O estigma social da solidão
Oh, conta-fake-do-chance-the-rapper como eu te adoro.
Tradução: Chance: Eu formalmente apoio esta página falsa.
Twitter falso: Tudo bem cancelar planos para ler. Tudo bem faltar uma festa por causa da academia. Tudo bem ficar em casa para cozinhar. Vamos encorajar isto e respeitar o desenvolvimento pessoal.
Eu amo ficar sozinha.
Isso soa triste quando escrito?
Soa.
Mas não é.
Na noite passada eu estava ouvindo um podcast sobre um estudante tendo problemas em “ser normal” e participar da vida noturna de sua faculdade, e de repente eu tive flashbacks da alienação que eu tinha nos meus 20. Eu enfrentei problemas para socializar da mesma forma que o resto do meu grupo de pares tinha e eu não tinha ideia do porquê.
Até eu ler o livro da Susan Cain, “Quieto”, eu nunca pensei em nada sobre introversão. Baseado no que eu lia na mídia popular, extrovertidas eram as pessoas legais e festeiras, enquanto os introvertidos eram os tímidos esquisitos. Eu não me identificava como introvertida - eu era animada e falante- mas eu gostava de passar horas sozinha. Contudo, eu queria ser uma borboleta social, com muitos amigos, batendo minhas asas por toda a cidade. Quem queria ser uma solitária? Ninguém. Quem era uma solitária? Eu.
Eu escondi meu amor pela solidão por muito tempo, o que, hilariantemente, me fez mais estranha e antissocial. Eu me sentia culpada por recusar convites para socializar (como se minha ausência fosse impedir alguém de se divertir). E a sociedade não encorajava a solidão – ela parecia anti-humana e anti-comunidade -, logo, eu pensava com frequência “que porra ta acontecendo comigo?” Mas como Susan Cain observou: “ Introversão não é sobre ser antissocial, é sobre ser diferente socialmente”. Ela afirma que “ Introvertidos preferem lugares com pouco estimulo do ambiente, enquanto extrovertidos precisam de altos níveis de estimulo para atingirem seu pico de bem estar”. Ler o livro dela fez eu me sentir menos estranha, e menos sozinha. Eu percebi que todos os comportamentos que eu me sentia estranha por ter estavam na verdade conectados em preservar e gerar energia de uma forma diferente da dos extrovertidos. Isso me ajudou a modificar a forma que eu estruturava minha vida social e profissional
Meus velhos padrões de socialização
Encontrar um amigo para jantar uma vez na semana;
Ter um enorme surto de raiva a cada 2 semanas porque eu de repente percebia que “ Oh, como eu sou sozinha, preciso de contato com outros humanos para eu me sentir mais humana”;
Consumir grandes quantidades de vodka;
Provavelmente ficar doente quando ficar em casa porque eu não sabia nada sobre moderação;
Passar o dia seguinte me sentindo exaltada e muito aliviada que eu, Marina Diamandis, tinha sobrevivido a um evento social e poderia voltar ao negócio de ficar sozinha.
(Como vocês podem imaginar, estou bem aliviada dessa não ser mais minha vida).
Eu não acredito que nós somos 100% introvertidos ou extrovertidos. Acredito que compartilhamos traços de ambos os lados do espectro. Mas a forma como cada um de nós ganha energia é o significante. Extrovertidos ganham energia por estar com outras pessoas, enquanto introvertidos a recarregam quando estão sozinhos. De acordo com a teoria Psicofísica de Eysenck, introvertidos experimentam grandes quantidades de excitação no cérebro, então eles não precisam do mesmo nível de estimulo que os extrovertidos precisam. Segundo pesquisas, 30-50% da população são classificadas como introvertidas, mas porque a sociedade favorece traços de extroversão, a maioria das pessoas ajustam seus comportamentos a isso. A extroversão foi recompensada um pouco na nossa cultura, então talvez haja um balanço saudável do pêndulo. Mesmo assim, ainda parece existir um estigma social, ou curiosidade, sobre a solidão.
Desde que eu tinha 21 anos, eu tenho viajado sozinha várias vezes. Eu nunca me senti estranha por ter um almoço ostentoso sozinha (Mas tenho que assumir que essa confiança foi ganha com dificuldade), e toda vez que eu vejo alguém fazendo algo sozinho, eu penso “Legal!”, mas eu também penso “ corajoso”. A coragem não é por fazer as coisas sozinha, e sim por enfrentar as expectativas sociais que te rondam. Pelo fato das pessoas estarem te olhando, te julgando e tirando decisões precipitadas sobre sua “solidão”. E eu não estou aqui pra dizer “Solidão é tudo!”, porque nem sempre é, mas as vezes viajar sozinho pode te ensinar coisas sobre si mesmo que você nunca aprenderia se viajasse com outros(e vice versa).
Eu estava um pouco nervosa em escrever sobre esse assunto, eu imaginava as pessoas dizendo “Mas você não é introvertida, você é uma performer. E uma performer muito falante e energética.” Ao que eu responderia “ Sim. Mas eu passo grande parte do meu tempo recarregando minhas energias no meu quarto de hotel sozinha. Além disso – você já ouviu minha musica “Solitaire”?!”. Se tem alguma mensagem nesse post, é a de que você deve seguir o seu fluxo de suas tendências naturais ao invés de resisti-las por causa das expectativas sociais. Se eu soubesse mais sobre introversão quando eu tinha meus 20, eu teria me poupado de uma angustia desnecessária. Às vezes festas são exatamente o que precisamos, outras vezes, uma noite sozinha tem mais valor.
Com o passar dos anos eu tenho tentado encontrar alguma razão profunda e escura para esse “não natural” traço de caráter, mas agora estou feliz em dizer que não existe uma razão. A única razão que consigo achar é uma atitude impregnada na sociedade que classifica a solidão como estranha, triste e sozinha. Para qualquer um que esteja lendo isso e passe por coisas do tipo, apenas saiba que existem muitas outras pessoas que sentem o mesmo que você. Somos todos diferentes – e deixem-me agradecer a Deus pelos meus amigos extrovertidos que me apresentam a novas pessoas, pois sem eles eu nunca conheceria ninguém. Além disso, alguém precisa configurar uma "Sociedade Introvertida" para chorar em voz alta! As reuniões podem ser realizadas uma vez por ano (máximo. Via Skype. Da segurança de nossos quartos).
Com amor, Marina.












