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mixolodine
Então por que a gente não vai e vota nela? _ Stephen nunca deixava nada transparecer que estava abalado. Era o jogador número 1, apesar de não ser o capitão do time por escolha própria. O sorriso doce que quebrada a imagem esperada de um cara daquele tamanho, sempre com palavras de incentivo. Então se a ideia de Emory era votar na Ada pra ressaltar o quão melhor ela poderia ser, o loiro estava dentro. _ A gente devia ir junto. Eu, você, a Ivy. Todo mundo. Até o Tyler, se ele quiser. _ Deu de ombros.
Assim que a amiga parou, a massagem terminou. Seus olhos se voltaram à nuvem que ainda o assustava. Tinha medo do que a garota poderia fazer, mas não a deixaria se de repente criasse uma nuvem que alagaria a cidade por completo. _ Claro que vão. _ As palavras foram quase que vomitadas de sua boca enquanto seus olhos ainda focavam naquilo sobre suas cabeças. Era surpreendente demais para deixar de olhar. _ A polícia sabe o que faz. É melhor a gente voltar.
“ -- Porque eu não estou afim de passar pela tortura que o baile é” em outras palavras, não queria aguentar os olhares tortos ou as besteiras que falariam de si. Podia fazer um esforço e ir pela amiga, mas Emory não tinha vontade alguma para o fazer, especialmente com todo o sumiço de Eddie. O riso falho escapou os lábios da morena automaticamente, a ideia de Stephen era boa, mas colocá-la em prática seria um desastre. “ -- Pra quê? É só um evento social idiota, compensa mais irmos comer pizza juntos ou qualquer outra coisa” protestou em meio a alguns trovões, detestava aquela nuvem, e o mais irônico era que quanto mais se irritava com tal, mais ela persistia em segui-la.
" -- Acha mesmo? Eles mal pegam aqueles ladrõezinhos de bicicleta” argumentou cruzando o braços, intercalando o olhar entre Stephen e a nuvem pode perceber que a mesma não parecia agradá-lo muito. “ -- ‘Tá, não é como se fôssemos achar algo por aqui nessa altura do campeonato” tinha procurado tanto pela região, não pensavam que ficar mais tempo ali fosse fazer diferença. “ -- Quer ir no Rosie’s tomar milkshake pra afogar a tristeza e tudo mais? Quem sabe assim as nuvens somem e levam sua cara de assustado junto”
overstyler
Aceitou a proposta da amiga de fazer uma pequena investigação particular sobre o paradeiro de Edward. Seguia a garota pelo caminho que ela escolhia, enquanto olhava ao seu redor atrás de algo que pudesse ser útil na missão dos dois ali. “Eu não acho que o Eddie esteja morto.” Falou a frase que dizia repetidamente à si mesmo, até que chegou um momento em que passou a acreditar nisso. Não tinham muitas pistas, mas o que estava se passando com a falta de provas, a falta de um corpo, e o fato de que os amigos agora tinham super poderes poderiam ser alguns sinais de que algo maior estava acontecendo ali. Algo que nenhum deles conseguiu compreender ainda.
Sua primeira reação foi rir com o comentário seguinte da garota. Por ser um rapaz estudioso, e até mesmo inteligente, ligado no mundo nerd e geek, as pessoas costumavam esperar que Tyler tivesse resposta para tudo, ou quase tudo. Naquele situação, mais do que nunca, ele desejava ter. “Bem, os X-Men nasceram com seus dons, então tecnicamente, não poderíamos ser eles.” Não era a parte mais importante da fala de Emory, mas ele precisou acrescentar. “De qualquer forma, eu tenho algumas teorias, mas eu não falo nada porque não quero criar falsas esperanças em vocês. A gente não pode se prender a coisas que eu penso baseado nos filmes de ficção que já assisti. Afinal, são ficção, não é? Mesmo que alguns tenham algum embasamento em física quântica, nada é realmente comprovado.” Verbalizou em voz alta alguns dos seus pensamentos frequentes nos últimos dias.
O convite a Tyler para que fossem a floresta investigar um pouco mais era quase que a última tentativa de Emory. Visitou o lugar duas vezes só nessa semana que havia passado, se aventurando pela variedade de árvores, tentava achar algum sinal que explicasse o desaparecimento de Eddie. Queria acreditar que estava deixando algo passar diante de seus olhos e talvez o mesmo não se repetisse com Ty. “ -- Isso é tudo muito bizarro, não acharam nada até agora, nenhuma pista concreta, um corpo ou coisa do tipo” podia ser mórbido cogitar que o amigo estaria morto, mas era uma possibilidade, talvez a mais normal que passara por sua cabeça desde que adquiriram as habilidades.
