TL;DR Filho de um diplomata egípcio e uma musicista francesa, cresceu num lar ausente e silencioso. É perpetuamente entediado e por isso é desesperado por se sentir vivo, e o faz por meio das substâncias ilícitas que estuda com curiosidade, experimentando em si mesmo em busca de algum limite. Errático, caótico, charmoso, fugaz como um cometa que brilha ardentemente e se apaga com a mesma rapidez. Conhece todo mundo. Pode ser um pouco cruel em sua sinceridade, irreverência e idongivafuck atitude.
Interesses: drogas, ópera, teatro (tragédias), sexo, música;
Atividades: boxe, vela e canoagem. Orquestra, estudos mortuários e teatro clássico.
Relações: sempre casuais, sem responsabilidade afetiva, romanticamente bissexual.
Ei, você viu quem voltou para mais um ano? Por um momento pensei ter visto [ TAMINO AMIR ], mas é melhor, é [ BASTIAN MOREAU-MOURAD]! Soube que ele está cursando [ BIOQUÍMICA ] aos [ 25 ] e é um [LEGADO] da Saint Benedict Hall. Todas às vezes que encontrei com ele eu podia jurar que ele estava ouvindo [ NESSUN DORMA, PUCCINI ]. Isso até combina muito com o quanto ele me lembra de [ THE FOOL ]. Eu só acho que algo está diferente esse ano, melhor ficar de olho nele!
[ DO I SOUND HONEST ENOUGH? ]
Bastian vive em permanente oscilação entre o brilho e o colapso. Sua mente é rápida, inquieta, sempre alguns segundos à frente dos outros, e ele sabe disso, o que o torna tão fascinante quanto insuportável. É carismático por instinto: fala o suficiente para encantar, mas raramente se deixa compreender. Há nele uma elegância descuidada, um charme que beira o desespero. Ri alto, pensa em silêncio, e trata o mundo como um experimento que ele já sabe que vai falhar. Gosta das pessoas intensamente, mas se cansa delas com a mesma rapidez, como um cometa no céu que brilha e se apaga sem deixar rastros. Nada o apavora mais do que o tédio e por isso transforma até a própria destruição em espetáculo.
Apesar da fachada insolente, Bastian é movido por uma curiosidade quase metafísica, uma necessidade de entender os limites da experiência humana, mesmo que precise atravessá-los. Enxerga o vício, o amor e a dor como variações da mesma coisa: formas diferentes de se aproximar do que é real. Raramente é cruel de propósito, mas a sua franqueza pode ser devastadora. Ele não acredita em redenção, apenas em observação; vê a si mesmo como um caso clínico, um corpo em estudo, e talvez seja isso que o salve — ou que o mantenha eternamente preso ao próprio abismo.
[ IF I CANNOT BEND HEAVEN I WILL RAISE HELL ]
Filho único de um diplomata egípcio e de uma musicista francesa, Bastian nasceu em Montreux — um cenário tão limpo e controlado que parecia artificial. A casa era ampla, as refeições silenciosas, e a educação impecável. Do pai, herdou a eloquência e o talento para mentir com charme. Da mãe, o ouvido absoluto e o temperamento errático. Nunca houve violência, apenas indiferença meticulosa — o tipo que cria filhos brilhantes e profundamente sozinhos.
Aos dezessete, um episódio discretamente abafado pelos pais o levou a um internato britânico. Foi lá que aprendeu duas coisas: como manipular remédios e como manipular pessoas. Nenhuma das duas habilidades o abandonou.
Estudante de Bioquímica, Bastian finge desdém pelas regras da academia, mas conhece cada uma delas com precisão cirúrgica. Sua curiosidade é real — ele só perdeu a capacidade de saber quando parar. Trabalha em pesquisas sobre neurotransmissores e “estados alterados de consciência”, o que dá verniz científico às suas experiências pessoais. Os professores o consideram um prodígio inquietante; os colegas, uma lenda urbana. Rumores dizem que Bastian mantém um pequeno laboratório improvisado em uma torre abandonada do mosteiro, onde passa noites inteiras testando substâncias e anotando o que sente — quando ainda consegue escrever.
