acordei e já me sentia muito melhor da febre e do mal estar causados pela reação às vacinas. todos tomamos um café da manhã surtido de um tudo: pãozinho, queijo, suco, salgados, entre outras delícias. eu não tinha um apetite tão grande e só comi algumas coisas.
começamos a preparar realmente tudo o que precisava embalar, organizar para caber dentro da mochila. essa é a parte que menos gosto. graças a Deus, tenho a minha mãe que adora se ocupar disso. ela organizou a maior parte das coisas e talita ajudou.
almocei pouco tempo depois. comi algo muito leve que me trouxe minha mãe. um pouco de arroz branco com carne do sol e cubinhos de cenoura e batata. comi tudo. estava ainda um pouco abalado e não me sentia au top.
por volta do meio dia, decidimos seguir em direção ao aeroporto. fomos meus pais e eu primeiramente enquanto talita e jaume se arrumavam. ao sair, me despedi de lulu enquanto talita gravava cada instante. coloquei finalmente a minha mochila que comprara há um ano e meio e nunca usei e fomos ao metrô.
parecia que a chuva nos alcançaria, mas foram apenas nuvens carregadas de água que sobrevoavam e não fizeram chover. queria muito achar um lugar para sentar, mas os vagões estavam cheios e tive que ficar de pé até um certo ponto do caminho. quando por fim me sentei, o mal estar misturado à noite mal dormida me fizeram fechar os olhos e só abri-los muitas estações depois. saímos do vagão, pegamos o ônibus que já nos esperava para levarmos ao aeroporto. fui de olhos fechados também e às vezes minha mãe checava se tinha febre.
nos sentamos num banco e ficamos ali por alguns minutos até que avistamos talita e jaume caminhando como quem procurava por alguém. acenamos mas eles não nos viram. meu pai lhes telefonou e só assim eles chegaram ao ponto onde estávamos. tiramos algumas fotos em família e mais alguns vídeos. pensei que minha mãe estaria chorosa e triste, mas na verdade estava muito bem e tranquila assim como meu pai.
enquanto tirávamos fotos, akhi chegou. tirei fotos com ele também. para seguir o roteiro, ele chegou pelo menos uma hora depois do que ele dissera. logo em seguida chegou sau com uma camisa customizada com uma foto minha de quando era criança e abaixo dela a frase: i love my life because my life is you. representando a primeira frase que aprendi com ela. lembramos de quando aprendemos inglês com adebanjo.
sau foi até o check-in e voltou dizendo que a mulher lhe avisara que eu tinha que aparecer no guichê para assinar um formulário. fui com ela, assinei tudo e foi uma grande bênção que ela tenha ido porque não sabia que tinha que fazê-lo.
pouco depois, subimos para o embarque. a hora chegou tão rápida que não sabia muito bem como começar a despedida. fiquei um pouco perdido. abracei primeiro o meu pai, que me abraçou forte e chorou um pouco. em seguida abracei minha mãe que me disse muitas palavras bonitas, depois abracei talita (na verdade a abracei duas vezes), abracei jaume, sau e mon frère. ele disse que não chorava porque não sabia muito bem como reagir ou o que sentia. eu estava de acordo porque nem eu sabia. algumas lágrimas caíram dos meus olhos nesse momento. na hora de realmente sair, dei tchau e disse: au revoir! e entrei na fila.
senti um certo vazio e excitação ao mesmo tempo. fiz tudo o que devia e fui ao portão do avião que me levaria a guarulhos. sentado, fiquei imaginando e pensando nas pessoas que amo e me emocionei um pouco. finalmente, a fila para entrar na aeronave se formou e depois de esperar alguns longos minutos com uma mochila pesada nas costas, me sentei no banco 31J.
uma mulher entrou no avião e a achei muito parecida a talita, mas depois continuei com os meus pensamentos. ela se aproximava e de repente percebi que era sara. não podia acreditar que ela estava dentro do mesmo avião que eu! ela tinha celular ligado para gravar a minha reação. eu ri muito e disse: o que tu tá fazendo aqui? eu realmente não podia acreditar que ela estava no mesmo avião que eu, na poltrona ao meu lado. depois descobri que graças a uma oportunidade de trabalho em são paulo ela conseguiu ir e também para andar de balão. me senti muito feliz com a sua companhia. foi um voo muito tranquilo e rápido. apesar dos bancos não terem telas, não senti o tempo lento. aterrissamos em guarulhos num clima tranquilo.
