<liga não! é que eu sô du teatro>
mergulhar fundo profundo saltar i bater a pele nua tecido brilhoso da noite escura prateada das águas salgadas em prata /// quanta vida. intensidades… quanta vida morrendo morte morrer faz parte:
Misplaced Lens Cap

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YOU ARE THE REASON

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祝日 / Permanent Vacation

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<liga não! é que eu sô du teatro>
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o que escrevo não é poema
é escarificação mental
letras afiadas que deslizam cirúrgicas no papel
o que que vem por aí?
…
quase que escrevo sobre amores espectadores de ilusões quase que escrevo sobre tristes fins em dias de finados chuvosos quase que escrevo sobre saudades de peles quentes sobre banhos de cachoeira
mas nada disso é poema
nada disso é poema
nem o adeus que seus olhos me disseram
naquele dia
naquela esquina
daquela rua
dia desses li que a lua tá si distanciando di nois
i senti saudade já
nem vo ta vivo quando não tiver mais lua
si pá vai ter outra até
outras
mas essa ai só essa mesmo
ai faz quere aproveita cada admirar
“uau! toda vez mi impressiona”
ela está gritando com a criança maior gritaria ela tá xingando tá gritando com a criança porque a criança não limpou a casa
“eu chego cansada e ainda tenho que ficar me deparando com bagunça sua vagabunda”
ela tá chamando a criança de vagabunda traumas de infância
mulheres sofridas trabalhadoras batalhadoras sem direitos mãos buscando 3 cm de ferro pra segurar num ônibus lotado abandonadas por maridos pelo estado
ela perguntou pra filha
você quer ser uma vagabunda?
ela manda engolir o choro
“engole o choro!”
você quer ser uma vagabunda?
será que uma criança sabe o que é ser vagabunda?
será qui essa criança sabe?
ambas engolem choros diferentes ou serão os mesmos choros?
o choro
o mesmo choro engolido caminha pelo interior estomacal a gerações
fico imaginando quantos choros ainda se escondem dentro de mim
dentro da minha criança ancestral
muitas mãos batalhadoras trabalhadoras doloridas por sentimentos interrompidos por maturidades precoces
o que é ser vagabunda?
será que eu sou um vagabundo?
será que eu tenho direito a vagabundagem?
os meus calos nas mãos esses meus calos nas mãos
que história é essa que está sendo escrita?
que tipo de história é essa…
acho que um banho de erva
acho que é melhor tomar um banho de erva
sim
um banho de erva
criar estórias com meu corpo ser infinito ainda aqui hoje por tempo indefinido dizeres tatuados na pele du coração

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dói sentir tudo tanto
sentir qui sou um erro
um rasgo nu tecido social
é a dor di si percebê num mundu corrompido pela ganância
a ferida não si vê nunca si fala
pru mundo ser bom antes ele precisa não ser
u hoje nunca é amor ele é só dor
amor não si vê
pra a ver amor tem qui expor a ferida
de que mi vale u tempo si u qui eu sinto é infinito é além mar atravessa oceanos
u qui eu sinto ainda nem existe
ninguém vê
u qui eu sinto só eu sinto i ainda assim eu sei vocês sentem também
“mas é lá não é aqui mesmo…”
as vezes queria ser nada
u conhecimento te libertará?
di que?
não tem liberdade
a liberdade é uma ilusão
u chicote que sangrou meus ancestrais hoje ainda é exaltadu u chicote é deus u chicote é u próprio estado
violência vem violência vai também
não tenho medo i tenho muita raiva
{evaporar na poluição
ou
diluir mi em esgoto
?}
{ando precisando mi chover
…
pensamentos enublados}
_ti abracei nas profundezas {lágrimas compartilhadas}_
as águas du mar caminham dentro di mim
as águas salgadas lavam meus olhos cansados di imagens sangrentas
águas abissais
brotam avassaladoras explodindo barragens di solidão
sentires inundados di revolta
aguaceiro
tempestade, revira as ondas da maldade!
oceano eu
oceano em mim
navego...
neblina di catástrofes
é preciso mergulhar mais fundo, mesmo qui as sombras assustem
devo acreditar nus sentidos porosos
guelras da intuição
a força das águas não está pra brincadeiras
quer inundar us cômodos ensanguentados
quer destruir as comportas coloniais
qui caia por águas
mar guardião di memórias transatlânticas