Intercalando o olhar entre Tyler e o caminho que faziam rente a trilha, Emory tentava acreditar na possibilidade de que o amigo fosse perceber alguma coisa ali. Ele era inteligente, mais do que qualquer um que conhecia -- isso se não contasse seu pai, é claro -- se alguém no grupo poderia ter ideias mirabolantes mas de certa forma plausíveis esse alguém era Ty. “ -- É quase a mesma coisa” minimizou seu comentário, não entendia do assunto então não tinha muito poder de argumentação. Ouvindo atentamente, Emo encostara o braço esquerdo contra uma das árvores mais altas dali, forçando os olhos tentava encontrar algo no horizonte. “ -- Não crio esperanças, at all, então pode joga seu conhecimento no ar” respondeu de maneira um tanto fria, Emory não era mesmo o tipo que criava esperança só para ter algo em que se segurar. “ -- Concordo, mas essas habilidades que nós temos parecem coisa de ficção, do tipo que nem cientistas explicam, talvez o sumiço do Eddie, seja tipo isso.”
choiroffuries
admirava-se sempre com o contraste tão dolorosamente óbvio lhe separando de emory. desde seu modo de se vestir como se não estivesse se importando, até a postura que deixava extremamente claro que era isso mesmo, e, por um momento muito breve pensou em como isso demarcava o quão afetada era por tudo ao seu redor, uma vez que uma aparência impecável ao ponto de não se permitir sair sem arrumar as sobrancelhas era uma prova da própria condição de refém de suas incertezas. e mesmo assim, o resultado final era enxergar na outra uma beleza muito mais genuína que a sua, bem assim, sem nem tentar. ah deus, como odiava o fantasma constante da nulidade que a fazia ser tão má consigo mesma, ainda que jamais tenha se arrependido de qualquer um de seus bons pensamentos para com a menina ali, na sua frente, toda bagunçada. no fim das contas nada mudaria, continuaria buscando uma perfeição que só viria a encontrar em outras pessoas. ❝bonito look, combina com seu cheiro❞ não dizia como algo ruim, embora soubesse que talvez devesse a repreender pelo hábito de fumar – apesar de ostentar uma aparência delicada, o cheiro de álcool e cigarro sempre lhe agradaram.
ponderou por um momento se deveria ou não aceitar a cerveja. ainda era um pouco cedo, mas também soava melhor que roubar o vinho da mãe de madrugada e depois fingir que não havia feito nada (enquanto a mulher fingia que acreditava na inocência da filha) ❝queria te fazer sair, pra ser sincera❞ gesticulou com as mãos e deu de ombros, e aí, observou os olhares ruins do vizinho bisbilhotando através da janela, provavelmente intrigado por sua visita tanto quanto emo e seu questionamento sobre a morte de alguém. não era justo com ela, porque se havia algo que sabia, era que as pessoas tinham a tendência de tratarem mal a amiga. emory podia falar sem pensar e sustentar uma postura fria, claro, mas ninguém nasce assim. adaline não havia nascido com aquele sentimento de inferioridade convertido em falso egocentrismo pelo menos, logo, achava que isso se aplicava a todo mundo, confirmando que tanto tempo fingindo, talvez, tivesse transformado uma parte de seu teatro vitalício em real. de todo modo, se antes suas fofocas que eram sediciosas, agora, se sentia um pouco melhor em defender seus amigos utilizando suas “mãos mágicas” para descarregar pequenas cargas de eletricidade. bastava sentir raiva o bastante ❝beber… na floresta, talvez?❞ a sugestão era clara sem precisar conter o real objetivo. queria muito encontrar eddie, e, se caso não conseguisse, ao menos dessa vez poderia descontar sua frustração se embriagando.
Opostos. Chegava a ser um eufemismo usar está palavra para descrever Emory e Ada, quem observava uma de frente para a outra poderia achar graça em como o universo achara uma forma de uni-las. A dona dos belos cachos sempre fora de certa forma intrigante para Emo,não era como se chegasse a ser um mistério, mas definitivamente uma pessoa peculiar. Vê-la tentando se esconder debaixo da fachada perfeita dia após dia só lembrava Emory do quanto ela queria se distanciar daquilo. Ora, passou boa parte de sua vida sendo decepcionada ou machucada por aqueles ao seu redor, não via motivos para querer fingir ser algo que não era, sequer tinha alguém em sua vida para agradar em tal intuito. Perda de tempo. A frase reverberava sempre que via Ada perambulando com os populares pelos corredores do colégio. Queria entender como aquilo fazia sentido para ela, mas não se via capaz, talvez fossem diferentes demais uma da outra para entenderem porque levavam a vida de maneiras tão distintas. “ -- Um bom par de meias arrastão sempre combinam com uma colônia de tabaco, não tem nada melhor” o escárnio presente da fala aparecia na forma de um sutil sorriso, deixando a entender que não levava o comentário a sério, muito menos considerava este um sinal para largar os cigarros.
