BOOBOO STEWART? Não! É apenas GILBERT ROCKBELL, ele é filho de HERMES e CONSELHEIRO do chalé ONZE e tem VINTE E SEIS anos. A TV Hefesto informa no guia de programação que ele está no NÍVEL III por estar no acampamento há DEZOITO ANOS, sabia? E se lá estiver certo, GIL é bastante ESPIRITUOSO, mas também dizem que ele é TRAPACEIRO. Mas você sabe como Hefesto é, sempre inventando fake news pra atrair audiência.
ɪ. 𝔭𝔬𝔡𝔢𝔯𝔢𝔰 —
Prestidigitação — Gilbert é capaz de produzir pequenos efeitos mágicos e inofensivos, em outras palavras, ele executa truques ilusórios. Algo que um mágico de rua ou um ladrão — ou um vigarista — seria capaz de fazer, porém, um pouco mais palpável. Dentro de um alcance de três metros, Gil pode criar efeitos sensoriais inofensivos, acender ou apagar instantaneamente pequenas fontes de fogo, projetar cores e símbolos em superfícies de objetos, limpar ou sujar um objeto e até criar uma imagem ilusória que cabe em sua mão. Definitivamente, não é uma habilidade muito útil em combate, visto que todos os efeitos são inofensivos e o alcance é curto, mas, para um trapaceiro como ele, o semideus certamente encontra usos interessantes para ela.
Percepção Ilusória [ habilidade passiva ] — Gilbert adquiriu a capacidade de ver através de ilusões, para ele é muito mais fácil identificar quando um efeito ou ação foram causados por magia ou criados a partir da manipulação da névoa. Assim, ele pode ver através de disfarces de monstros com maior facilidade, além disso, criaturas que utilizam manipulação de névoa possuem dificuldade para aplicar o efeito nele. Contudo, criaturas consideravelmente mais poderosas do que ele são capazes de ultrapassar suas resistências e fazê-lo cair em ilusões; nesse caso, o semideus ainda terá certa vantagem para ver através do que é falso, mas precisará se concentrar muito mais e gastar mais energia.
ɪɪ. 𝔥𝔞𝔟𝔦𝔩𝔦𝔡𝔞𝔡𝔢𝔰 —
Agilidade sobre-humana e velocidade sobre-humana.
ɪɪɪ. 𝔞𝔱𝔦𝔳𝔦𝔡𝔞𝔡𝔢𝔰 —
Conselheiro do Chalé de Hermes, Instrutor de Combate Corpo-a-Corpo e participa da Corrida de Obstáculos no Time Vermelho.
ɪᴠ. 𝔞𝔯𝔪𝔞𝔰 —
Gil tem um conjunto de três adagas de arremesso que retornam para seu cinto uma vez que acertam o alvo. Elas são feitas de bronze celestial, mas cada uma tem um design único, sendo uma delas uma adaga tradicional, a outra uma de lâmina curva e a última com a lâmina serrilhada. Quando precisa sair em missão ou entrar em combate, Gil gosta de mergulhar cada uma em tipos diferentes de venenos. Elas se chamam, respectivamente, Robin Hood, Houdini e Billy The Kid.
ᴠ. 𝔟𝔦𝔬𝔤𝔯𝔞𝔣𝔦𝔞—
— Gilbert nasceu da união de uma magnata de Manhattan, Elinor Rockbell, e o deus Hermes. Ele e sua irmã gêmea, Duncan, foram recebidos com muita alegria pela mulher que, perdidamente apaixonada pelo deus, via aquelas crianças como seus tesouros, fruto de seu amor verdadeiro. Contudo, deuses são ocupados, ainda mais o deus mensageiro. Quando Hermes se foi, Elinor entrou numa depressão profunda. Desenvolvendo um tipo de carência crônica e aversão à solidão, a modelo começou a adotar mais e mais crianças, numa tentativa desesperada de encher a enorme mansão do Upper East Side. Não que ela estivesse em condições emocionais de cuidar de nenhuma delas, porém, para Elinor, como uma mulher influente, era fácil conseguir o que queria. Nessa época, Gil e Duncan já estavam mais crescidos e, por estarem sempre juntos, acabaram atraindo um monstro que os atacou. Sem demora, os gêmeos foram levados ao Acampamento Meio-Sangue com apenas 8 anos de idade.
— O Acampamento Meio-Sangue é o verdadeiro lar de Gilbert, visto que foi lá onde cresceu e aprendeu a cuidar de si mesmo e de seus irmãos. O rapaz ainda faz visitas a Elinor, que, enquanto os gêmeos estavam no Acampamento, adotou um total de dez filhos. Apesar disso, ele não tem muito apego à casa da mãe, por mais que a ame, ou aos irmãos postiços e normalmente prefere passar o ano todo no Acampamento. Não o leve a mal, é só que depois de alguns anos tendo de se virar por conta própria com sua irmã, e com um centauro como a figura mais próxima de um pai, as coisas mudam. Além disso, sua relação com seus irmãos adotivos é estranha, para dizer o mínimo, uma vez que eles se veem uma vez por ano, e isso quando o encontro dá certo. Em resumo, sua relação com os Rockbell é distante, por mais que sua mãe sempre o receba com alegria, um quarto bem arrumado e inúmeros mimos.
— Como um dos membros mais antigos, foi quase natural para Gil eventualmente tornar-se Instrutor de Combate corpo-a-corpo, uma vez que seu poder único não possui caráter combativo, ele precisou aprender a compensar com proeza física. Sua agilidade acentuada contribui para ajudar nas instruções sobre esquiva e furtividade, suas especialidades, além de ele ser um alvo mais difícil de acertar graças à velocidade sobre-humana. Após alguns anos atuando como instrutor, o rapaz genuinamente tomou gosto pela função, e acredita que está no lugar certo ajudando novos semideuses a aprender a se defender e sobreviver. Além disso, devido ao tempo que ele mora no Acampamento e, portanto, aos anos vivendo no Chalé 11, ele não só está acostumado a cuidar de uma tropa de pirralhos, como também aprendeu a lidar com os problemas da maneira mais leve possível. Ele é um rapaz extremamente espirituoso, simpático e generoso, o que o tornaria uma excelente companhia, se não fosse seu problema com pequenos furtos. Gil é um cleptomaníaco com sérios problemas de controle de impulso, de forma que seus bolsos nunca estão vazios, mas, se você souber lidar com os roubos, as piadas completamente desequilibradas e o casual ar de alguém que está prestes a te passar a perna, ele é um bom amigo!
— Gilbert estava no jantar quando Rachel recitou a profecia, visto que raramente deixa o acampamento. O evento, logicamente, o deixou tenso, ainda mais com a subsequente mudança no clima local, fazendo-o imaginar que o que está por vir, o que quer que seja, é extremamente perigoso. Ele espera, genuinamente, que ele e a irmã não sejam convocados para nenhuma missão maluca, afinal, sendo perfeitamente honesto — algo relativamente raro para Gilbert —, ele gosta de viver.
ᴠɪ. 𝔱𝔯𝔦𝔳𝔦𝔞 —
— O estilo de luta de Gilbert se assemelha ao de um ladino, visto que é o mais adequado para ele levando em conta sua descendência divina. O semideus é veloz e talentoso com furtividade e com prestidigitação e opta por um estilo de combate que consiste, basicamente, de “bater e correr”, sendo capaz de danificar seus inimigos substancialmente enquanto evita ataques poderosos.
— Ele usa dos seus conhecimentos de combate furtivo e do seu instinto de sobrevivência aguçado para permear suas lições como instrutor de combate corpo-a-corpo. Gilbert e a irmã complementam as aulas com seus estilos diferentes, mas que se completam.
— Gil tem uma coleção de facas, canivetes e outras coisas pontiagudas que ele pode usar para espetar as pessoas das maneiras mais criativas possíveis, mas são todos itens mundanos, presentes de sua mãe. Seu favorito é um canivete suíço com um par de asas entalhadas na lateral, ele sempre carrega consigo, afinal, é um item muito útil.
— Inclusive, seus bolsos literalmente nunca estão vazios. Normalmente cheios de coisas pequenas que não lhe pertencem. Ele tem o costume de devolver as coisas que rouba... eventualmente.
— Embora seja impulsivo e um trapaceiro de marca maior, Gilbert é muito cuidadoso e responsável com as crianças do acampamento e, principalmente, com aqueles que ficam no Chalé de Hermes. Ele gosta de usar seus truques de prestidigitação para animar e distrair os moleques.
— Gilbert nunca pensou muito além do Acampamento, ou do que gostaria de fazer no mundo mortal, afinal, sua mãe é rica, ele já tem a profissão dos sonhos: herdeiro.
— Ele gosta de skate e seu estilo reflete um pouco isso, usando roupas bem despojadas e puxadas mais para o street em conjunto com as blusas do Acampamento Meio-Sangue.
