Lady, where has your love gone? I was looking but can't find it anywhere | Bulstrode & Nott
clube-slugue:
Que Cordélia não desejava necessariamente estar naquele evento, era evidente. Não era nenhuma novidade que a filha dos Bulstrode não era a maior fã de ocasiões formais onde era obrigada a portar-se como uma dama – ou pelo menos tentar. Sobretudo uma ocasião do Club do Slug, que costumava enxergar os membros de seu seletivo grupo como pequenos troféus. Cordélia detestava aquela objetivização, contudo, ser fruto de uma família pureblood e uma aluna aplicada a caracterizava como membro do Clube, não obstante quanta vezes tivesse faltado às reuniões. Situação que não poderia repetir agora e, por desejar ao menos se divertir por uma noite, havia decidido convidar Dedalus para acompanhá-la; tendo em mente que ir com um de seus melhores amigos era muito melhor do que aturar a companhia de algum estudante purista com alma de trasgo.
O alívio de ir com Diggle, todavia, durara até que conhecidos o arrastassem. Wendy estava na festa, e Cordélia comentou tal detalhe com o amigo, permitindo que uma pausa fosse feito nas brincadeiras e comentários secretos de ambos para com os demais presentes, para que o amigo fosse cumprimentá-la. Nesse meio tempo, Cordélia avistara o melhor amigo sem a presença da ave de rapina que era a noiva. Como a promessa que o havia feito sobre impersonar seus personagens favoritos em peças shakespeareanas, Cordélia passou os minutos ao lado de Regulus buscando meios de fazê-lo rir; o que parecia ter funcionado até que o rapaz fosse puxado novamente por sua companhia, e restasse à Cordélia alguns minutos a sós.
Embora todos seus amigos estivessem ocupados, a jovem Bulstrode não recebeu aquele isolamento temporário como algo ruim, e analisava cautelosamente a mesa de bebidas, tentando descobrir quais haviam escapado de um possível batismo, quando ouviu uma voz chamá-la. Cordélia teria encarado aquilo de um modo perfeitamente normal, não fosse aquela voz pertencer a uma parte específica de suas memórias. E uma parte cujo efeito ainda era grande, não importava há quanto tempo não ouvisse-a dirigindo-se à ela tão diretamente.
O choque durou apenas um segundo, uma reação extremamente interna que pudera ser mascarada com o olhar repreensivo da ruiva para o caçula dos Nott, torcendo que sua clara falta de vontade de conversar fosse notada antes que ele percebesse o tremor súbito que tomara conta de suas mãos. Tentando disfarçar aquilo, a ravina pegou uma taça qualquer disposta na mesa, e buscou com o olhar ligeiro uma rota de fuga para aquela conversa, quando Thomas deixou claro seu esforço em conversar. Com um baile lotado e nenhuma companhia para salvá-la naquele momento, só lhe restava respirar fundo e fitar aquele garoto nos olhos. – Existe uma dezena de coisas das quais eu não sou mais fã, Nott. E não acho que conversar com você seja parte das coisas que eu ainda gosto de fazer. – A resposta viera calma, sustentada pelo olhar fixo das íris azuladas naquelas adiante, porém Cordélia logo tratou de desviar seu foco visual; fazendo menção de escapar dali antes que Thomas quebrasse mais uma vez suas defesas e expusesse uma fragilidade com a qual Madeline não queria lidar. Ser dura com o rapaz, que há muito lhe fora importante, não era exatamente fácil – porém aceitar a realidade da situação deles, após aquela mudança de parâmetros brusca e súbita, era mais complicado ainda.
O jeito que Cordélia mantinha suas íris azuis em Thomas era assustador - e esse não era realmente um adjetivo que caracterizasse a ruiva - não que o menino não entendesse o receio da ravina, ou o modo como ela havia o olhado e logo deixado sua atenção ir para qualquer coisa que não ele. Thomas pensava que, se estivesse na mesma situação da garota, provavelmente estaria fazendo coisa parecida. O sonserino não era o melhor dos exemplos quando o assunto era disfarçar seus sentimentos - nunca havia sido e não seria agora que conseguiria fazê-lo - seus olhos castanhos sempre o entregavam e depois de um certo tempo, o moreno parou de tentar. Com Cordélia não havia sido diferente, pois a partir do momento que falou com a garota, não conseguia mais repetir aquele mesmo ato sem esboçar um grande sorriso no rosto. Nott não tinha o costume de mentir, talvez por isso fingir sentir algo por Clarissa fosse tão difícil afinal, e em nenhum momento conseguiu mascarar o que sentiu por Cordélia. She was a part of his stars afterall.
