ivycollins:
Ivy tentou ficar parada enquanto a amiga arrumava seu cabelo, que estava, como sempre, uma completa bagunça. Sylvia podia ser a atriz do grupo, mas ela sempre ficava surpresa com a facilidade de Ada em sorrir. Afinal, quando ela não estava rodeada de holofotes e fingindo ser outra pessoa, Ivy tendia a deixar todas suas as emoções muito aparentes e muito simples. Triste, feliz, cansada, raramente irritada… Não saber exatamente o que ela estava sentindo deixava a ruiva confusa. “Meus pais só voltam no final da semana e…” Parou bruscamente, agarrando a mão da amiga e a levando para dentro de sua casa, fechando a porta no caminho. “Vem, a gente pode conversar no meu quarto.” Declarou, subindo as escadas enquanto ouvia a outra.
“Em mim?” Não pode esconder a surpresa em sua voz. Para Ivy, Ada sempre foi, bem, legal. Descolada, popular, o tipo de pessoa que sempre sabia o que dizer e fazer. O pensamento que ela trocaria uma noite fora com as amigas para ir falar com ela era um pouco aterrorizante. “Procurar… o Eddie?” Ivy mordeu os lábios, abrindo a porta do quarto com um pequeno chute. Logo lá, na cabeceira da cama, estava uma foto dela com o amigo no baile do junior year, quando os dois perceberam que não tinham nenhum par tarde demais. O maldito frio na barriga, um puro senso de medo, voltou a tomar conta da ruiva, que se forçou a olhar para a amiga. “Você acha que ele pode estar na floresta? Perdido em algum lugar? Ou…” Ela não terminou a frase, embora o pensamento estivesse completamente materializado.
primeiro pensou em como ivy era sortuda de não ter pais em casa, porque céus, só deus sabia o quanto ela desejava não ter ninguém dentro de sua própria residência. odiava tanto o padrasto, sentia tanta raiva da mãe e era tão facilmente irritada pelos irmãos que mais pareceria um álibi. o segundo, porém, é de que nem todo mundo deveria ter uma família tão infernal quanto a sua, e que, como sempre, estava se deixando levar pela constatação automática de que o mundo girava ao seu redor ❝em você sim, pode desfazer essa carinha de surpresa.❞ repreendeu de brincadeira, mas ela sabia que a amiga estava certa em possuí-la, afinal de contas, ainda eram de grupos diferentes na escola, e as companhias com as quais andava não eram exatamente... tolerantes. e, em relação a sylvia, a própria adaline já havia recebido uma advertência bem clara sobre como se sentiam com sua amizade com a atriz.
soltou um suspiro, e apertou os lábios ao mesmo tempo em que assentia. aquele era um assunto delicado, e ada sabia que era também o que se passava ela mente de todos eles. haviam estudado juntos o fundamental todo, e só no ensino médio é que foi reparar nele. ainda se recordava da história toda do ano anterior ao do início das sessões de rpg, naquela vez em que se viu obrigada a intervir em um conflito sem sentido entre o garoto e um dos rapazes do time, o distraindo do que seria um nocaute terrível ao se colocar na frente do mesmo e o convencer, com seu charme, claro, que seria melhor deixar o zé ninguém em paz e se ocupar com sua presença. ugh. foram os três piores encontros de sua vida, mas pelo menos valeram a pena ❝shh, não vamos tão longe, ivy.❞ agarrou-lhe as mãos rapidamente, com muito cuidado para não apertá-las agora que sua força estava fora de seu controle grande parte do tempo. ❝eu não acho que ele está morto. não acharam um corpo. ele está em algum lugar. talvez tenha alguma armadilha na floresta, talvez tenha algum desabamento em alguma caverna impedindo que ele saia... temos poderes agora, então muita coisa é possível, okay? nada de seguir conclusões óbvias, seja criativa.❞ não sabia se aquelas palavras eram o melhor consolo, mas era de fato como se sentia diante de tudo aquilo. eddie não podia simplesmente ter morrido. ou talvez, aquela fosse sua fase do luto atual: a negação.



















