Ensaio sobre um amor platônico
Foi diferente dessa vez, te ouvi cantar e não mais do que de repente, era a única voz que eu precisava ouvir, a expectativa de te ver uma vez mais era o que me movia, e lá estava eu, me contentando em te admirar de longe, na certeza de nunca te ter.
Então, como se o destino tentasse, de alguma forma aleatória, nos unir, eu te vi de perto, foi uma única vez, tão rápido que durou uma eternidade, minhas pernas tremeram, o frio na barriga subiu pela garganta, me impedindo de emitir um único som.
De repente o que eu esperava nunca mais sentir novamente me assaltou, não que eu já não soubesse desde o primeiro segundo em que te vi mas ainda havia a esperança de que fosse nada mais do que simples admiração, sinto falta de quando a vida era simples.
Como se já não bastasse a ânsia por te ver, começaste a povoar meus pensamentos, meus sonhos de um amor nunca encontrado, quase podia sentir seu cheiro, sem no entanto nunca ter sentido, a barba roçando no meu pescoço, seus beijos quentes, de um beijo nunca beijado.
Durmo à noite me imaginando nos seus braços, sabendo que, fatalmente, te faria o que me pedisse sem hesitar e descubro, para meu total desespero, que meu corpo é seu sem nunca ter sido e talvez não o seja; estou perdidamente apaixonada... que Deus tenha piedade de mim.
Alessandra Becker
30/01/2026














