estou só, em meio a um campo aberto.
não existe nada além de uma grama verde que vai além do horizonte.
tente imaginar o mar, mas um mar de grama, é exatamente o que vejo.
espera aí, vejo algo azul ao longe.
o sol bate na margem e a luz reflete na água azul,
a imagem fica presa na minha mente.
fico hipnotizado por aquele reflexo,
tão bonito que o lago parece um portal direto do céu.
aproximo-me e me deixo cair de costas naquele portal.
a água gelada me assusta.
penso: como algo tão bonito pode ser tão frio?
mas eu me entrego, sem medo.
fecho os olhos e sinto meu corpo afundar como uma pedra.
mas… desde quando esse lago é tão fundo?
eu lembrava de ver o chão antes de pular.
continuo de olhos fechados, tenho medo do que vou encontrar.
o lago começa a me assustar de verdade.
e eu penso: por que não paro de afundar?
uma voz ecoa dentro de mim: “lute! lute! LUTE!”
abro os olhos no mesmo instante.
eu estou no fundo do mar.
não é a parte clara e bonita dos desenhos animados.
estou nas profundezas onde ninguém chega.
tento nadar para cima, inútil.
estranho… eu não me afogo.
só sinto medo. e frio. muito frio.
então decido nadar ainda mais fundo.
mas algo me dizia que eu precisava ir.
quanto mais eu nado, nada muda.
mas eu não encontro nada.
cansado, paro de obedecer.
e apenas deixo o mar entrar em meus pulmões.
e o mais inesperado acontece:
num piscar de olhos, a escuridão desaparece.
o oceano se revela a coisa mais linda que já vi:
corais coloridos, luz cortando o horizonte,
olho para cima e vejo o topo.
agora eu nado com facilidade.
e, acredite, ainda estou no lago.
esse lago é tudo o que eu precisava.
esse lago é o meu ponto de paz.
assim como o nosso relacionamento, meu amor.
quando eu decidi respirar dele,
que não quero sair nunca mais.
porque nosso relacionamento é o meu ponto de paz.
sou apenas eu, sendo feliz.