Korain precisou descer mais um lance de escadas, apenas um, após aquele que estavam e finalmente saíram do perigo maior. A fumaça e a situação desesperadora eram cegantes, impediram que percebesse o quão perto estavam da saída. Continuou sua caminhada até passar pelos portões do complexo e seus olhos começaram a observar o cenário da rua, com o coração batendo tão forte que parecia querer saltar pela boca e a respiração era ofegante, talvez até dolorida, enquanto ele puxava o ar pela boca. Tais sintomas eram de alívio por terem escapado com vida, juntamente com um cansaço, afinal, carregar uma pessoa nos braços e numa situação como aquela não era exatamente fácil. Ouvir a voz chorosa da moça ainda agarrada em seu pescoço fez Korain abaixar o olhar para ela e abrir um sorriso mínimo, numa forma muda de tentar, de certa forma, lhe trazer segurança. “Um jeito diferente de conhecer alguém, não acha?” Não existia a necessidade de falar alto devido a proximidade, então seu tom saiu mais baixo que o comum. As circunstâncias eram delicadas, ele tinha noção disso, mas a visível sensibilidade e vulnerabilidade da mulher fez Korain evitar o assunto diretamente. Ergueu o rosto para encarar a calçada e deu mais alguns passos, para um canto mais afastado e longe da multidão que se formava, e a colocou sentada no chão, cuidadosamente, fazendo com que perdessem o contato físico. Para não aflorar ainda mais a ansiedade alheia, se sentou ao lado de suas pernas, mantendo uma boa aproximação entre os corpos e assim, pôde observar seu rosto. Um sorriso abriu-se novamente, mas agora demonstrava timidez. Passou alguns segundos, longos segundos, perdido na beleza da moça que encarava, mas logo se deu conta de que não era a hora apropriada e desviou os olhos para seu ferimento, tentando também desviar os pensamentos. “Certo, vamos ver esse pé. Mas antes… Como se sente? Está com dor de cabeça, enjoo, sonolência?” Enquanto fazia as perguntas, movimentou da maneira mais delicada e lenta que conseguiu a articulação lesionada, numa tentativa de identificar se era uma torção ou uma fratura. “Desculpe, sei que está doendo, mas era preciso.” Pediu com uma leve culpa em seu tom de voz, agora de olhos nela mais uma vez e soltou seu pé com cuidado. “Mas a notícia boa é que provavelmente não está quebrado, senhorita…?” Queria saber seu nome, e questionou de maneira discreta.