— É pansexual e isso não é segredo, levando em conta que Gilbert é engual corrimão de quartel: todo mundo já passou a mão. Ele é assim: facinho facinho, afinal, caiu na rede é peixe! Ele gosta de deixar fluir e não quer se prender a compromissos, o que significa que ele sai correndo ao menor sinal de que um rolo possa se tornar sério.
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havia um grupo de semideuses reunidos ao redor da mesa de hermes; não que aquela fosse uma visão incomum, afinal, o chalé 11 acolhia outros semideuses além dos filhos do deus mensageiro, entretanto, àquele ponto do café da manhã, a maior parte dos campistas já teria partido para suas atividades diárias. gilbert, que estava sentado em cima da mesa, parecia estar cativando a atenção de todos com alguma história mirabolante e reunia ao seu redor filhos de diferentes deuses. a maior parte do público era composta por campistas jovens ou novatos, que pareciam genuinamente interessados na história que o filho de hermes tinha a contar e que claramente eram facilmente impressionáveis.
qualquer semideus mais observador que se aproximasse podia entender sem fazer muito esforço que gilbert estava contando vantagem: ele estava se gabando sobre como tinha montado em um touro de cólquida antes de derrotá-lo, como num verdadeiro rodeio mitológico! as palavras do rapaz não eram mentirosas, mas, obviamente, ele estava contando de forma a exaltar o seu feito o máximo possível. ao perceber que MUSE também havia parado para escutar, encarando há algum tempo, o filho de hermes ergueu as sobrancelhas — não acredita? tudo bem, eu não julgo, também duvidaria no seu lugar, mas... — gilbert pausou para tirar de sua mochila um item lustroso e brilhante: um chifre de bronze. — isso é prova suficiente pra você? sem falar nisso tudo aqui, né... — e gesticulou para a dúzia de curativos em seu corpo, muito bem acompanhados por hematomas extensos, provenientes de feridas internas. além disso, um dos braços do rapaz descansava em uma tipoia. — dito isso, eu tenho muitos anos de acampamento, brothers, então não tentem algo semelhante a não ser que estejam muito confiantes... e tenham bons companheiros de equipe, é claro!
Tinha em sua rotina diária um passeio pelo acampamento. Kitty dormia e acordava cedo, não gostava de ficar parada e adorava explorar cada área do acampamento, mesmo que já conhecesse o lugar o bastante após os vinte anos por ali. Parecia sempre ter algo novo a descobrir, uma árvore que mudou de lugar ou alguma pedra diferente. Eram as pequenas coisas que chamavam a atenção da filha de Hades. Gostava especialmente de conferir se o arco-íris estava por ali ou não. Portanto, naquela manhã, Kitty foi até o riacho, passando com cuidado pelas pedras até se distrair com uma borboleta e escorregar no lodo, um dos pés passando direto pela pedra e indo para a água, molhando todo o sapato. Kitty caiu sob uma das pedras, apoiando-se em uma das mãos para não se molhar completamente. Uma situação terrível, claro, mas tudo piorou ao perceber que alguém presente que poderia ter presenciado a sua queda. "Que tal você ser uma pessoa legal e ajudar a me levantar ao invés de ficar olhando?" Resmungou, meio humilhada por alguém ter visto. "Acho que machuquei a minha mão." Ergueu o braço, observando os arranhões banhados de sangue em sua palma.
💀 — 𝐒𝐓𝐀𝐑𝐓𝐄𝐑 𝟐.
💀— 𝐂𝐀𝐌𝐏𝐎 𝐃𝐄 𝐓𝐈𝐑𝐎 𝐀𝐎 𝐀𝐋𝐕𝐎.
Em todos os anos no acampamento, Kitty sempre foi exímia das com as armas, dominando lanças, espadas e adagas com perfeição, sendo expert com o seu machado. Perfeita. Ou quase. O arco e flecha era um desafio que a jovem detestada, porque não conseguia acertar um alvo sequer. Tinha aprendido sobre o peso e o vento, a importância do ângulo dos braços e a maneira de segurar a flecha, mas tudo parecia falho demais quando em suas mãos. Não dava certo! Mas estava tentando ali de novo, com um arco nas mãos na posição exata para acertar o alvo não muito distante. E então disparou, a flecha indo diretamente para... outra direção, quase acerto muse, que passava por ali sem saber que a vida poderia correr riscos. Kitty soltou o arco e colocou a mão na boca, em choque pelo azar e falta de habilidade. Deu alguns passos rápidos em direção a muse, percebendo que estava bem, a flecha fincada em uma árvore próxima. "Ufa, quase que eu te confundi com um alvo." Brincou com um sorriso, um pouco nervosa, dando uma olhadela para a flecha. "Você está bem? Por favor, não me diga que te machuquei, eu vi que a flecha passou de raspão!"
gilbert estava apenas dando uma volta antes de começar suas obrigações como instrutor e conselheiro. especialmente agora, que ainda estava se recuperando dos ferimentos da missão, ele tinha decidido se dar um pouco de folga... mais do que ele já se dava antes, no caso. sua decisão de fazer uma breve caminhada foi muito bem recompensada pela visão da filha de hades escorregando e enfiando o pé na jaca meio que literalmente. o rapaz não se conteve e soltou uma risadona, assim que parou de rir, no entanto, ele assentiu para a semideusa e começou a se aproximar, oferecendo para ela o braço saudável (que não estava apoiado em uma tipoia). quando ela saiu, o filho de hermes fitou os ferimentos da garota sem parecer surpreso e até com certo desdém, mas logo ele começou a fazer um dramalhão: — oh não! — disse, colocando a mão sobre a testa. — é grave, senhorita, muito grave, em breve tu estarás partindo deste mundo se tal ferimento não for tratado imediatamente com unguento divino! — o riso que acompanhou o fim da fala veio carregado de sarcasmo, especialmente considerando que gilbert estava coberto de hematomas e bandagens segurando curativos no lugar. — acredite ou não, queridona, você vai sobreviver. quer que eu te leve a enfermaria?
Aos poucos, Julian ficava mais calmo na presença de Gil, como se o ar ficasse mais leve. Era o efeito do filho de Hermes perto dos outros, uma energia radiante que melhorava o humor de qualquer pessoa em sua presença. — Adquirir um item de origem questionável? — A atenção de Jules foi toda nessa frase, esquecendo de todo o resto. — Nossa, agora vou ficar pensando em itens de origens questionáveis para te pedir. — Franziu o cenho, encostando numa estante por um segundo. — Bem, se um dia precisarmos de um plano maluco para roubar alguma coisa, diria que unir o meu elixir à suas habilidades… — Jules enfatizou aquela palavra, olhando para o semideus. — …seria a maneira de fazer isso. — Deixou, portanto, a imaginação voar no assunto. — Veja bem, se você usa isso numa pessoa que está protegendo algo para que ela se distraia… Ou mesmo para escapar de seguranças sem muito alarde, caso você seja pego por alguém. Seria uma boa estratégia, não? — E, ao falar isso, Julian riu. — Isso sou eu passando tempo demais com a Sutton, agora eu fico pensando em planos enquanto ela não está aqui.
a reação do filho de apolo arrancou uma risada sincera de gilbert, que havia ficado impressionado com a capacidade dele de selecionar especificamente aquelas palavras dentre toda a sentença. logicamente, tal fato também o havia deixado muito contente, afinal, isso significava que teria trabalho pra fazer e adquirir itens de origem questionável era um de seus side hustles favoritos. — sem pressa, brother, pensa com carinho e quando você tiver precisando é só me falar! confia no pai! — disse, estufando o peito com orgulho, em seguida, colocou a mão no queixo, ficando mais sério para ponderar a proposta de jules. — de fato, são excelentes ideias! a distração, aliada com o fato de que eu sou um cara... escorregadio, certamente contribuiria para as coisas dando certo para nós no final! — o filho de hermes parecia animado com as possibilidades e estava prestes a fazer mais sugestões, entretanto, quando o filho de apolo falou de sutton, outro brilho cruzou o olhar de gilbert: o brilho da fofoca. — oh? — indagou ao se inclinar para frente, extremamente interessado. — é verdade que se a sutton estivesse aqui ela também estaria pensando nisso de forma estratégica, mas você está pensando especificamente em planos... ou será que na verdade está pensando nela?
FLASHBACK.
Sutton ponderou sobre a observação de Gilbert, sentindo-se um tanto desconcertada com a ideia de estar "confortavelmente" mergulhada na água fria. No entanto, sua expressão relaxou um pouco quando ele riu de sua tentativa de piada. Ela sabia que Gilbert tinha um jeito brincalhão, mas também um coração caloroso.