Puxando o cabelo que escapava do coque para longe de seu rosto, Emory passava os fios para trás de suas orelhas tomadas por alguns piercings, fazendo uma careta inexplicável ao ouvir a amiga. “ -- Não quer dizer que só porque eu tenha matado aula nos últimos dias que eu não tenha saído, Ada” o divertimento vinha em um tom de deboche, podia parecer que não levava aquilo à sério mas no fundo apreciava a vinda de Adaline, só não era boa no quesito de transparecer tal sentimento. “ -- Os vizinhos vão pensar que você veio me ajudar a esconder um corpo.... Ou pior, que somos lésbicas e parte de um culto pronto pra matar metade da cidade” debochou ao notar que a ruiva olhava para o lado, mais especificamente para sua vizinha, Susie, conhecida por inventar as mais criativas fofocas da região. Emory era muito boa em ignorá-las, mas devia admitir que depois de anos vivenciando isso, estava cansada. Talvez por isso quisesse tanto fugir da cidade. Pairando os olhos sob Ada considerou a proposta da amiga. “ -- Parece razoável, ficarmos bêbadas na floresta algumas horas antes do pôr do sol, soa inconsequente o suficiente para eu estar dentro!” um rápido assentir concluiu antes de voltar para o interior da casa, pegando a jaqueta de couro largada sob o sofá, um pack de cervejas da geladeira e seu molho de chaves, tratou de trancar a residência antes que pudessem deixá-la. “ -- Quer ir à pé, ou de bicicleta?” questionou vestindo a jaqueta, deixando as chaves no bolso desta por segurança.
ivycollins:
Sair da chuva gelada foi um alivio imediato, mesmo que a cabana não oferecesse muito calor com os aquecedores desligados. Ivy ligou as luzes do lugar rapidamente, e tirou seu casaco de chuva, embora as botas e vestido por baixo estivessem igualmente encharcados. O espaço estava inquietantemente silencioso, tão diferente das noites cheias de risadas em que o grupo se reunira para jogar rpg. A ruiva deixou suas palmas deslizarem sobre a superfície da mesa do local, em uma tentativa desesperada de que seus novos poderes lhe fossem dar um sinal. De preferência, uma visão de onde Eddie estava. Nada. “Se os adultos não vão fazer nada, então nós vamos.” Ela declarou, tirando as mãos do móvel como se ele tivesse a queimado. Sylvia sempre tivera uma tendência para o dramático, e aquela parecia a hora certa para usa-lo.
“Eu sei disso, Emory.” Suspirou. A verdade era que assim que a notícia do desaparecimento de Eddie tinha sido dada, a garota tinha temido pelo pior. Que o amigo tinha decidido fugir daquela cidadezinha, sem se preocupar com o resto do grupo. O pensamento tinha atormentado Ivy, mas então algo inesperado aconteceu. Magia, poderes, visões. E de repente, sua confiança em Eddie tinha voltado, maior do que nunca. “Eu acho que ele está em perigo, e se isso é verdade, então policias e grupos de busca não vão servir para muita coisa.”
Acertando suas botas contra o tapete frente a entrada da cabana, Emory se livrara da terra grudada neste antes que pudesse adentrar o refúgio dividido pelos amigos. Seguras da chuva -- que agora acertava a estrutura exterior do casebre -- Emory retirou sua jaqueta de couro e a colocou no cabideiro pregado ao canto de uma das paredes. Passando as mãos pelos braços gélidos intercalava o olhar entre os móveis e a ruiva. “ -- A única coisa que podemos fazer por enquanto é investigar” suspirou, não era de ficar se lamentando ou dramatizar situações, mas reconhecia o quão frustrante está poderia ser. Sequer tinham um ponto de partida, quiçá uma pista concreta sobre Eddie, que parecia ter desaparecido no meio do ar.
Não respondeu a amiga, Emo tinha fama de ser uma pessimista e não descartava a ideia de que Eddie poderia estar morto, talvez isso fosse melhor do que nutrir esperanças por algo melhor. Movendo-se pelo ambiente a morena se jogou contra um dos pequenos sofás acomodados ali. Escutando a amiga, assentiu discretamente, puxando a barra da puxa branca molhada pensava no que dizer. “ -- Que tipo de perigo exatamente? Algo mágico parecido com as sessões de RPG e nossas habilidades estranhas?” a hipótese era plausível, mas mesmo assim continuava sendo apenas uma hipótese, e como adolescentes podiam ir contra algo que sequer entendiam? “ -- Não temos pista alguma, Ivy, não sabemos nem de onde partir, e se for algo fora do normal mesmo, estamos fodidos.”

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ivycollins
Fechando os olhos e respirando fundo por um breve momento, Ivy se deixou imaginar ser outra pessoa. Uma detetive dos anos 20, em busca de provas para inocentar seu cliente. Era bobo, sim, mas de repente a floresta não parecia mais querer tirar um pedaço dela. A ruiva teve que se lembrar que ela e Emory estavam em controle da situação, pelo menos no momento. “Emo, você acha que todos esses ataques na floresta podem não ser de animais… comuns?” A mente de Ivy voltou para as sessões de rpg que eles jogaram durante o verão, se aventurando por florestas cheias de monstros e aberrações. Em um encontro em especial, sua personagem quase não saiu viva, e a memória de estar à beira da morte era mais vivida do que a garota gostaria de admitir.
