eu demando muito de mim e nunca me dou. é quase visceral essa luta entre heroína e vilã que me encarnam, sempre tentando habitar mais da minha pele, nunca deixando espaço para escolha. quanto mais a máscara adere ao meu rosto, menos eu acredito que meus músculos possam tensionar o suficiente para arrancá-la. não existe hora que borbulhe meu sangue misto e o tempo desliza como tinta frase nos muros. queria ser capaz de entender o cálculo que se faz para estar satisfeita porque, se eu me quebro em frações, a matemática deveria se orgulhar. levito pelas colunas do que não sou e meu grito persegue a própria sombra. existe caminho mais bifurcado que seguir os passos da insegurança? eu não sei. tocar o pé no chão nunca me pareceu correto, eu prefiro imergir na terra, guardar rastros e torcer para que semeiem flores, sem nunca desabrochar. - g.s.