Enquanto refletia sobre suas interações, Sutton não teve tempo de reagir quando Gilbert subitamente agarrou seu tornozelo e a puxou para dentro da água. Ela soltou um grito surpreso, nenhum pouco comum para a conselheira séria e autoritária do Chalé de Atena, seguido por uma risada misturada com o som da água agitada. Apesar do choque inicial, Sutton não pôde deixar de sorrir ao perceber que Gilbert estava determinado a testar sua teoria sobre dois negativos fazendo um positivo. "Você sabe que vai pagar por isso, não sabe?"
a risada de gilbert ecoou pelo lago, não apenas ele parecia feliz, como também expressava estar extremamente satisfeito, afinal, podia não ter conseguido empurrá-la na água mais cedo, mas, no fim das contas, tinha atingido seu objetivo de todo jeito. — você tinha que ter visto a sua cara! — ele continuava rindo, seu rosto já estava até vermelho enquanto tentava não engolir água. aos poucos entretanto, as risadas paravam e o rapaz começava a se recompor. as palavras da filha de atena fizeram o semideus erguer as sobrancelhas, com uma expressão de divertimento em sua face e um olhar travesso que só um filho de hermes teria. — ah, não sei não! — disse, sorrindo e cruzando os braços em baixo d'água. — eu vi você contar uma piada, te surpreendi e ainda foi acompanhado de um gritinho de surpresa! qualquer que seja a consequência eu diria que valeu a pena! mas e aí, como está a água? sua teoria faz sentido, sutty? — mesmo que tivesse reclamado do frio no início, depois de um tempo, o corpo do rapaz havia simplesmente se acostumado à temperatura.
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a situação para gilbert era, de fato, complicada, para não dizer calamitosa. enquanto distraía um touro de cólquida enfurecido e que, naquele exato momento, corria atrás dele com os chifres apontados para suas costas, um grifo embriagado estava muito provavelmente prestes a se juntar à perseguição. dito isso, não tinha muito o que ele pudesse fazer, afinal, ele mesmo tinha se colocado naquela furada. restava tentar enrolar os monstros até seus amigos chegarem para ajudá-lo.
àquela altura, gilbert tinha adrenalina suficiente correndo por seu corpo para que conseguisse mover seu braço ― que havia sido ferido na luta anterior com os grifos ― quase sem sentir dor. o latejar da região dilacerada era apenas um cutucão um pouco incômodo na parte de trás de sua cabeça, de forma que podia ser facilmente ignorado. isto é, até ele precisar fazer esforço significativo com aquele braço, é claro. só a corrida da casa assombrada até uma área mais aberta entre os brinquedos do parque tinha sido o suficiente para que a ferida voltasse a sangrar. o curativo improvisado que havia feito com a manga de sua camiseta agora estava empapado de sangue, e o líquido vermelho em breve começaria a escorrer por seu braço. sendo bem honesto e realista, o filho de hermes não achava que aquele ferimento seria a causa de sua morte, mas era algo que certamente iria atrasá-lo durante o combate. infelizmente, não era como se ele pudesse parar para refazer o curativo, tinha um touro de bronze em seu encalço, afinal.
para sua alegria, porém, o touro de cólquida era uma criatura grande e pesada, o que o tornava lento. não o suficiente para que considerasse relaxar ou baixar a guarda, afinal, o monstro, principalmente quando investia para dar uma chifrada, ainda se movia muito velozmente para um animal daquele tamanho. precisava tentar cansá-lo antes de atacar, usando de seus pés leves e sua destreza como principal vantagem. agora que tinha mais espaço para trabalhar ― uma pequena clareira entre a montanha russa e o carrossel, que se abria para a área de barraquinhas de doces e tiro ao alvo do parque ― estava na hora da dança.
o touro ainda tinha seus olhos brilhantes fixos no gorro vermelho de gilbert e, balançando o tecido rubro na frente do monstro como a bandeira de um toureiro, o rapaz esperou que a criatura viesse em sua direção. ― ôôô, touro! touro! ― chamou a fim de fixar a atenção do monstro em si mesmo, observando a criatura riscar o chão com a pata antes de começar a correr com os chifres em riste. um mugido selvagem escapava de sua garganta em meio à investida, que terminou em frustração quando o semideus habilmente desviou para o lado, puxando o gorro consigo e fazendo o touro passar reto. ― olé! ― gilbert exclamou, orgulhoso e satisfeito.
aquela dança continuou por algum tempo e, em algumas das passadas do touro perto de si, o filho de hermes aproveitou para esfaqueá-lo, entretanto, o bronze celestial de billy the kid apenas riscou superficialmente a pele metalizada da criatura, mal provocando um sangramento. na verdade, o touro sequer parecia incomodado pelo contato das lâminas do semideus com sua pele. era como ele temia, a carcaça daquele bicho era muito resistente, e ele precisaria ser mais criativo para feri-lo de forma substancial. a parte da criatividade em si não era um problema, o que estava começando a se tornar problemático, porém, era o fato de que gilbert estava ficando cansado. e bem antes do touro, na verdade, que parecia ficar mais enfurecido a cada "olé" gritado pelo rapaz.
não muito distante dali, gil podia ouvir os grasnados do grifo, entretanto, como a criatura não apareceu para lhe dar um rasante, imaginou que uma das meninas tivesse aparecido para prestar reforço. foi quando ouviu o rugido de um leopardo que, sem esforço, o rapaz reconheceu como vindo de evelyn. ótimo! com a preocupação secundária de ser atacado pelo grifo fora do caminho, poderia parar de brincar e se concentrar completamente em derrubar de uma vez aquele touro maldito. a pequena distração do rapaz, no entanto, custou-lhe seu gorro. como estava ocupado conferindo se o grifo apareceria para dar um "alô", o filho de hermes não saiu da frente do touro rápido o suficiente, e o animal levou o acessório consigo, preso em um de seus chifres. agora, o touro corria em sua direção mirando diretamente em seu estômago.
para o bem ou para o mal, gilbert teve uma ideia. pessoalmente, ele considerava aquela sua ideia genial e apenas parcialmente suicida. quando o touro atacou, o semideus não se preparou para desviar no último segundo, em vez disso, pulou por cima da cabeça do animal, impulsionando-se com todas as suas forças. enquanto estava no ar, usou o gorro, já todo puído e sujo de suor e sangue, que estava preso no chifre do monstro, para se puxar na direção dele e montar em suas costas. em sua cabeça, o filho de hermes já pensava em contar vantagem no acampamento, sobre como tinha montado em um touro de cólquida.
agora ele só precisava sobreviver àquilo.
a criatura esperneou, chutou, mugiu e bufou, desferindo coices para todo lado, tentando desesperadamente tirar o semideus de suas costas. ― yeeeeháááá!!! ― gilbert gritava, rindo, enquanto segurava-se na crina do touro, uma das poucas partes do animal que não era feita de bronze. também usava de suas pernas para se agarrar ao torso do bicho, buscando evitar ao máximo que seu quadril escorregasse. dito isso, o rapaz sequer tinha qualquer brecha para puxar uma de suas adagas e tentar esfaquear a criatura, usando de toda sua força e concentração para permanecer montado. enquanto isso, o touro, completamente desesperado para tirar o filho de hermes dali, começou a se jogar contra estruturas próximas. primeiro, ele acertou o carrossel com a lateral de seu corpo, fazendo com que gilbert também se chocasse contra o brinquedo. o impacto havia sido feio e certamente deixaria um hematoma, mas ele permanecia firme, por mais que, agora que estava fazendo força, seu braço machucado estivesse praticamente jorrando sangue. a crina do bicho estava ficando escorregadia e grudenta, ele não conseguiria segurar por muito tempo.
em seguida, o touro continuou a se chocar com o que quer que estivesse próximo ― de barracas a banheiros e brinquedos ― até que, por fim, correu com cabeça abaixada em direção à maior estrutura ali próxima: a montanha russa. ver o topo da montanha russa elevando-se sobre sua cabeça fez gilbert sentir um frio em sua barriga, de forma que ele simplesmente deixou que suas mãos escorregassem pelo sangue acumulado na crina e suas pernas relaxassem e, com apenas um coice, foi jogado para a lateral, colidindo com um carrinho de pipoca com muita força. o carrinho foi praticamente obliterado pelo peso e pela força com que o semideus foi arremessado, rolando com o corpo do rapaz até que ambos se chocassem com o carrossel e parassem. o impacto fez com que gilbert ficasse completamente sem ar e, pela dor que subiu à sua cabeça de súbito quando se mexeu, devia ter quebrado uma costela, talvez várias.
o touro, por sua vez, que já estava correndo com muita velocidade para frear a tempo, atingiu com tudo a montanha russa. o semideus observou parte da estrutura colapsar bem em cima do monstro, fazendo uma enorme nuvem de poeira subir ao seu redor. gilbert estava zonzo e com uma respiração tão feia que parecia um cachorro com asma, estava difícil de ver qualquer coisa naquele estado e o horizonte empoeirado só piorava as coisas. tudo o que ele sabia é que diversos destroços haviam voado para todo o lado e, em sua mente, ele torcia para que o bicho tivesse se transformado em pó debaixo da montanha russa.
como se em resposta ao seu pensamento, por fim, ao se sentar, o rapaz viu um par de olhos brilhantes no meio da poeira e dos escombros. ― essa porra não morre nun... ― cuspiu sangue, ele devia estar mais machucado internamente do que imaginava. tentou rolar para o lado, agora que estava machucado e cansado, estava praticamente indefeso contra aquela coisa, precisava correr, entretanto, não conseguiu. ao olhar para baixo, o filho de hermes viu que uma de suas pernas havia sido perfurada por uma haste de metal, estava preso ao chão. tentou pegar uma de suas adagas, mas o cinto havia voado para algum lugar quando bateu contra o carrinho de pipoca, ou seja, também estava desarmado.