“C’mon, pelo menos lá nós não vamos pegar chuva.” Sair da parte mais densa da floresta em direção à trilha que levava a cabana dos Lennox não foi tão difícil, e logo a garota andava por um caminho já familiar. Mais uma vez, a imagem de Eddie - parado, pálido e com olhos vítreos - começou a pairar sobre a cabeça da ruiva. “Ele não faria isso!” Ivy respondeu, o tom um pouco defensivo demais. Ela queria acreditar que Eddie não era tipo de pessoa que desaparece no meio da noite, deixando um rastro de preocupação e angústia em sua volta. Aquilo não era Sylvia tendo uma fé sobrenatural na bondade humana, era ela tendo fé em Edward. “Não sem nos avisar. Você sabe disso, Emory. Ele teria dito alguma coisa, dado algum sinal.” Não, algo ruim tinha acontecido com ele, e se ninguém naquela cidade acreditasse nisso, então ela e os amigos teriam que fazer alguma coisa. “Além disso desaparecimentos acontecem todos os dias. Magia? Super poderes? Alguma coisa especial está acontecendo aqui. Eu só não sei se isso é bom ou ruim.”
Não era o cérebro do grupo, ao menos não quando se tratava dos assuntos referentes ao colégio, no entanto os anos convivendo com o pai - um dos melhores jornalistas do estado - renderam a Emory alguma boa noção de como investigar. Ou ao menos era o que gostava de imaginar. Na prática era tudo bem mais complicado. Não tinham um ponto de partida sólido, especialmente quando havia a possibilidade do desaparecimento ser algo for do normal. “ -- Não duvido, tem de ter algo haver com nossas habilidades, porque elas praticamente apareceram no mesmo tempo em que o Eddie sumiu” ponderou conforme caminhava para trilha que as guiaria até a cabana. Não era uma cética, mas sua ideia de coisas bizarras se estendia OVINIs, a perdida Atlantis e robôs que algum dia dominariam a raça humana, não ao tipo de criatura que encontravam nas sessões de rpg.
Movendo a cabeça em um simples assentir, Emory seguiu pelo caminho que havia decorado há muito, a nuvem insistia em acompanhá-las bem como a garoa, felizmente a cabana não estava longe de ambas. Pega de surpresa pelo tom de Ivy o cenho de Emo se franziu a principio, pensava que ninguém poderia conhecer uma pessoa por completo. Talvez alguma parte que não conheciam de Eddie era capaz de deixar a cidade sem avisos. “ -- Penso que sim, mas sei lá, Ivy, não dá pra ter absoluta certeza do que alguém faz ou faria, às vezes não sabíamos tudo sobre o Eddie” puxando as mangas da jaqueta de couro molhada, a morena deixava algumas pequenas tatuagens à mostra. Eram um grupo de amigos próximos, mas não sabiam de absolutamente tudo que acontecia na vida uns dos outros, muito menos o que pensavam. “ -- Acho que tem algo mais nessa história, mas não dá pra descartar essa hipótese assim” talvez fosse influência própria, Emory sim era a pessoa capaz de sumir sem deixar qualquer aviso, diabos pensara em fazer isso dezenas de vezes. “ -- Ruim, provavelmente é bem ruim, nada de bom começa com um desaparecimento.”
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Mas você já sabe em quem votar? _ Perguntou em seguida. Apesar de ter soado sério - e, de certa forma, estar curioso sobre aquilo - Stephen apenas tentava quebrar o clima ruim que se instaurava. A polícia estava trabalhando naquilo, seus avós disseram. A gente tem que confiar nas autoridades. As palavras soavam firmes, mas nem um pouco verdadeiras. _ É, ainda não. _ Seu tom saíra um tanto nervoso com a formação das nuvens. Aquilo seria muito maneiro se não estivesse morrendo de medo. Ela já sabia controlar seus poderes? Por via das dúvidas, ergueu as mangas da jaqueta do colégio para iniciar uma massagem nos ombros da melhor amiga. _ Mas se você continuar, pode ser que o buraco negro se abra bem aqui.
“ -- É otimista da sua parte pensar que eu vou no baile pra começo de conversa” os olhos se reviraram em conjunto aos trovões que ressoaram meio as nuvens que insistiam em garoar. Emory não tinha controle algum sobre aquilo, percebia certa conexão com a natureza, mas não entendia como a mesma parecia se adaptar ao seu humor ou querer das maneiras mais cômicas possíveis. “ -- Mas se eu fosse, na Ada, ela merece vencer e esfregar na cara da vaca com quem anda” a falta de um filtro ficava clara no palavreado chulo que explanava muito bem o desgosto de Emo.
