missão: contenção de surtos de monstros
local: sicília, itália com @cvpidsarrov; @rxckbellz & @damnh
( ☾ ) —— Uma profecia. Os Deuses haviam enviado uma profecia. Um peso havia recaído sobre os ombros da filha de Trívia assim que o áugur se calou, caindo desacordado em seguida. O choque inicial a deixou tensa, contudo, não podia ficar parada. Assim que os seus legionários começaram a se desesperar, Miranda elevou a voz para chamar a atenção, tranquilizando-os depois. E então veio o som, perfurando a sua mente. Ela deveria ser mais resistente a ataques daquele tipo, por que sentia tanta dor? E então, a ficha caiu.
A profecia não era sobre os seus legionários. A profecia era sobre ela mesma.
Tentou não se deixar abalar sobre isso, ajeitando a postura e continuando a dar ordens como se não estivesse sentindo medo do que iria acontecer. Ajeitou o máximo de coisas possíveis para os centuriões temporários e fez a sua mala, carregando somente o essencial. A Névoa carregada ao redor do avião era a coisa mais próxima de familiaridade que tinha durante a viagem, tirando os próprios amigos. Estar há tantos mil pés de altura não era o tipo de atividade que ela queria fazer, mas não tinha como pular aquela parte.
Agora, Miranda encarava os semideuses que lhe foram designados, observando seus rostos com seriedade. —— Ela me conhece, mas eu não sei se vocês já me viram antes. —— Apontou para Nieve, a filha de Cupido da Coorte IV que era colada no praetor como se fossem irmãos. —— Eu sou Miranda Gray, centuriã da Primeira Coorte, filha de Trívia. Liderarei vocês para conter os surtos nos próximos dias. —— Ela falou com segurança e serenidade, como se já tivesse feito isso anteriormente. Talvez, mas não se lembrava. —— A nossa tarefa é reforçar a segurança das fendas, subjugar os monstros que saírem até elas se fecharem. Seremos a última defesa entre o exército de Tártaro e o mundo mortal. —— Aquilo não era uma simples patrulha e estava longe de ser uma brincadeira. —— Não sabemos quantos monstros aparecerão, mas eu irei dar os primeiros golpes. Se mantenham à salvo e protejam seus companheiros o melhor que puderem. Estou aqui para responder as perguntas antes de partir para conflito, então… Essa é a hora.
Nieve não poderia estar mais confusa. Ela, escolhida de uma profecia? Tinham certeza que o áugure não havia cometido um erro? Entendia o motivo para o restante ter recebido o chamado: eram praetores, centuriões, legionários valentes e bem respeitados, todos dignos do perigo e heroísmo que aquela missão prometia, mas se Nieve havia saído (em boa parte) ilesa do ataque em sua última patrulha fora por estar na companhia de Nate e Cédric. Como infernos esperavam que ela lutasse contra hordas de monstros saindo da fenda de Sicília? E era apenas segunda-feira!
No entanto, a filha de Cupido também ouvira o chamado e, na manhã seguinte, embarcara em um avião com o restante dos semideuses convocados, com o máximo de poções que conseguira estocar e todas as flechas de bronze celestial que tinha guardadas. Ao menos tinha suas asas agora. Uma pena que não podia usá-las para voar para bem longe de seus problemas.
Ao fim da tarde, ela se reuniu com o grupo ao qual fora designada, composto pela centuriã da Coorte I (sem surpresas, tomando o lugar de líder) e dois campistas gregos. Nieve não deixou de reparar na garota, mas não ousou falar alguma coisa — se sobrevivesse àquela batalha, presentearia a si mesma com uma estadia de uma semana no Acampamento Meio-Sangue, tempo mais que suficiente para flertar e se divertir como quisesse. Ela concordou com a cabeça quando Miranda a indicou e permaneceu em silêncio enquanto a filha de Trívia discursava, com os ombros para trás e o queixo erguido, uma postura excepcionalmente incomum para a garota. Então, quando Miranda mencionou perguntas, Nieve olhou para os outros dois, esperando por suas reações. Ela não possuía nada a perguntar — talvez apenas colocar o desespero para fora antes de enfrentar seu fim iminente.
“Eu sou a Nieve, aliás.” Anunciou ela, com um pequeno sorriso e um aceno de mão.
sendo bem honesto, gilbert estava até calmo durante toda a coisa com o oráculo e tal, porque no fundo ele estava pensando “que bom que esse b.o não é meu”. ele só teria que acalmar uma galera, dar uma organizada no chalé e partilhar umas boas palavras de encorajamento para os coitados escolhidos para lidar com toda essa grande palhaçada. o problema é que ele acabou sendo um dos coitados, logo, o b.o agora era seu sim. quando o som agudo invadiu sua mente e a ficha caiu ele fez o que qualquer líder de chalé de respeito faria: entrou em pânico. aquilo só podia ser uma piada de mau gosto. ele, escolhido para cumprir a vontade dos deuses? era um evento de fazer rir de fato. entretanto, o filho de hermes teria de ir com os outros semideuses, gostando ou não.
após despedir-se de seus amigos e designar um substituto para comandar o chalé de número 11, o rapaz se resignou e terminou de arrumar sua mochila, finalmente partindo para a missão. verdade seja dita, ele estava muito aliviado por, pelo menos, não ser um dos líderes de grupo. era ainda mais reconfortante saber que não seriam os primeiros, significava que teria mais tempo para pensar em uma estratégia. por outro lado, não significava que estaria livre do medo. a quem queria enganar? gilbert era a pessoa mais medrosa que ele conhecia. mesmo que ainda não estivessem em batalha, ou sequer discutindo o possível combate, se olhassem com cuidado, era possível notar que ele estava tremendo que nem um pinscher.
ao ver miranda entrar, um calafrio percorreu a espinha do grego, não sabia dizer se a sensação havia sido causada simplesmente pelo ar de seriedade intensa da centuriã ou por outra coisa em seu comportamento. não importava muito, o fato era que no estado em que se encontrava, ela também o assustava. contudo, por mais que estivesse evitando contato visual, quando a ouviu falar sobre a conhecerem, o rapaz arriscou uma olhadela em seu rosto e constatou que ela era uma das campistas do júpiter que haviam visitado o meio-sangue durante o fim de semana. isso, no entanto, era tudo o que sabia sobre a filha de trívia, até ouvi-la se apresentar.
verdade seja dita, gil não tinha muitas perguntas a fazer exceto… “ a gente tem algum plano?” ele perguntou, sem tentar esconder a voz falhada de medo. “além do que você já disse.” proteger uns aos outros enquanto salvava a própria pele era sua especialidade e ele era bom com improvisos, então não era exatamente um desígnio difícil, porém, ela não era romana? não devia ter uma estratégia ou algo mais elaborado assim? “não que eu tenha algum problema com o que você sugeriu. é só pra… checar.” soltou uma risadinha nervosa. “eu sou o gilbert, inclusive. gilbert rockbell… ou gil… ou bebeto... você escolhe. enfim, sou filho de hermes.” e lá estava a tagarelice, sempre aparecia quando estava nervoso.