Ele era apenas um ser que ninguém entendia. Isso não só pelos seus costumes estranhos ou até mesmo bizarros, mas sim porque não falava a mesma língua que os demais, ou melhor, ele nem falava.
Ele vivia em uma cabana afastada da cidade, não dentro da floresta, mas isolado. Entre duas palmeiras ficava sua cabana. E ele? Bem, ele era até normal, só que ninguém o entendia.
Ninguém chegava perto dele, não por medo, pelo menos não nosso, ele se afastava toda vez que alguém se aproximava. Ninguém entendia o por quê disso.
Certa vez uma mulher tentou se aproximar dele. "Eu vou provar pra vocês que ele fala, é que ele pode sim viver com a gente", esse foi o discurso dela, meio tempo depois já estava encarando o estranho sem nome, até que decidiu ir até ele, o estranho ficou assustado claro, e correu para a cabana, ela também fez isso é entrou na mini casa, lá viu o homem de perto, ficou examinando-o feito um leão que observa a sua presa, então ela disse algumas palavras, mas ele não demonstrava nenhuma reação, ela tentou de novo fracassando novamente, ficou tentando por alguns minutos até desistir. No outro dia fez a mesma coisa, dessa vez o homem não se assustou por completo, já sabia quem era a mulher. Desta vez conseguiu comunicação, mas sem o som da voz, apenas gestos. Ele apontava pro chão, para o céu, fazia caretas, tudo para tentar se comunicar. No terceiro dia a mulher retornou a cabana, dessa vez escutou a voz do estranho. Era uma voz normal, suas palavras saiam atropeladas umas nas outras, a palavras estavam sendo postas no papel mas não na ordem correta, a mulher viu o desespero nos olhos dele é fez um gesto com a mão para acalma-lo, assim a fera se sossegou. "Tente falar comigo, vamos fazer isso com calma". O homem ficou parado enquanto a mulher respirava fundo, "vamos, tente", então é se pôs a falar, dessa vez de forma mais tranquila, as vezes até demais. Após 1 hora de comunicação a mulher simplismente se levantou e saiu sem dar satisfação, não porque não queria mais aquilo, a razão ninguém nunca vai saber.
Os dias se passaram e o estranho ficou mais fechado ainda, dessa vez vez moveu sua cabana para mais dentro da floresta.
O próximo a tentar foi um homem, com este o estranho se abriu mais rápido do que com a mulher, porém demostrava estar mais frágil, por exemplo, suas mãos ficavam tremendo a presença deles, sua visão ficou mais difícil, não míope mas mais difícil, e sua voz mais fraca. O homem tentou fazer o mesmo feito da mulher, ficou indo na casa do estranho por pelo menos duas semanas, até não ir mais. Quando o homem notou que ele não iria voltar a sua cabana, colocou fogo neste e fugiu para mata adentro.
O fogo consumiu apenas a cabana e não houve estragos na floresta, já ele não.
Desta vez estava na tentativa de ser visto por ninguém, construiu uma cabana rente a uma caverna, as paredes eram as paredes, tampou as entradas e camuflou a cabana.
Como desejava, ninguém chegou perto dele. A cidade já o cosiderava uma lenda, pois não o encontravam. Então viveu assim até o dia da sua morte.
No dia da sua morte era pra ser o melhor dia de sua vida. Ele estava procurando comida, então acha um grupo de jovens ao acaso, e foge, porém os jovens são rápidos também é conseguem para-lo. Eles tentam conversar com o estranho que havia se tornado uma lenda, ele assustado não falou nada, porém depois cedeu e conversou com eles. O grupo sentado em círculo e ele um pouco afastado, tempo se passou e ele já conversava como um velho amigo. Até que ele teve que partir, se levantou e andou em direção a floresta é durante esse trajeto foi acertado por uma bala na cabeça, atravessando este sem piedade, caiu morto e sem a consciência de o que haveria de acontecer. Foi um caçador, é a bala não era pra ele, morreu por engano.
Com a sua morte morreu a lembrança dele na mente de qualquer um que fosse, quem o conhecesse teria isso apagado da memória, como se a existência dele não houvesse ocorrido. Porém seu corpo era a prova disso, sua existência havia ocorrido.
O estranho, no caso eu, morreu sem falar uma palavra íntima, morreu sem falar um "eu te amo", morreu sem conseguir se comunicar com alguém, morreu sozinho e esquecido, morreu sem experimentar as coisas mais inúteis da vida.