cada equipe compensa com os gastos carbônicos, não? Bom, é o que minha empresa faz em troca da minha participação da Ferrari." Já fazia isso antes mesmo de voltar às pistas. Sua pegada 'ecológica' era quase tão desenvolvida quanto a eletrônica/tecnológica (ramo da empresa). "Mas para acalmar seu pobre estômago, não acredito que nós sejamos os alvos. Teorias são criadas, mas a máquina humana não está em questão. Não teria graça envenenar, não quando é tão satisfatório provocar o caos com detalhes microscópicos na engenharia. Claro, isso pensando como os sabotadores." Declan coçou o queixo, o barulho dos pelos nas unhas um calmante incrível. "O que pode ser feito, está, e não posso falar mais nada. Assim como, seu eu fizesse a mesma pergunta, você não me diria nada concreto."
onde? vitória ainda na cabeça
felizardo? @tifosifever
Declan sequer precisava recorrer aos reflexos para saber de quem pertencia aquela cabeça. Tudo bem que só ele vestia aquelas roupas, ou tinha claramente uma mochila com o símbolo da Ferrari no canto... O importante era que sabia, tão bem quanto era informado na corrida. "Ziiiiiiiiiggy, meu chapa." Chegou por trás já colocando as mãos nos ombros alheio, apertando e batendo e sacudindo o colega de equipe. "Olha isso aqui! É um globo de neve comigo. Eu, miniatura, dentro de um globo de neve. Não é incrível?" Tinha seu nome na base e uma mensagem bem indiscreta da fã embaixo. Ele tinha lido? Ainda não. "Pedi para fazerem um pra você também, porque você foi incrível também. Um pouquinho de cuidado nas curvas e a próxima vai ser sua."
Ocasião: mais uma na conta do Declan (GP da Itália)
Vítima: @audreydrake
E a música não saía de seus lábios, não largava da sua mente. Um ciclo infinito que perdurava no topor de uma vitória inacreditável. Sim, ele tinha confiança no próprio talento. Sim, ele estava ali para dar o melhor de si. Mas vencer? Daquele jeito? Depois de ter ficado em décimo na última? Declan sorriu para o mundo, para si mesmo, rindo para a montanha-russa que era sua vida. Com um aceno de cabeça, uma mesura exagerada, ele agradeceu os entrevistadores e se afastou - porque, até pra esse meninão, um limite tinha alcançado. E, convenhamos, era infinitamente melhor o que fazia agora na sua relações públicas favorita.
"O que acha disso para uma volta às pistas, hum? Mais uma e eu digo o que vai vestir na próxima conferência?"
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Com a recusa de Declan, Sascha repousou o prato sobre a mesa, dando de ombros levemente enquanto seu olhar ia para onde o homem apontava. O piloto da Ferrari tinha uma montanha particular de comida também, então fazia sentido não aceitar um dos sanduíches que Sascha lhe oferecia, mas ao continuar a falar, Declan colocou na mente do alemão uma possibilidade que ele não pensara antes, uma vez que estava descartando qualquer chance das sabotagens serem algo real. — Acha que alguém iria tão longe a ponto de sabotar a nossa própria comida? — perguntou, o olhar indo de Declan para o sanduíche em sua mão. — Acredita nesses rumores?
Declan encolheu os ombros, as mãos levantadas completando toda a representação física de 'quem sabe?'. "Para quem sabota carros, pilotos é só um passo natural." Pegou um sanduíche da própria pilha, os pedaços partidos de tal jeito que poderia enfiar um completamente na boca. E, infelizmente, ainda poder falar. P.S.: o Pavlova é educadíssimo, o melhor da família, mas pós treinos, meu querido, ele ligava mais para se saciar do que dar um show de etiqueta. "Sabotar um carro é mais difícil para equipes que estão sempre checando e atualizando. Deixa uma vaga muito pequena para alterar sem que seja notado. E, dependendo, nem é tão fatal assim." Outro mini sanduiche é colocado na boca quando o primeiro é engolido. "Se houver verdade nesses rumores, a melhor maneira de descobrir quem é seria entender os objetivos. Acabar com as corridas? Favorecer um corredor? Vingança pessoal discreta?"
Kim ergueu uma sobrancelha discretamente, observando a rápida mudança do corredor mais velho, quase impressionado com a substituição da extravagância ao falar sobre a paixão pelas pistas. "Não fale de morte, ainda tem muito a ver, sunbae. Nem todos merecem morrer como Senna, no seu auge." Foi sincero, apoiando os cotovelos nas coxas, balançando a cabeça em negativa. "Qual a graça de partir agora se ainda não tive oportunidade de ganhar de você?" Brincou, antes de se pôr em silêncio. Primeiro, avaliando a possibilidade de Declan estar mentindo, em busca de tirar alguma informação (ou comprovação) sobre seu carro. E a segunda, sobre a como parecia ser o único a dar pouca fé a esses boatos. "...Senti a embreagem solta, no treino dessa manhã. Creio que deve ser algo que a equipe deixou passar, não vai comprometer o desempenho pra classificação. Quer dizer que já chegaram a Ferrari? Realmente impressionante."