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@bastianmourad ⸻ " why are you smiling? " + tenda da cartomante
A cartomante acabara de revelar uma carta que parecia deformada pelo tempo, mas se podia ver a figura exposta ali e mesmo assim um sorriso surgiu nos lábios de Alaric. Este, no entanto, somente percebeu o gesto quando ouviu a voz do outro ao seu lado, tocando o conto dos lábios para ter certeza que ele estava sorrindo. " por que às vezes, a verdade parece tão absurda que só resta rir. " virou-se para o outro rapaz e arqueou levemente a sobrancelha. " por que não tenta? talvez coloque um sorriso em seu rosto também. "
Bastian deixou escapar um som curto — algo entre uma risada presa e um suspiro interessado — ao notar o sorriso que Alaric tentava esconder. “A verdade é sempre absurda,” comentou enquanto girava o copo entre os dedos, o tom preguiçosamente cético, “especialmente quando vem embrulhada em papel cartão e vendida como revelação espiritual.” Quando Alaric o convidou a tentar, Bastian inclinou a cabeça, estudando-o com um interesse lento e felino. Tocou a borda do baralho como quem analisa uma variável instável, mas não puxou carta alguma. “Eu não sorrio por esporte,” disse com um meio-sorriso que contradizia a frase, “mas agora fiquei curioso.” Seus olhos voltaram para Alaric, atentos demais para serem casuais. “Mostra de novo. Quero ver qual verdade absurda te divertiu tanto.” Ele deixou a frase no ar, aberta, como um fio fácil de puxar — um convite disfarçado de provocação.
A risada que soltou ao ver Bastian com vestes parecidas fora genuína, a cabeça virando de um lado para o outro indicava apenas mais da falta de choque com a situação, já que tinham gostos tão similares para certas coisas "Só errou o doutor, Moreau." deu de ombros, um sorriso estampado nos lábios ao indicar o avental jogado no ombro e luvas "Tava mirando mais no Frankenstein, mas achei que carregar um corpo por aí era meio polêmico com as circunstancias atuais." jogou um dos braços em volta dos ombros alheios, já o guiando em direção ao bar para pegar o refil do que bebia ao que terminava o conteúdo no copo com um longo gole "Como você tá? Faz um tempo que não te via." perguntou como se ele mesmo não tivesse se trancado na biblioteca ou no quarto esses dias, fugindo de algumas responsabilidades por pura falta de vontade de lidar com o que estava acontecendo em volta deles.
"O bom e velho Frankie nem tinha doutorado. Ele era só um graduando fodido mesmo," Bastian riu. Então imaginou o quão out of tune seria Damien carregar um boneco cadavérico, e deu outra risada, dando um soco no braço dele. A morte recente do colega não era suficiente para deixar a faculdade abalada, considerando a temática da festa. "Você sabe." Bastian deu de ombros. "Focado nos experimentos. Você sabe como minha dedicação aos estudos me consome," e deu uma piscada em direção ao outro. As pílulas no bolso chacoalhavam. "Já fez algo interessante hoje?"
Marina deu uma gargalhada com as observações de Bastian. De fato, podia concordar que a caracterização do bar como 'laboratório do Dr. Frankenstein' era bem boba. Certamente estava longe de parecer tão assustadora para ela quanto os organizadores da festa provavelmente tinham a intenção que fosse. Se quisessem retratar um laboratório realista, deveriam ter empregado uma decoração que a lembrasse do seu acidente em Somerset, não tubos com água, luminol e corantes de todas as cores do arco-íris.
— Ele nem chegou a se formar. — comentou com um sorriso, enquanto rodava o licor em seu copo. Achava engraçado como haviam atribuído o título de Doutor a Victor em adaptações do livro. — O corpo administrativo dessa faculdade é hilário; eles jogam todos os seus 'princípios' pela janela pra agradar a gente. A abiogênese é o de menos, até trouxeram uma cartomante e um tabuleiro de ouija. — acrescentou com um ar de satisfação. Não era aluna da St. Benedict Hall há muito tempo, porém os dois meses que havia passado lá já haviam lhe gerado muito entretenimento observando a coordenação agindo igual imbecis hipócritas o tempo inteiro.
A pergunta que veio em seguida foi responsável por fazê-la arregalar os olhos e colocar a mão esquerda sobre o peito, exagerando uma reação ofendida e teatral. — Rainha Vitória? Se eu fosse me fantasiar de alguma rainha inglesa, seria a Rainha Elizabeth I. — respondeu em um tom afetado, antes de abaixar o braço e erguer uma sobrancelha um momento depois. — Você realmente não sabe de quem eu vim? Não acredito que não conhece Scarlett O'Hara. — Parando para pensar, talvez Bastian realmente fosse o tipo de pessoa que não conhecesse E o Vento Levou, mas, na opinião dela, ele deveria.
