Apesar da realidade não ser realmente cômica, e sim incômoda, Monroe não pode deixar de rir ao que ele e Libby entendiam-se com um mero olhar. Infelizmente, unidos por terem sido jogados a um mar de tubarões, diante da promessa de um melhor futuro a longo prazo. Preços que a vida cobrava, pensou sozinho. Mas tiraria o melhor daquilo, e assim o fez ao sorrir e concordar com a cabeça sobre o recém determinado encontro. “Mas já peço desculpas por ser um fiasco.” ele adiantou, rindo, como se já se livrasse da culpa. Apesar das brincadeiras, Monroe queria muito que pudesse de fato aproveitar aquela ocasião para melhorar, acreditando que a amiga tinha intimidade suficiente para dizer-lhe o que tinha que melhorar. Por costume, pegou da mochila só o celular e a carteira, mesmo que nela não houvesse muito a ser usufruído. “Considere seu convite aceito. Só me diga a hora e o lugar, que eu vou lá gritar sem dó pra você destruir esses imbecis. Mostre pra eles que dinheiro não compra proteção nessas horas, Libs, mande eles direto para a enfermaria com um nocaute. E muitos roxos pra colecionarem.” o britânico incentivou. Não era o maior fã de luta e violência devido ao seu trauma de infância, mas acreditava que poderia sim prestigiar umas lutas da amiga, sem que isso lhe desse gatilho. Focaria na vontade que ele mesmo tinha de socar a cara de alguns alunos babacas. Saiu do carro também, apreciando a vista ao redor. Imaginava como só aquilo já encarecia o lugar por valorizá-lo. Não pode deixar de rir com a surpresa de Libby, que não durou muito até ela notar que vindo do colégio onde estavam, aquilo não era nada muito inesperado. “A parte boa é que eu estou descobrindo uma paciência que eu nem sabia que tinha.” brincou, afinal, era difícil tirar algo verdadeiramente bom daquela situação. “Mas tudo bem, vai passar. Só preciso aguentar até o final desse ano, e então vou estar apto pra alguma faculdade, e adeus babacas riquinhos me enchendo o saco.” suspirou, sendo aquela uma ideia à qual realmente se apegara. Todas as noites, rezava para ganhar uma boa bolsa de estudos em uma universidade. Riu com a fala da amiga, não disfarçando o sorriso. “Obrigado, Libs. Só cuidado pra não confundirem o seu cartaz com o gol e acabem fazendo dele um alvo. Sabe como é, tem uns caras que são só músculos e nada de cérebro.” aproveitou para alfinetar, agora que nenhum deles ouviria. Finalmente chegaram ao quiosque, fazendo com que ele automaticamente pegasse o cardápio para lerem. “Caraca… O que uma boa vista não faz com os preços, huh?” ele brincou, desviando o olhar à paisagem ao notar que dificilmente conseguiria comprar algo dali.
“Qual é, você não pode ser assim tão ruim.” Franziu o cenho em direção ao outro. Não sabia muito sobre a vida amorosa do amigo, mas o que conhecia dele, duvidava que seu tato social fosse assim tão ralo. Era fácil manter conversas com Thomas e ela sempre divertia-se com elas. “Vai, me conta. Qual foi o pior encontro que você já teve?” Decidiu perguntar, com um sorriso de canto que esboçava que estava realmente curiosa acerca daquilo. No geral, Libby já gostava muito de dividir aquele tipo de experiência com as pessoas, achava que constrangimentos compartilhados sempre deixavam-na mais próxima de seus amigos. Uma risada mais sonora fora expelida pela figura feminina diante das palavras animadas que vieram em resposta para seu convite sobre as lutas, e ela apenas assentiu algumas vezes. “Vou dedicar o golpe final pra você. Acho que ninguém nunca ficou tão animado assim em assistir uma briga velada em ambiente escolar.” Comentou, ainda com um grande sorriso nos lábios. Não era como se resumisse o clube que participava àquilo, realmente, afinal, ela própria usufruía de várias melhoras pessoais por conta dele, mas imaginava que quem não fosse tão ligado a coisa realmente acabaria encarando-o daquela forma. Ainda sentia-se um pouco indignada acerca da informação que recebera há pouco. Nem imaginava como tudo deveria ser duas vezes mais difícil para Monroe quando as pessoas que o intimidavam eram as mesmas com quem ele precisava dividir horas de treinos e compartilhar a bola em campo nos jogos, e novamente, a sensação de impotência diante daquela situação era alarmante. “Você merecia um prêmio.” Concordou, acerca do comentário do outro sobre a própria paciência. Era uma qualidade que faltava em Olivia e que ela admirava ainda mais quando encontrava-a nos outros. “É, é, isso mesmo. Tenho certeza que você aguenta. E se não aguentar… Já sabe, é só incentivá-los a entrar pro clube da luta que eu dou um jeito neles lá.” Complementou a própria fala com a brincadeira, aproveitando que estavam lado a lado para empurrar levemente o ombro alheio com o próprio antes de chegarem até o balcão do quiosque. Voltou a rir diante do comentário do outro, negando com a cabeça para si mesma algumas vezes. “O pior é que eu não duvido nada que isso aconteça…” Murmurou, enquanto tirava a carteira da bolsa para colher dali a identidade falsa que carregava consigo quase constantemente. Espiou-o com o cardápio em mãos e fez uma caretinha breve diante das palavras de Thomas, assentindo em concordância. “Nem me fale. É ainda mais louco pensar que tem gente que gasta dinheiro com isso, tipo, diariamente, e não uma vez a cada seis meses por causa de uma bonificação boa do trabalho.” Incluiu a si mesma ali de forma igualmente humorada, antes de voltar-se para o atendente que se aproximou. “Dois blood oranges, por favor. E capricha no gim.” Pediu, enquanto escorregava a identidade falsa pelo balcão para fingir a maioridade e sentava-se em um dos bancos que ficavam em volta do bar.