Assustada, virou a cabeça rapidamente quando sentiu a massagem, Emo pensou em resmungar com o melhor amigo, mas viu que o melhor era parar no meio da trilha, respirando fundo por um segundo. “ -- Duvido, acho que no máximo alguns raios saem desse troço, tipo os que queimaram a antena lá de casa....” referiu-se a nuvem acima deles. “ -- Acha que vão encontrar o Eddie?” o tom era sério dessa vez, Emory não tinha muitas pessoas em sua vida, perder uma delas era no mínimo angustiante.
“ -- Acha que tem alguma chance disso ter sido algo....” a palavra exata escapou a boca de Emory. Sobrenatural. Soava estúpido só de pensar, mas se levassem em conta as habilidades que desenvolveram do nada, não seria impossível. “ -- Sabe, fora do normal, alguma coisa que não tenha explicação, Eddie só sumiu e pronto” como uma pessoa que apreciava respostas a ideia daquilo permanecer um mistério permanente chegava a ser perturbadora.
Seguindo a trilha de folhas alaranjadas, Emo tentava buscar alguma coisa em meio ao aglomerado de árvores na floresta que pudesse explicar aquilo. Tyler, o amigo que a acompanhava, era uma das pessoas mais inteligentes que Emory conhecia. E de maneira rara uma das poucas com as quais a garota tentava maneirar nas grosserias, isso provavelmente se dava a dívida que tinha com o rapaz após ele impedi-la de reprovar em geometria. “ -- É doideira pensar isso, mas sei lá, nessa altura parece mais provável do que ele ter sido morto por algum lunático” tinha pensado em dez maneiras diferentes que o amigo poderia ter morrido no meio da floresta, mas a polícia nunca chegou a achar um corpo. Podia ter sido comigo por um animal. Argumentava consigo mesma, mas a teoria não era convincente, tinha de haver algo mais nisso tudo. Juntando um graveto caíndo no meio do caminho, Emo o lançara longe, tentando dissipar certa raiva que sentia antes que um temporal começasse. “ -- Você é inteligente, Ty, não consegue ver alguma coisa que o resto tenha deixado passar? Alguma teoria que explique o porquê nós do nada parecemos os X-Men?” @overstyler
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As palavras de Emory mandaram um arrepio involuntário na espinha de Ivy. Pensar em morte era a última coisa que a ruiva queria fazer no momento, especialmente com o vento fazendo as sombras das árvores dançarem ao seu redor. Quando ela era pequena, a floresta Bailey era um lugar mágico, um pequeno pedaço de terra para o qual ela fugia e fingia ser uma princesa ou uma guerreira ou qualquer coisa que lhe passasse por sua cabeça. Agora, ela mal podia esperar para sair daquele lugar o mais rápido possível, como se sempre houvesse algo se escondendo logo após a próxima árvore. “Eu estou bem.” Ela respondeu fracamente, deixando a amiga inspecionar sua pele em procura de machucados. Não havia nada além de um roxo em seu joelho, e mesmo esse quase não doía.
“Animais selvagens, com certeza” A ruiva murmurou, se lembrando das reportagens no jornal que seus pais assinavam. Pequenos ataques de animais não eram incomuns, mas eles aconteciam uma vez a alguns meses, não em uma semana. Ivy queria ir para sua casa, tirar as roupas molhadas e tomar um banho quente, mas algo na voz de Emory a dizia que a outra ainda tinha suas reservas. E para ser sincera, Sylvia também. “Talvez nós possamos ir até a cabana? O Eddie sempre passava lá antes das sessões.”
O humor mórbido e a falta de tato marcavam a frase que preferiu à pouco, a morena sabia que não era o melhor momento para mencionar tais palavras, mas estas praticamente pularam para fora de sua boca, como um impulso. Puxando algumas mechas de cabelo molhadas para longe de seu rosto, Emo examinava o machucado da amiga, não parecia ser muito pior dos que tivera enquanto andava de skate pela cidade. “ -- Não parece ser nada demais, mas devia colocar gelo quando chegar em casa” aconselhou com propriedade, era perita em cuidar de hematomas, cortes ou escoriações de tanto que o fizera nos anos anteriores.
“ -- Ou coisa pior....” a pausa foi seguida por uma tragada do cigarro que não duraria muito mais. Emo nunca vira nada fora do normal, por assim dizer, mas com a aparição das habilidades de seus amigos a morena passou a colocar o ceticismo de lado. Conhecia boa parte da floresta, se procurasse nos seus cadernos antigos poderia até achar um pequeno mapa que tentara desenhar anos atrás. O vasto e peculiar aglomerado de árvores lhe trazia tranquilidade quando não conseguia achar está em casa, mas não tinha tanta certeza se ainda era o caso. Estar ali naquele presente momento fazia um arrepio percorrer sua espinha e os pequenos raios aparecerem no céu. Tragando o cigarro até que apenas uma bituca apagada restasse, Emory assentiu para a ruiva. “ -- ‘Tá, já estamos aqui mesmo, mal que não vai fazer“ receosa de jogar o restante do cigarro na natureza que parecia tão próxima de si, a morena colocou este no bolso de sua jaqueta, começando a caminhar pelo caminho que já tinha decorado. “ -- Nada disso faz sentido, se ele estivesse morto já teriam achado algum corpo.... Acha que ele pode ter fugido? Ido pra alguma cidade vizinha ou merda parecida?”

