O Encontro na Livraria — Manual da Sedução.
Ela entrou devagar, como se estivesse entrando num templo. O cabelo castanho caía em ondas suaves sobre os ombros, e os olhos, claros e atentos, percorriam as estantes altas de madeira, cheias de livros que cheiravam a papel velho e poeira doce. Era sábado à tarde, e a livraria antiga, no centro da cidade, estava quase vazia — apenas o som suave do ar-condicionado e o farfalhar de páginas.
Ele já estava lá. Não por acaso; ele sabia que ela costumava vir aos sábados, sempre por volta das quatro. Ele não a seguia, apenas sabia. Estava encostado numa estante de poesia, com um livro nas mãos, mas não lia. Esperava. E esperava com calma — a calma de quem sabe o que quer, e tem certeza de que vai conseguir.
Quando ela parou diante da seção de romances clássicos, ele se moveu. Não depressa, nem devagar demais. Movia-se com fluidez, como se cada passo fosse pensado, natural e leve. Chegou perto, mas não tão perto a ponto de invadir seu espaço. Ficou a um metro de distância, o suficiente para que ela sentisse a sua presença, mas não se sentisse acuada.
Ele pegou um livro da prateleira ao lado da que ela olhava. Ao virar-se, fez parecer que foi um acidente que seus olhos encontrassem os dela.
Ela ergueu o rosto, surpresa. Seus olhos bateram nos dele — olhos escuros, profundos, que pareciam ver não apenas o seu rosto, mas tudo o que ela pensava e sentia. A maioria dos homens, ao olhar para ela, desviava o olhar rápido por timidez, ou encarava com fome, de forma grosseira. Ele não. Ele olhou firme, com interesse genuíno, mas sem pressa. Manteve o olhar por dois segundos a mais do que o normal — tempo suficiente para criar uma conexão, para dizer “eu vejo você”, mas não tanto a ponto de ser agressivo.
Depois, ele sorriu. Não um sorriso largo, exagerado, nem um sorriso de canto de boca, presunçoso. Foi um sorriso pequeno, suave, que iluminou apenas os cantos dos olhos. Um sorriso que dizia: “Você é interessante, e eu gosto do que vejo.”
— Está procurando algo específico? — perguntou ele. A voz era baixa, grave, calma. Não era alta, não era ansiosa. Era a voz de quem está confortável consigo mesmo.
Ela sentiu um arrepio leve na nuca. A pergunta era simples, mas o tom... o tom fazia parecer que ele não falava apenas de livros.
— Ainda não tenho certeza — respondeu ela, e percebeu, surpresa, que a sua voz saiu mais suave do que o normal. — Gosto de descobrir por acaso.
Ele deu um passo mínimo para frente, diminuindo a distância um pouco mais. Agora, ela podia sentir o seu perfume: algo amadeirado, limpo, sutil — nunca forte. O perfume de um homem que cuida de si, mas não se exibe.
— Os melhores livros são sempre os que encontramos por acaso — concordou ele, mantendo o olhar nos olhos dela, depois deixou deslizar lentamente, com respeito, até a boca, e voltou aos olhos novamente. Era um movimento pequeno, quase imperceptível, mas carregado de intenção. — Assim como as melhores pessoas.
Ela sentiu o rosto esquentar. Ninguém falava assim com ela: direto, elegante, sem joguinhos bobos, mas com uma tensão elétrica no ar.
Ele estendeu a mão, entregando-lhe um livro que ele havia escolhido antes dela chegar. “Este aqui. Acho que combina com você.”
Quando suas mãos se tocaram ao pegar o livro, o toque foi breve — apenas a ponta dos dedos. Mas foi um toque firme, quente, consciente. Não foi um toque acidental, foi um toque que registrou presença. Ela sentiu a eletricidade percorrer o braço todo.
Ela olhou para a capa: “O Amor nos Tempos do Cólera”.
— Por que esse? — perguntou ela, olhando de novo para ele, curiosa, atraída, já rendida pela metade.
Ele se inclinou um pouco, aproximando o rosto devagar, até que sua voz chegasse como um sussurro suave, só para os seus ouvidos:
— Porque você tem cara de quem sabe esperar pelo amor que vale a pena. E de quem sabe amar com intensidade.
Ele não esperou resposta. Abaixou-se um pouco, ainda olhando nos olhos dela, e disse:
— Tenho que ir agora. Mas sei que vou te encontrar de novo. Nos mesmos lugares. Nos mesmos acasos.
Deu-lhe aquele mesmo sorriso pequeno e enigmático, virou-se e saiu da livraria, com o mesmo andar calmo e seguro com que entrou. Não olhou para trás. Nunca olha para trás — porque ele sabia: ao sair daquele jeito, deixava nela não apenas uma lembrança, mas uma necessidade.
Ela ficou parada, segurando o livro contra o peito, o coração batendo forte, olhando para a porta que ele havia acabado de atravessar. De repente, a livraria parecia muito vazia, e o sábado parecia muito longo. Ela queria que ele voltasse. E ele sabia que ela iria esperar por ele.
Esse é o segredo da sedução: nunca dar tudo de uma vez. Deixe mistério. Deixe desejo. Faça ela sentir que ela é quem está tentando te conquistar.
— T.