tinha quatro horas até o próximo voo. sau queria comer algo e comprou uma maçã, um suco de morango sem açúcar e um misto. saindo dali, fomos primeiro nos guichês da delta e já fiz o check-in. depois fomos ver o que podíamos comer porque tinha fome e sau também. eu resolvi comer no burger king. pedi uma whooper, lembrando dos dias santiagueños. pensei que podia levr comida para o lugar que sau escolheu comer, mas não. tive que comer sozinho. depois fui ao local onde ela me esperava. me sentia um pouco mal e quando medi minha temperatura mostrava que tinha 37,5 graus. tomei um remédio para ver se baixava. conversamos por chamada com vovó, gustavo, ju, véu e dindo. sentia muito frio, mas sau me pediu que tirasse o casaco da patagônia e lavasse o rosto e o pescoço com água fria. fui resignado.
já quase era o momento de embarcar novamente. pensamos em passar no starbucks mas preferimos não arriscar. no caminho para o guichê delta estava o guichê a turkish airlines com voos indo para istambul. me deu uma forte vontade de entrar naquela fila e encontrar os meus queridos amigos na turquia.
antes de entrar no embarque, queria deixar com sau o meu chip tim. quando o tirei do celular ele caiu no chão e não conseguíamos vê-lo. começamos a procura-lo por toda parte. era incrível que um chip que estava sob a minha visão tivesse caído e sumido tão de repente. finalmente o encontramos dentro de um buraco no chão cheio de poeira e sujeira.
entrei na fila para embarcar e dei tchau a sau. ela fazia um vídeo da minha segunda partida, dessa vez menos chorosa. eu realmente estava cansado e só queria entrar no avião. depois ela me disse que quando passei a minha temperatura apareceu na tela 36 graus.
fiz todo o processo de checagem das malas e esperei no portão. já comecei ali a escutar algumas pessoas falando inglês. alguns com passaportes brasileiros e outros americanos. logo entrei no avião e ao meu lado estava uma garota loira e muito simpática. ates de me sentar ela organizava as suas malas e lhe dei tempo de fazer tudo o que precisava. dali começamos a conversar. ela é uma pessoa muito comunicativa e gentil. descobrimos que estávamos numa situação parecida. o nome dela é natália, mas ela disse que podia chamá-la de na, naty ou natália. ela é de curtitiba e estava indo cleveland, apesar de que a cidade onde vai morar se chama kent.
o avião era enorme e me senti confortável e seguro. o voo começou e me sentia muito feliz por estar ali. também conversava bastante com naty, preferi chamá-la assim.
num certo momento começou o serviço de bordo e escolhemos a nossa opção de janta. uma aeromoça muito simpática e bonita, como uma mulher negra de filme americano nos atendeu de forma muito simpática. eu pedi pasta e naty pediu frango. comíamos tranquilamente quando de repente vimos que algo acontecia com o rapaz da cadeira que estava na nossa frente. eu pensei que ele estava tentando agredir a moça ao seu lado, que logo saiu da cadeira. um aeromoço que aparentava ter 50 anos veio o começou a agarrá-lo por trás. uma mulher que estava sentada começou a chorar. naty e eu nos olhávamos apavorados e sem entender o que acontecia. somente entendi o que se passou quando o aeromoço fazia movimentos repetitivos no estômago do rapaz. ele tinha se engasgado com um pedaço de frango. feizmente ele conseguiu colocá-lo para fora e tudo voltou ao normal. num dado momento, naty gritou: socorro! help! isso foi um motivo para muitas risadas depois que tudo passou. a janta foi gostosa. comi pasta com queijo, suco de laranja industrial, pudding.
depois me cobri com a coberta que recebemos, acostei minha cabeça no travesseiro do mesmo kit e o tapa-olhos. e assim tentei dormir.