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choiroffuries
o sorriso que esboçou no rosto não necessariamente esboçava qualquer sinal de bom humor, na verdade, mais era como uma daquelas reações automáticas de quando a amargura já lhe tomou por completo em uma situação recorrente. conviver com os populares havia lhe ensinado que o que atribuía importância as pessoas era, puramente, os escândalos. e normalmente, drogas ou o sexo. esteja na boca do povo ou você não é ninguém. e infelizmente, era nessa realidade que vivia ha tanto tempo, que percebê-la só a fazia se sentir mais miserável pelo simples fato de que, fútil ou não, também se importava com esse tipo de coisa. ousava pensar que, se não fosse um amigo tão especial, talvez não se importaria com qualquer pessoa desaparecida que não era de seu conhecimento. olhou para a nuvem que as seguia e mordeu o lábio ❝e qual foi a resposta? eu aposto em algo como: vai se foder. mesmo que meu coração deseje que tenha sido: obviamente, na ada.❞ foi um comentário inevitável, mas, esperava que emory o levasse com bom humor, mesmo que sua nuvem de estimação não parecesse nem um pouco melhor que a dona.
gradativamente, lhe escapou do rosto qualquer resquício de humor. fingir era um hábito inevitável, mas não precisava mantê-lo com a amiga. desde que havia descoberto a extraordinária habilidade de levantar todos os móveis de sua casa, carros e sabe-se lá o que mais, não era uma boa ideia deixar sua raiva esvair, então estava fazendo o maior uso possível de sua passividade ❝sabe, várias vezes eu conversei com ele sobre sair daqui. ele era um bom ouvinte.❞ ah, ali estava. ada vinha evitando de todas as formas falar sobre o amigo, porque isso tornava as coisas mais reais do que conseguia lidar dentro de seu hábito de agir de forma comedida e internalizar tudo. se abaixou brevemente, para pegar uma pedra não tão pequena, muito menos leve no caminho, a qual arremessou precisamente de encontro a uma árvore ali por perto. logo veio o estrondo. ❝mas, nunca sobre desaparecer desse jeito. ele desapareceu sozinho, em. isso… ugh. isso… é uma merda.❞ após a fala frustrada, observou a fumaça que havia levantado, tamanha a força com que atirou o objeto. havia se tornado extremamente destrutiva. e, isso também a preocupava. quem dera seu poder fosse ter uma nuvem de estimação. verdade fosse dita, sentia que ela e emory estavam com habilidades trocadas, porque não se achava forte nem figurativamente. ❝quero continuar procurando, mas acho que devemos ir embora. eu pensei em visitar os pais dele, cozinhar alguma coisa, talvez? você pode ajudar.❞
Rodeada por boatos dos mais curiosos tipos, Emory não era uma garota de muitos amigos, se pudesse teria largado a escola e sumido do mapa cerca de um ano atrás, mas viver sem um diploma era complicado para se dizer no mínimo. Detestava o funcionamento do colégio, especificamente como as cliques tornavam tudo mais difícil, Emory nunca conseguia verdadeiramente se encaixar em alguma delas, e depois de um tempo agradecera por ser assim. Idiotas. Exclamou na própria cabeça só de recordar-se das garotas que lhe aproximaram no horário do almoço. Reconhecia que não era a melhor das pessoas -- passava longe disso, mas se recusava a viver debaixo de uma máscara como muitos. Diabos, nunca entendeu como a amiga conseguia, no final das contas ela podia estar certa por ao menos se esforçar, algo que Emory sequer se dava ao trabalho. “ -- Algo na linha do ‘vai se foder’, mas agora me arrependo de não ter pensando no ‘obviamente, na ada’, acho que teria tornando a cara de taxo da garota pior ainda” um sorriso de canto fora esboçado em conjunto dos poucos trovões que soaram meio a chuva.
A simples menção de Eddie fez um nó encontrar espaço no estômago de Emory, aquilo podia torná-la um clichê ambulante, mas demonstrar sentimentos nunca foi seu forte. Piadas, rolar de olhos ou caras feias eram bem mais práticas do que conversar sobre como seu lado pessimista imaginava que Eddie estava morto. “ -- Ele era uma pessoa boa, o que torna isso mais revoltante ainda.... De todas os habitantes nesse buraco de cidade, logo ele foi sumir” os raios marcaram presenta no meio das nuvens, um chegou ameaçar atingir o topo de uma árvore no exato momento em que a pedra se chocou contra uma destas. Meses atrás Emory teria se contentando em proferir um palavrão, mas desde que ganhara sua tal habilidade, ver esse tipo de coisa acontecendo com a natureza tinha um impacto negativo na garota. “ -- Acha que ele deixou a cidade? Sem um bilhete nem nada?” um tom de deboche aparecia no fundo do questionamento, pendendo a cabeça ao observar a fumaça Emory cerrou os olhos. Soava estúpido para a morena, mas ela quase que conseguia sentir a dor da árvore. Abaixando-se rapidamente, Emo levou a destra até o solo úmido pela chuva que insistia em cair, encarando a árvore um estrondo surgiu do chão assim como um caminho de vinhas que agora se enroscavam ao redor da árvore feita de alvo, está parecia intacta agora.
