Escrevo em um dia 28 de um dezembro qualquer. É quase meio dia e, sentada na minha cama, recebo os raios de sol que conseguem passar pela janela semiaberta. O calor do verão penetra na minha pele e aviva a vontade de fazer alguma coisa, mas a preguiça é mais forte, então a energia se direciona para meu cérebro.
Ok, talvez essa seja só uma maneira rebuscada de dizer que tô pensando em tudo que o ano que passou me trouxe. Como ótima pessimista (olá paradoxo) só consigo pensar no que aconteceu de ruim. Das discussões, das frustrações, dos momento tristes. Em menos de um minuto encho todos os meus dedos com coisas que me deixaram mal nos últimos 361 dias. Já as coisas boas ficam abandonadas num canto qualquer da minha mente, e passo horas tentando encontrá-las. Talvez isso seja porque as coisas ruins acontecem como resultado das boas, acabando por ofuscá-las.
Quando paro para refletir, porém, vejo que obtive um saldo positivo, afinal de contas. O último ano foi difícil. Entretanto, tudo de mau que eu passei serviu para me mostrar que as coisas nunca podem ser perfeitas. Eu tive frustrações homéricas com várias pessoas em quem eu julguei poder confiar. Dei a mão para alguns que arrancaram todo o meu braço, e não estavam lá quando eu precisava apenas de um sorriso. Aprendi principalmente que a gente não pode se doar para alguem esperando receber a mesma dedicação em troca. Porque as pessoas são diferentes entre si, possuem experiências diferentes, portanto, é ilusão querer que elas respondam do mesmo modo às coisas.
E ei, quem é que pode dizer que o ano foi ruim? Afinal, eu passei por provações e continuei resistindo como o mais forte dos alicerces. E aqui estou eu, a menos de cem horas de um novo ano. Apesar de todos os apesares, de todo o pessimismo, de tudo de ruim, cá estou eu. Não somente pronta, mas ansiosa por um novo ano. Por ter a oportunidade de fazer o ano que vem melhor do que está a acabar.
Acho que, afinal de contas, não devemos ficar pessimistas com relação ao ano que vem. Se esse foi ruim, cabe a nós fazer do próximo um bom ano, e se foi bom, tamém é nossa missão fazer com que ele seja melhor ainda. O caminho nem sempre será feito de tijolos amarelos; na maioria dos casos, será feito de enormes e pontudas pedras. Pedras estas que nos mostram a mesma coisa, mas de uma maneira que nos fará aprender mais. Tropeçaremos, nos machucaremos, acharemos que nunca via melhorar, mas tudo chega ao fim em algum momento. E ao chegar ao fim, daremos viva e vamos querer que tudo se inicie novamente. Então vivamos, pois o amanhã nos espera.