𝖻𝗅𝖾𝖾𝖽 𝗆𝖾 𝑑𝑟𝑦, 𝗍𝖺𝗄𝖾 𝗍𝗁𝖾 𝗙𝗘𝗔𝗥 𝖿𝗋𝗈𝗆 𝗆𝗒 𝗏𝖾𝗂𝗇𝗌. 𝗂𝗇𝖿𝗎𝗌𝖾 𝗍𝗁𝖾𝗆 𝗐𝗂𝗍𝗁 𝗽𝗼𝗶𝘀𝗼𝗻, 𝖺𝗋𝗆 𝗆𝖾 𝗐𝗂𝗍𝗁 ᴘᴀɪɴ. ⸻ 𝗅𝖾𝗍 𝖾𝗏𝖾𝗋𝗒 𝑡𝑜𝑢𝑐𝘩 𝗍𝗎𝗋𝗇 𝗆𝖺𝗇 𝗍𝗈 𝗌̵𝗐̵𝗂̵𝗇̵𝖾̵ 𝗌𝗈 𝗇𝗈𝗍 𝖾𝗏𝖾𝗇 𝗍𝗁𝖾 𝙶𝙾𝙳𝚂 𝖼𝖺𝗇 𝗍𝖺𝗄𝖾 𝗐𝗁𝖺𝗍 𝗂𝗌 𝐌𝐈𝐍𝐄 ͟.
ℳ𝙰𝙳𝙽𝙴𝚂𝚂 ⠀ ⸻ ⠀ você não sabe quem eu acabei de encontrar na praça das sete famílias. isso mesmo, 𝗘́𝗟𝗜𝗦𝗘 𝗗𝗘𝗩𝗘𝗥𝗘𝗨𝗫! ela é uma bruxa negra que atua como hostess na boate nocturne e dj aqui em ninivae, sabia? ouvi dizer que possui 52 anos, embora aparente ter 25 anos. os ventos sopraram que esse rostinho angelical é charmosa, mas são os rumores sobre ser egoísta que ameaçam a nossa paz. será que teremos problema em lhe estender a mão?
* 𝘁𝗮𝗴𝘀. * 𝗽𝗶𝗻𝘁𝗲𝗿𝗲𝘀𝘁. * 𝘄𝗮𝗻𝘁𝗲𝗱. * 𝗵𝗾𝗻𝗻𝘃.
ㅤ˓ ⿻ ۫ ࣭ ⠀ 𝐬𝐭𝐨𝐫𝒚𝐭𝐢𝐦𝒆 ⠀𓂃 bruxa negra de linhagem pura, élise não passou por um processo de queda ou corrupção tardia — ela cresceu já inserida em um mundo onde o que outras chamariam de errado era apenas o funcionamento normal das coisas. nunca teve contato com bruxas brancas, e por isso jamais desenvolveu qualquer parâmetro externo que a fizesse questionar o caminho que lhe foi imposto desde o nascimento. desde a infância, élise foi exposta a rituais, pactos e sacrifícios como parte da rotina, algo tão comum quanto o estudo de grimórios. sua mãe era uma presença dominante, narcisista, reverenciada e temida dentro do coven. necromante experiente, conduzia rituais de sacrifício, tratando a morte apenas como uma ferramenta. céline nunca escondeu que esperava que élise desse continuidade na linhagem. o desejo da mãe não saiu bem como o planejado. diferente da necromancia que dominava sua linhagem materna, élise desenvolveu o poder do ilusionismo. a devereux alterava percepções, criava imagens convincentes, distorcia sons, manipulava sentidos e implantava versões da realidade que pareciam reais o suficiente para não serem questionadas. ela aprendeu que alterar o que alguém percebe é, muitas vezes, mais eficaz do que alterar o mundo físico. percebeu que não precisava ser temida de forma explícita como sua mãe; bastava ser indispensável.
o que a fascinava era a liberdade. no coven, ninguém fingia pureza. ninguém se escondia atrás de discursos sobre equilíbrio ou graça divina. ali, o poder era assumido sem vergonha, e as consequências eram aceitas como custo inevitável. foi exatamente esse modo de operar, direto e imprudente, que selou o destino de todos eles. a confiança excessiva na própria força, a crença de que nenhuma raça ousaria retaliar um coven negro consolidado, transformou um erro em sentença. o ritual que os expôs não foi diferente de tantos outros, ao menos na intenção. um sacrifício considerado “eficiente”, escolhido pela potência do sangue e pela resistência da criatura: um licantropo. para o coven, era apenas mais um corpo, mais uma energia a ser extraída. para a alcateia, foi uma declaração de guerra. quando os lobos encontraram o coven, vieram em número suficiente para garantir que ninguém escapasse. não houve aviso ou negociação, apenas um ataque brutal e corpos dilacerados. enquanto o coven era massacrado, élise recorreu ao ilusionismo de forma instintiva, distorcendo o ambiente, fragmentando a percepção da alcateia, e confundindo sentidos o suficiente para passar despercebida. antes de escapar, viu a mãe ser alcançada e morta à sua frente, sem poder intervir. qualquer tentativa de salvá-la significaria morrer junto. quando conseguiu fugir para um lugar seguro, não havia mais coven para retornar. não havia abrigo, proteção ou estrutura. pela primeira vez, élise estava completamente só, sem hierarquia, sem ordens, sem um sistema que absorvesse as consequências por ela. precisou sobreviver sozinha, confiando apenas no próprio poder e usá-lo como ferramenta de sobrevivência. foi nesse deslocamento constante que acabou chegando a ninivae.