Bastian soltou uma risada breve, quase um sopro de ar pelo nariz. "O corpo administrativo dessa faculdade é hilário," repetiu, levantando o copo como se brindasse à frase. "Eles contratariam um necromante se isso rendesse engajamento no Instagram." O tom era preguiçosamente divertido, mas os olhos tinham aquele brilho de quem já pensou a sério sobre necromantes. "E claro que trouxeram uma cartomante. Nada mais “científico” do que dizer pros alunos que o futuro deles está completamente fodido… mas com estética." Bebeu mais um gole, franzindo a boca, insatisfeito com o teor alcoólico ridículo.
Quando ela encenou a indignação pela Rainha Vitória, Bastian arqueou uma sobrancelha, ostensivamente cético. "Elizabeth I, claro." A concordância saiu com uma ironia leve, como se estivesse fingindo reverência para não provocar um ataque histérico no meio da festa. "Uma pena, eu teria apreciado a chance de ofender uma monarca morta." Mas então ela diz Scarlett O’Hara, e Bastian fica em silêncio por meio segundo. Ele aperta os lábios num sorriso torto, lento, quase condescendente. "Você confundiu minha vibe de “não tenho tempo pra TV” com “não tenho cultura”, o que é uma ofensa infinitamente pior." Ele inclina a cabeça, examinando o vestido dela de cima a baixo com um interesse afiado, quase clínico. Então faz uma pergunta quase inocente: "Você é a Scarlett antes ou depois de arruinar a vida de absolutamente todo mundo à volta dela?"
@bastianmourad disse "to break and to mend myself over and over again, i'm sick of it."
A vontade de revirar os olhos e dizer o que realmente pensava era muito forte, mas ao mesmo tempo ele sabia que não adiantaria. Quantas vezes ele havia sentado para conversar com Bastian e ainda assim não resultou em nada. Como seu líder, aquele que guia o navio sempre para o melhor dos resultados, ele deveria pensar em estratégias. No time de Atletismo era mais fácil, eles já esperavam dele, e querendo ou não Korn tinha o conhecimento para auxíliar o time dizendo como melhorar o tempo. Quanto dobrar do joelho, e o quão ágil poderiam ficar. Essa parte ele nem ligava, até gostava, mas o problema era a pressão para se classificar. Para estar nas Olimpíadas. Para dar orgulho a todo o esforço de seus pais.
Mesmo assim, ele odiava. Seu amor pela música era infinito. Fazia parte dele. Quando estava com seu violoncelo era como se conseguisse tirar todos os problemas que o cercavam e só a melodia importava. Era só ele. Mordeu os lábios pensando em uma estratégia para lidar com o colega. "Se você está cansado quebre o padrão. Você seria muito melhor sem toda essa bagagem e escolhas ruins que faz o tempo inteiro." Deu o seu melhor olhar transmitindo carinho e colocando a mão no ombro dele. Não queria atravessar certos limites. Não tinha olhado assim para seus colegas, e nem queria com toda a confusão que estava em sua mente, mas ele queria poder ajudar mais o outro. "Tem alguma coisa que eu possa fazer ou te ouvir? Sabe que estou disposto a isso. Faz parte de liderar. Pode contar comigo. Quer dar uma volta e abrir seu coração?"
Bastian soltou um riso curto, mas desta vez havia algo afiado nele — não cansaço, e sim a tentativa instintiva de erguer uma parede antes que Korn conseguisse atravessá-la. Ele recuou imperceptivelmente quando a mão pousou em seu ombro, não o suficiente para ser uma rejeição explícita, mas o bastante para deixar claro que aquilo não o deixava confortável. “Quebrar o padrão?” repetiu, encarando o colega com um arquejo de sobrancelha que soava mais como defesa do que provocação. “Korn, se eu quebrar mais alguma coisa em mim, vou virar uma porra de instalação artística. Não é falta de tentativa.” O tom era ríspido, mas não cruel — apenas alguém cansado de ser observado como um projeto em andamento.
