— Albert Camus, The Misunderstanding

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— Albert Camus, The Misunderstanding

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se der vontade suma um pouco, não para que os outros sintam sua falta, mas para que você relembre quem você é.
NÓS NUNCA TOCAMOS NINGUÉM
existe um campo de força ao redor da camada de elétrons que gira em torno do núcleo de cada átomo do seu corpo e esse campo de força empurra o campo de força em volta de cada elétron que gira em torno do núcleo de cada átomo de qualquer outro corpo. a gente não se toca, os campos só se repelem. você nunca tocou alguém ou algo. nada seu de fato se fundiu com qualquer coisa, apesar do tesão. toda parte embaralhada da nossa pele que parecia tão entregue ao que era do outro nunca verdadeiramente foi porque nós somos incapazes de tocar porque o tato é só uma sensação, uma descargazinha elétrica que o seu cérebro recebeu e interpretou como intimidade ou invasão ou falta de aviso e pensar nisso me doeu o corpo todo e eu pensei em todas as poesias que te escrevi e em todos os textos em que te escondi, todos carregando a mentira de olhos e derme, de sentidos limitados. eu não sou tão quente assim para fundir nossos núcleos e a gravidade não obriga nossos átomos a se chocarem para provocar calor a gente simplesmente não se toca, baby e me comove ao saber que apesar de ser sua, ser totalmente sua, jamais serei porque existe poesia na física, mas talvez ela seja má demais para o amor
yas
— Franz Kafka, from Letters to Milena, September 14, 1920 (tr: Philip Boehm) (via lunamonchtuna)

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Você esconde tão bem, por dentro deve arder como ninguém.
— ecosdoinfinito
Sylvia Plath, The Unabridged Journals of Sylvia Plath
The state of my heart
passei a tarde inteira com saudades de você, procurando sua presença em todos os lugares, mas sem conseguir te reconhecer.
o trovão ecoava ao longe, como quem anuncia não apenas o fim do dia,
mas o término de uma era…
o desfecho da nossa história.
a escuridão tomou conta, e, pouco a pouco, os planetas começaram a se alinhar.
foi então que você apareceu: majestoso, imponente, quase divino. seu sorriso atravessou a escuridão como uma luz celestial, trazendo a certeza de que tudo ficaria bem.
naquele instante, diante de você, senti-me o mais romano dos homens, rendido à sua grandeza e ao renascimento que sua presença inspirava.
- O Céu é De Júpiter
Courtney Marie Andrews, from Old Monarch: Poems; “Watercolor”
[Text ID: “If I were a paint, I’d be a watercolor. / Indecisive and hard to control, / no one wants to handle watercolors / unless they are brave, patient, or mad.”]

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(source for poem: two-bees-poetry)
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No dia que você quiser ir embora da minha vida, não construirei cercas ao redor da casa, não esconderei as cachorras para que elas não chorem sua partida, não deixarei o café esfriar. Acordarei pela manhã, prepararei os pães e as broas, enfeitarei os jardins e deixarei você ir. Celebrarei o nosso amor e a finda dele como quem sabe que durou tudo que tinha para durar e que nada é para sempre mesmo. Porque você me ensinou que somos pessoas e sistemas que se colidem e uns gostam da colisão e acabam ficando; outros, atemorizados pela metáfora da entrega, não permitem o toque. Então tenho que te agradecer e você me agradecer porque chegamos até aqui. Porque conseguimos partilhar a cama em noites frias e cruas, mas também conseguimos deitar um no outro em momentos tão mansos que pediria uma obra de arte.
No dia que eu acordar e perceber que não há amor, levantarei calma e serena, colocarei a roupa mais bonita, vestirei as meias da nossa primeira vez, me agasalharei com as roupas compradas naquela viagem ao Peru, arrumarei o quarto, amarei você por minutos finais de uma relação romântica que morreu pela boca mas não agonizou. Porque é triste demais quando os sistemas, perecendo, agonizam e despejam coisas dolorosas. Porque é triste demais quando os sistemas, já não sabendo compartilhar, expulsam e expurgam um ao outro - e aonde há expulsão, não há paz. Não há perdão. Não há calmaria.
[Não que devamos, sempre, ser calmos e mansos]
Num dia, que pode ser terça-feira da segunda semana de abril ou pleno natal, onde o amor tiver se esvaído assim como a água se esvai para os cantos da cidade, eu vou me aprontar para receber você e aquilo que você foi na minha vida com uma baita festa. Eu, você, as cachorras e o sol poente cobrindo nossa emancipação. Términos emancipam corações que precisam correr uma maratona toda, quem sabe São Silvestres, quem sabe quarteirões. O impulso é vital para que sobrevivamos neste mundo tão peculiar. Você vai precisar estar preparado para mim quando isso acontecer assim como eu terei de estar em paz quando descobrir em você o desejo pela mudança. Não quero ser como os casais da Rua Augusta que quebram os quadros, destroem as memórias que foram construídas arduamente, se jogam implorando a volta do ser amado. Eu não quero que você volte pra mim. No dia que o amor encucar de ir embora, você arrume suas malas e vá com ele. Você corra com ele e você vá viver outras vidas, outras pessoas, outros mundos. Porque eu estarei aqui, atormentada pela ideia de liberdade. Fui compreendida com um amor que não precisa socar as portas para ir embora; que não agride na hora da partida e que não esmaga as esperanças no que vem. Antes, me cobri com uma espécie de amor despido, nu e amparado em seios esperançosos.
Quando você sentir que a língua já não adoça minha boca como antes, prepare o melhor café da manhã que puder. Abra as janelas de casa, deixe o vento dançar quente pelo ambiente. Logo em seguida, coloque para tocar uma música de Nina Simone, aquela mesma em que me pego cantarolando às vezes no chuveiro. Com afeição, acorde-me com a ponta dos dedos, olhe-me serenamente e me diga sobre o amor que se foi. Eu vou entender, anestesiada, e te permitirei ir.
Vai. Vai sim. Vai correndo. Merecemos ser felizes.
E este fato - que pode acontecer num dia vulgar ou num dia importante - não será uma exceção que pediremos para passar nas melhores salas de cinema do mundo. Não será uma vitória daqueles que elevaram-se em espírito que poderiam ser facilmente canonizados, muito menos daqueles que tiveram uma compreensão mais profunda acerca do amor. Não. O amor cresce diferente em jardins diferentes. Felizmente o de minha casa nós fizemos para florescer. Por vezes, temos que cortar a flor pela raiz - o mundo é mau e traz as pragas - na ânsia de cuidá-la. O amor é uma flor que, por vezes, precisa ser cuidado. Não faz sentido deixá-lo crescer em tempo de apodrecer e ir embora.
O seu amor romântico por mim vai acabar e pode ser numa segunda-feira ou amanhã mesmo. Eu projetarei os caminhos, arrumarei o quarto, comerei as broas, rirei contigo das notícias na tv, lhe darei um beijo na testa.
Você fechará a porta, passará pelo jardim. Vai sorrir.
Acabou.
Louise Glück, from Meadowlands; "Departure"
[Text ID: "The night isn't dark; the world is dark. / Stay with me a little longer."]
Letter from Vincent van Gogh to Theo van Gogh, The Hague, 21 July 1882
[text ID: Though I am often in the depths of misery, there is still calmness, pure harmony and music inside me.]
Whether you come as a lover or an executioner, I am ready to receive you.

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"Tenho medo de me esforçar para ver o que há dentro de mim e acabar surpreendendo uma porção de coisas feias, sujas."
- Caio Fernando Abreu, Limite branco
To love is to look back.