a criatura em si também não parecia muito melhor. pela quantidade de vezes que seu peito subia e descia, era possível ver que estava cansada, e os escombros que caíram em cima dela ajudaram a abrir as feridas de faca que gilbert havia feito anteriormente.
monstro e semideus se encaravam, como se soubessem que um deles, no momento seguinte, estaria morto.
o touro começou a bufar e a arrastar a pata no chão, e gilbert começou a procurar por algo para se defender da inevitável investida que viria a seguir. tateando desesperadamente pelos escombros, ele encontrou algo que não esperava: um chifre de bronze. ao olhar brevemente para a criatura, que já começava a correr em sua direção, percebeu que, de fato, agora ela tinha apenas um único chifre em sua cabeça. àquela altura, o filho de hermes mal conseguia se mexer, mas precisava tentar, afinal, havia prometido à sua irmã que retornaria. no último segundo, ele segurou o chifre com as duas mãos e o estendeu na frente do corpo, com a ponta afiada na direção da cabeça do bicho.
o som de metal dilacerando carne ecoou brevemente pelo local e, com um baque enorme, o corpo do touro caiu para o lado, morto, com o próprio chifre enfiado bem no meio da testa. logo, o monstro começou a se desfazer em pó dourado e gilbert se permitiu relaxar, deixando o corpo cair para trás, encarando o céu estrelado da noite. os cantos de sua visão já estavam ficando escuros quando ouviu passos e vozes se aproximando de sua localização. mais uma vez, o rapaz cuspiu sangue, mas conseguiu deixar passar algumas palavras: ― s-será que vocês podem pegar o meu cint...
Era como se houvesse uma função para cada da equipe, não que Christopher fosse burro, ele só não conseguia associar essas coisas muito bem e quase sempre entendia tudo errado, então, naturalmente, não percebeu sobre as pinturas e a história, ainda que estivesse achando tudo naquele lugar bastante curioso. Sim, ele tinha lido sobre o trono de Hera e ouvir que era ele ali na sua frente, fez um arrepio percorrer a sua espinha, era maluquice dele ou os deuses de fato estavam todos naquele joguinho estúpido para fazer os semideuses de bobo? Chegou a rir em deboche, soltando a espada no coldre e se aproximando daquele objeto, os olhos curiosos analisando cada detalhe enquanto focava nas palavras de sua parceira. “Senta e vira ouro, esse é o sacrifício então?”
Christopher realmente não saiu de perto do trono ao saber que se sentar ali poderia transforma-lo em ouro, na verdade, decidiu ouvir toda a história ali mesmo, os olhos do australiano corria pelo ambiente em busca de entender o que tinha ali. E pelo o que entendeu, não pensaram no que seria o tal sacrifício. “É meio óbvio, o segundo sacrifício não é para conseguir a varinha, mas para a pessoa que virou ouro, eles ainda tão sendo legais com a gente” Debochou novamente, soando irônico demais naquela frase, Christopher subiu o pequeno degrau do trono. “E realmente não temos tempo, sabemos de um grifo, não sabemos de outros monstros e nunca vão facilitar pra gente”
Virou-se e olhou para o redor novamente, suspirou pesadamente, não havia nenhum sinal de emoções além dos outros membros do grupo, Christopher estava ansioso e com medo, todos ali pareciam carregar medo e ansiedade, também haviam outros sentimentos bagunçando tudo, ele não era do tipo impulsivo, mas precisou ser. “Então acho melhor correr pra descobrir, se não descobrirem, não me importo de virar estátua pra sempre”
E simplesmente se sentou no trono de Hera.
Christie sentiu absolutamente nada, olhou para os seus pés e o ouro envolvia o lugar, ergueu o seu rosto e os olhos focaram o horizonte antes de tudo ficar em um tom amarelo dourado, incrivelmente ainda conseguir ver alguma coisa, mas a sua consciência não duraria muito, pelo visto e o som de algo caindo no chão fez com que ele sentisse alívio ainda que não pudesse expressa-lo, aos poucos, tudo escureceu.
não foi difícil guiar os amigos pelo corredor até a sala principal do templo, na verdade, haviam bem poucas armadilhas no caminho e, pelo que pôde sentir das placas sob seus pés, o gatilho de algumas delas sequer devia estar ativo. ainda assim, gilbert gostava de ser útil e ser um detector de armadilhas ambulante era bem útil. além do mais, não custava nada ser cauteloso. quando finalmente ficou de frente para o trono de ouro ― o trono de hera ― todos os sentidos do filho de hermes começaram a gritar para que corresse. fazer grandes sacrifícios, entrar para uma lista épica de heróis, cair nas graças dos deuses ou, simplesmente, fazer o certo pelo bem maior, eram coisas que jamais entrariam em sua lista de afazeres. gilbert só estava interessado em viver e retornar para casa, para que pudesse abraçar sua irmã e continuar a ser babá de uma dezena de crianças.
em diversos momentos, o semideus teve vontade de falar alguma coisa, porém, em todos eles, as palavras morreram em sua garganta. ele não estava exatamente disposto a ser o sacrifício para o trono, mas, justamente por isso, não tinha como impedir que um de seus amigos o fizesse em seu lugar. pela primeira vez, ele sentiu que não sabia o que dizer e, do momento que evelyn se ofereceu para ser o sacrifício ao que christopher se sentou de súbito na cadeira, gilbert apenas observou, atônito, como se não estivesse realmente ali. todo o diálogo na sala parecia distante, deuses, até o que estava vendo diante de seus olhos não coincidia com o real. num piscar de olhos e, antes que pudesse reagir ou sugerir qualquer alternativa, o filho de afrodite tinha se transformado, dos pés à cabeça, numa estátua dourada.
foi o som da varinha caindo das mãos da estátua atrás do trono que o trouxe para a realidade. o silêncio nunca soou tão alto nos ouvidos do semideus. era como se a quietude que inundou a sala não combinasse com aquele momento. céus, chris tinha acabado de se sacrificar pela missão sem nem pensar duas vezes e tudo o que eles conseguiam fazer eram ficar parados em choque? no mínimo, se não descobrissem como tirá-lo da cadeira, deviam honrar seu ato de coragem. como se tivesse sido atingido por uma onda repentina de energia, gilbert saltou para trás do trono de hera, catando a varinha do chão com destreza e, assim que seus dedos tocaram o item divino, o grito de um grifo ecoou pelo salão, vindo do corredor. merda.
o filho de hermes agiu depressa, entregando a varinha nas mãos de azra: ― você é a líder da missão, garanta que a varinha de hécate vai chegar ao acampamento em segurança! ― assim que a semideusa segurou o objeto, gilbert disparou para a única saída do lugar, em direção ao corredor que levava de volta à casa assombrada do parque, retirando suas adagas do cinto no meio do caminho. ― ajudem o chris, eu vou comprar tempo! ― avisou, levantando a voz ao sair da sala.
enquanto corria pelo enorme corredor, gilbert, agora que não estava focado em desviar de possíveis armadilhas, podia ver que tinha, de fato, uma história sendo contada nas paredes do templo, entretanto, novamente, não tinha tempo para prestar atenção. desta vez, não tomou nenhum cuidado por onde pisava, assumindo que quaisquer armadilhas ainda em funcionamento tivessem sido desativadas quando christopher fez o sacrifício e libertou a varinha das mãos da estátua. felizmente, ele estava correto, visto que nenhum buraco se abriu sob seus pés, entretanto, durante o percurso, gilbert esperou ser atacado diversas vezes, levando em consideração a quantidade de vezes que o grifo soltava seu grito de guerra. e então, conforme se aproximava da saída, percebia: o grifo jamais se entocaria num corredor estreito e subterrâneo. ali era apertado demais para o monstro e ele também perderia qualquer vantagem aérea. assim, quando chegou ao pé da escada que levava à superfície e não viu nem um sinal da criatura, o filho de hermes teve a certeza: era uma emboscada.
estava quieto. quieto demais. e gilbert sabia que o monstro podia sentir sua presença tanto quanto ele mesmo tinha noção de que a criatura espreitava acima de sua cabeça. o rapaz atirou as duas adagas em suas mãos para cima, em direções diferentes, certo de que, de acordo com o ângulo que havia atirado, elas fariam uma parábola ao redor do pequeno cômodo da casa assombrada. por fim, seu objetivo foi atingido: uma de suas adagas acertou o grifo. o lamento de dor veio da direita e, através de passadas longas e saltadas, que passavam por vários degraus de uma vez, gilbert emergiu do túnel com as mãos estendidas na frente do corpo, projetando uma explosão de fogos de artifício na direção que havia ouvido o berro do monstro. a criatura protestou uma segunda vez e foi para trás, esperneando, ela ainda estava sob o efeito do alucinógeno do sai de evelyn ― que ainda estava, inclusive, cravado até o talo em sua pata ― de forma que a quantidade de cores berrantes devem tê-la feito ver estrelas. na verdade, ao encarar o estado miserável daquele monstro, o rapaz pensava que não seria tão difícil assim finalizá-lo sozinho.