Quando o outro ofereceu ajuda, Bastian desviou o olhar com um movimento rápido, quase irritado, como quem se protege de algo luminoso demais. “Você não precisa fazer nada,” disse, apertando os dedos ao redor do próprio copo como se segurasse uma âncora. “Eu já dou trabalho demais pra mim mesmo, não vou virar a caridade da orquestra também. Até o natal estarei restaurado typashit.” A frase saiu dura demais, mas por baixo havia uma nota de medo — medo de dever algo, de ser visto demais, de não conseguir sustentar a própria fachada.
Ele respirou fundo antes de continuar, a voz mais baixa, porém ainda fechada. “E andar… abrir o coração…” Bastian soltou outro riso curto, desta vez quase debochado. “Você fala como se eu fosse te desabar no meio do gramado.” Finalmente o olhou — rápido, desconfiado, quase desafiador. “Se quiser andar, a gente anda. Mas não espera revelação nenhuma. Eu não sou tão… acessível quanto você parece acreditar.”
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Ele encarou, fascinado o laboratório do Dr. Frankenstein. Os líquidos fluorescentes, borbulhantes, e absolutamente inofensivos, percorrendo os gargalos alongados, buretas, e diferentes frascos de vidro que faziam a pasteurização parecer quase ameaçadora. Para um estudante de bioquímica que passava um tempo considerável no laboratório, incluindo laboratórios clandestinos, lidando com compostos clandestinamente perigosos, era quase cômico. "Frankenstein não tinha um doutorado, né?" Ele comentou com Marina enquanto esperava seu drink, também bastante inofensivo. "Talvez por isso esse laboratório pareça tão cômico." Para cientistas de verdade, ele quase acrescentou, embora ele próprio não fosse. "Desde quando um frasco com pescoço de cisne pasteurizando uma substância é mais perigoso que um frasco aberto? Bom, ver a abiogênese numa instituição religiosa é certamente uma escolha estilística." Revirou os olhos, sabendo que corria o risco de parecer nerd demais, o que definitivamente não era seu objetivo. Ele deu um gole na bebida, que continha menos álcool que ele desejaria. Bastian se virou para Marina e analisou sua roupa. "Bom. Quem é você? A Rainha Vitória?"
Bastian ergueu uma sobrancelha ao ver o amigo. "Cara," ele ergueu uma sobrancelha, apontando para as vestes vitorianas de Damien. Com a exceção dele próprio estar mais desgrenhado, metade dos botões da camisa abertos, poderiam ser irmãos. "Se você ia me copiar, podia ao menos me avisar antes." Falou, dando-lhe um tapa no ombro. "Quem é você, Dr. Jekyll? Tudo bem, hoje eu estou pra Mr. Hyde." Bastian mostrou o frasco cheio de comprimidos, com o a etiqueta escrita MR. HYDE. "Edição limitada. Quem é você hoje? Só um almofadinha?"
Bastian espreitava fora da tenda quase como uma sombra; uma figura distinta, alta, uma bengala com empunhadura ornamentada na mão, e uma cartola que ele, francamente, perderia a qualquer momento. Estava invisível, tanto por ângulo quanto por sombra, e quando viu as madeixas loiras de Cora passando, ele enroscou seu braço no dela e a puxou par a sombra consigo. How appropriate, ele pensou, divertindo-se. "Estava com a cigana?" Perguntou ele. "O que ela lhe disse? Novos ciclos se iniciam..." aproximou o rosto do dela, abaixando o tom de voz até ser quase um sussurro. Um sotaque francês escapou de seus lábios de propósito, por puro flair. "Preocupações lhe afligem..." Quase roçou os lábios no pescoço dela. "Vejo uma sombra em seu futuro... Escolhas... Oh!" Bastian riu, perto demais dela, sentindo seu perfume inebriá-lo quase como uma das drogas de laboratório que ele produzia. Ah, falando em drogas... Bastian abriu um frasco que carregava no bolso, entiquetado à mão com MR. HYDE, e tirou de lá um comprimido branco, que mostrou a Cora entre o dedo indicador e polegar. "Coisa nova. Edição limitada, especialmente pra hoje. Allors?" Mourad colocou a pílula única na ponta da língua e a deixou para fora, erguendo uma sobrancelha inquisitiva.
khol que, ao longo da noite, se torna um borrão ao redor dos olhos alucinados; cabelos lustrosos penteados para trás que se desfazem em madeixas desordenadas emoldurando a face, grudadas na tez. Um traje clássico vitoriano que se torna progressivamente mais desgrenhado e sujo de algo que se parece, mas talvez não seja, vinho.
