I wish that I had known in that first minute we met, the unpayable debt that I owed you | Thomissa
Midnight estava sentada na cama da garota, olhando fixamente para a sua dona que girava na frente do espelho. Seu pelo preto se destacava nos lençóis brancos, ele miava sempre que ele dava um giro. Ela sempre suspeitou que ele a entendia. Talvez ele não quisesse que ela fosse para a festa, seria normal já que ele tinha certo problema com quase todos os garotos que ela conhecia. Curiosamente, ele havia gostado de Thomas e não tentou o atacar na primeira vez que o viu. Ela só esperava que isso não fosse algum tipo de pressagio. Não tinha a intenção de se relacionar com o menino, mesmo que ele fosse seu noivo e mesmo que fosse passar o resto da sua vida com ele. Um relacionamento era feito de amor.
Clarissa era apaixonada por poções desde o dia que entrou na escola, era uma das melhores da turma e sempre recebia elogios do professor, isso só fez com que ele a chamasse para fazer parte de seu grupo seleto. Mesmo gostando da matéria, a Avery não via graça nenhuma nessas festas, todo mundo sabia que o professor fazia isso para ganhar os alunos e para manter contados com eles quando os mesmos saíssem da escola. Ela pensava que no futuro ele provavelmente ligaria para ela pedindo dinheiro ou para ela quitar suas dividas, claro que ela não o faria. Não daria nada para ele, achava sua tentativa de subir na vida um tanto quanto ridícula e tola, havia muitos outros jeitos além de apelar para adolescentes de quinze anos ou dezessete. Na realidade, ela tinha muita pena do professor. Ele parecia sempre um tanto quanto perdido, sempre tentando agradar e impressionar os alunos para que eles gostassem dele. Mesmo não gostando da festa, e muito menos do professor, sempre foi em todas as festas e jantares que ele organizava, portanto não foi diferente dessa vez. Ela iria para a festa naquela noite como foi em todas as outras, a diferença é que não iria sozinha. Seu noivo a estaria esperando no salão comunal. Não poderia falar que dessa vez não estava nervosa, mesmo sabendo o que deveria fazer e mesmo que não gosta do Thomas, sentia um pequeno calafrio em sua espinha. Não sabia ao certo porque, mas suspeitava que era somente pela mudança repentina em sua vida. Em um momento ela era solteira, indo a festas sozinhas e se divertindo com sua prima, sendo prometida como esposa de Sirius Black, ou algo próximo disso, mas no outro ela estava noiva, de um homem falido, que, apesar de lindo, deixava-a com tédio muitas vezes, estava indo para festas acompanhada, beijando nos corredores e estava supostamente apaixonada. Mesmo que já tivesse conversado com sua mãe sobre isso, mesmo que as duas já tivessem repassado o que ela deveria fazer e a quem deveria impressionar, convencer, era incrivelmente diferente ter a presença de um homem em sua vida como seu marido e esposo. Ainda mais quando ele ficaria lá para o resto de sua vida. Não que se importasse. O dinheiro seria seu, a herança de seus pais seria finalmente sua e ela poderia ter lindos filhos. E ele, bom, ele poderia fazer o que achasse certo desde que isso não envolvesse outra mulher em sua cama. Clarissa terminou de se arrumar. Usava uma saia preta que ia até os joelhos, uma blusa branca que manga comprida, a blusa poderia parecer decotada demais, mas na realidade era só um decido um pouco mais claro e fino do que o outro. Usava um sapato de salto preto também. Sua baixa estatura nunca a incomodou de fato, mas ela gostava de usar os saltos para poder ficar maior.
- Boa noite, Midnight – ela fez um carinho na cabeça dele, o gato ronronou em responda e deitou para poder dormir. Ela desceu as escadas do dormitório para poder encontrar o noivo. Várias pessoas estavam se arrumando para a festa também. Muitos slytherin participavam do clube do slugue, então já era comum ela ver vários colegas de casa na festa, mas dessa vez seus olhos não estavam nas roupas dos outros ou nos garotos que passavam, estava no noivo que a esperava encostado em um dos sofás. Clarissa poderia falar o que quisesse dele, menos que ele era feio. Thomas era um dos garotos mais bonitos que ela já tinha visto na vida. Era alto, bem mais alto que ela, tinha os cabelos negros, os olhos castanhos, possuía braços até que fortes e pernas incrivelmente bonitas. Ele era muito atraente e ela agradecia aos céus por isso. Sempre afirmou que preferiria casar com um velho de sessenta anos somente para ficar viúva antes de poder engravidar ou de se deitar com ele, mas quando conheceu Thomas percebeu que nunca daria certo. Preferia ficar com aquele noivo a ficar com qualquer outro, por mais tedioso que ele pudesse ser. Ela se dirigiu a ele com um grande sorriso no rosto, quando parou na frente do garoto, aproximou o rosto do dele e encostou seus lábios rapidamente. Não foi um beijo verdadeiro, nunca seria, mas foi rápido e simples. – Você está lindo, amor. – ela sorriu, apoiando as mãos nos ombros dele e roubando outro beijo. Clarissa deu alguns passos para trás, segurou a saia com as duas mãos e sorriu para ele, tombando a cabeça para o lado. – O que você achou?
