Bom, se for pra ser totalmente sincera, no momento eu odeio o meu trabalho.
Mas, levando em conta que a lua está em escorpião e pronta pra um eclipse em sagitário, as emoções estão profundas e afloradas e eu estou de TPM, esse fato está mais para ser analisado do que para ser tomado como um catalisador para atitudes imediatas.
Acho que tode escritore tem uma fagulha de arrogância (um incêndio às vezes, quem sabe). Achar que o que eu escrevo pode servir para outra pessoa é um pouco arrogante... Mas eu já tive tanta ajuda lendo sobre a história de outras pessoas (em sua maioria fictícias, para ser sincera, mas eu não sinto que tenho um grande dom para criar histórias fictícias), que penso... Porque não compartilhar os meus pensamentos, sentimentos e reflexões?
Escrever é uma forma de organizar meus pensamentos e tirar de dentro de mim um pouco da confusão e do excesso de ideias que muitas vezes acontece (a meditação ajuda incomensuravelmente nisso). Ainda assim, eu sinto vontade de compartilhar. Espero que seja bom para quem lê, seja para refletir, para inspirar ao que fazer ou ao que não fazer, ao que ser ou ao que não ser... Enfim. Muita gente escreve. Eu posso ser mais uma. Sem grandes expectativas, simplesmente escrever. E esperar que o que eu compartilho sirva para te deixar melhor, e não pior (aí depende bastante de você, também, na verdade).
Eu odeio ter que parar de fazer o que eu quero fazer para fazer algo pelo qual eu não estou sendo bem paga, algo que é um desafio tão grande para mim – me mexer – e pelo que simplesmente não estou sendo reconhecida. E, muito provavelmente, eu não estou sendo bem paga e reconhecida porque eu estou fazendo algo que não é para mim, ao menos nesse momento.
Somado a isso, eu não aguento mais não conseguir parar num galhozinho. A vida é feita de movimento, sim, e parece que essa pandemia nos demandou (demanda, ainda) o parar o movimento externo para prestar atenção no movimento interno e PUTA QUE PARIU. Quanta coisa mudou na minha vida. E eu nem de longe estou reclamando disso, porque todas as mudanças foram lindas e me trouxeram sabedoria e crescimento e, com certeza, felicidade. Mas a vontade de estacionar um pouquinho é gigante.
Porém... e se eu não for uma pessoa que estaciona? Viver assim demanda muita energia, nesse movimento constante, e parece que eu preciso de férias de viver a minha vida ao que se relaciona ao mundo externo. A vontade é, sim, falar para todo mundo que eu vou ficar um mês sem trabalhar. E, levando em conta que eu tenho, no momento, pouquíssimas pessoas que contam com o meu trabalho, não parece que vai fazer muita diferença pra elus. É isso, parece que eu não faço a diferença na vida de ninguém e eu odeio não fazer a diferença na vida de ninguém. Será que é por isso (também) que eu quero namorar?
Talvez seja o fato de tudo ter se tornado online e não haver mais a conexão olho a olho com as pessoas, sendo que é nela que eu sinto que a troca aconteceu, sem que es alunes precisem me falar nada (mas agradeço quando falam!). Eu não aguento mais aulas online, mas sinceramente eu estou com receio de voltar às aulas presenciais. O lugar é novo. As pessoas serão novas e, mais uma vez, eu não sei o que vai acontecer.
Eu não aguento também não saber mais o que vai acontecer. Na vida, como um todo, tudo bem, porque é isso o que deixa a vida interessante também. Mas eu queria um segundinho de paz, sabe? Porque, aí, dá pra criar. Dá pra fazer algo novo. E não só ficar se adaptando e se adaptando e se adaptando porque ou você se adapta ou você fica desempregada. Não aguento mais essa velocidade.
Talvez seja a simplicidade de ser garçonete o que me atrai (também). É só isso, sabe? E é sempre a mesma coisa, com algumas pitadinhas de novidades: os clientes são novos (mas eu também amo atender clientes antigos, já saber seus gostos etc), às vezes eles querem uma coisa, às vezes outra... É tipo experimentar posições novas na cama, mas com o seu companheiro (ou a sua, ou enfim) de tempos já, porque ali já existe intimidade. Eu já não me sinto íntima do meu trabalho, pelo contrário: eu me sinto uma estranha.
