lisbeth não criara sua própria regra de não se apegar à toa: gostaria que ninguém se metesse na bagunça que era sua vida e sofresse tanto quanto ela. não tinha a mínima condição psicológica de manter qualquer relacionamento à distância que fosse, não quando sua casa mudava de localização a cada seis meses, sem chance de estabilizar-se, sem sequer poder definir quando ela e a outra pessoa poderiam se ver. por que então se deixara envolver a esse ponto com monroe? queria dizer que não sabia, que era um mistério, mas não seria, nem de longe, a verdade. com ele era fácil — conversar, estar perto, sentir. fora enfim a adolescente apaixonada que todos na sua idade já haviam sido em algum momento, finalmente a sensação lhe arrebatara também. e, justamente por isso, não soubera lidar bem com a noção de que os caminhos iriam se dividir, que aquilo, em breve, seria passado. era como se, enquanto estivesse com ele, o relógio seguisse à espreita, um tic-tac constante de que cada tempo a mais com ele era igualmente menos tempo com ele. “eu sei que parece não fazer sentido, que é confuso, mas não era medo do que pudesse acontecer… era medo do que ia acontecer. do que com certeza vai acontecer.” o que dizia soava enigmático, mas detestava entrar naquele assunto diretamente. não bastasse a superficialidade das suas relações pelo seu dinheiro e sobrenome, elas só pioravam quando descobriam que não demoraria a partir de novo. como se não fizesse sentido uma aproximação com alguém de data marcada para nunca mais voltar. no entanto, conforme as palavras do rapaz saíam de sua boca, ela parecia estar prestes a deixar qualquer prudência de lado quanto ao tema. era incapaz de interrompê-lo, apenas escutando e sentindo seu coração apertar, mas tinha um limite. “quer saber o porquê? porque eu vou embora, thomas!” irrompeu no meio da discussão, a qual estava tirando toda a sua racionalidade. “eu vou embora, eu sempre vou embora. você acha que eu teria vergonha de te exibir por aí? acredite, eu queria poder fazer isso! eu queria ir com você para todo lugar possível, que você conhecesse minha família e sabe-se lá o que mais as pessoas fazem quando estão juntas. mas não adianta, porque eu não vou estar aqui pra fazer nada disso!” sua voz aumentava o tom a cada instante e ela realmente havia desistido de pesar o que dizia. “eu acabei do jeito que acabei porque eu já estava me apaixonando por você, ok? e eu sabia que no momento em que eu te dissesse isso, ia ser muito pior te deixar. se eu tivesse dito a verdade, ia ser muito pior.” respirou fundo depois de tudo que falara rápido demais e ouvi-lo dizer que tudo ficara marcado como algo ruim não deixava de doer. mas merecia. “eu acabei do jeito que acabei porque… raiva ainda é um sentimento muito melhor do que o de não poder ficar junto de alguém que sente o mesmo que você. eu preferi sofrer com isso sozinha do que te fazer passar por isso também. então realmente, é o preço que vou ter que pagar.”
Monroe estava... Confuso. Além de irritado, magoado e inconformado, agora ao buscar a explicação, emaranhava-se mais ainda ao que ela parecia dar-lhe respostas feito enigmas. O que diabos ela queria dizer com ir embora? Ir para onde? Por que? Tinha mil e uma perguntas a partir daquela maldita resposta. Entretanto, antes que pudesse rebater com qualquer pergunta, ela desandou a falar - só o confundindo mais ainda. “O que você está falando não faz sentido algum!” então foi sua vez de disparar as perguntas “Ir para onde? Por que? Quando? Por que você tem que ir embora?” o cenho franzido revelava um pouco de como se sentia. Assim como o tom dela, o dele também se elevava um pouco, acompanhando o bater do coração, agitado. “Não ia!” ele rebateu, mesmo sem saber, mas tendo certeza de qualquer outro jeito teria sido melhor do que como fora. “Quem disse?! Quem disse que foi raiva o que eu senti? Você não tinha o direito de escolher por mim, ou deduzir o que eu ia ou não sentir!” estava extremamente zangado pela forma como ela havia decidido tudo aquilo por conta própria, por ela não ter contado a verdade. “Eu merecia a verdade! Fosse dolorida ou não, eu tinha direito!” rebateu, então negando com a cabeça, irritado “O que você fez foi muito egoísta. Se você achava que o que fez foi para o melhor, saiba que não poderia estar mais errada. Essa mentira, ter escondido isso de mim... Isso machucou mais do que qualquer término decente.” suas palavras eram quase cuspidas em fogo. “E por isso, eu nunca vou te perdoar.” ele afirmou, já querendo sair dali e que cada um voltasse a seguir seu próprio caminho, como já tinha sido da vez passada.