Da última vez que os dois haviam estado ali, em um evento como aquele com um número monstruoso de alunos o cercando, as circunstâncias eram outras e o rapaz conseguia lembrar perfeitamente do sorriso que a ruiva o oferecia, assim como o braço que ela prontamente enlaçava no seu. Eles estavam juntos, no melhor e mais simples significado da palavra. Não haviam rancores, corações partidos e nem mesmo noivados e mentiras na época, e tudo parecia mais fácil para o amante de estrelas e sua garota ruiva que lhe explicava sobre seus comic books. Thomas conseguia lembrar do modo como os dois riam das roupas que os demais alunos usavam, assim como os comentários que o professor de Poções fazia e o modo como boa parte dos sonserino não sabia realmente dançar. Eles viviam em sua própria bolha, excluídos de qualquer coisa que pudesse atrapalhar a simplicidade que eram os dois.
Mas as coisas sempre davam um jeito de mudar e por mais que o menino tenha procurado adiar tudo aquilo, tudo acabou do mesmo modo que começou: Com as estrelas e lindos olhos azuis o encarando. Nem mesmo seu amigo William poderia ter salvado o caçula dos Nott daquela situação. Em pouco mais de um ano, ele estaria noivo e Cordélia continuaria sua vida sem ele, provavelmente achando novas constelações para se encantar. O sonserino não poderia culpá-la por guardar mágoa dele, ele que escondera tudo no fim das contas. Mas se pudesse, teria feito diferente e era por essa razão que precisava desesperadamente que Cordélia ao menos o ouvisse. Ele não conseguia suportar o jeito que ela olhava pra ele.
Um suspiro cansado escapou dos lábios avermelhados de Thomas, que engolia em seco e passava sua mão pelo pescoço em um gesto impensado que demostrava seu nervosismo em relação a situação. Em outro tempo, seu nervosismo perto de Cordélia seria por motivos completamente diferentes - que certamente envolviam a insaciável vontade do rapaz de beijá-la - mas lá estava ele, perto dela, nervoso e pelos motivos errados. Não era como se ele tivesse muita escolha no fim das contas. Com um sorriso um pouco incerto, virou o rosto para a ruiva e colocou uma de suas mãos de modo despreocupado no bolso. - Espero que seus comic books não estejam incluídos nessa “dezena de coisas”... - tentar aliviar a tensão não era realmente uma tarefa fácil, principalmente quando a ruiva parecia estar procurando um motivo qualquer para escapar dali. Thomas não podia dizer que não estava esperando aquilo, mas ouvir a resposta de Cordélia havia doído mais do que ele poderia imaginar. - Não, eu realmente não esperava que conversar comigo ainda estivesse na sua lista de coisas preferidas a se fazer - respondeu em um tom ameno, seus olhos castanhos eram um misto de tristeza e vergonha, encarando a vastidão que o azul das íris de Cordélia sempre havia representado. - Olhe, você pode ir embora e me deixar falando sozinho com essas bebidas quando sentir vontade, sim? Seria preferível que não o fizesse agora, eu iria parecer um grande bobo conversando sozinho, mas entendo caso o faça. - olhou para ela, querendo poder tomar sua mão entra as suas como há muito havia feito. - Sei que errei com você, Cordélia. Eu realmente sei, e entendo perfeitamente o motivo de me odiar agora. I hate me too. Eu só não queria magoar você, e acabei magoando ainda mais ao não fazê-lo. E eu sinto muito. Mesmo. - a sinceridade em sua voz era quase tão gritante quanto seu desespero, mas o menino não se abalou. Ao invés disso, se colocou na frente da garota, esperando que ela ao menos o olhasse uma última vez.











