Ainda é você
Posso mentir para qualquer pessoa.
Posso sorrir quando me perguntam se já passou. Posso dizer que estou bem, que a vida seguiu, que aprendi a viver sem você. Posso inventar mil histórias para convencer quem olha de fora de que o seu nome já não pesa dentro de mim.
Posso até tentar mentir para mim.
Posso repetir que foi o melhor, que o tempo cura tudo, que existem outras pessoas, outros caminhos, outros amores. Posso encher meus dias de compromissos, minhas noites de distrações e meu silêncio de justificativas.
Mas o coração...
O coração não aprende por argumento.
Ele não esquece porque você decidiu esquecer. Não deixa de amar porque seria mais fácil. Não apaga uma história só porque ela terminou.
E é aí que todas as minhas mentiras desmoronam.
Porque basta um cheiro parecido com o seu, uma música qualquer, uma lembrança atravessando uma tarde comum, e tudo em mim volta para o mesmo lugar. Como se você ainda morasse aqui, ocupando espaços que ninguém vê, mas que eu sinto em cada detalhe.
A pior parte de amar alguém não é admitir esse amor para o mundo.
É admitir para si mesmo que ele continua existindo, mesmo quando você faz de tudo para arrancá-lo do peito.
Porque eu posso enganar qualquer pessoa.
Posso fingir que não espero uma mensagem que nunca chega. Posso dizer que não sinto falta do seu abraço, da sua voz, da paz que existia quando você estava perto. Posso até convencer os outros de que virei a página.
Mas nunca vou conseguir fazer meu coração acreditar que deixou de te amar.
Porque algumas pessoas vão embora da nossa vida...
E, ainda assim, permanecem vivendo dentro da gente.