“ -- Shit... Eu devia parar de brincar com isso” levantou-se em um pulo, os olhos levemente arregalados denotavam o susto da garota que tentava ignorar o que acabou de acontecer. “ -- Cozinhar?” questionou um pouco perdida, Emory cuidava de sua casa sozinha, mas passava longe da cozinha, as caixas de pizza amontoadas eram prova. “ -- Mal sei fazer macarrão instantâneo, Ada, além do mais, acha que e boa ideia ir na casa dos pais dele? Assim do nada, eles devem estar desesperados, e vai saber se o Eddie mencionou algum de nós pra eles, vai que acham estranho.” a lista de desculpas era extensa, mas o motivo principal simples, Emory não queria encarar os pais do rapaz.
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Havia algo de perturbador em ser a otimista durante uma situação que não parecia ter nenhum lado bom. Desde que Ivy se conhecia por gente ela tinha sido a garota com um pouco de confiança demais na bondade do universo, que dava voltas e nós na lógica para conseguir tirar algo bom de situações devastadoras. Agora, porém, ela se sentia como uma lâmpada que já tinha passado de sua vida útil, sem nenhuma utilidade ou propósito. Claro, ter poderes - poderes de verdade, que fariam até os mais céticos abandonarem suas crenças - era como um sonho, mas a cada dia que se passava Sylvia pensava que ela estava presa em um pesadelo. Algo a dizia que o desaparecimento de Eddie era o começo de algo muito pior, e ela não estava pronta para ter que enfrentar isso sem o amigo.
“Você vai estragar seus pulmões.” Disse a ruiva de maneira leve. Até o momento, ela tinha deixado Emory desabafar todas as suas frustrações, sem deixar de perceber como as nuvens ficavam mais e mais carregadas ao redor das duas. Ivy continuou andando, a garoa fria batendo contra sua pele como pequenas bolas de vidro. Ela estava levemente distraída com as palavras de Emory quando pisou em falso, e deslizou em uma pequena inclinação por entre dois pinheiros, dando um pequeno grito nada dignificado. “Talvez nós tenhamos procurado ao bastante para o dia.” Ela se levantou do chão lentamente, olhando para a amigo com incerteza. Elas tinham que encontrar alguma coisa na floresta. Alguma pista, ou sinal de Eddie, qualquer peça do maldito quebra cabeças que o universo colocara neles.
Estava acostumada a se desapontar com a vida, Emory podia até dizer que tinha prática em lidar com os cenários desagradáveis que muitos optaria por sequer cogitar. A lembrança de ver sua mãe sangrando até a morte em sua frente martelava a cabeça da garota até hoje, e ela gostava de pensar que não podia haver sensação pior que está. Talvez esteja errada. A semana que procedeu o sumiço do amigo fez está pequena pulga aparecer, tinha a impressão que o viria no futuro poderia ser bem pior. Afinal, se o seu mau humor pode desencadear alguns raios num perímetro de dois quilômetros, algo de muito errado está acontecendo.
“ -- Existem jeitos piores de morrer” o desinteresse pairava sob a morena, tentava se cuidar e moderar em seus bad habits, mas o estresse dos últimos dias dificultava exercício da boa vontade. Tragando o cigarro seguia a ruiva da mesma maneira que as nuvens o faziam, a cada minuto estas pareciam se espalhar, engrossando a garoa que fora seguira de alguns trovões ao presenciar a queda de Ivy. “ -- Caralho, Ivy, você ‘tá bem?” questionou indo até está com rapidez, o cigarro entre seus dedos enquanto Emo tentava procurar algum machucado na amiga. “ -- Também acho, melhor irmos pra casa antes que escureça, vai saber que tipo de coisa acontece por aqui de noite ” concordou em um aceno de sua cabeça, a chuva já tinha molhado boa parte de seu cabelo e roupas, mas parte da morena queria ficar mais tempo ali, quiçá passar à noite em busca de algo que pudesse ter pego Eddie.
o tiquetaquear do relógio de parede soava torturante, uma vez que a voz estridente da novata no time há muito havia lhe torrado toda a paciência e educação de uma boa veterana. de fato, adaline não vinha agindo de maneira hospitaleira com a nova apadrinhada, ou mesmo com as várias meninas que forçavam amizade consigo em prol de parecerem um grupo bem estruturado, e não o centro de fofocas que era realmente. verdade fosse dita, teve que se desconectar de seu mundo um pouco para processar toda a loucura daquela semana, e por isso, a ansiedade real era de sair em uma busca pela floresta. deveria soar arrogante, ela imaginava, que uma adolescente enxerida como aquela se achasse melhor detetive que a polícia, mas, a polícia não parecia ter adquirido super força, nem super resistência, e muito menos a curiosa habilidade de eletrocutar os outros. isso, só seus amigos – os de verdade – compreendiam.