o problema era que o grifo tinha feito amizade.
ainda fitando a criatura emplumada e sorrindo com seu estado deplorável, gilbert ouviu um estrondoso "crash" vindo de suas costas, conforme a parede de madeira da casa era destruída por um outro monstro ― muito grande ― que adentrava o recinto. ainda bem que o filho de hermes era veloz, ou não teria conseguido desviar da chifrada do touro de cólquida que o atacou. o touro místico, feito inteiramente de bronze, tinha um filete de sangue escorrendo da ponta afiada de um de seus chifres. só então, gilbert percebeu o fino corte na altura de seu torso, manchando a lateral de sua camisa por inteiro, que agora estava, também, rasgada. em um gesto quase desdenhoso, o semideus abriu os braços. ― pô, essa era minha melhor camisa! ― era mentira, aquela era uma camiseta do acampamento, gilbert devia ter uma dúzia de blusas iguaizinhas.
o touro, logicamente, não pareceu partilhar de seu senso de humor, uma vez que não devia ter capacidade intelectual suficiente para entender sua piadinha, mas bufava, soltando ar quente pelas narinas enquanto riscava o chão com a pata. é, pelo visto, o bicho tá brabo! definitivamente, o rapaz estava em desvantagem, porém, sua sorte era que o grifo ainda estava meio tonto. o que podia fazer era atrair a atenção do touro para longe da casa, de preferência, para um lugar aberto, onde pudesse desviar de seus chifres com mais facilidade, e torcer para que uma das meninas voltasse a tempo de enfrentar o grifo, para que ele não tivesse que lidar com dois monstros simultaneamente. em vez de se armar, o rapaz puxou o gorro vermelho de sua cabeça e, então, agitou o tecido na frente do animal de bronze. ― vamos dançar? ― provocou e disparou para fora sem hesitar, direto pelo buraco feito pelo touro na parede da estrutura, com o bicho seguindo bem em seu encalço.
O sorriso entristecido de Pietra poderia ser uma resposta mil vezes melhor do que qualquer coisa que poderia dizer. Não tinha previsão de melhora, ainda que a esperança ficasse viva em seu peito, então só tentava ser o melhor possível e fazer as coisas funcionarem da melhor maneira. "Olha, vou ter que deixar passar. Eu acho que vou focar na minha magia e quem sabe arco e flecha... Ainda que eu ame adagas de arremeço não acho muito prático em batalha" ponderou viajando um pouco nos próprios pensamentos antes de voltar para ele. Não sabia o que a Olivia tinha lhe contado, mas esperava que tivesse sido sincera sobre o que as vozes diziam "Ela ouviu as vozes Gil, eu tentei ajudar como pude, mas tive que pedir para que ela falasse com Quiron, ou pelo menos com alguém que poderia a ajudar... Por favor, não fala para ela que eu falei isso. Sei que ela precisou de muita força de vontade para vir pedir ajuda logo para mim."
— ah! — o filho de hermes deixou escapar a interjeição de surpresa escapar, visto que havia sido uma reação espontânea ao sorriso triste de pietra. como diz o ditado: "para bom entendedor meia palavra basta", e gilbert tinha entendido tudo ao ver a expressão e ouvir a declaração da semideusa. agora ele se sentia um pouco culpado por ter tocado no assunto, mas tentou não deixar o clima mais pesado, o rapaz imaginava que não era de pena que pietra precisava agora, mas, sim, de apoio e incentivo. — entendo. bom, é uma pena, adagas são minha especialidade! — gesticulou para o próprio cinto, onde três adagas de arremesso encontravam-se embainhadas. — não é muito a minha praia, mas entendo o apelo do arco e flecha. você é esforçada e talentosa, tenho certeza que vai dominar o arco rápido e tão bem quanto domina sua magia! — disse com um tom de voz energético, sorrindo ao final como forma de incentivo. o rapaz não era muito bom em consolar ninguém e, honestamente, não estava conseguindo pensar em nenhuma piada para fazer no momento que não soasse errada, mas esperava que as palavras a animassem. mais uma vez, gilbert ficou sério enquanto ouvia pietra falar de sua irmã. — as vozes da porcaria da fenda, né? não se preocupe, não vou contar que você me disse nada. — assegurou à filha de hécate e, na verdade, era bem a cara de olivia manter esse tipo de coisa mais para si mesma. — eu sei como ela é... ainda assim, obrigado por me contar, vou tentar conversar com ela antes de sair em missão e... ver se ela mesma me diz o que anda acontecendo. — ele fez uma breve pausa. — 'tô me sentindo um bosta agora. eu sou irmão dela, devia ter procurado ela pra conversar assim que vi que ela estava estranha.
"Você falar que a agua parece estar lhe congelando não é um incentivo muito bom, Gilbert." respondeu o garoto, cobrindo seus braços por puto instinto ao ver o garoto se aproximar. Não tinha medo dele nem nada do gênero, mas ainda sentia que o filho de Hermes poderia simplesmente decidir jogar agua de uma hora pra outra apenas por conta de um surto vinda da sua personalidade bagunceira mesmo. Não tinha como prever nada que ele iria fazer, ou pelo menos só poderia ser previsto com uns 3 segundos de antecipação. "Eu sou uma garota naturalmente gelada, não sei se é uma boa combinação. Apesar de que dois negativos em teoria cria um positivo." talvez não fosse muito claro, mas aquilo havia sido uma tentativa da Sutton em fazer uma piada.
o filho de hermes deu de ombros, ou melhor, fez o gesto mais próximo disso que um ser humano conseguia fazer enquanto dentro d'água. — você preferia que eu dissesse que está quentinho e confortável? pelo menos você tem uma toalha! — gesticulou com a cabeça na direção das coisas de sutton, pensando na caminhada da vergonha que ele teria que fazer, andando todo o caminho do volta até o chalé completamente encharcado. uma pequena risada escapou de seus lábios ao ouvir a tentativa de piada da filha de atena, um riso curto, mas genuíno. — não achei que veria uma aparição do seu senso de humor hoje! e você ainda se diz gelada, tenho certeza que uma "pessoa naturalmente gelada" não faria um trocadilho como esse! devia dar mais crédito a si mesma! — havia um tom de divertimento na voz de gilbert, mas ele estava sendo sincero. para falar a verdade, apesar de parecer distante à primeira vista, sutton era uma das pessoas mais acolhedoras que ele conhecia. — mas talvez devêssemos pôr sua teoria a prova! — o semideus disse de repente, com uma mão no queixo, como se tivesse acabado de ter uma brilhante ideia e, sem hesitar ou esperar por uma reação por parte da garota, agarrou o tornozelo dela e puxou-a em sua direção, para dentro da água.
"Hm, talvez. E com certeza seria divertido trabalhar aqui, já que passo tanto tempo por aqui mesmo...", pensou na questão por alguns instantes, olhando para as estantes. "Tem mesmo, e sobre muitos assuntos. A catalogação daqui deve ser uma loucura", comentou um tom de voz pensativo. Seu TDAH já entrava em ação, levando seu pensamento em várias direções sobre como ela organizaria a biblioteca se fosse responsável por isso. Ela não entendia muito sobre catalogação, mas com certeza encontraria um livro sobre isso em algum lugar daquela biblioteca... retornou o foco no rapaz ao seu lado. "Isso seria bem útil, para falar a verdade. Mas também poderia distrair as pessoas que vêm aqui para estudar, principalmente levando em conta que todos eles teriam TDAH", terminou com uma careta. "Talvez se elas sussurrassem... mas isso seria meio creepy." Fez um gesto com a mão, como se dissesse deixa para lá. "Isso é compreensível. O seu chalé está mesmo sempre lotado, e faz muitos anos que eu fiquei por lá."
— olha, você tem razão sobre isso... — gilbert replicou, pensando que ele mesmo ficaria tentando puxar assunto com as estantes para conseguir diferentes respostas. — na verdade, considerando que tem moleques no acampamento e alguns deles estão inclinados a fazer pegadinhas... — não citou nomes, mas, em parte, estava se referindo a seus próprios irmãos. — ... acho que acabaria em bagunça na biblioteca. — contemplou por um instante as estantes que falavam sussurrando e um arrepio lhe percorreu a espinha, contudo, ao mesmo tempo, não parecia tão bizarro assim. — por incrível que pareça, acho que estantes sussurrantes seriam a coisa menos bizarra que um semideus poderia encontrar! — o filho de hermes soltou uma risada e, ao perceber que seu riso havia soado mais alto que o previsto, se encolheu e olhou para os lados, esperando que não tivesse chamado atenção de mais ninguém. quando mais nenhuma pessoa apareceu, ele soltou um suspiro de alívio e voltou sua atenção para a filha de atena. — o chalé lotado até que é legal, sabia? gosto de cuidar da molecada. e você? se adaptou bem ao seu chalé?