❝ I sat in the sun on the bench; the animal within me licking the chops of memory; the spiritual side a little drowsed, promising subsequent penitence, but not yet moved to begin. ❞
open starter — observatório de Saint Benedict Hall.
As luzes da cidade e da universidade pareciam quase mortas vistas dali de cima — pontos distantes, amarelados, que mal conseguiam competir com o pálido brilho da lua. O vento assobiava pelas frestas da torre, atravessando o ferro da escada em espiral e fazendo o ar vibrar num som oco e contínuo, como um lamento antigo que se recusava a morrer. Como se o cenário não fosse sombrio o suficiente para causar arrepios, cada corrente fria que passava por ali parecia roubar um pouco mais do calor do lugar — e de si, pensou Helena, estremecendo, enquanto inclinava uma garrafa de vinho direto nos lábios, sem pressa. Debruçada sobre o parapeito, ela alternava a atenção entre o céu e o mundo lá embaixo. O casaco caía dos ombros, os cachos castanhos dançavam contra a corrente de ar, e as estrelas refletiam nos olhos dela, mas a jovem não estava ali pela astronomia. Vinha atraída pela promessa silenciosa da solidão… e, ironicamente, pela curiosidade de encontrar os fantasmas do observatório — como se precisasse de mais alguns além dos que já a seguiam por conta própria. A promessa, no entanto, foi quebrada quando o som de passos ecoou pela torre e, pela visão periférica, Helena pôde notar uma silhueta se aproximando. — Então... — disse ela, virando o rosto apenas o suficiente pra deixar o luar tocar-lhe o perfil — O que te trouxe até aqui? As estrelas… ou os fantasmas?
Estava tarde demais. Ou cedo demais, talvez. Ele não sabia de muita coisa — Bastian sabia que sua nuca coçava, e o suor descia-lhe pelo pescoço, uma sensação parecida com euforia no peito. Ele conhecia bem aqueles sinais, não era um idiota completo. E talvez subir para um ponto tão alto, e tão sozinho, não fosse a melhor das ideias —cientificamente falando. Segurando seu fiel journal de capa de couro e uma caneta na orelha, ele cantarolou uma ária francesa qualquer, tentando apaziguar o bicho que ameaçava queimar suas entranhas, enquanto subia as escadas, deliciando-se com a forma que seus músculos queimavam. Esse era o experimento de hoje. Estar limpo. Ele abriu a fita que mantinha a capa de couro fechada e escreveu no papel sem pautas, numa caligrafia meio trêmula: "18 horas desde a última ingestão de substância 172.2. Sinais:" ele parou no topo da escadaria, fechando os olhos brevemente para descrever o que sentia. Foi quando uma voz assoprou na torre vazia e ele teve que registrar que não eram fruto da abstinência, mas uma pessoa de fato. "Ah, essa é uma boa pergunta." Bastian se recostou sobre o umbral de pedras. "As estrelas, mas não do tipo que você está pensando." Ele riu consigo mesmo. "E os fantasmas também, de certo modo." Ele quase vasculhou o bolso por um cigarro, mas se lembrou que queria os efeitos puros da substância 172.2, sem a nicotina. "Acontece que essa torre é o lugar perfeito pra toda sorte de coisa ilícita," os olhos dele brilharam com um quê maquiavélico. "Eu me pergunto quais profanidades seriam cometidas aqui, séculos atrás. Não acha curioso? Estranhamente excitante?"
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Você está anestesiado há tanto tempo que sequer se lembra quando começou. A maconha era inofensiva, então você passou a usar todas as drogas de festa que conhecia, até que chegou na coca. A droga de adulto, como garante enquanto influenciava os amigos a tentarem também. Aos 19 tinha uma lista maior de traficantes do que créditos acadêmicos. Sua vida girava em torno de estar alto, cada vez mais alto, acima das nuvens se pudesse. E é divertido te ver se equilibrar na beira desse abismo. Eu sei que você vai cair, todo mundo já sabe, você é um desastre anunciado. A única expectativa é o "quando". Já tentaram te curar, te internaram contra sua vontade, mantendo em segredo para evitar o escândalo, E você atuou muito bem uma recuperação; apenas para voltar pior que eu antes. Só que agora, determinado a arcar por conta própria com seus vícios. — Essa é a sua versão do que é ser responsável? — Não importava para quem vendia, e você se emaranhou completamente nisso. Não tem como escapar quando se vende a alma, e a sua já não te pertence a muito tempo.
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