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criaturas existem em mim com você junte
é coração qui pulsa qui acende pq você acendeu a vela ao mesmo tempo qui meu fôlego abriu caminhos
nossa voz fortalece as beiras
tsunamis sentimentais qui compartilhamos na luz a pino di um palco
teimamos chamar di vida
vida vivendo juntes nesse grande teatro cuja placa tem nome brasil
a gente si olha a gente si sente
você si percebe em mim?
aqui dentro di mim falando quando não tenho voz?!
ti amo por isso
ti amo pq você mi ama sem aspas
ti amo sem parênteses
nossas vozes são mais fortes juntes
nossos corpos são mais perigosos
nossas ideias são mais estratégicas
ouso ti olhos nú
olhos di dizeres
eu confio em você
vamos!
no caminho a gente acerta
_eu já chorei na estação do brás_
quente pegando fogo
ela não está ela não quer me dizer ela não me quer ela tem medo
corro pelas ruas becos a noite me vê por entre olhos lunáticos cheios que me atingem no meio da esquina
encruzilhada di emoções
sem medo de ser ninguém pois sou guardade pela escuridão
a noite me abraça com seu manto sombrio cheirando a cocaína
corro que minhas pernas queimam mais qui os lábios roxos e famintos asfaltados sentem o gosto do veneno do mundo que me cospe penoso bêbado
sinto o gosto do beijo que não houve entre nós
seus olhos passeiam por cada movimento fonético exalado em palavras macias
você me quer
mas sua mente não consegue conceber que nada nunca vai bastar
não
você não me vê
queria saber pois não gosto da dúvida
eles não permitem que nossas bocas se encontrem
adeus meu amor
_diário dos sonhos_
bebês saldáveis flutuavam sobre uma terra doente e por isso sua gravidade não conseguia puxar os bebês pra baixo
_práticas desobedientes_
criar ficções pra transformar dores ancestrais em movimento. materializar imaginações pra curar traumas. organizar a raiva.
.
cresci ouvindu minha mãe dizer: “você é igual seu pai!”. Manoel Silva de Jesus, migrante di Serra Preta/BA. pião di obra, capoeirista, malandro, preto, SONHADOR. “você é igual seu pai”. meu pai encantou quando eu tinha 7 anos. sinto saudade du qui não pudemos compartilhar i qui hoje meus afetos, mestres, familiares i griôs mi ajudam a refletir sobre a realidade em que vivo, sobre meu corpo neste território e o que ele representa.
pulso mel
hipnotizo suas digitais
cutículas sensitivas mi apreciam
raizes de cabelos si entrelaçam
suor
mi hidrato nu seu calor

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_diário de sonhos_
sonhei que estava cutucando a ferida aberta nas minhas costas como se tivesse arrancado partes de mim mas percebia que na verdade o que sobrou na ferida aberta não ia sair pq fazia parte dos meus ossos
_borboletas nu estômago_
batalhas internas
como as baterias em sun ra
convocações para agir
us gorilas na porta du banheiro si beijam confirmam a natureza qui mi cria em banhos frios
erupção sangrenta
bombas nucleares em subsolos bancários
us seres normais não compreendem as energias geradoras di sonhos
desejos mecânicos
lata oca obedece
lata oca sonha com um coração?
raciocínios compressores di almas
sonhar custa caro meu caro
obviamente você…
não!
você não pode pagar
raciocínios devoradores di personalidades
perturbações
cortar a orelha pra ouvir a intuição
us interioris si conversam
astúcia du sussurrar
astúcia nu toque com a ponta dus dedos em cada corda
u tom está nas ondas digitais
lembrança atrituósa lá nu líquido aminiótico
a primeira dança
foi nu interior di alguém
raciocínios conectores da esperança
besouros si manifestam
tomam as ruas
reivindicam u direito a natureza
raciocínios telepáticos
visões interplanetárias
facções di sonhos
“é preciso treinar para sonhar”