e aí estava! finalmente livre. teve, claro, que mentir para escapar do encontro na lanchonete e inventou qualquer compromisso familiar para tal, até fingiu esperar o padrasto, e fingiu mais ainda o descontentamento com sua demora em buscá-la apenas para que, em sua solidão, pegasse o caminho oposto ao de sua residência, parando na porta da casa daquela outra pessoa. como era de praxe, ajeitou o cabelo e arrumou melhor as roupas, pois pouco lhe interessava se o objetivo era se enfiar no meio do mato, ainda precisava estar apresentável. de qualquer forma, após a checagem, apertou a campainha e aguardou.
Três dias fingindo ter a pior das gripes lhe renderam desculpas suficientes para cabular as aulas e dar início a sua pequena investigação. Não era uma detetive ou quiçá jornalista, mas aprendera muito observando seu pai -- quando este aparecia em casa, é claro. O pequeno quadro montado na parede principal da sala de estar, era prova disso. Diversas anotações de hipóteses feitas pela morena foram pregadas ali, interligadas por um barbante verde a recortes do jornal local e algumas fotos que havia tirado da floresta. Sob o balcão na cozinha estavam livros de teorias da conspiração e garrafas de cerveja que eram acompanhadas pelas bitucas dos cigarros consumidos -- não muitos, diga-se de passagem.
Se o sumiço de Eddy não fosse suficiente para tirar Emory do prumo, sua habilidade sem duvidas o faria. Tinha saído poucas vezes, na maioria para encontrar amigos, rondar a floresta, ir atrás da polícia ou comprar comida, mas durante todas estas algo de estranho lhe acontecia. Vinhas que cresciam magicamente, nuvens que acompanhavam seu humor, e é claro as chamas que tomaram conta de suas mãos quando um dos seus vizinhos lhe chamou de vagabunda. Nada fazia sentido, mas para Emory este era o usual, sua vida nunca fez sentido, ao menos desta vez ao parecia despertar seu interesse.
Servia um copo de água para si mesma quando o som da campainha interrompeu a música que vinha do rádio na cozinha. Merda, resmungou mentalmente, torcendo para não ser um dos vizinhos ou a polícia reclamando do barulho. Indo até a porta, abriu a mesma de maneira brusca, pronta para argumentar com algum adulto se conteve diante de Ada. “ -- Oi ” tinha recebido a ruiva ali várias vezes, mas era sempre uma surpresa que está sequer se desse ao trabalho de lhe visitar. “ -- Alguém morreu pra você vir aqui essa hora? ” o cinismo transparecia enquanto Emo arrumava os cabelos desajeitados em um coque prestes a cair. Sua aparência não era das melhores, olheiras e o cheiro de cigarro acompanhavam a camisa branca do The Clash com alguns furos aqui e ali, os shorts jeans prestes a desfiar e a meia arrastão característica da garota. “ -- Quer entrar? Tenho cerveja.”
Como podiam não ligar? O questionamento se reprisava na cabeça de Emory, a própria garota não costumava ligar, ignorou por anos o que acontecia na cidade, mas durante aquele particular acontecimento, era impossível. Não tinha uma vasta quantidade de amigos, mas Eddie era sem dúvida alguma um, e ter o mesmo desaparecido da noite para dia deixava Emory num misto de tristeza, raiva e confusão. “ -- O quê há de errado com as pessoas desse colégio? Uma garota veio me perguntar em quem eu ia votar no baile” a voz em um tom baixo acompanhava o pequeno aglomerado de nuvens que surgia um metro e meio acima da garota e pessoa próxima a mesma. Caminhavam pelas proximidades da floresta, e para sorte da menor, longe de qualquer outro habitante que estranhasse a mínima alteração do clima.
“ -- Parece que uma porra de um buraco negro sugou ele dessa cidade ” em questão de segundos a garoa começou como durante toda a semana passada, seus amigos pareciam ter habilidades interessantes, enquanto Emory estava presa a uma revolta da natureza. “ -- Esse lugar é um buraco ” admitiu raivosa, arrancando do bolso de sua jaqueta a caixinha de cigarros e o isqueiro, um hábito recente, criado oito meses atrás para ser precisa. Pegando um, pendurou a droga meio a seus lábios tingidos de vermelho, acendendo este mesmo debaixo da garoa que parecia piorar. Passava os olhos inquietos pelo horizonte da floresta esperando que algo em seu cérebro estalasse e de repente tivesse uma ideia brilhante, mas Emory não era inteligente o suficiente para isso. Ora, fazia dias que tentava ter uma simples noção do que tinha acontecido, mas não era capaz.“ -- Quer continuar procurando ou podemos ir embora?”

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