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"Bem... eu imagino que seja aqui." A mulher falou, seus olhos indo até a grande estrutura, um tanto quanto irônica. Após pensar um pouco, mais sozinha do que exatamente em conjunto, Azra chegou a conclusão e existiriam apenas dois lugares no parque que poderiam servir como um templo: O túnel do amor e a casa assombrada. Talvez pelo estilo da deusa em questão, a segunda opção fazia mais sentido, mas não apenas isso. Em sua visão que teve anteriormente, os flashes dourados eram predominantes, mas conseguiu distinguir um detalhe ou outro que descartava o túnel do amor. "Fiquem atentos a qualquer outro ataque. Não sabemos se algo mais nos espera e quando o grifo irá retornar." Avisou, já caminhando até a porta.
O ranger típico de uma casa abandonada fez com que Azra revirasse os olhos. Em um parque normal, aquele tipo de atração era completamente sem graça para a própria filha de Thanatos, acostumada com fantasmas de verdade lhe rondando. Entretanto ali, diferente de outros parques, a casa contava com apenas um cômodo e nada mais. Na mesma hora um pensamento pairou. "Procurem por algum tipo de passagem secreta. Feitiços. alavancas, pedras em falso, qualquer coisa que ativem o resto de nosso caminho." Ela mesma já foi logo para a parede da esquerda, vendo alguns símbolos empoeirados mas nada relevante. Ainda achava que estavam no caminho certo, apenas precisavam descobrir a continuação.
❛ que escolha minimalista. mas eu gostei. dá um ar meio corredor da morte, né? se fosse um pouco mais clarinho, um corredor de manicômio. ━━━━━ começou, caminhando despreocupada à princípio, porém, quando escutou as ordens de azra, endireitou o corpo e assentiu. ❛ sim senhora! ━━━━━ fez uma continência divertida, sentindo a nostalgia dos inúmeros anos que passou no acampamento jupiter. tomou mais dois golinhos do vinho no cantil, já estava com os sentidos aflorados, porém, quantidade era importante nesse caso em específico. com os olhos amarelados e inumanos, olhou para toda a extensão buscando alguma coisa, enquanto mantinha os ouvidos atentos a qualquer movimentação que indicasse uma passagem por ali. no momento, não havia nenhum barulho que se sobressaía, mas, com os pés descalços, conseguiu sentir algo diferente quando pisou em uma parte específica do piso. ❛ opa. piso solto. ━━━━━ falou, se abaixando para notar como aquela parte parecia estar muito mais antiga e remexida, com as laterais cedendo. tentou puxar as partes soltas ao redor, e percebeu que parecia preso. porém, no lugar de frustração, se sentiu animada. isso significava que poderia usar sua arma favorita. mostrando as garras afiadas, fincou ambas as mãos nas extremidades do material, utilizando força bruta para puxá-lo. assim que o fez, abaixo de seus pés o chão tremeu, começando a rachar. saltou para trás, quase se desequilibrando, e jogou o corpo para o lado contrário ao do que se abriu em escadas rústicas, cujo início era exatamente onde havia tirado o piso mole. ❛ ok, o caminho pras masmorras foi liberado. ━━━━━ olhou para o restante do time, dando um sorriso encorajador enquanto esticava mais o corpo para tentar olhar onde o caminho daria.
sendo bem honesto, gilbert tinha ficado um pouco decepcionado ao adentrar a casa assombrada e não encontrar nem uma decoração mal feita para lhe entreter. — achei preguiçoso. — disse em resposta à evelyn. — podia ter pelo menos um esqueleto falso 'pra entrar na vibe, sabe... — reclamou, mas logo assentiu para o pedido de azra e começou a procurar por algum tipo de mecanismo que pudesse abrir uma porta. evelyn foi mais perspicaz ao encontrar o piso solto e, assim que o chão começou a tremer e deu sinais de se abrir, gil saltou para trás como um raio, puxando azra e chris consigo por puro reflexo. — yuck, certamente cheira como uma! — não demorou para o odor de mofo, umidade e poeira começasse a se espalhar pelo cômodo, subindo pelas escadas recém abertas. — eu vou na frente! — anunciou em um tom mais animado do que o esperado, sacando uma de suas adagas e segurando-a com a mão do braço que não estava ferido (o esquerdo). o bom de ser ambidestro é que ele sempre conseguia trabalhar com o que tinha. sem esperar por uma resposta ou por protestos, rapidamente, gilbert começou a descer as escadas, imaginando que seus amigos o seguiriam.
estava bem escuro de início e levou alguns segundos para que os olhos do semideus se adaptassem à escuridão enquanto descia os degraus de pedra envelhecidos, entretanto, assim que o rapaz terminou de descer as escadas e seus pés tocaram o chão, diversas tochas se acenderam em sequência, revelando um longo corredor que agora estava iluminado por um fogo esverdeado, dando ao local uma aparência misteriosa e etérea. um assovio escapou de seus lábios e o som ecoou pelo corredor. — 'pra um lugar tão velho até que tudo tá funcionando muito bem! — elogiou. havia espaço suficiente para duas pessoas caminharem lado a lado no corredor, contudo, talvez fosse mais prudente que caminhassem em uma fileira e gilbert não perdeu tempo em avisar: — vou ficar de olho em quaisquer armadilhas, eu tenho os pés mais leves, então devo conseguir detectar qualquer coisa antes de vocês. pisem onde eu pisar! — o filho de hermes começou a avançar pelo corredor, notando que o fogo lançava sombras estranhas nas paredes, além de iluminar alguns adornos e inscrições feitas nas paredes em dourado. porém, o rapaz não estava prestando muita atenção a detalhes, preocupado em não pisar forte demais em uma placa que poderia acionar uma armadilha mortífera.
gilbert não era do tipo que gostava de ser convocado para missões. levando em conta seu senso de auto preservação um tanto egoísta e sua pouca vontade de se sacrificar pelo bem maior, genuinamente, ele era o cara perfeito para ficar no chalé de hermes apenas cuidando de um bando de moleques. entretanto, o rapaz sabia que não podia recusar um chamado dos deuses.
a missão parecia simples o bastante: ir até waterland, pegar a varinha de hécate e vazar. aos olhos de um ladrão, esse definitivamente era o tipo de missão perfeita, afinal, ladrão que rouba ladrão ganha mil anos de perdão. era raro que alguém pedisse para que ele roubasse algo, logo, o filho de hermes pareceu contente com a designação. infelizmente, era bem óbvio que as coisas não seriam tão fáceis ou tão divertidas quanto ele imaginava. gilbert tinha ouvido as histórias sobre as idas de outros semideuses ao parque abandonado e não eram contos lá muito animadores. ainda assim, ele tentaria aproveitar ao máximo, usando toda e qualquer oportunidade para fazer uma piadinha infame. o que foi? suas melhores piadas eram contadas sob pressão!
antes de se juntar aos colegas de equipe, gilbert se despediu de duncan. ele não gostava de despedidas demoradas, preferia apenas dizer que voltaria logo e não levar o momento muito a sério. mesmo que não pudesse garantir que voltaria ileso, ou que voltaria no geral, ele gostava de pensar que tudo ficaria bem, mesmo estando longe da gêmea. no entanto, deu um abraço mais demorado na irmã mesmo assim, como se silenciosamente dissesse que faria de tudo para voltar. ele também tirou um tempo para se despedir de seus amigos mais próximos, tentando tornar o momento o mais descontraído possível, afinal, se aquela era a última vez que estavam se vendo, gostaria que se lembrassem dele daquele jeito: sorrindo. okay, isso se tornou sombrio rápido demais, vamos seguir a programação de acordo com a cabeça do gilbert e evitar este assunto por tempo indeterminado.
feitas as despedidas, o semideus partiu mais tranquilo do que deveria para a viagem, certo de que sua irmã gêmea cuidaria das possíveis crises que seus irmãos poderiam causar no acampamento, e muito contente por ter evelyn em sua equipe. a filha de dionísio era uma amiga de infância, visto que ele estava no acampamento há quase tanto tempo quanto ela e, além disso, os dois compartilhavam algo em comum: não tinham um pingo de bom senso. tudo bem que, colocando na balança, gilbert tinha mais discernimento na maior parte das ocasiões, mas era fácil competir com eve nesse âmbito. the bar was low. dito isso, a falta de neurônio dos dois era inversamente proporcional à suas habilidades em combate, e outros membros da sua equipe eram tão queridos e competentes quanto evelyn aos olhos do filho de hermes. christian e azra só pareciam... sérios demais. gilbert imaginava que os dois estivessem sentindo o peso da missão com mais intensidade, assim, ele tomou para si a função de tentar deixar o clima mais leve.
