O Mar e a Lua
Há quem pense que o mar deseja alcançar a lua.
NĂŁo Ă© bem assim.
O que o mar mais teme não é a distância.
É acordar uma noite e não encontrá-la no céu.
Porque há presenças que se tornam morada, mesmo quando nunca puderam ser porto.
Houve uma noite em que a lua decidiu partir.
O mar silenciou.
As marés perderam o ritmo, o vento pareceu esquecer o caminho das ondas, e até o horizonte pareceu grande demais.
Mas a lua voltou.
NĂŁo para mudar o destino dos dois.
Apenas para lembrar que algumas luzes nĂŁo precisam pertencer ao mar para continuarem iluminando-o.
E o mar compreendeu, com a tristeza serena de quem finalmente aceita:
há amores que nasceram para morar na delicadeza da amizade.
NĂŁo porque amem pouco.
Talvez justamente porque amem demais.
Assim, todas as noites, o mar continua olhando para a lua.
Não esperando que ela desça.
Nem desejando que desapareça.
Apenas agradecendo porque, entre tantos cĂ©us possĂveis, ela ainda escolhe brilhar sobre ele.