por um tempo, élise conseguiu existir em ninivae sem ser notada. evitava chamar atenção para si e usava o ilusionismo apenas o suficiente para passar despercebida, sem repetir os excessos que haviam destruído seu primeiro coven. foi nesse intervalo que acabou encontrando um novo lugar entre as bruxas negras, o crimson moon. não era o mesmo tipo de estrutura que havia conhecido na infância. a suprema não era sua mãe, o poder não girava em torno dela, e a autoridade vinha menos do sangue e mais da sobrevivência coletiva. ainda assim, élise se adaptou. foi nesse período que, aos vinte e cinco anos, ela se envolveu com um vampiro. sabia desde o início que era uma escolha malvista, quase sempre condenada entre bruxas, mas ignorou os alertas. o vínculo se construiu de forma instável, marcado por controle e dependência. aos poucos, élise passou a moldar decisões em função dele, a esconder partes da própria vida e a aceitar uma dinâmica que a afastava do coven. não conseguiu manter o relacionamento em segredo por muito tempo. algumas bruxas do crimson moon perceberam e não demoraram a julgá-la, aconselhando que encerrasse aquilo antes que se tornasse um problema maior. ela tentou. mais de uma vez.
na última tentativa de rompimento, veio a descoberta da gravidez. procurar ajuda não era uma opção. contar ao coven ou à qualquer um significaria ser sentenciada à morte. ainda assim, contou ao vampiro, esperando algum tipo de apoio ou responsabilidade. em vez disso, foi abandonada. ele foi embora sem oferecer qualquer amparo, como se aquela consequência não lhe dissesse respeito. a ira veio logo depois, misturada ao medo. élise sabia que não podia ter aquela criança, mas também sabia que qualquer tentativa de interromper a gestação seria descoberta. durante os primeiros meses, recorreu ao ilusionismo para ocultar o próprio corpo, disfarçando a barriga que crescia e forçando seus limites dia após dia. quando o esforço se tornou insustentável e o risco de ser exposta aumentou, ela desapareceu. deixou ninivae e se isolou em um lugar distante. o parto aconteceu em completo isolamento. quando a criança nasceu, élise não teve dúvidas. criá-la significaria arruinar a própria vida e condenar ambas desde o primeiro dia. não havia escolha que não fosse extrema. assim que conseguiu se mover, abandonou a criança na primeira esquina que encontrou, sem nome, sem proteção além do mínimo necessário para que fosse vista por alguém. foi embora sem olhar para trás, levando consigo um segredo que jamais poderia ser revelado e a certeza de que nenhuma ilusão seria capaz de apagar o que havia feito.
ㅤ˓ ⿻ ۫ ࣭ ⠀ 𝐩𝐨𝒘𝐞𝒓 ⠀𓂃 ilusionismo ⸻ o poder predominante de élise é o ilusionismo, uma forma de magia voltada à manipulação direta da percepção. ela altera o modo como os outros veem, ouvem, sentem e interpretam a realidade ao redor. suas ilusões podem afetar a visão, audição, tato, olfato e, em casos mais complexos, a percepção espacial e temporal. para quem é afetado, a experiência é plenamente real enquanto o feitiço se mantém ativo. quanto mais familiar ela está com o alvo ou o local, mais convincente e estável a ilusão se torna. ela consegue criar imagens falsas, modificar rostos, esconder presenças, duplicar figuras, distorcer sons e criar caminhos inexistentes, tudo dentro de um alcance limitado. o ilusionismo de élise não apaga memórias nem controla vontades. ele engana, confunde e direciona, mas não substitui decisões conscientes. manter alterações prolongadas na percepção de múltiplos alvos consome energia mental e física, causando fadiga, dores de cabeça, náusea e lapsos de atenção. quanto mais tempo a ilusão se estende ou quanto mais sentidos ela afeta simultaneamente, maior é o custo para élise.



