depois de ajudar a pagar pelas passagens — obrigado, mamãe, pelo mimo do cartão de crédito — o filho de hermes planejava passar o resto do percurso fazendo pequenos comentários sobre o destino da equipe, denver, e criando situações em que sua famosas piadinhas se encaixassem, porém, christian parecia concentrado na playlist que ouvia em seus fones, então decidiu não incomodar, talvez o filho de afrodite precisasse de espaço. sendo assim, ele se limitou a tirar um ronco durante o voo e conversar com evelyn, que parecia estar seguindo sua própria sintonia, como de costume. quando chegaram ao solo, pegaram um ônibus até a rodovia que levava ao parque e seguiram o resto do caminho a pé, seria mais seguro para todos dessa maneira. enquanto christian parecia tão tenso quanto uma pedra e evelyn estava tão empolgada que praticamente vibrava tal qual um motorola v3, gilbert era a face da plenitude. tranquilo como um buda. caminhava na frente com ambas as mãos atrás da cabeça, completamente relaxado. — se a roda gigante estiver funcionando, não vejo por que não! — disse em resposta ao comentário de evelyn sobre ir na roda gigante depois da missão. — mas eu 'tava a fim de dar uma olhada na loja de souvenires. se a chefa concordar, claro... — o rapaz se virou na direção de azra a tempo de ver a líder da missão atenta e a filha de dionísio se armando. ele só teve tempo de pegar as adagas antes de ter que se esquivar de um belo rasante.
ah, ótimo! galinhas crescidas. gilbert sabia que seria uma luta irritante, visto que estavam lidando com oponentes voadores, mas grifos não eram monstros super perigosos. ainda assim, era melhor não subestimar as criaturas e tentar acertá-las assim que a oportunidade aparecesse. o estilo de luta de gilbert envolvia um jogo de pés rápido com ataques de oportunidade, aproveitando da melhor forma possível seu kit de habilidades voltado para velocidade e destreza. então, logicamente, ele julgava ser a melhor pessoa para ficar mais próximo dos monstros, uma vez que que a intenção era desviar dos ataques ao mesmo tempo que atacava. o filho de hermes pulou na frente do grupo e logo lançou duas de suas adagas, a primeira foi defendida pelo primeiro grifo com as garras, a outra, no entanto, acertou a lateral da criatura, deixando um corte profundo e sangrento no momento que, ao acertar o alvo, a adaga retornou ao cinto do semideus. em breve a outra faca arremessada também retornaria, mas não estava preocupado, era 'pra isso que carregava três adagas consigo. em um piscar de olhos, tinha uma lâmina em cada mão novamente. ao observar o ferimento na criatura, era possível ver o veneno de billy the kid se alastrando, pois as extremidades da ferida estavam ligeiramente esverdeadas e até pareciam derretidas. a acidez daquele veneno devia queimar 'pra caralho.
um sorriso de satisfação se espalhou pela face do semideus ao ouvir o lamento de dor do bicho, mas logo foi substituída por uma expressão de preocupação quando evelyn pediu por distrações. algo que certamente era mais fácil falado do que executado. entretanto, gilbert era um bom enganador, suas habilidades podiam não ser boas para o combate... mas ele só precisava ser criativo. com um movimento de sua mão, um pequeno show de luzes começou ao seu redor, acompanhado de estrondos que chamaram a atenção dos grifos. bom, agora ele tinha a atenção dos dois bichos. — não vão botar um ovo, ein! — brincou, se referindo aos monstros, antes de vê-los avançarem com gritos enraivecidos. entre rasantes e golpes desferidos em sua direção, o rapaz conseguiu se desviar de quase tudo, aproveitando para esfaquear o mesmo grifo uma segunda vez, desta vez com robin hood, cuja lâmina tinha sido embebida em um veneno paralisante. a ação das toxinas provavelmente ajudou no plano de evelyn, que pulou em cima da criatura na hora certa, bem quando uma de suas garras estava prestes a rasgar o peito do filho de hermes. em seguida, presenciou a agilidade e força de azra e christian para aprisionar a criatura que, indefesa no chão, foi alvo fácil de suas adagas. logo, ele viu evelyn se juntar ao massacre do monstro, que se desfez em pó pouco depois.
gilbert se virou a tempo de ver o segundo grifo voando para longe com o sai da filha de dionísio fincado em sua coxa, o que lhe deu uma ideia de gênio. correndo um pouco, o rapaz arremessou houdini na direção da criatura. a adaga fez um arco perfeito que, pela distância e pelos movimentos erráticos do grifo delirante, quase não acertou uma das coxas do animal. o corte foi de raspão, mas bom o bastante para tirar sangue. — pronto. — disse satisfeito, observando a arma arremessada retornar ao seu cinto após alguns instantes. — a toxina que eu passei nessa aqui tem um efeito anticoagulante, o que significa que ele vai sangrar por um tempinho. se quiser podemos seguir a trilha de sangue mais tarde. — disse a evelyn, imaginando que ela não ficaria feliz de ficar sem um de seus sais. — e se ele voltar... — observou a criatura sumir de vista. — com sorte, vai ser mais fácil de matar.
com sorte. repetiu mentalmente, considerando que monstros só morriam de verdade com um belo golpe de bronze celestial. no entanto, de fato seria menos complicado se todos os quatro pudessem focar seus esforços em uma única criatura. — ih, rapaz... — falou, finalmente se permitindo relaxar. gilbert soltou um suspiro acompanhado de uma risada curta que terminou em um pequeno grito de empolgação. — foi um bom aquecimento, mas dá 'pra render mais! — a manga de seu braço esquerdo estava rasgada e ensopada de sangue, visto que uma das garras dos grifos havia lhe acertado o suficiente para fazer um corte relativamente profundo. tirando isso, tinha apenas arranhões superficiais e nenhum osso fraturado ou hematoma sério. nada mau. pensou, terminando de rasgar a manga de sua camiseta para enrolar em volta do braço aberto, fazendo um curativo improvisado apenas para parar o sangramento. depois ele cuidava disso.
ver os amigos bebendo água o fez estender a mão até seu próprio cantil, bebericando ele mesmo alguns goles e, só então, percebendo que tinha se cansado. a adrenalina estava deixando seu corpo e, com ela, podia começar a sentir o braço machucado latejando. vai passar. disse a si mesmo, tirando o gorro vermelho da cabeça para limpar o suor da testa. enquanto fazia isso, seus olhos esquadrinhavam o local, analisando os prédios e brinquedos dilapidados de waterland. até que algo lhe chamou a atenção. — ei, gente! — chamou com um assovio, apontando com o braço que não estava machucado para uma das estruturas. — eu acho que temos que entrar ali.
a construção para qual gilbert apontava era nada mais nada menos do que a casa mal assombrada do parque. à primeira vista, parecia apenas uma atração comum de parque de diversões, no entanto, a porta do lugar tinha um elemento que a destacava: um arco adornado com o símbolo de várias deusas, incluindo hécate. se havia a entrada de um templo para ser encontrada, com certeza era aquela. sem perder tempo, o filho de hermes começou a marchar em direção à casa.
— espero que nenhum de vocês tenha medo de fantasmas.
˚。 ㅤ ㅤ ㅤ ㅤ àquela altura, lynx sentia que devia muito a gilbert. ele sempre aparecia para animá-lo todas as vezes que estava para baixo. e conseguia. considerando que lynx tinha um temperamento péssimo e uma personalidade difícil, aquilo era algo que poucas pessoas conseguiam fazer e um dos motivos pelo qual admirava o outro. era um talento também, de seu ponto de vista. o sorriso que tomou os lábios do filho de ares era tal qual o de uma criança ganhando presente na manhã de natal. estava tão entediado na enfermaria que até as coisas pequenas estavam se tornando eventos e isso era o tipo de coisa que o fazia desejar, implorar, para que a alta viesse logo. ━━ eu penso que você é um anjo na minha vida, é isso que eu penso. ━━ respondeu por entre uma risada. ━━ quem você pensa que eu sou? ━━ devolveu, usando a frase do outro propositalmente. ━━ sinto que conseguiria comer um bolo inteiro, se quer saber. ━━ era psicológico àquela altura, mas lynx tinha noção da quantidade de sangue que tinha perdido e o quanto o deixara fraco. e isso o fazia pensar que precisava comer mais para ficar forte logo. ━━ aigoo… ━━ resmungou em coreano. ━━ esquece o que eu disse sobre anjo. ━━ acrescentou, brincando com o outro. não demorou a encher a boca de bolo, comendo se nunca tivesse provado um na vida. ━━ sabe das outras missões? se deu certo ou não? eu vi uns aqui, mas ninguém tá querendo conversar muito…
diante da resposta do filho de ares, gilbert não conseguiu segurar uma gargalhada genuína. ele, um anjo? — rá! essa foi boa! — exclamou, logo antes de ser chamado atenção por um dos curandeiros, que pediu por silêncio na enfermaria. o filho de hermes logo fez cara de culpado e falou um "eita, foi mal!" baixinho, voltando-se para lynx em seguida. — touché! — disse quando o rapaz lhe devolveu a pergunta de forma astuta. — particularmente, eu penso que você é mais bem humorado do que deixa transparecer! anjo, namoral... — riu um pouco ao responder a pergunta em questão. estava sendo sincero, visto que se divertia genuinamente conversando com ele. — bom isso aqui não é um hospital, mas a comida não é muito melhor ou diferente. tem que fazer controle de sal, açúcar e os caralhos... então aproveita o bolo! — gilbert acenava com a mão como se não ligasse muito para o controle de açúcar que os curandeiros deviam estar tentando fazer, e de fato não ligava, comida de hospital costumava ser horrível mesmo e ele achava que os pacientes mereciam um agrado de vez em quando. ainda mais estando perto da recuperação como lynx. mais uma risada, dessa vez mais contida, escapou da garganta do filho de hermes quando o outro falou sobre esquecer a história do anjo. — agora tá fazendo mais sentido pra mim! — em seguida, o rapaz olhou em volta, apenas para dar uma conferida em quem mais estava se recuperando por ali enquanto seu tom ficava mais sério. — do que eu ouvi, algumas missões tiveram sucesso, que nem a sua. mas a maioria... — gilbert fez uma careta. — não teve o mesmo desempenho. a maior parte fracassou.