Sinto demais que preciso desse tempo para internalizar um pouco meu trabalho, em vez de ficar apenas ensinando. Aprender, antes de ensinar. Me entender dentro dessa prática, antes de explicar aos outros como usá-la na vida. Assim como com a meditação.
Enfim, tô cansadona e desestimulada. Tenho a tendência a dizer triste, mas eu, no fundo, não estou triste. Só desestimulada mesmo. Querendo um segundinho de paz, sabe. No relacionamento, no trabalho, na moradia. Parando pra pensar, agora, eu não tenho estabilidade em nenhum dos aspectos da minha vida, no último mês: uma relação nova terminou, eu mudei de casa, tem um quarto cheio de caixas a serem arrumadas e meu trabalho está um fiasco. Eu estou de TPM e a lua está em escorpião e pré-eclipse. Quer saber? Dentro desse contexto, eu até que estou perfeitamente bem. É isso.
Eu não sou nenhum dos influencers de mais prestígios da minha área – e eu nem quero seeeerrrr! Eu quero só ser eu! Eu não quero postar mil coisas para virar a maior celebridade do instagram e só mostrar sorrisos e fingir que eu sou mil maravilhas, porque NINGUÉM É ASSIM. E estar no instagram talvez me faça esquecer isso e me influencie a querer uma coisa que eu nem quero.
Aliás, menstruei (fiz uma pequena pausa na escrita entre o parágrafo anterior e esse). Essa foi a TPM mais tranquila que eu tive na minha vida. Considerando tudo o que eu escrevi há dois parágrafos atrás, sinceramente minha nota pra mim mesma nesse momento é 100.
O foda é que, mesmo conseguindo fazer todas essas reflexões, elas ainda são reais... Escrevê-las e colocá-las para fora ajuda na organização mental, sim! No entanto, perceber tudo o que está acontecendo aqui dentro não faz com que todas essas coisas deixem de estar acontecendo. Parece que eu sou um elástico e eu mesma estou me puxando pra vários lados, e que eu mesma vou acabar me estourando.
Eu queria poder voltar a ser só a professora que dá aulas boas e é gente fina e compreensiva, e não a empreendedora e autônoma que é lutadora e está conseguindo se manter – com a ajuda dos pais, privilegiada – na pandemia, parabéns pra ela.
Eu só queria paz. Um relacionamento estável e feliz. Um emprego do qual eu goste e no qual eu queira ficar. Estabilidade e conforto financeiro. E um segundinho de “está tudo resolvido”. Acho que o lance de ter um relacionamento é um pouco disso também, de ter com quem dividir as coisas. As ideias, as decisões, os afazeres. Alguém com quem dividir as responsabilidades, as vontades, e as vontades de fazer junto. E nem dá pra culpar a quarentena. Aliás, dá pra agradecer: antes dela eu só estava tapando a minha percepção dessa vontade com bar. Saudades, bar.
Hoje foi um dia de acolher meu sentimento de copo meio vazio. De olhar para as minhas insatisfações, acolhê-las sem me julgar, sabendo que o que eu estou sentindo agora é passageiro e é apenas uma parte do que eu estou, nesse momento. Como eu disse no início do texto: um momento em que os sentimentos gritaram, mas não necessariamente para eu rebatê-los com a mesma intensidade e sim para se fazerem ouvidos. Como as dores vem para mostrar que algo está errado, e não simplesmente para tomarmos uma dipirona. Ok, dores, acolhidas. Obrigada ❤️
Esse texto foi um desabafo que eu me permiti fazer sem me sentir culpada por não estar me sentindo 100% bem com a minha vida e a aceitação de que eu posso querer mais. Todos os aspectos muito maravilhosos da minha vida continuam sendo reais e eu continuo sendo grata por eles, mas no dia de hoje, os sentimentos desse texto falaram mais alto. E eu decidi escutá-los. Escrever essa última observação pode parecer, a quem lê, uma manifestação justamente de um sentimento de culpa... Mas é mais um lembrete de que os sentimentos de insatisfação e agradecimento podem existir, simultaneamente, a sentimentos de frustração e desânimo. A vida tem muitas nuances, que acontecem, também, simultaneamente. Por uma época eu achei que um sentimento teria que anular o outro, mas hoje eu percebo que não é assim. E ainda bem :)
Dica: Veja a data de vencimento dos seus batons. Fui passar um hoje, vi que o vencimento foi em janeiro do ano passado. Fui pegar os outros, e o vencimento tinha sido antes. O que só me mostra que eu compro menos produtos de beleza do que achei que comprava.