sobre fins e recomeços
Olho ao meu redor e não te encontro. Em contrapartida, consigo me enxergar melhor do que antes. E eu tenho cicatrizes. Não sei quais delas são frutos da sua presença aqui. As paredes, antes imaculadas, possuem rachaduras e infiltrações, mas por trás dela, posso distinguir uma tênue luz. É o meu mundo desabando? Ou é o mundo que foi construído por nós vindo ao chão para me mostrar que ele não é o único, que não somos únicos, que você não é o único? Hoje eu consigo enxergar as coisas de maneira mais clara, e me pergunto como conseguimos levar esse jogo tão longe. Porque tudo não passou disso, um jogo. Um jogo no qual eu fui a maior apostadora e a que mais perdeu. Não vejo marcas em você, nem mágoas, nem arrependimentos. Tratei esse jogo cruel como algo real, como se toda a minha vida dependesse daquilo, enquanto você o conduziu tão levianamente... Suportei um peso feito para ser dividido entre duas pessoas. Ou será que depositei peso demais sobre as suas costas? Expectativas pesam toneladas.
Não existe um lado totalmente certo nessa história, apenas pontos de vista diferentes. Cada uma dessas rachaduras representa um deles. Vários erros foram cometidos, e não nos preocupamos em recompensá-los.
A única coisa palpável que me resta é pensar se devo tentar reconstruir esse mundo ou deixá-lo desmoronar. Se eu tentar repará-lo sozinha, posso acabar criando mais e mais fissuras, o que fará com que ele desmorone sobre nós. Eu poderia esperar que você se desse conta de que esse mundo existe e está prestes a cair, mas seria uma espera eterna. A melhor coisa que eu posso fazer é derrubá-lo com as minhas próprias mãos, pois assim evitarei surpresas. Existe essa imensidão chamada tempo, e podemos reconstruir esse pequeno universo em qualquer momento.
Mas afinal, nós queremos reconstruí-lo?