Sutton estava sentada à beira do lago, observando a água e ponderando se deveria fazer algo que jamais faria normalmente, como simplesmente se banhar ali sem motivo aparente. Era algo que nunca pensaria em fazer, mas estava tão entediada que não conseguia mais suportar seus próprios pensamentos. Irônico, considerando que passava a vida tentando bloquear os pensamentos alheios de sua mente, mas agora sentia falta de tantas pessoas ao seu redor.
Despiu-se de suas roupas, ficando apenas com um maiô que nem sequer lembrava quando foi usado pela última vez, e se preparou para mergulhar. No momento em que estava prestes a pular, ouviu um barulho, o que a fez assumir uma postura defensiva imediatamente. Ela avistou um braço se aproximando, agarrou-o e arremessou a pessoa na água. Era Gilbert. — Enlouqueceu, garoto?
FLASHBACK: antes da convocação para suicídio coletivo as missões.
quando foi arremessado no lago, a única coisa que gilbert estava sentindo, além de frio, obviamente, era frustração. que merda, ele nunca conseguia pegar sutton desprevenida. e olha que ele era muito bom em furtividade. estava tentando surpreendê-la e empurrá-la no lago como forma de brincadeira, mas no fim quem acabou molhado e surpreso foi ele. diante da pergunta da filha de atena, ele apenas ergueu uma das mãos para fora da água com o indicador e o polegar próximos um do outro, em um sinal de "só um pouquinho!". — mas você já sabia disso! — falou, sorrindo de lado e nadando em direção à margem onde ela estava. — bbrr! tá congelando aqui, caralho! — falou, se abraçando. fazia sentido que a água estivesse gelada, afinal, tinha muitos dias que o sol não aparecia no acampamento e o tempo seguia nublado e chuvoso. — não vai entrar? achei que fosse nadar.
@rxckbellz said : i’m just warning you : i don’t think i’d make a very good partner .
❛ por que? tem alguma história que eu preciso saber? ━━━━━ começou, investigando brevemente se havia alguma razão por trás. mas, um pouco depois, estava pronto para argumentar novamente o motivo de precisar de companhia. ❛ não vai ser tão complicado, é uma fisioterapia e um treino ao mesmo tempo. supervisionada, no caso, que é a parte chata, mas é pra testar quando eu vou poder voltar à ação totalmente. ━━━━━ colocou as mãos no bolso por um momento, apesar da insistência, estava teoricamente relaxado. ❛ só tinha você pra chamar, todo mundo anda ocupado esses tempos.
FLASHBACK: antes da convocação para suicídio coletivo as missões.
— não, não tem nenhuma história. — a lógica de tadeu honestamente fazia sentido, gilbert só estava com receio de acabar machucando-o de alguma forma durante o treino. nunca tinha treinado com alguém em recuperação e como forma de fisioterapia. dito isso, o filho de hermes, como instrutor de combate corpo a corpo, provavelmente era, de fato, a pessoa mais indicada para aquilo. com isso em mente, o rapaz apenas suspirou. — tudo bem, vamos nessa! — ele apenas decidiu encarar aquilo como um novo desafio, seria um bom treino para ele também. — eu pego leve com você. quando quer fazer isso? agora? tô com tempo!
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Se antes já era dificil manter os irmãos na linha mesmo correndo atrás deles pelo acampamento para garantir que estavam se comportando e não explodindo os coleguinhas, agora com a limitação de movimento Pietra se via como a carrasca que tinha que acreditar no que os outros diziam. "Já avisei uma vez e vou avisar de novo, qualquer um que entre no nosso chalé sem permissão está sujeito as nossas regras. Não acho que vamos precisar resolver isso, só avisa eles que eu deixo preso no teto até segunda ordem." Okay que ela era molenguinha nas punições mais chatinhas, nunca tinha deixado alguém mais que 1 hora preso no teto, mas outras como mudança de cor de cabelo, perder as sobrancelhas ou diminuir de tamanho não eram lá muito pesadas e ela deixava sofrer. "Ta complicado, não tem como mentir né? Mas as coisas tão melhorando. Fizemos uma rampa para a cadeira e bem, não tem muito mais o que fazer." A morena fez uma caretinha antes de dar os ombros, não era alguém que gostava de dar trabalho, na verdade fugia ao máximo de pedir ajuda então nem tinha ideia o que o rapaz poderia fazer para facilitar sua vida "Só para garantir, como vocês estão? Olivia veio aqui antes da missão... Ela tá bem?"
— ah, mó paz! aviso sim! — o filho de hermes disse, fazendo um hangloose enquanto sorria. — os pirralhos tem que aprender a lidar com a consequências das ações deles. — e a se safar delas. omitiu essa última parte de propósito, mas era justamente por isso que preferia deixar os irmãos mais soltos, acreditava que assim eles desenvolveriam um senso de responsabilidade e consequência mais naturalmente. é claro que, quando a coisa ficava mais séria, ele interferia, porém, sempre que possível, e quando eles estavam envolvidos em atividades perfeitamente inofensivas, preferia que eles ficassem livres para decidir o que fazer. — entendo. — gilbert disse, observando a nova rampa que dava acesso ao chalé de hécate. — ficou bem boa, mas espero que você se recupere logo! — o rapaz não tinha noção do quão graves haviam sido os ferimentos de pietra, entretanto, genuinamente esperava que ela pudesse voltar a andar com as próprias pernas em breve. — eu não sou nenhum fisioterapeuta, mas se quiser retomar algum treino de combate quando estiver de pé, pode contar com o pai aqui! — ele ficou um pouco mais sério com a pergunta seguinte de pietra. — bom, não tivemos muitos convocados para as missões, então, em teoria estamos bem. só preocupados com todo mundo... e eu não consegui falar muito com a olivia ultimamente... mas sei que parece ter alguma coisa estranha. preciso tirar um tempo 'pra gente conversar. — como se tivesse se tocado de repente de algo, gilbert fez uma careta genuinamente confusa. — aliás, o que ela veio fazer aqui?
Ri fraco com o comentário dele, mas continuou com os olhos nos livros quando ele se aproximou, contato visual sendo sempre algo muito difícil para Charlie, ainda mais com alguém com o qual ela não era próxima. "Está tudo bem, eu estou acostumada. Passo tanto tempo aqui dentro que devo ser a bibliotecária extraoficial do Acampamento", riu fraco com a própria piada. "Ainda... se bem que é algo que eu imagino os filhos de Hefesto inventando, só porque sim. E seria divertido, mas iria um pouco contra a regra de silêncio dentro da biblioteca." Finalmente olhou para ele quando ele perguntou se a assustou e deu de ombros, não querendo que ele se sentisse mal. "Só um pouco, mas é porque eu estava distraída lendo. Está tudo bem", garantiu. Riu fraco quando o rapaz se apresentou e apertou a mão dele. "Eu sei. Eu morei no seu chalé por um tempo, antes de ser reclamada. Meu nome é Charlie, sou filha de Atena."
— bom, se você quisesse assumir um cargo do tipo oficialmente, eu não acho que quíron acharia ruim ter mais de um bibliotecário. — ele acenou em direção às inúmeras estantes do lugar. — tem livro demais aqui, imagino que uma ajudinha seria bem vinda. — em seguida, o filho de hermes ficou pensativo com o papo das estantes falantes. era algo completamente hipotético e provavelmente inviável e impossível, mas que soava infinitamente divertido. era seu tipo favorito de papo. — bom, as estantes podiam ser programadas pra ajudar os bibliotecários e leitores a não se perder, dizendo qual a seção de livros tem nela, por exemlpo. e se elas só falassem quando alguém falasse com elas primeiro? — gilbert ficou contente em saber que ela estava bem, não estava na sua lista de afazeres matar alguém de susto. — nesse caso, prazer em te conhecer oficialmente, charlie, filha de atena! muita gente passa pelo chalé, é meio estranho, na verdade, eu sempre tenho a sensação de que conheço todo mundo e de que não conheço ninguém ao mesmo tempo! — exclamou com um sorriso amarelo.