Fall in NYC by Kurt Markus

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Fall in NYC by Kurt Markus

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é assim que se perde a guerra do tempo, Amal El-Mohtar e Max Gladstone
nada depois de você ficou tão vazio como estava antes.
quando eu te vi pela primeira vez, outro big bang aconteceu num universo paralelo. deus escreveu outra bíblia com nossos nomes, sem fruto proibido, pecado ou submissão. porque não há mundo que conheça guerra ou desgraça com você nele. acontece que este não é mais um mundo. isto aqui é ponte. que atravesso, pra poder te ver pela primeira vez.
quando eu te vi, os fósseis de dinossauros nos museus criaram
vida de novo. as árvores soltaram suas folhas pra que toda flora estivesse
aos seus pés. nem é outono. e eu mudo de cor. o mar enche só pra alcançar as ruas que você caminha e passa. os sinais fecham pra te assistir desfilar. os sinais abrem pra te assistir sonhar. quando eu te vi pela primeira vez, até Platão saiu da caverna, Galileu parou de estudar estrelas e Nietzsche nem quis mais se matar. não naquele dia. os bancos não cobraram juros e o prefeito não desviou verbas da educação. o hospital fechou. o manicômio também. eu parei de tomar café. choveu no cerrado e na restinga baiana. estiou no sul do país.
quando eu te vi pela primeira vez, não tocou liniker ou ANA. continuou a trovejar na cidade mais fria da Europa. houve terremoto em algum lugar não habitado do planeta. Peixes e mulheres ovularam. homens descobriram algo fora da bolha de seus egos. os carros não buzinaram. a via láctea fez silêncio por um minuto. eu não precisava de mais. quando eu te vi pela primeira vez, foi como sair do útero e nascer de novo. nunca te vi. sempre te amei.
me lembre de te dizer coisas banais, só assim sobreviveremos entre as coisas muito duras e cruéis sobre nós mesmos

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consigo lembrar do exato momento que me apaixonei por você, e eu não tive medo, eu espero tanto que eu não tenha medo, porque eu não quero que mais ninguém me deixe morrer na dúvida
acho que a eu-criança não entenderia a mulher que eu me tornei, acho que tem muita coisa que a só a maturidade explica, sabe? talvez a eu-criança sentisse mais confusão do que orgulho da eu-adulta e tudo bem. a mulher que eu me tornei nunca coube nos meus sonhos infantis.
a lua ontem parecia uma fatia de melancia. eu não acredito em azul. fiquei acordada até às duas da manhã. meu coração tá saltando. eu te amei demais e agora nada. queria ir embora, mas o que é ir embora? a gente leva o outro. seja porque amou ou porque deixou um estrago. o rombo que a pessoa fez na gente sempre vira algo que a gente é. eu tive que te deixar.
e será que meu peito ainda é capaz de sentir tanto amor?
eu tenho uma ideia. e ela é bem simples. o amor estica a gente. e a partir da primeira vez que toda tua coisa expande é impossível voltar. o amor só te faz seguir em frente. era isso que eu tava pensando. daqui só pra frente. de um grande amor só um amor maior. dos limites ultrapassados só outros limites pra ultrapassar porque pra amar a gente se reestrutura rápido. você vai dizer que não, mas meu corpo tá pronto. o seu também. até mesmo agora que só dói. a gente é máquina. e existem medos. mas o amor mesmo, a química cerebral está no ponto. e você vai amar de novo. porque assim que as coisas são agora. a gente ama. pra multiplicar alguma coisa: senão os genes, as experiências. não ri. cê sabe que eu não gosto desse papo de vibe. queria te contar um segredo. eu acredito demais nas pessoas. não porque elas são essencialmente boas ou más. não porque são em grande maioria capazes de sentir amor. eu acredito em pessoas porque crer nelas me torna digna de crença eu as vejo e estão ali não é sobre esperança eu só acredito na realidade e ela não tem lado. é triste?
um dia alguém vai te amar de um lugar muito além do que amou um dia. as pessoas que amam no espaço expandido do peito geralmente sofreram mais. e tomam mais cuidado. então ouça as histórias de amor dos outros. saiba até onde foram. eu me ligo muito nisso, queria te dizer. eu gosto de amar quem já amou muito outras pessoas. porque eu sei ou eu fico pensando que sei “se ele foi até ali e se agora me amar não há como ele me amar um pouco menos” a lua uma fatia de melancia. me lembre de te dizer coisas banais, só assim sobrevivemos entre as coisas muito duras e cruéis sobre nós mesmos.
por que você continua usando apenas metade das palavras? da última vez que eu precisei adivinhar o resto nada ficou no lugar certo. só eu me lembro da queda porque hematomas são intransferíveis. parece que não adianta te contar, mas eu perguntei se deveria mesmo assim, porque a verdade tem me salvado. eu sei que o jogo é mais divertido mas eu não funciono mais a base de angústia. o que você quer de mim? eu sei que você acha que o ambíguo atiça mas a verdade é que sobra muito pouco depois de um incêndio. eu não quero mais queimar de dúvida por ninguém.
+f
aaAaA obrigadaaaa

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entre o sarcasmo e o drama, o choro na mesa do seu restaurante temático favorito quando o pesadelo te doía na garganta e ninguém pra te ouvir ou entender e nem querer, tantos desistindo antes da abertura do drama principal, no momento que você sabotaria a si mesma pra chegar no final porque você acha que não merece nada, mais do que acha que alguém merece você.
+f. eu amei aqui.
muito obrigadaaaa
eu ri com você as 2:30 da madrugada no meio de uma boate na parte sul da cidade, o álcool não fez efeito e eu sei disso porque eu quis tanto colocar a culpa nele... você fala tudo rápido demais e é sempre difícil de acompanhar, mas ontem tu me olhou e disse com calma que não conseguia me esquecer, dessa vez eu ri sozinha porque algumas coisas a gente só escuta quando já é tarde demais.
eu gosto de como suas mãos entram em contraste com a minha cintura e de como seus olhos esbarram nos meus e ficam, você parece um borrão de paz no meu mundo caótico.
eu juro que queria sentir amor por você, e eu sei que não era tarde quando você chegou correndo chamando meu nome, mas eu não consigo alimentar a esperança de que talvez -do nada- em uma tarde de domingo eu possa te olhar com amor, quando eu sei que o que eu sinto por você pode ser uma bagunça de coisas, meu bem, mas nenhuma delas é amor. sei como dói a falta de alguém que não só vá, mas te olhe e diga: não posso alimentar suas expectativas.
por isso estou sendo essa pessoa pra você.

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quase
hoje estava sozinha na cozinha de casa e pensei em como a gente precisa dessa não-coisa, não estar, não ser, do quase, sabe? parece como uma tatuagem na pele (quase), é uma constante tentativa de desapegar desse quase, mas sempre estamos lá de novo, e fiquei pensando em como esse quase paralisa o alcance daquilo que é real. O quase é nada e o nada tem um peso de ser ausência, quantas vezes só tivemos isso? (o nada)
hoje eu sozinha na cozinha percebi que tenho esse não-coisa de dias difíceis, ouvi um silêncio, uma saudade quase que descomunal, meu peito doeu, mas não me sinto só.
que eu não me sabote ao ponto de sentir saudades de pessoas e momentos que me fizeram mal