alyosha.
𝐀𝐏𝐎́𝐒 𝐎 𝐏𝐑𝐎𝐍𝐔𝐍𝐂𝐈𝐀𝐌𝐄𝐍𝐓𝐎 𝐃𝐀 𝐑𝐀𝐈𝐍𝐇𝐀.
o barulho das sirenes assustou a jovem fazendeira. deitada em sua cama, lendo a um conto de fadas que trouxe consigo ( que pertencia a sua mãe ) e sua atenção foi tirada logo que o som adentrou sua residência. viver naquele distrito estava até sendo fácil para freya, mais do que ela esperava, mas a ansiedade e a curiosidade eram maior que tudo. queria saber como a fazenda estava, como seus animais estavam. ela descobriu suas pernas do edredom que lhe esquentava e deu alguns passos até o quarto de seu par, esperando que ele estivesse ali.
o modo como abriu a porta foi devagar e silencioso, mas logo deu algumas batidas na porta, avisando que estava ali. ❛ alyosha? ❜ perguntou, de olhos fechados, para não ver nada indecente ou desnecessário. quando a voz da rainha apareceu, ela assustou-se, emitindo um sonoro grito agudo. segurando a maçaneta, de pé na porta, os olhos dela se arregalaram a cada palavra da rainha. ❛ nossa genética? ❜ perguntou a si mesma em voz alta, tentando entender o que ela estava dizendo. escorou-se na parede onde a porta se prendia e ficou estagnada ali, ouvindo a cada palavra que a monarca dizia. era estranho ter a voz dela dentro de sua casa. uma lágrima quase escorreu de seus olhos ensopados ao ouvir que a carta de sua avó havia sido a última comunicação com o mundo fora daquele distrito, mas logo freya secou-os com sua mão. ❛ o que tudo isso significa? estamos presos aqui? é isso? ❜ o tom em sua voz era de pura confusão. além de assustada, freya não entendia o que aquilo significava.
não conseguia dormir. claro, ausência de sono era algo com o que já estava habituado, a insônia sendo um companheira mais que presente na existência de alyosha yeager. de fato, os últimos três dias haviam sido deveras conturbados, conhecer a noiva havia sido uma experiência totalmente contrária ao que um dia havia imaginado —– contudo, estava começando a se acostumar com a presença alheia, a convivência sendo pacifica e até mesmo agradável, o capitão outrora não sabendo o que era dividir o mesmo teto com alguém detentor de tamanha simpatia e graça. mesmo que, na maioria das vezes, sus defesa lhe impedisse de se entregar mais, estava se esforçando para tentar deixar tudo aquilo o mais confortável possível para ambos e gostava de acreditar que estava conseguindo.
estava sentado junto a escrivaninha, o rapaz passava as noites em mitras preenchendo alguns documentos que sua mãe havia deixado consigo. a voz que seguiu o som das sirenes, no entanto, interrompeu tudo o que o yeager estava fazendo no momento, absorto em meio ao caos se instaurava no tortuoso âmago, seus pensamentos não paravam, o que aquilo significava? genes especiais? não. só poderia ser uma piada, não era sério. rose não faria isso, eles se conheciam desde que ele era criança... ❛ hm? pode entrar. ❜ respondeu de maneira automática ao que a companheira lhe tirou de seus devaneios. não era, entretanto, capaz de esquecer o que havia escutado, processando de maneira lenta até demais. ❛ eu não sei eu... é a primeira vez que escuto isso. ❜ o fitar do rosto alheio lhe causou um torpor corrosivo, os olho tão gentis maculados por lágrimas. queria poder oferecer algo mais que meras palavras; mas, não tinha outra opção. o coração parecia martelar sua caixa torácica de maneira violenta, o militar recorrendo ao antigo hábito de apertar as unhas contra a tez da palma de suas mãos. sangrar sempre o trazia de volta para a realidade. ❛ também não entendi, mas... acho que não podemos deixar o distrito. ❜
fitou o chão, uma onda de pânico se aproximando. precisava encontrar seus irmãos, no entanto... saiu de sua inércia, levantando e indo até a porta de residência e trancando-a o mais rápido possível, seus instintos gritando. ❛ freya. acho que... não é seguro sairmos hoje. se isso for verdade, tem guardas armados e pessoas desesperadas. vamos ficar aqui, tudo bem? ❜ torceu para que ela aceitasse, mas preocupado com o fato de que ela provavelmente iria querer buscar noticias do pai. ❛ não é seguro lá fora, vamos atrás do seu pai e dos meus irmãos amanhã, eu prometo. ❜ foi quando as luzes piscaram pela primeira vez, um breu sinistro tomando conta do ambiente. logo em seguida, o barulho dos tiros.