Esperar parecia ser o forte de Thomas, que sempre recordava estar esperando alguém ou alguma coisa em qualquer tipo de situação e contexto que poderia pensar ou lembrar. Lembrava de ter esperado Jude arrumar suas coisas ao decidir que iria embora, de ter esperado pela noiva do irmão em um dos eventos que foi para cobri-lo, esperar por sua família decidir sobre seu destino e sua noiva e mais recentemente, de ter esperado de forma ansiosa e um tanto nervosa para que sua noiva descesse e ele finalmente pudesse conhecer a pessoa com quem passaria o resto de sua vida. E era essa mesmo pessoa que Thomas esperava agora, encostando no sofá da slytherin e com um olhar de pouco interesse sobre o que certos colegas de casa ainda faziam por ali, afinal boa parte deles já deveria estar na festa do professor de poções e Thomas seria um deles, se não tivesse agora uma noiva e uma acompanhante para a noite. A verdade é que havia sido um tanto difícil se acostumar com aquela ideia: casamento. Óbvio que o rapaz já sabia que aquilo seria inevitável, principalmente quando seus pais faliram e a única opção viável foi fazer o filho mais novo noivar. E afinal, aquele havia sido o motivo de seu término com Cordélia no fim das contas, seu noivado. Só era um pouco estranho pro garoto ainda, ter em mente que se casaria logo mais e que bem, sua noiva não estava nem um pouco disposta a manter alguma relação com ele. Como ela mesmo dizia, um relacionamento não era feito de amor e Thomas começava a pensar que o seu com Clarissa se daria da mesma forma, duas pessoas que não se amavam, mas que estavam juntas para um bem maior, fosse qual fosse.
Fingir tinha sido a parte difícil para o garoto, se acostumar com as mudanças de comportamento repentinos da garota quando alguém se aproximava, estar atento para poder beijá-la e dizer as coisas certas no momento certo, tudo havia sido um tanto difícil para o rapaz, que se perguntava o quão longe os dois levariam aquilo até que algo acontecesse. Thomas não se iludia ao pensar que Clarissa guardaria qualquer tipo de sentimento por ele que fosse, mesmo algo como uma simples amizade, seu medo era que ele começasse a se importar demais com a morena, mesmo que de fato, a sonserina não desse nenhum motivo para que Nott realmente se importasse com ela. Como o garoto logo percebeu, Clarissa era uma pessoa um tanto difícil, com certos conceitos conturbados e alguns valores que o moreno não chegava realmente a concordar. Além disso, ela realmente acreditava que as coisas poderiam funcionar para os dois, mesmo que eles nem se conhecessem de verdade e Thomas achava aquilo um tanto quanto perturbador, uma vez que não conseguia pensar passar o resto da sua vida vivendo algo como aquilo. Mas bem, era esse o seu papel na sua família e o mais novo dos Nott nunca deixaria sua família na mão, até porque Julian já complicava a situação e afirmava que não casaria no fim das contas, uma grande maturidade para um homem de 23 anos, realmente. Aquela festa do professor de poções seria só mais uma das coisas que ele e Clarissa teriam que fazer juntos, beijos, abraços, sorrisos e todas as coisas que noivos apaixonados deveriam fazer, Thomas já sabia quase de cor o tipo de coisa que poderia ou não fazer com Clarissa e não poderia dizer que estava realmente ansioso para passar a noite toda fingindo sentir algo que não sentia com alguém que parecia não dar a mínima para o que ele achava ou deixava de achar. Clarissa não era uma noiva ruim, longe disso, mas no seu íntimo, Thomas só desejava que ela pudesse ser um pouco mais aberta, que os dois pudessem ter realmente algo que não aquele noivado que havia sido empurrado tanto pra ele como pra ela. Mas bem, ele não era inocente de pensar que as coisas mudariam e que algum dia eles teriam algo, portanto somente seguia esperando sua noiva no salão comunal, não se incomodando com alguns olhares dirigidos a ele.
O sonserino não teve que esperar muito mais, uma vez que logo ouviu seus colegas comentarem sobre Clarissa e levantando seu olhar para poder olhar para a noiva, Thomas sorriu - provavelmente por hábito - e esperou até que a morena viesse até ele, reconhecendo o tipo de sorriso que ela lhe lançava e já esperando o que poderia vir daquela noite com ela. Clarissa era linda e Thomas nunca poderia negar aquilo, havia percebido isso na primeira vez que a vira, embora nunca tivesse realmente dito a ela o quanto a achava bonita e encantadora. E assim como sua beleza, a garota era intensa e Thomas achava curioso certos trejeitos dela, assim como alguns costumes e coisas que ela dizia às vezes. Sentindo o beijo em seus lábios, o rapaz abriu um sorriso automático e inclinou a cabeça, na intenção de falar alguma coisa. - Obrigado, meu bem. - respirando fundo, Thomas sorriu mais uma vez e a seguiu com o olhar, franzindo o nariz ao pensar no que deveria dizer. - Eu acho… - começou se levantando e seguindo na direção dela. - Que você está deslumbrante. - sorriu e pegou a mão dela, a girando rapidamente e depositando um beijo em sua palma. - E que me sinto certamente perdido com sua beleza. - completou finalmente, deixando a mão nas costas dela e já caminhando para fora da comunal, com a intenção de não chegar muito tarde na festa do professor.