"Eu sei disso, mas é um esporte de risco. Não fecho os olhos para os detalhes, da probabilidade. A diferença é que não me deixo abalar." E quando aquela conversa virou um coach de vida, Declan ficaria devendo uma explicação. "A graça de não viver cada dia com medo? De se privar pela incerteza do dia seguinte? E... Droga, passei um tempo na Coréia e sabia todos os honoríficos. Eu estou na sua bucket list? Mas que honra!" E morreu, segurou a linha. Mesmo sabendo que era brincadeira, o orgulho falava mais alto. Ser meta a ser batida! O recostar ficou ainda mais expansivo, a aura emitindo todos os raios de seu sol interno (multiplicado por mil!). "Chegou a muito mais gente, mas não vou dar nomes. Se você souber ou que eu sei que você sabe... Se bem que, você não acredita, certo? Então tudo não passa de... É. Chegou na Ferrari." Levou a mão ao queixo, coçando a barba por fazer - seu charme. "Mas vai tudo se resolver. O meu e o seu carro. Os outros, incluindo os nossos. Que vence o melhor, não é?" Confidenciando, a voz bem mais baixa. "Só falta você vencer as entrevistas..."
Tadashi sempre foi um garoto bem calado, e agora nesses dias frios de novembro estava bem mais encontrava-se mais calado encolhido em seus casacos grandes da scuderia pela qual corria. Ele observava seu colega e a equipe da AlfaTauri conversando sobre estratégias de uma nova corrida, ele não participava da corrida, permanecia olhando de longe e sentado em uma cadeira olhando as proximidades da pista que iriam correr, vendo alguns outros corredores conversar. Ser antissocial acabava com o pequeno Hamada, mesmo que ele tentasse ser colega de alguém no fim sempre se sentia mais distante de todo mundo ali. Embora ainda tivessem aquela rixa sedenta pelo pódio, alguns ali ainda se davam bem e eram até colegas fora daquele mundo competitivo.
Ele foi pego desprevenido quando sentiu as mãos sobre seus ombros, muse que era um dos colegas que frequentemente tentava se aproximar de Hamada, estava ali observando a pista com ele.
— É estranho olhar assim, parece que todo mundo é amigo muito próximo. — Ele soltou em um pequeno murmúrio olhando para muse que estava ali, esperando a resposta.
Não era pelo passado nos Paddocks alheios que Declan se envolvia com o mais novo da família. Tampouco se baseava exclusivamente pela admiração do pai nos tempos de corrida. Quer dizer, sendo bem sincero, foi o que colocou no caminho, mas não o que o manteve ali. "É o fenômeno do nervosismo e ansiedade pré-prova assistido por várias câmeras ocultas. Ninguém quer ser mal visto e dá pra sentir que estão todos no mesmo estado de espírito." Declan soltou-o depois de um apertão mais forte, ainda no espectro carinhoso. Forte, sim; grosseiro, nunca! "E pelo que eu senti desses dois tijolos nos ombros, você não está diferente. Clama, Hamada, vai dar tudo certo." A confiança do Pavlova era tão absurda que nem ele acreditava 100%. Ele era capaz de rir sozinho, unicamente pela tranquilidade e euforia (de estar de volta Às pistas).
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"O mesmo destino que o tirou o trouxe de volta? Impressionante. Muitos que se aposentam seguem para outras modalidades, é difícil ficar parado, não é?" Concluiu, mesmo que no fundo se identificasse. Dae merecia um prêmio por passar tanto tempo sem revirar os olhos, sério. "Diria que é o destino, I suppose. Sorte, também." Completou, baixinho, olhando a movimentação da sala em busca da própria equipe, se perguntando se Mateo já havia sido entrevistado. "Essas sabotagens não devem passar de boatos, coisa pequena. Ninguém provou nada, então não vai dar pra culpar qualquer baixo desempenho por isso, creio eu. Por outro lado... É estranho isso começar a acontecer logo agora. Pegou uma temporada bem agitada para voltar, Declan."
Declan fez uma careta engraçada, a cabeça indo de um lado para o outro como se pesasse as opções. "Não é bem assim, mas não tenho outro jeito de explicar melhor. O destino juntou o útil ao incrível e esqueceu que tinha outras obrigações no caminho." Juntou as mãos no colo, os dedos girando ao redor de si. Sem querer, quando falava do passado, os ombros relaxavam... Ele ficava mais sossegado. "Fui tricampeão numa época que eu deveria apenas ser um rostinho conhecido. Meu pai não esperava que eu fosse me dedicar tanto para algo de fachada, e que eu fosse ser tão bom." Desprovido do orgulho poderoso, McCarthy sorriu com suavidade. "É bom estar de volta, mesmo na emoção de morrer na minha quinta curva." E num piscar de olhos, dedos estalados em silêncio, o piloto da Ferrari voltou para a persona carismática. "Eu era do seu time também, de que não passava de desculpinha muito fácil para usar. Só que aconteceu comigo. Ou eu acho que sim. Minha equipe está testando alguns componentes, tirando essa suspeita a limpo." Voltou o rosto para o mais novo, curiosidade fazendo-o arquear a sobrancelha. "Seu carro não apresentou nenhum som curioso?"